FLÁVIO: ídolo no Corinthians, Fluminense e Inter/RS

                    Flávio Almeida da Fonseca nasceu dia 9 de junho de 1944 na cidade de Porto Alegre (RS).  Pelé e Romário não são os únicos jogadores brasileiros a terem feito mais de 1.000 gols. Flávio também atingiu a marca, pois marcou em toda sua carreira 1.070 gols.  Flávio está apenas atrás de Pelé que marcou 1.281 e isto é motivo de muito orgulho para este gaúcho que quando menino era músico (tocava saxofone) e entregava jornais, profissões que trocou depois pela de jogador de futebol, que começou a ser esboçada no Real Madri, equipe de várzea de Porto Alegre, de onde ele se transferiu para o Internacional de Porto Alegre em 1959, quando no teste que fez para tentar ingressar nas equipes infantis, marcou 3 gols em 35 minutos e logo ganhou a camisa 9 do colorado, onde jogou como profissional de 1962 até 1964, sem ganhar nenhum título, mas chegando a Seleção Brasileira em 1963.

CORINTHIANS

                   Em 1964 transferiu-se para o Sport Club Corinthians Paulista, onde jogou até 1969. Chegou ao Parque São Jorge como salvador da pátria, para acabar com a prolongada série de dez anos sem títulos. Flávio só conquistou um titulo nesse período, o Torneio Rio São Paulo de 1966, mas foi o artilheiro do Rio São Paulo de 1965 com 14 gols e do Campeonato Paulista de 1967 com 21 gols, superando Pelé. Ao chegar no Parque São Jorge, logo recebeu o apelido de “Minuano” nome de um vento do sul do país. Sua estreia com a camisa alvinegra, aconteceu no dia 15 de março de 1964, quando o Corinthians jogou e perdeu de 2 a 1 para o Flamengo no Pacaembu pelo Torneio Rio São Paulo.  Neste dia o Timão jogou com; Mauro, Neco, Eduardo, Cláudio e Ari Clemente; Amaro e Bazani; Marcos, Silva, Flávio e Lima. O técnico era o falecido Paulo Amaral. Em 1968, entrou para a história do Corinthians ao marcar um dos gols da vitória sobre o Santos, levando o time a quebrar um longo tabu de 11 anos sem vitórias sobre o time de Pelé em Campeonato Paulista. O jogo que contagiou a Fiel, terminou em 2 a 0, sendo o segundo gol da vitória corintiana, marcado por Flávio.

                  Este jogo aconteceu dia 6 de março de 1968, uma quarta feira à noite no Pacaembu. O Corinthians contava no seu ataque com Buião, Paulo Borges, Flávio e Eduardo, o técnico era Luiz Alonso Peres, o Lula. Aos treze minutos do segundo tempo, Paulo Borges arrisca um tiro longo de fora da área e faz 1 a 0 para o Timão. Pelé & Cia. não conseguem nada naquela noite. Finalmente aos trinta e um minutos, Rivelino sai driblando e toca para Flávio, que chuta sem defesa para o arqueiro Cláudio. Corinthians 2 a 0.  Era o fim da agonia da torcida corintiana, que aplaudiu a seguinte equipe naquela noite; Diogo, Osvaldo Cunha, Ditão, Luiz Carlos e Maciel; Edson e Rivelino; Buião, Paulo Borges, Flávio e Eduardo. 

                   Quatro dias depois, a torcida corintiana voltou a vibrar, ao vencer o Palmeiras por 2 a 1, na sua tradicional virada. Tupãzinho abriu o placar. Ditão empatou aos 41 minutos do segundo tempo e Benê marcou o gol da vitória aos 44 minutos.  Até hoje, Flávio relembra estas duas vitórias com muita alegria. 

FLUMINENSE

                  Em 1969, se transferiu para o Fluminense do Rio de Janeiro.  Com a camisa corintiana, Flávio disputou 228 jogos. Venceu 127, empatou 49 e perdeu 52.  Marcou 170 gols. No Fluminense, Flávio participou de uma grande equipe. Logo na sua chegada, sagrou-se campeão carioca. Depois de vencer o América com gol de Flávio, o Fluminense decidiu o título com o Flamengo no dia 15 de junho de 1969. Neste dia o Maracanã recebeu um público de 171.000 pessoas, para assistirem a final mais charmosa do Rio de Janeiro, ou seja, o tradicional Fla x Flu. O jogo foi tumultuado, com o goleiro do Flamengo tentando agredir o árbitro Armando Marques. O Fluminense bem articulado pelo técnico Telê Santana, acabou vencendo o Mengão por 3 a 2 de virada, sendo um dos gols de Flavio, que foi o artilheiro daquele campeonato com 15 gols.  O time do tricolor carioca de 69, era o seguinte; Felix, Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antonio; Denílson e Lulinha; Wilton, Flávio, Cláudio Garcia e Lula. Dois anos depois, o Fluminense mantinha a base de 69 e mais os reforços de Ivair, Suingue, Samarone e Ademar Pantera. Pelo Fluminense, Flávio marcou 92 gols.

OUTROS CLUBES

                   Em 1972, Flávio deixou o Brasil e foi jogar no time do Porto em Portugal, onde permaneceu por três anos e lá marcou 70 gols.  Em 1975, retornou ao Brasil, e desta vez para jogar no time que o revelou para o futebol, o Internacional de Porto Alegre.  E foi no colorado, que Flávio voltou a conquistar mais dois títulos em sua carreira, o Campeonato Gaúcho e o Campeonato Brasileiro, ambos no ano que chegou ao time colorado.  O jogo do Campeonato Brasileiro aconteceu dia 14 de dezembro de 1975 no estádio Beira Rio, onde o Inter venceu o Cruzeiro por 1 a 0, gol de Figueiroa. Neste ano o Inter montou um time praticamente imbatível; Manga, Cláudio, Figueiroa, Hermínio e Vacaria; Falcão e Carpegiani; Valdomiro, Escurinho, Flávio e Lula.  O artilheiro deste campeonato foi Flávio com 16 gols.  Pelo Internacional, Flávio marcou 84 gols.

                   No final de 1976, foi jogar em outro clube gaúcho, desta vez no Pelotas, onde jogou somente uma temporada e marcou 19 gols. Passou ainda pelo Santos em 1977, onde marcou somente 3 gols, pelo Figueirense de Santa Catarina em 1978, onde marcou somente 1 gol, pelo Brasília em 1979, onde marcou 2 gols e finalmente no Jorge Wilstermann da Bolívia em 1981, onde marcou 11 gols.  E foi lá na Bolívia que Flávio encerrou sua carreira de jogador de futebol.   Teve uma curta passagem pela Seleção Brasileira, atuando em apenas 18 partidas, inclusive foi um dos 47 convocados por Vicente Feola para ir ao mundial da Inglaterra em 1966, mas, como a maioria dos jogadores, ele também foi cortado. Pela seleção canarinho, Flávio marcou 9 gols. 

                  Pelos clubes em que passou, Flávio marcou história. Centroavante de raça e guerreiro sabia se posicionar bem na área e agradava principalmente à torcida. Trombador e imprevisível foi artilheiro nos quatro clubes que defendeu.  Já com 18 anos de idade, se destacou no Internacional. Conquistou os torcedores gaúchos com sua gana de gol, pois, para ele não tinha bola perdida.  Flávio é o oitavo maior goleador do mundo. Superou a histórica marca de mil gols e entrou para a história do Brasileirão de 1975, ao levar o Internacional a sua primeira conquista do título nacional, além de ser o artilheiro do torneio com 16 gols. Com essa marca, Flávio superou craques como Roberto Dinamite, que naquele campeonato marcou 15 gols e o lateral Nelinho, com 12 gols.

                   Sempre foi um atacante lutador, deixou saudades onde passou. Era oportunista e tinha o faro do gol. Trabalhou durante algum tempo como professor nas escolinhas de futebol para crianças no Monte Líbano, em Ermelino Matarazzo, Zona Leste de São Paulo.  O ex-atacante sabia que seus alunos não o viram jogar, mas fazia questão de espalhar sua fama de artilheiro.  Os pais daqueles meninos o viram jogar e sabiam muito bem o que foi Flávio dentro de campo.  Contava aos meninos com orgulho que havia marcado mais de 1.000 gols, embora não fosse tão comentado como foi o de Pelé e Romário. Seu milésimo gol foi marcado em 1976, quando jogava pelo Pelotas, no interior do Rio Grande do Sul. O jogo era Pelotas versus Caxias, no estádio Alfredo Jaconi.  O resultado da partida foi um empate de 3 a 3. Seus companheiros de clube comemoraram muito, teve um oba-oba, mas foi uma coisa superficial.  O Brasil nem ficou sabendo.

                    Depois fizeram um levantamento e segundo o Departamento de Estatística da FIFA, ficou confirmado que Flávio marcou 1.070 gols em toda sua carreira, por isso, é o oitavo artilheiro do mundo.  Foi sem dúvida uma carreira vitoriosa, pois jogando pelo Internacional, foi campeão gaúcho em 1961, ainda no início de carreira. Catorze anos depois voltou a jogar no Colorado e foi campeão brasileiro em 1975 e bicampeão gaúcho em 1975/76. Pelo Fluminense foi campeão carioca em 1969, campeão da Taça de Prata (que hoje recebe o nome de Campeonato Brasileiro) em 1970 e, no ano seguinte voltou a ser campeão carioca pelo clube das Laranjeiras.

                    Flávio sempre comenta que sua maior tristeza foi não ter sido campeão paulista pelo Corinthians durante os cinco anos que vestiu a camisa alvinegra de Parque São Jorge. Sempre amou a Fiel torcida e gostaria de dar este presente à ela, no entanto, não foi possível, mesmo tendo jogado ao lado de grandes craques como Rivelino, Luiz Carlos, Paulo Borges, Bazani, Dino Sani, Tales, Garrincha e tantos outros.  Outra tristeza que guarda em seu coração, foi a morte dos jogadores corintianos Lidu e Eduardo, falecidos no dia 28 de abril de 1969, num trágico acidente de automóvel na Marginal do Tiete.  Mas Flávio também não esquece dos inúmeros momentos de felicidade que teve vestindo a gloriosa camisa do Corinthians, principalmente aquela noite de 6 de março de 1968, quando o Corinthians quebrou o tabu de 11 onze anos sem vencer o Santos em Campeonato Paulista, sendo que, um dos dois gols corintianos, foi anotado por ele.

Em Pé: Jair Marinho, Dino Sani, Galhardo, Ditão, Edson e Heitor      –     Agachados: Garrincha, Nair, Flávio, Tales e Gilson Porto
Em pé: Jair Marinho, Dino Sani, Ditão, Marcial, Clóvis e Maciel      –     Agachados: Bataglia, Rivelino, Silvio, Flávio e Gilson Porto
Em Pé: Jair Marinho, Edson, Galhardo, Ditão, Dino e Heitor      –     Agachados: Garrincha, Nair, Flávio, Tales e Gilson Porto
Em pé: Jair Marinho, Marcial, Ditão, Edson, Clóvis e Maciel      –     Agachados: Marcos, Tales, Flávio, Rivelino e Nilson
Em pé: Clóvis, Galhardo, Marcial, Dino Sani, Edson e Eduardo      –     Agachados: Marcos, Rivelino, Airton, Flávio e Geraldo José

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