PALHINHA: ídolo do Corinthians e do Cruzeiro

                   Wanderlei Eustáquio de Oliveira nasceu dia 11 de junho de 1950, em Belo Horizonte (MG).  No meio futebolístico ele é conhecido como Palhinha, apelido que ganhou por causa de seu irmão, que era conhecido como Palha de Aço por conta de seus cabelos crespos.

CRUZEIRO

                  Palhinha chegou ao Cruzeiro em 1964, com apenas 14 anos de idade. Jogou futsal até 1966, quando passou para o futebol de campo. O início de sua carreira profissional, em 1968, foi complicado. Com a concorrência de grandes jogadores, ele demorou para se tornar titular e até 1972, foi apenas uma espécie de reserva de emergência, lançado somente quando o dono da posição era afastado. Naquele tempo, com Tostão, Dirceu Lopes e Zé Carlos, era praticamente impossível querer ser titular na equipe. Sendo assim, acabou aceitando qualquer posição, pois o que ele queria era jogar. Foi ponteiro dos dois lados, meia, centroavante, enfim, só não foi goleiro.          

                 Segundo ele, foi o técnico Yustrich quem o fez encontrar seu posicionamento mais adequado em campo. Mas foi em 1972 que Palhinha teve sua grande chance no time da Toca da Raposa. E não decepcionou. Pouco antes das finais do Campeonato Mineiro, Dirceu Lopes fraturou a perna e também com a saída de Tostão que foi jogar no Vasco,  surgiu a grande oportunidade na vida daquele jovem, que até então era um reserva de luxo. Atuando como terceiro homem do meio-campo, com liberdade para se aproximar do parceiro Roberto Batata, Palhinha teve um excelente desempenho e foi fundamental na conquista do título.

                 Nesta decisão do Campeonato Mineiro de 1972 contra o Atlético, Palhinha marcou os dois gols que deram o título ao Cruzeiro. O seu nome acabou gerando uma provocação criativa da torcida cruzeirense que, no dia seguinte, usou uma palhinha de cigarro atrás da orelha, para lembrar os rivais quem era o seu mais novo carrasco. A partir daquela final, a carreira do jogador deslanchou. Neste mesmo ano, foi convocado, pela primeira vez, para a Seleção Brasileira, pelo técnico Zagallo. Mas seu estilo intempestivo acabou lhe custando uma vaga nas convocações para a Copa do Mundo. Depois de assumir de vez uma vaga no time celeste, ele foi um dos destaques nos títulos estaduais dos três anos seguintes.

                  No título da Libertadores de 1976, formou um trio de ataque com Jairzinho e Joãozinho e sagrou-se artilheiro da competição com 13 gols. Foi o jogador brasileiro que mais gols marcou numa mesma Libertadores. O recorde só foi quebrado, muitos anos depois, pelo atacante Luisão, do Corinthians, em 2.000. Quando saiu do Cruzeiro em 1977, Palhinha ostentava a expressiva marca de seis títulos mineiros; o bicampeonato em 1968 / 69 e o tetra em 1972/73/74/75. O ex-centroavante é o 9º jogador que mais vezes vestiu a camisa celeste, num total de 448 jogos disputado, e é o 7º maior artilheiro da história do clube com 155 gols.

                 Se o destaque que Palhinha obteve no Cruzeiro fosse levado em conta, era de se estranhar que ele tenha permanecido tanto tempo no futebol mineiro. Em entrevista ao jornal “A Gazeta Esportiva” em julho de 1976, ele admitiu que temia uma transferência para o futebol paulista ou de fora do país. “O Cruzeiro cobriu a boa proposta que recebi do Palmeiras e acredito que sempre vai ser assim, a não ser que apareça um time e faça uma oferta fora de série”, analisou o atleta.

CORINTHIANS

               A “oferta fora de série” veio em 1977 e foi do Corinthians. O presidente alvinegro Vicente Matheus desembolsou uma quantia milionária para levar o jogador para o Parque São Jorge. E Palhinha tinha a personalidade certa para defender o Alvinegro.  O Corinthians o contratou por um milhão de dólares, ou seja, sete milhões de cruzeiros, na maior transação do futebol brasileiro na época. Muitos acharam loucura quando Vicente Matheus o contratou, mas depois ele provou que acabou valendo cada tostão nele investido, pois era um jogador que conciliava a velocidade com a inteligência. Era um artilheiro, que a base de valentia, furava as defesas adversárias e incomodava muito os zagueiros. Manhoso, catimbeiro, ele chegou, ainda na época de Cruzeiro, a incomodar tanto o zagueiro Figueroa, do Internacional, que acabou com o nariz quebrado. Figueroa, é claro, foi expulso.

                Essa fama de jogador guerreiro facilitou sua adaptação ao Corinthians. No alvinegro de Parque São Jorge, Palhinha entrou para a história ao participar da campanha que tirou o clube de um jejum de títulos de quase 23 anos. O atacante foi decisivo ao marcar um gol de nariz na primeira partida das finais contra a Ponte Preta, abrindo assim o caminho para a conquista do título de 1977. Neste dia o Corinthians jogou com; Tobias, Zé Maria, Moisés, Zé Eduardo e Wladimir; Ruço, Basílio e Luciano; Palhinha, Geraldão e Adãozinho (Lance). O gol de Palhinha foi marcado aos 14 minutos do primeiro tempo, quando ele chutou, bateu no joelho do goleiro Carlos e voltou batendo no nariz do atacante e indo para o fundo das redes da Macaca.  Machucado, não pode jogar o terceiro e decisivo jogo. “Ele estava com ânsia de jogar, queria entrar de qualquer jeito. Mas eu já sabia que o departamento médico não tinha liberado.

                Você acha que, se houvesse jeito, eu ia deixar o Palhinha de fora de um jogo daqueles? Então eu falei para ele ficar ao meu lado no banco, que nós íamos ganhar juntos”, contou o técnico alvinegro na conquista, Osvaldo Brandão. Antes da partida final, Palhinha dizia ao seus companheiros de equipe; “Nós não ganharemos dinheiro pela conquista, mas nunca mais seremos esquecidos”. E isto aconteceu mesmo. Ainda no Corinthians, ele formou dupla memorável com Sócrates nos dois anos seguintes, quando sagrou-se Campeão Paulista em 1979, novamente em cima da Ponte Preta. Com a camisa do Corinthians, Palhinha disputou 148 partidas. Venceu 79, empatou 42 e perdeu 27. Marcou 44 gols.

ATLÉTICO MINEIRO

No fim de 1979, o pai de Palhinha estava doente e ele pediu ao presidente do Corinthians, Vicente Matheus, que permitisse sua transferência para Minas Gerais. O dirigente corintiano entendeu o apelo do craque, permitiu sua saída para o Atlético/MG, e, com isso, ganhou para sempre a admiração do atleta. A transferência não foi vista com bons olhos pela torcida do Cruzeiro, que havia se acostumado a torcer pelo jogador. “O torcedor do Cruzeiro ficou chateado, mas temos que ver o lado profissional. Eu estava com o meu pai doente e tinha que estar aqui. Naquela época, isso não acontecia com muita freqüência. Hoje os jogadores trocam de clube toda hora. Acabou aquilo de ficar dez anos no clube, criar identidade”, comentou o ex-atleta.

                 No Atlético/MG, Palhinha fez parte de uma geração memorável, que contava com João Leite, Luisinho, Cerezo, Reinaldo e Éder. Com o bicampeonato em 1980/81 pelo Galo, somou mais dois títulos mineiros à sua coleção. O ex-jogador lembra com carinho de sua passagem pelo Atlético, mas admite que sua identificação maior é com o Cruzeiro: “Recebo o respeito de ambos os lados hoje, mas marquei mais em minha passagem pelo Cruzeiro. Comecei e fiquei muitos anos lá. Com certeza, sou visto de outra forma pelos cruzeirenses”.  Em 1982, ele jogou no Santos, mas foi uma passagem muito curta pela Vila Belmiro. No ano seguinte jogou no Vasco, onde também jogou por pouco tempo. Retornou em 1.983 ao Cruzeiro, para levantar a taça de Campeão Mineiro de 1984, com uma goleada de 4×0 sobre o Atlético Mineiro. 

                 Em 1985, foi jogar no América Mineiro, clube no qual encerrou sua carreira de jogador profissional.  E foi lá no América que ele iniciou, logo em seguida, a carreira de treinador. Na nova função, passou por Atlético/MG, Cruzeiro, Marília, Ferroviária, Inter de Limeira e Corinthians, sem muito sucesso. No Corinthians por exemplo, Palhinha dirigiu a equipe no Paulista e Brasileiro de 1989, fazendo um total de 25 partidas, das quais venceu 13, empatou 3 e perdeu 9 vezes.  Quando assumiu o Corinthians, em 1989, explicou porque havia decidido tentar a sorte como técnico: “É que o futebol está no sangue, eu cresci no ambiente do futebol. Meu pai era técnico de um time amador, o Comercial de Barreiro de Cima, um bairro grande de Belo Horizonte. Por causa da grande rivalidade entre as equipes da região, muitas vezes eu o vi saindo de casa com uma faca na cintura, pronto para o que pudesse acontecer”. Mesmo assim, ele fica triste, pois diz que o futebol é muito desgastante. É uma minoria que faz sucesso, por isso, ele não recomenda para seu filho ser jogador profissional.

              Pela Seleção Brasileira, Palhinha disputou 19 partidas e marcou apenas três gols entre 1972 e 1976. Ainda com a camisa canarinho, participou da Seleção Olímpica de 1968. Sem dúvida, Palhinha teve uma carreira vitoriosa, pois sagrou-se campeão pelo Cruzeiro em 1968, 69, 72, 73, 74 e 75 em campeonatos estaduais e em 1976 pela Taça Libertadores da América. Jogando pelo Atlético Mineiro, foi Campeão Mineiro em 1984 e pelo Corinthians foi Campeão Paulista em 1977 e 1979.

Em pé: Leão, Oscar, Amaral, Falcão, Miranda, Zé Maria e o técnico Carlos Alberto Silva     –    Sentados: Careca, Zico, Palhinha, Carpegiani e Zenon
Em pé: Waldir Perez, Chicão, Nelinho, Miguel, Amaral e Marinho Chagas     –    Agachados: Flecha, Geraldo, Palhinha, Rivelino e Lula
Em pé: Zé Carlos, Nelinho, Procópio, Vitor, Perfumo e Vanderlei     –    Agachados: Joãozinho, Palhinha, Evaldo, Dirceu Lopes e Lima
Em pé: Zé Maria, Tobias, Ruço, Moisés, Ademir Gonçalves e Cláudio Mineiro     –    Agachados: Vaguinho, Basílio, Palhinha, Geraldão e Edu
Em pé: Jairo, Zé Maria, Taborda, Amaral, Zé Eduardo e Romeu     –    Agachados: Piter, Palhinha, Sócrates, Biro Biro e Wladimir
Em pé: Gilberto, Carlos Silva, Joãozinho, Marola, Toninho Carlos e Mauro     –    Agachados: Paulinho, Cardim, Palhinha, Pita e João Paulo
Em pé: João Leite, Orlando, Osmar Guarnieri, Luisinho, Toninho Cerezo e Jorge Valença     –    Agachados: Pedrinho, Geraldo, Palhinha, Reinaldo e Eder
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