GALO x LEÃO: o Derbi Limeirense

                     Originada de um time da várzea, o “Barroquinha”, a A. A. Internacional de Limeira foi fundada em 1913. O nome escolhido foi uma justa homenagem aos vários imigrantes radicados na cidade. Por muitos anos, o Derbi da cidade reunia a Inter e o São João F.C. (que funde-se com o Gran Clube, surgindo o Gran São João em 1948). O Independente, fundado em 1944, perdurou muitos anos pelo amadorismo e se profissionaliza somente na década de 70. Com a desistência do Gran São João pelo futebol profissional e a ascensão do Independente, Limeira vive um duelo que dura até o final da década de 70, quando a Inter sobe para a Primeira Divisão Paulista. A partir daí a cidade fica sem seu Derbi por quase 30 anos, voltando com tudo em 2007. Apesar de todos estes anos sem o famoso encontro, a rivalidade nunca esfriou e está cada dia mais viva.

                     O apelido do Derbi vem das iniciais de seus respectivos mascotes: o galo (Independente) e o leão (Inter). Porém, o clássico tem duas denominações: os torcedores da Inter diz “LeGal” (Leão x Galo) e os do Independente, “GaLeão” (Galo x Leão). Na década de 60 o Derbi limeirense reunia Internacional e Gran São João, mas o Independente deu um charme todo especial para o encontro, criando uma rivalidade que dura até os dias de hoje.

POR QUE  GALO DA VILA?

                     Surgiu o cognome “Galo”, por dois motivos.  O primeiro, seu uniforme, parecido com o do Atlético Mineiro, e o outro por ter enfrentado os grandes papões de Limeira, como:  Sete de Setembro, América, Estudantes, Cruzeiro, Prada, Flamengo, Máquina São Paulo e outras boas equipes da época, sempre lutando até o fim, como um verdadeiro Galo de briga.

POR QUE  LEÃO DA PAULISTA? 

                     Porque sua equipe costumava utilizar muito da “Companhia Paulista de Estradas de Ferro”, e como seus jogadores, lutavam como leões em campo, seus adversários começaram a chamar o time de “Leão da Paulista”.

HISTÓRIA

                    O primeiro Derbi aconteceu em 1975, ano em que faleceu o Comendador Agostinho Prada, que deu seu nome ao estádio hoje utilizado pelo Independente. Ele faleceu dia 11 de fevereiro daquele ano. No mês seguinte, a Internacional anunciava o seu retorno ao profissionalismo, depois de anos parada. No dia 6 de abril, tivemos a reinauguração do Pradão, que teve sua capacidade aumentada para dez mil lugares. Para este jogo, o Galo recebeu a Portuguesa de Desportos e o jogo terminou empatado em 2 a 2, gols de Nestor e Teléco para o Galo e Dicá e Antonio Carlos para a Lusa. Ainda no mês de abril, Inter e Independente receberam a notícia que foram incluídos no Campeonato Paulista da Primeira Divisão, tendo direito a brigar por uma vaga na divisão de elite do futebol paulista. Depois de algumas rodadas, chegou o dia de Inter e Independente se enfrentarem. Seria o primeiro Derbi da história do futebol limeirense.

PRIMEIRO DERBI

                    O primeiro “Legal” ou “Galeão” como queiram, aconteceu dia 8 de junho de 1975, no Estádio Comendador Agostinho Prada. O interesse era tão grande pelo clássico, que os portões foram abertos aos torcedores às 12:00h. Os dois times estavam invictos no Paulista. A Inter vinha de duas vitórias seguidas contra a Esportiva de Guaratinguetá por 1 a 0 e contra o CAP, por 4 a 1, enquanto o Independente havia empatado com o Estrela, fora de casa, sem abertura de contagem e vencido o São José por 2 a 1 e o Vasco, em Americana, por 4 a 1. A lotação era máxima e algumas faixas na torcida chamavam a atenção. Em uma delas dizia: “A torcida do Leão saúda a torcida do Galo”.

                   Na outra: “Somos leoninos, mas acima de tudo limeirenses”. As charges eram engraçadas. Por parte da Inter, um leão aparecia sentado em cima de um galo com a crista na mão. A resposta era um galo segurando com força o rabo de um leão. Embora proibidos na época, muitos rojões saudaram a entrada das equipes no gramado. O jogo rendeu aos cofres limeirenses a quantia de 127 mil cruzeiros, com mais de 9 mil pagantes.

                   A equipe leonina jogou com; Carlinhos Biagioli, Silvinho, Colombo, Celso e Miranda; Paulinho e Sérgio Moraes; Nunes (Mauro), Armando, Donizete e Mandu. O técnico era Gaspar. A equipe galista jogou com; Pedro Paulo, Tute, Bassinho (Samuel), João Miguel e Dadona; Chiquinho e João Ferraz; Nelsinho, Teleco (Sormani), Delem e Nestor. O técnico era Toninho Maldonado.

                   O primeiro gol da história do Derbi foi marcado por Sérgio Moraes aos 11 minutos do segundo tempo. Após falta cobrada por Mandu, o goleiro Pedro Paulo deu rebote e Sérgio Moraes, livre de marcação, abriu o placar. O gol de empate surgiu aos 29 minutos, quando Nestor recebeu de Tute e após furada do zagueiro Colombo, teve o trabalho apenas de tocar por cobertura na saída do goleiro Carlinhos Biagioli. E assim terminava o primeiro Derbi da história, Inter 1×1 Independente.

SEGUNDO  DERBI

                   O segundo Derbi oficial entre Internacional e Independente aconteceu no dia 10 de agosto de 1975, na Usina São João, em Araras, pelo returno do Campeonato Paulista. Naquela ocasião a vitória foi leonina por 1 a 0. O primeiro tempo foi sonolento, sem nenhuma chance real. O único gol do  jogo surgiu aos 15 minutos da etapa complementar. Após escanteio cobrado por Nunes, Sérgio Moraes escorou de cabeça, sem chances para o goleiro Wagner. A Inter contou com uma tarde inspirada do goleiro Doná, que fez verdadeiros milagres, evitando o empate. O Galo teve em João Ferraz a sua melhor figura em campo. O meia acertou a trave leonina em uma cobrança de falta da meia-esquerda.

                 Mas por reclamação, acabou sendo expulso de campo nos minutos finais. João Ferraz não se conformou com a arbitragem do polêmico José de Assis Aragão, que não teria marcado um pênalti escandaloso do goleiro Doná em Chiquinho, após um contra-ataque fulminante galista. Mesmo com 10 homens em campo, o valente Galo quase empatou com Nestor, que venceu o goleiro Doná, mas o zagueiro Klein salvou em cima da linha. A Inter pouco fez na etapa complementar.

                 Além do gol, Paulinho teve a chance de ampliar, quando recebeu um lançamento primoroso no ataque, mas não teve tranqüilidade, finalizando em cima de Wagner. Com o apito final, quase todos os jogadores galistas cercaram Aragão, que foi obrigado a receber escolta policial para deixar o gramado. “Foi um absurdo o que ele fez com o Galo”, desabafou João Ferraz. E assim terminava o segundo Derbi da história, Internacional 1×0 Independente.

O DERBI MAIS EMOCIONANTE

No returno do campeonato de 1977, mais precisamente dia 4 de dezembro, no Estádio Major José Levy Sobrinho, foi registrado o Derbi mais emocionante de todos já realizados até agora, com direito a sete gols. Pena que o torcedor não compareceu em bom número em razão da chuva. O Independente começou melhor o confronto e perdeu duas ótimas chances nos 10 primeiros minutos. Mas na primeira vez que a Internacional atacou, marcou. Aos 11 minutos, Edson Só lançou Pedrinho, que apenas ajeitou de cabeça para o chute forte de Marquinhos Capivara na entrada da área, 1 a 0.

                 O Galo não se abateu e chegou ao empate aos 15 minutos com Beto Badê. Não demorou muito e aos 30 minutos a torcida galista vibrava com o gol da virada, anotado por Gazela. O Leão não se deu por vencido e empatou aos 43 minutos, quando Pedrinho acertou um poderoso chute de fora da área, no ângulo do goleiro Raul. Dois minutos depois a Inter ficaria novamente à frente. Em uma jogada parecida com o primeiro gol, Pedrinho ajeitou de cabeça e Marquinhos Capivara emendou um tiro cruzado, no canto de Raul, fazendo 3 a 2.

                 O segundo tempo prometia ser ainda melhor e foi. Aos 2 minutos, Beto Badê colocou fogo no Derbi ao empatar por 3 a 3. Mas aos 14 minutos, Pedrinho tabelou com Tião Marino e acertou o canto direito de Raul, que nada pode fazer, 4 a 3 para a Inter, placar final. Foram expulsos pelo árbitro Joel Teixeira Caires os galistas Marco Antônio e Nestor e o leonino Edson Só.

                Até hoje temos o seguinte retrospecto: Foram 26 jogos. O Independente venceu 8 vezes e a Internacional venceu 10. Tivemos 8 empates. O Independente já marcou 27 gols e a Internacional também marcou 27.  Que sempre vença o melhor e que sempre haja muita paz entre os torcedores nas arquibancadas, pois galistas e leoninos serão eternamente rivais, porem, nunca inimigos.

Independente de 1960   –   Em Pé: Dirceu, Cristal, Batista, Chico Bode, Maquinão, Friaça e Rigo     –    Agachados: Pedrinho, Marrom, Peixão, Mainha e Marronzinho
Em Pé: Klein, Pedro Paulo, Pitico, Carlinhos, Lopes e Alexandre Pimenta     –    Agachados: Juarez, Ademir Melo, Tião Marino, Tornado e Caldeira
Independente de 1973  –  Campeão da Segunda Divisão    –   Em Pé: Dadona, Hélio, Bassinho, Candian, Américo e Chiquinho    –   Agachados: Beto, Mello, Careca, Nestor e Oswaldinho
Internacional campeã paulista de 1986  –  Em Pé: Silas, Pecos, Juarez, Manguinha, Bolivar e João Luiz     –      Agachados: Tato, Gilberto Costa, Kita, João Batista e Gilson
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