DIRCEU: uma formiguinha dentro de campo

                   Dirceu José Guimarães nasceu dia 15 de junho de 1952, na cidade Curitiba – PR. Com um preparo físico impecável, corria por todo o campo durante todo o jogo, fechando todos os espaços, perseguindo os adversários e colocando velocidade nas jogadas. Sua técnica e habilidade lhe renderam o apelido de “formiguinha”. Apesar de toda esta garra e determinação, após 25 anos encerrou sua carreira sem receber nenhum cartão vermelho. Foi um jogador que atuava como ponta-esquerda e meia. Dirceu foi um dos principais jogadores da Seleção Brasileira de Futebol na décadas de 1970 e 1980, com três Copas do Mundo e uma Olimpíada.

                   Na copa de 1978 foi eleito o terceiro melhor jogador do mundo. Aqui no Brasil jogou em vários clubes, por exemplo; Coritiba, Vasco, Fluminense e Botafogo. No exterior jogou no América do México, Atlético de Madri e na Itália jogou no Verona, Nápoli, Áscoli e Avellino. Foi considerado o melhor jogador do Campeonato Italiano na temporada 1985/86. Foi campeão pelo Coritiba, pelo Fluminense e pelo Vasco da Gama.

                   Dirceu começou a atuar no futebol em 1960, aos 8 anos de idade, no infantil do Coritiba. Mais tarde, lançado por Filpo Núñez faz sua estréia no profissional, aos 18 anos. Sagrou-se campeão paranaense em 1971 e 1972. Ficou no Coritiba até o final de 1972, quando se transferiu para o Botafogo do Rio de Janeiro, onde teve sua primeira grande oportunidade. Apesar de nenhum título conquistado pelo time de General Severiano, se destacou na equipe o que garantiu sua convocação para Copa de 1974. Em 1975 o Fluminense começa a formar o time mais técnico de todos os tempos.

                  Junto com craques como Rivelino, Carlos Alberto Torres, Paulo Cesar Caju entre outros, fez parte da famosa “Máquina Tricolor”, considerada imbatível, consagrando-se Bi-Campeão Estadual 1975/76. Em 1977, o presidente do Fluminense inventa o “troca-troca”, através do qual Dirceu vai para o Vasco da Gama. Apesar de o Fluminense ter recebido dois jogadores, a troca se revelou muito mais positiva para o Vasco, já que Dirceu acerta o meio-campo e o time parte para uma brilhante conquista: o título de Campeão Estadual em 1977. Dirceu participou das 30 partidas em que o Vasco disputou e marcou 4 gols.

SELEÇÃO BRASILEIRA

                  Dirceu disputou três Copas do Mundo, 1974 na Alemanha, 1978 na Argentina e 1982 na Espanha. Em sua primeira participação com a camisa canarinho, Dirceu fez quatro jogos; contra a Alemanha em que vencemos por 1 a 0 gol de Rivelino, contra a Argentina que vencemos por 2 a 1, gols de Rivelino e Jairzinho, na derrota para a Holanda por 2 a 0, quando fomos eliminados e contra a Polônia na decisão do terceiro lugar, mas perdemos por 1 a 0 e ficamos em quarto. Neste mundial o Brasil fez 7 jogos. Venceu 3, empatou 2 e perdeu 2. Marcou 6 gols e sofreu 4.

                 Na sua segunda participação em Copa do Mundo, Dirceu jogou todas as partidas, ou seja, contra a Suécia em que empatamos em 1 a 1, gol de Reinaldo, contra a Espanha em que empatamos em 0 a 0, contra a Áustria, que vencemos por 1 a 0, gol de Roberto Dinamite, contra o Peru que vencemos por 3 a 0, com dois gols de Dirceu e um de Zico, contra a Argentina em 0 a 0, contra a Polônia em que vencemos por 3 a 1, com dois gols de Roberto Dinamite e um de Nelinho e contra a Itália quando decidimos o terceiro lugar e vencemos por 2 a 1, gols de Nelinho e Dirceu. Neste dia o Brasil jogou com; Leão; Nelinho, Oscar, Amaral, Rodrigues Neto; Batista, Toninho Cerezo (Rivelino), Jorge Mendonça, Dirceu; Gil (Reinaldo), Roberto. O Brasil ficou em terceiro lugar e fez 7 jogos. Venceu 4 e empatou 3. Marcou 10 gols e sofreu 3 apenas. Neste mundial disputado na Argentina, Dirceu recebeu a Bola de Bronze, como terceiro melhor jogador daquela Copa de 1978.

                Na sua terceira participação, Dirceu jogou apenas uma partida, não esquecendo que naquela seleção só tinha feras. Sua única partida foi na estréia contra a Rússia, em que vencemos por 2 a 1, gols de Sócrates e Eder. Neste mundial, o Brasil ficou em 5º lugar, depois de perder para a Itália por 3 a 2, num jogo em que o empate já nos bastava. O Brasil realizou 5 jogos. Venceu 4 e perdeu 1. Marcou 15 gols e sofreu apenas 6. Foi uma seleção que até hoje o torcedor brasileiro lamenta a perda do título. Com a camisa da Seleção Brasileira Dirceu disputou 44 partidas e fez 17 gols.

FORA DO BRASIL

               Depois da Copa da Argentina, Dirceu se transfere para o México onde atuou pelo América do México. O campeonato era fraco e sendo ele o principal jogador da liga sofria com a marcação dura e até desleal dos oponentes. Sabe-se que os adversário usavam de todos os artifícios para abalar Dirceu, alfinetadas, cuspes, puxões de cabelos, entre outras técnicas. No ano seguinte, cansado do futebol mexicano, vai jogar no Atlético de Madrid, onde atua por três anos. Em 1982 Dirceu vai para Itália jogar no estreante Verona. O pequeno time veneto foi a grande revelação do campeonato concluindo a temporada em quarto lugar e perdendo na prorrogação a Final da Copa Itália. Nos anos seguintes jogou pelo Nápoli, Áscoli e Como.

               Em 1986 o Como disputa a melhor temporada de sua história chegando na oitava colocação do campeonato e na semifinal da Copa Itália, onde foi desclassificado após um fanático torcedor atingir o árbitro com um isqueiro, acabando com os sonhos da equipe. Com essa grande campanha do time lombardo, Dirceu foi eleito o melhor jogador do campeonato italiano de 1985/86, garantindo sua convocação para aquela que seria a sua quarta Copa do Mundo. Infelizmente a pouco dias do inicio da Copa, já no Mexico, um choque com o goleiro Paulo Victor acabou com o sonho do “formiguinha”, que foi cortado.

               De volta à Itália, onde se recuperava fisicamente e psicologicamente, aceitou a proposta do presidente Paolo Graziani e foi jogar no Avellino. Rapidamente virou um ídolo da torcida pelos seus passes, gols e simpatia fora dos campos. O Avellino terminou o campeonato no ponto mais alto de sua história: oitavo lugar com 30 pontos. No final da temporada Dirceu volta para o Brasil para jogar no Vasco, porém desentendimentos com o até então técnico do Vasco, Sebastião Lazaroni, o forçaram a largar a equipe. No mesmo ano aceitou o convite do técnico Carlos Alberto Torres para jogar nos E.U.A., precisamente no Miami Sharks.

               Nos anos 90 já com 38 anos, Dirceu volta para Itália para disputar a série A de Calcio A5 (futebol de salão) pelo Harvey Bologna. Nesta época existia uma brecha no regulamento que permitia o jogador participar de campeonatos de futebol de salão e de campo ao mesmo tempo, conhecida como Nula Osta. Como os jogos eram disputados aos sábados, Dirceu conseguiu continuar com sua carreira no futebol de campo. Foi em Eboli cidade na província de Salerno, que Dirceu voltou a galgar os gramados.

               O Ebolitana, equipe amadora do campeonato italiano, com sua calorosa e fanática torcida agora sim poderiam sonhar com a ascensão à série C. Com o técnico Rubens Galaxe no comando, a equipe disputou dois excelentes campeonatos, o que não foi suficiente para garantir o título. A importância de Dirceu para a cidade se solidifica com a homenagem feita ao batizarem o novo Estádio local com capacidade para 15.000 espectadores com seu nome: “Stadio Dirceu José Guimarães”.

              Depois de duas temporadas frustantes Dirceu se transfere para o Benevento, onde jogou por 4 meses. Com o fim da Nula Osta ele opta por abandonar os gramados e se dedicar ao Calcio A5, jogando na Giampaoli Ancona. Em 1994 disputa pelo Brasil o Mundial de Showbol em Pachuca no Mexico, vencendo, a disputa de terceiro/quarto lugar, contra a Argentina de Diego Armando Maradona. Ainda no México aceita a proposta do Venados de Yucatán em Mérida onde encerra sua carreira em 1995. Frente a mais de 50.000 pessoas sua despedida acontece em Guadalajara no Estádio Jalisco, onde o Brasil jogou suas partidas pela copa do mundo 1970. Após 17 anos fora do Brasil, resolve voltar e se estabelecer definitivamente no país.

               Uma semana depois de sua chegada ao Rio, voltando de um futebol com ex-jogadores na Barra da Tijuca, Dirceu e seu grande amigo Pasquale Sazio foram vítimas da irresponsabilidade de rapazes, que faziam “racha” e bateram em seu carro. Dirceu faleceu dia 15 de setembro de 1995, aos 43 anos de idade. Era um jogador incansável, de fôlego impressionante e dono de um chute forte e bem colocado de fora da área. Tinha um preparo físico impecável, corria por todo o campo durante todo o jogo, fechando todos os espaços, perseguindo os adversários e colocando velocidade nas jogadas. Dirceu na Copa de 1978, marcou três gols na Copa do Mundo da Argentina, todos de fora da área, tornando-se co-artilheiro da Seleção na competição, ao lado de Roberto Dinamite e Rivelino. Sem dúvida alguma, Dirceu foi um jogador que merece ser lembrado pelo torcedor brasileiro, por tudo que ele fez pelo nosso futebol.

1978    –   Em pé: Toninho Baiano, Leão, Oscar, Edinho, Toninho Cerezo, Amaral e o preparador físico Admildo Chirol   –    Agachados: o massagista Nocaute Jack, Tarciso, Zico, Reinaldo, Rivelino e Dirceu
1975   –   Em pé: Renato, Carlos Alberto Pintinho, Carlos Alberto Torres, Edinho, Rubens Galaxe e Rodrigues Neto   –    Agachados: Gil, Kléber, Doval, Rivelino e Dirceu
Em pé: Miranda, Brito, Osmar Guarnieri, Marinho Chagas, Cao e Carbone   –    Agachados: Zequinha, Carlos Roberto, Ferreti, Jairzinho e Dirceu
Copa de 1982   –   Em pé: Waldir Perez, Oscar, Leandro, Falcão, Luizinho e Junior    –   Agachados: Dirceu, Sócrates, Serginho Chulapa, Zico e Éder

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