ARTIME: um argentino que brilhou no Palmeiras

                  Luis Artime nasceu dia 2 de dezembro de 1938, na cidade de Mendoza – Argentina. Foi um extraordinário jogador que por onde passou deixou saudade aos seus torcedores. Assim foi no Palmeiras, no Nacional do Uruguai, no River Plate e no Independiente da Argentina e no Fluminense, onde teve uma curta passagem. Disputou a Copa do Mundo de 1966 na Inglaterra e marcou três gols. Foi quatro vezes artilheiro do campeonato argentino, três vezes do campeonato uruguaio e também foi artilheiro da Copa Libertadores da América de 1971 e da Copa Intercontinental. Jogou no Palmeiras entre 1968 e 1969 e conquistou pelo Verdão o título do Roberto Gomes Pedrosa de 69, depois de disputar um quadrangular juntamente com Corinthians, Cruzeiro e Botafogo. O Palmeiras empatou com o Corinthians em 0 a 0, empatou com o Cruzeiro em 1 a 1 e venceu o Botafogo por 3 a 1, com dois gols de Ademir da Guia e um de César, com isto sagrou-se campeão no dia 7 de dezembro.

                  O jogo foi no Morumbi e o árbitro foi Armando Marques. Embora o Corinthians tivesse o melhor ataque com 31 gols e a melhor defesa com apenas 15 gols, ficou em terceiro lugar na competição. O artilheiro foi Edu do América carioca com 14 gols. Vale lembrar que foi neste Robertão, mais precisamente no dia 19 de novembro, que Pelé marcou seu milésimo gol de sua carreira, quando venceu o Vasco da Gama por 2 a 1 no Maracanã. Em 1969 o Palmeiras tinha a seguinte equipe; Neuri, Eurico, Baldochi, Minuca e Dé; Dudu e Ademir da Guia; Copeu, Jaime, Artime e Serginho. Este foi o time que o técnico Filpo Nuñes mandou a campo no dia 22 de junho de 1969 para enfrentar o Corinthians pelo Campeonato Paulista daquele ano. Este jogo foi disputado no estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi e o Palmeiras venceu por 3 a 2, gols de Dudu, Artime e Jaime para o Verdão, enquanto que Benê e Rivelino marcaram para o Corinthians.

                 Dizem que este centroavante argentino, famoso nas décadas de 60 e, principalmente, no início dos anos 70, fez mais de mil gols em sua carreira. Talvez este cálculo não seja lá muito verdadeiro, pois ele marcou por volta de 400 em jogos oficiais e os outros 600 seriam em jogos amistosos… Sei lá. Mas não interessa. Seu currículo de títulos e gols importantes já deixa a esmagadora maioria dos outros artilheiros invejosos: em 25 partidas pela seleção argentina marcou 24 gols, foi 4 vezes goleador do Campeonato Argentino, 3 vezes do Uruguaio, 1 vez da Copa América, 1 vez da Libertadores e, no Mundial Interclubes de 1971, fez os três gols do Nacional de Montevideo nas duas partidas contra o Panathinaikos (empate em 1 x 1 na Grécia e vitória por 2 x 1 no Uruguai). Também é importante saber que ele atuou 16 vezes em clássicos contra o Peñarol, tendo vencido 10 jogos e empatado 6. Em 12 destas partidas deixou sua marca. Ah, e ainda é o oitavo maior goleador da Libertadores em todos os tempos com 26 gols, sendo 8 pelo Independiente da Argentina e 18 pelo Nacional do Uruguai.

PALMEIRAS

               Chegou ao Parque Antarctica em 1968 e sua estreia foi contra seu ex-clube, o Independiente da Argentina. Este jogo aconteceu dia 13 de julho e foi realizado no jardim suspenso do Palestra Itália. Neste dia também faziam suas estreias no time alviverde os seguintes jogadores; Luiz Pereira, Nelson, Copeu e Serginho. A estreia do argentino não poderia ser melhor, pois o Palmeiras goleou por 4 a 0, com dois gols de Artime, um de Djalma Santos cobrando pênalti e um de Copeu. Neste dia o Verdão jogou com; Maidana, Djalma Santos, Luiz Pereira, Nelson e Ferrari; Suingue, Zéquinha e Júlio Amaral; Copeu, Artime, Moraes (Cabralzinho) e Serginho.

              No Palmeiras, Artime seguiu marcando gols em profusão, tornou-se um grande ídolo, mas ficou apenas alguns meses, pois o Nacional de Montevideo fez algo impossível nos dias de hoje. Veio a São Paulo com uma mala cheia de dólares e comprou a peso de ouro o grande atacante. Com a camisa do alviverde, Artime disputou 57 jogos. Venceu 32, empatou 13 e perdeu 12. Marcou 48 gols, uma marca extraordinária, ou seja, uma média de 0,84 gol por jogo. Quem acha que Barcos e Borjas são bons, é porque não viu Artime jogar.

NACIONAL DO URUGUAI

               Depois do Palmeiras, Artime brilhou no futebol uruguaio, mais precisamente no Nacional de Montevidéo (URU) ao lado do goleiro Manga e de Ubiñas, Mujica, Cubilla, Morales, Esparrago, Monteiro Castillo e etc… Em três anos, ele marcou 155 gols pelo Nacional. É o maior goleador do clube nos últimos 40 anos. Foi artilheiro do Campeonato Uruguaio de 1969, com 24 gols, de 1970, com 21, e de 1971, com 16. Foi tricampeão do país, campeão da Libertadores da América de 1971 em três sensacionais jogos contra o Estudiantes, o jogo de desempate foi em Lima.  E, como já disse, ainda foi Campeão Interclubes contra o Panathinaiko.

              Agora que vocês já conhecem os números do cara, preciso explicar que ele não era muito alto, mas era o mais mortal dos cabeceadores; não era também muito hábil, mas se um saco de arroz passasse na sua frente acabaria dentro do gol; o que tinha de especial era uma arrancada realmente estúpida. Vi-o jogar uma vez no Morumbi contra o Grêmio em 1968, quando o Palmeiras empatou em 1 a 1, gol de Tupãzinho para o Verdão e Alcindo para o tricolor gaúcho. Neste dia Artime jogou muito e foi considerado o melhor em campo.

FLUMINENSE

               Quando Artime deixou o Nacional, foi jogar no Fluminense, que estava montando um super time. Gérson descreveu sua função com singeleza: “Eu recebo a bola do Denílson, lanço o Lula e corro para abraçar o Artime”. Simples, não? O único problema é que Artime chegou muito velho ao tricolor das Laranjeiras e não repetiu os sucessos anteriores.

SELEÇÃO ARGENTINA

               Pela Seleção Argentina disputou 25 partidas e marcou 24 gols. Foi vice-campeão do Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1967, sendo também o artilheiro da competição com 5 gols. Participou ainda da Copa do Mundo de 1966 na Inglaterra, jogando 4 partidas e marcando 3 gols, sendo dois contra a Espanha na vitória por 2 a 1 e um gol contra a Suíça, na vitória por 2 a 0. Ainda na primeira fase a Argentina empatou com a Alemanha em zero a zero. Classificou para as quartas de final e enfrentou os donos da casa no dia 22 de julho. A Inglaterra em Wembley, apoiada por 90.000 espectadores, eliminou a Argentina por 1 a 0, em jogo que se tornou um grande escândalo.

              Os jornais do dia seguinte traziam a fotografia do argentino Rattin no meio do grande tumulto em campo e a manchete com a palavra ANIMAIS. Tudo isto porque desde o primeiro minuto a violência era usada para parar as jogadas, com maior incidência por parte da defesa argentina. Aos 35 minutos, Perfumo atingiu o atacante inglês com uma falta por trás e reclamava do árbitro que parara o lance, quando o capitão argentino Rattin se interpôs gesticulando como a pedir explicações, na mesma hora em que o goleiro Roma repunha a bola em jogo como se fosse um tiro de meta. O árbitro alemão Kleiten entendeu que Rattin o ofendera e o expulsou de campo.

               Rattin reagiu e se recusou a sair, exigindo que lhe informassem que ofensa tinha proferido. Alegando só falar o espanhol, que o juiz alemão não dominava, Rattin com o apoio de seus companheiros não aceitava a sua expulsão. O destempero foi geral e toda a delegação argentina invadiu o campo para desafiar o árbitro e ameaçar o médio inglês Stiles, que vinha jogando de forma desleal e violenta. Nem Wembley, nem o futebol, nem os 90.000 espectadores mereciam o vergonhoso episódio.

              Depois de muitos minutos de pandemônio, Rattin trocando insultos com o público e apontando para as câmeras de televisão, acabou saindo, após amassar uma bandeira inglesa e fazer gestos obscenos ao público inglês. Os argentinos ficaram com 10 jogadores e fecharam-se na defesa. A Inglaterra atacou seguidamente e somente quando faltavam 13 minutos para terminar a partida, aproveitando uma bola alçada na área, em típica jogada da seleção inglesa, o centroavante Hurst fez, de cabeça, o gol da vitória inglesa.

               Sempre tive admiração pelo futebol do centroavante Artime. Toda vez que eu ia ver o Derbi Corinthians x Palmeiras sabia de antemão que se sobrasse algum rebote na área, era caixa na certa. Estou inserindo este artigo movido pela admiração que hoje tenho de alguns argentinos que fizeram sucesso aqui no Brasil. Só para citar alguns; Ramos Delgado, Tevez, Conca, Poy, Sorin, Perfumo, Sastre, o treinador Nelson Ernesto Filpo Nuñes e tantos outros. Deixo de lado a rivalidade para falar de quem realmente merece destaque.

              Luis Artime, dentro da área somente um era mais mortífero: Coutinho do Santos Futebol Clube. Portanto, é digno de destaque este argentino centroavante matador do Palmeiras entre 1968 e 1969. Hoje ele mora em Buenos Aires (ARG) e é dono de uma rede de cinco lojas de material esportivo. Sempre que vem ao Brasil faz questão de passar pelo Parque Antarctica, onde teve momentos de glória e é ainda hoje muito querido pelo torcedor palmeirense por tudo que ele fez pelo clube.

Em pé: Chicão, Eurico, Baldocchi, Nelson, Dudu e Ferrari     –    Agachados: César, Tupãzinho, Artime, Ademir da Guia e Serginho
Em pé: Chicão, Geraldo Scalera, Baldochi, Dudu, Nélson e Ferrari    –     Agachados: Copeu, Servilio, Artime, Ademir da Guia e Serginho

 

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