EVARISTO DE MACEDO: ídolo do Flamengo e do Barcelona

EVARISTO DE MACEDO – ídolo no Brasil e na Espanha

                   Evaristo de Macedo Filho nasceu dia 22 de junho de 1934 na cidade do Rio de Janeiro.   Segundo o “Velho Lobo” Zagallo, que jogou ao lado de Evaristo no Flamengo, Evaristo era o tipo do jogador que tinha vaga em qualquer time que escolhesse. E, revelado pelo Madureira, o jogador escolheu defender apenas o Flamengo no Brasil. Ficou cinco anos na Gávea, de 1952 a 1957, o que bastou para se tornar um dos grandes ídolos da história do clube carioca. Além de conquistar a torcida feminina por sua beleza, Evaristo se destacava dentro de campo pela sua velocidade, visão de jogo, inteligência na criação de jogadas, e grande capacidade técnica. Com 19 anos, foi convocado para a Seleção Brasileira que disputou as Olimpíadas de Helsinque, em 1952, quando ainda atuava pelo juvenil do Madureira. No ano seguinte, começou sua trajetória vitoriosa no Flamengo.

FLAMENGO

                 Em seu primeiro campeonato, conquistou seu primeiro título: o Campeonato Carioca de 1953. Foram apenas quatro jogos e um gol, do jovem atacante, de 20 anos. Mas, em 1954, o atacante firmou-se entre os titulares e ganhou o posto de ídolo. Mais maduro e com uma participação mais efetiva, o atacante terminou a competição como vice-artilheiro, com 13 gols, e foi um dos destaques da conquista do bicampeonato. No ano seguinte, já nas graças da torcida rubro-negra, repetiu a dose, marcando mais 13 gols, e sendo fundamental para a conquista do segundo tricampeonato estadual do Flamengo. 

                 Tanto sucesso fez com que Evaristo fosse logo chamado para a Seleção Brasileira, onde estabeleceu recorde que segue até hoje: marcou cinco gols em uma única partida, contra a Colômbia, em vitória brasileira pelo placar de 9×0. Este jogo foi realizado em Lima, Peru, pela Copa Sul-americana no dia 23 de março de 1957. Foi também vice-campeão sul-americano, e um dos destaques na campanha do Brasil rumo à Copa de 58. Copa que ele acabou não disputando, por ter se transferido para a Europa.

ESPANHA

                  No Velho Continente, Evaristo conseguiu outra façanha. Foi ídolo tanto no Barcelona como no Real Madrid. Ficou cinco anos na equipe basca e dois na madrilenha, conquistando cinco títulos pelo Barcelona que foram; Campeonato Espanhol em 1959 e 1960 e Copa Uefa em 1958, 59 e 60.  Já pelo Real Madrid conquistou três títulos, em 1963, 64 e 65, todos pelo Campeonato Espanhol. A Federação espanhola tentou convence-lo a se naturalizar espanhol para poder disputar a Copa de 1962, no Chile, pela Seleção da Espanha, mas Evaristo respondeu que não, pois se sentiria como um traidor de seu país.

                 Depois de brigar com o astro do Real Madrid, Di Stéfano, o qual Evaristo sempre fez elogios, dizendo que ele era extraordinário, competitivo, tinha grande velocidade, intuição e um posicionamento fantástico, o atacante voltou para o Brasil em 1965, quando vestiu a camisa do Flamengo mais uma vez antes de se aposentar e começar a trabalhar como treinador. Vestindo a camisa do Mengão, foram 182 jogos (101 vitórias, 35 empates, 46 derrotas) e 102 gols marcados.

TREINADOR

                Evaristo começou a sua carreira de técnico no America, do Rio de Janeiro em 1967, onde foi campeão do Torneio Internacional Negrão de Lima, de onde saiu para o Fluminense em 1968. Dois anos depois, aceitou o convite para morar em Salvador e assumir o comando do Bahia no ano de 1970. Sua história com o clube baiano solidificou-se com o tempo, mesmo porque, já na sua estreia frente ao time, Evaristo conseguiu conquistar o Campeonato Baiano de 1970 e em 1971 viria o bicampeonato.  No ano de 1972 Evaristo se transferiria para outro clube tradicional nordestino, o Santa Cruz do Recife. Daquele ano até 1980, Evaristo se alternaria entre Bahia e Santa Cruz, conquistando nada menos do que sete títulos estaduais em dez anos. 

                 Após se afastar por cinco anos do futebol, Evaristo de Macedo voltaria em 1985 para treinar o América carioca. Seu ótimo trabalho o credenciou a treinar a Seleção Brasileira de Futebol que disputaria as Eliminatórias da Copa do Mundo de 1986 no México. Contudo, as atuações do time não foram convincentes e Evaristo acabou sendo substituído pelo mestre Telê Santana. Aquele fato, no entanto, não impediria o ex-jogador de participar da Copa do México. Macedo foi contratado para treinar a Seleção do Iraque no certame.  

                 Em 1988 voltaria ao Brasil, para treinar mais uma vez o Bahia. Daquela vez, o ex rubro-negro entraria de vez para a história do clube baiano. Depois de faturar pela quarta vez um Campeonato Baiano, Evaristo conduziu o time ao então inédito e heroico Campeonato Brasileiro de 1988. A decisão foi contra o Inter de Porto Alegre. A primeira partida foi em Salvador e o Bahia venceu por 2 a 1. A segunda partida foi em Porto Alegre, no estádio Beira Rio, que recebeu naquele dia 19 de fevereiro de 1989, um público pagante de 79.508 pessoas. Um empate já bastava ao time baiano e não deu outra, ao final dos noventa minutos, o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilla apitou o final da partida, que terminou em zero a zero.  Neste dia Evaristo de Macedo mandou o seguinte time a campo; Ronaldo, Tarantino, João Marcelo, Claudir e Paulo Robson; Paulo Rodrigues, Zé Carlos e Bobô; Gil, Charles e Marquinhos.

                 Depois disso, Evaristo assumiu Fluminense, Cruzeiro, Grêmio e até a Seleção do Qatar, até voltar ao Flamengo, qual um filho pródigo. Era o ano de 1993 e o Flamengo que havia se tornado pentacampeão brasileiro no ano anterior, já não mais contava com o maestro Júnior, além disso, seu sucessor Jair Pereira havia concedido apenas um terceiro lugar ao time no Campeonato Carioca. No entanto, apesar dos esforços do conceituado treinador, o Flamengo não conseguia bons resultados e assim, Evaristo foi preterido do cargo depois de apenas 24 partidas. 

                 Dando continuidade a sua carreira, Evaristo ainda passaria por diversos outros clubes brasileiros. Em 1997 ganhou a Copa do Brasil pelo Grêmio, vencendo o Flamengo na final. E em 1998 conquistou mais um Campeonato Baiano pelo Bahia. Ainda naquele ano, porém, Evaristo de Macedo voltaria a Gávea para substituir Toninho Barroso.  Na sua segunda passagem como treinador do Fla, ficou por 26 partidas com 13 vitórias, 5 empates e 8 derrotas, a última delas para o Cruzeiro em uma partida amistosa. Deixou o time em Fevereiro de 1999 sob o comando de Carlinhos, que assumiu o time e o conduziu para o histórico tricampeonato consolidado em 2001. 

                   Em 1999 assumiu o Corinthians. No ano de 2000 voltou mais uma vez pro Bahia, onde conquistou seus últimos títulos como treinador: O sexto campeonato baiano e a Copa do Nordeste de 2001.  Em 2002 voltaria pela última vez a treinar o Flamengo. Ficou até o final do Campeonato Carioca de 2003 quando foi eliminado pelo Fluminense numa histórica goleada de 4 a 0. Ainda depois daquela partida, se desentendeu seriamente com o goleiro Júlio César e ainda no vestiário pediu demissão. 

                   Voltaria mais uma vez ao Bahia, também treinaria o Vitória, mas abandonou a carreira de treinador mesmo comandando o Santa Cruz no ano de 2007.  Como técnico, função em que ficou conhecido pelas gerações mais jovens, Evaristo teve algumas passagens pela Gávea, mas sem levantar taças. Seus maiores feitos foram a conquista do campeonato brasileiro pelo Bahia (1988) e pelo Grêmio, na Copa do Brasil (1997), justamente contra o Fla, em pleno Maracanã.             

                  Sem dúvida alguma, podemos afirmar que Evaristo de Macedo foi um vitorioso dentro do futebol, tanto dentro das quatro linhas, onde conquistou títulos importantes no Brasil e na Espanha, como também como treinador, onde foi campeão baiano em 1970, 71, 73, 88, 98 e 2001, Copa do Nordeste em 2001, além do brasileirão de 1988. Já no Pernambuco, sagrou-se campeão estadual pelo Santa Cruz em 1972, 78, 79 e 80. Pelo Grêmio foi campeão gaúcho em 1990 e da Copa do Brasil em 1997. Lá no exterior foi campeão da Copa Golfo Pérsico em 1992, dirigindo a seleção do Qatar. 

                  O torcedor brasileiro não tem ideia de como o Evaristo de Macedo é idolatrado na Espanha. Foi, sem dúvida, um dos maiores jogadores do mundo em todos os tempos. Pela Seleção Brasileira, Evaristo de Macedo não teve muitas chances como jogador. Atuou em apenas 14 partidas e marcou oito gols. Detalhe: dos oito gols, cinco foram marcados em uma mesma partida. Infelizmente não há videoteipe dos jogos de antigamente, apenas umas poucas filmagens. Hoje a TV leva à nossa casa os melhores momentos dos principais campeonatos do mundo inteiro.

                  Evaristo foi  um dos poucos profissionais a jogar na Europa nos anos 50 e 60, se tornando, assim, um dos maiores ídolos do futebol espanhol daquela época, mesmo jogando com craques excepcionais, como por exemplo; Di Stefano, Puskas, Gento, Santamaría, Zoco, Pachín, Zárraga. Este é Evaristo de Macedo, ex-atacante do Flamengo, Barcelona e Real Madrid e um dos melhores jogadores brasileiros em todos os tempos, consagrado também como um dos mais laureados treinadores do futebol brasileiro. Ele mora no Rio de Janeiro desde que se aposentou do futebol, em 2007.

Campeão pelo Flamengo em 1953
Real Madrid 1964 e Barcelona 1960
FLAMENGO – 1954:  Evaristo de Macedo é o quarto da esquerda para a direita dos que estão agachados
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