ROSAN: melhor goleiro da história da Ferroviária

                 Florisvaldo Rosan, nasceu dia 1 de dezembro de 1937, na cidade de Nova Aliança – SP. Foi um grande goleiro do Rio Preto Esporte Clube, da Ferroviária de Araraquara, do Santos, do Palmeiras, do Comercial de Ribeirão Preto, do América do Rio e do União Bandeirante de Bandeirantes-PR. Durante toda sua trajetória, Rosan acumulou muitos títulos. Foi tetracampeão brasileiro pela seleção paulista, campeão brasileiro pelo Palmeiras, bicampeão do Interior com a Ferroviária e com o Comercial e subiu com a Prudentina da Segundona para o Paulistão. Ele só teve uma contusão séria, quando atuava pela Ferroviária, ao sofrer afundamento do malar num choque com o centroavante Gino, do São Paulo. Passou por uma cirurgia e ficou 40 dias parado. Quando parou de jogar, Rosan comprou uma olaria (Cerâmica Nossa Senhora Aparecida) em Avanhandava, próxima a cidade de Lins. A indústria fechou em 1995. “Acabou o barro”. Foi também proprietário de um posto de combustíveis até 2002.

INÍCIO DE CARREIRA

               Iniciou aos doze anos sua carreira de goleiro defendendo a meta do Aliança de sua cidade, como amador. Aos dezoito anos assinou seu primeiro contrato profissional com o Rio Preto EC. Defendeu o tradicional time de São José do Rio Preto por um ano e depois, como fama daquele goleiro fantástico cresceu absurdamente na região, o Rio Preto estava ficando pequeno para ele. Aí surgiu o interesse da Ferroviária, do presidente Antônio Pereira Lima, que pagou Cr$ 200 mil pelo seu passe.

FERROVIÁRIA

               Se transferiu para a Ferroviária para ser reserva. Com apenas sete anos de fundação, a equipe de Araraquara já estava na elite do futebol paulista e contava com os goleiros Fia e Basílio. Comendo pelas beiradas, Rosan teve oportunidade de jogar e não desapontou. O titular se contundiu e Rosan estreou contra o Botafogo de Ribeirão Preto e o jogo terminou empate por 1 x 1. Considerado a maior revelação do Campeonato Paulista de 1959, Rosan foi convocado para defender a seleção paulista no Campeonato Brasileiro de Seleções. O titular Gilmar cedeu seu posto para Rosan na vitória dos paulistas por 4 x 1 contra os baianos no Estádio do Pacaembu.

              Passou segurança ao time de Araraquara, que brigava em igualdade de condições com Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo e as principais forças do Paulistão. Participou de campanhas memoráveis na equipe afeana, como em 1959. A Ferroviária ficou em 3º lugar no Supercampeonato Paulista, atrás apenas de Santos e Palmeiras, que terminaram empatados na liderança.

               Rosan lembra que, contra o Corinthians, em 1959, quando a AFE venceu por 3 x1, realizou sua melhor partida na Fonte Luminosa fechando o gol e garantindo o resultado. Este jogo aconteceu dia 27 de setembro pelo Campeonato Paulista. A Ferroviária jogou com: Rosan, Porunga, Antoninho, Rodrigues e Cardarelli; Dirceu, Amaral e Bazani; Cardoso, Ney e Beni. O  Corinthians jogou com: Gilmar, Valmir, Benedito, Oreco e Goiano; Roberto, Joãozinho e Rafael; Miranda, Joaquinzinho e Tite. Os gols da AFE foram marcados por Bazzani, Cardoso e Beni, enquanto que para o Timão, Miranda marcou o único tento.

               Outro jogo inesquecível na carreira de Rosan foi o massacre de 5 a 1 sobre o Fluminense, do Rio de Janeiro, em Araraquara. Com Castilho; Jair Marinho, Pinheiro e Clóvis; Altair e Edmilson; Telê Santana, Paulinho, Maurinho, Valdo e Escurinho, o time carioca era um verdadeiro esquadrão. Tanto que pouco tempo depois conquistou o título do Torneio Rio-São Paulo. Em alta, a Ferroviária, de Rosan, Cardarelli, Dudu, Bazani, Benny e outros, recebeu convite para realizar uma excursão ao exterior. A bordo do transatlântico argentino “Salta”, a delegação embarcou no porto de Santos no dia 1º de abril de 1960. Durante os 13 dias de viagem até a Europa, a equipe realizava treinos físicos no convés do navio.

               A estréia foi com vitória por 4 a 3 sobre o Nacional da Ilha da Madeira, no dia 14 de abril. Foram 20 jogos disputados até o dia 19 de junho, com 17 vitórias, dois empates e apenas uma derrota para o Sporting Lisboa por 1 a 0. O triunfo de 2 a 0 sobre o poderoso Porto, em pleno estádio das Antas, foi o mais marcante da excursão. Pegando tudo, Rosan foi convocado para a seleção paulista e sagrou-se campeão brasileiro de seleções estaduais. Rosan defendeu a meta da Ferroviária em 147 jogos. Venceu 75, empatou 28 e perdeu 44.

PALMEIRAS 

               As atuações destacadas de Rosan na Ferroviária chamaram a atenção de dirigentes do Palmeiras, e em 1961 o alviverde adquiriu seu passe por 2 milhões de cruzeiros e mais os passes de Ismael e Parada. Lá, a concorrência era desleal. Fominha, o lendário Valdir Joaquim de Moraes era uma espécie de Rogério Ceni dos tempos atuais e não dava brecha no gol palmeirense. Mesmo assim, Rosan teve oportunidade de jogar em algumas partidas, como no empate de 3 a 3 contra o Corinthians, no dia 3 de abril de 1961, gols de Rafael, Miranda e Neves pelo Corinthians, enquanto que para o Verdão, Gildo marcou dois e Zeola marcou o terceiro. Neste dia o Palmeiras jogou com: Rosan, Djalma Santos, Waldemar Carabina, Aldemar e Geraldo Scotto; Zéquinha e Chinesinho; Julinho, Humaita (Zeola), Becece e Gildo.

              Este jogo foi válido pelo Torneio Rio-São Paulo. Jogando pelo alviverde de Parque Antarctica, um dia, recebeu um chute no rosto e fraturou o maxilar.  Rosan teve também uma curta passagem pelo Santos, jogando apenas duas vezes. O Palmeiras estava excursionando pela Colômbia e o Santos na Venezuela. Gilmar e Laércio, os dois goleiros santistas se machucaram. Rosan foi cedido pelo Verdão ao Peixe e atuou na última partida da excursão santista. Também jogou pelo Santos na vitória de 3 a 1 sobre a Portuguesa, no Canindé, em amistoso.

               Um ano depois, o técnico Armando Renganeschi, que havia trabalhado no Palmeiras, foi para a Prudentina e levou Rosan. Disputou o Paulistão de 1962 pelo time de Presidente Prudente. Na temporada seguinte, ficou o primeiro semestre na Prudentina e no segundo foi para o Comercial, de Ribeirão Preto. Na época, com Paulo Bim, Jair Bala, Noriva, Peixinho e outros, o Leão do Norte tornou-se a pedra no sapato dos grandes, com costumeiras vitórias sobre Corinthians, Palmeiras e São Paulo e confrontos equilibrados diante do Santos de Pelé. No início de 1967, trocou o Comercial pelo América, do Rio de Janeiro. Ficou duas temporadas no Rubro carioca e pendurou a chuteira em 1972, aos 34 anos, no União Bandeirante, do Paraná.

FORA DAS QUATRO LINHAS

               Durante anos foi empresário do ramo de material de construção, tendo encerradas as atividades da Cerâmica Nossa Senhora Aparecida, que ficava na cidade de Avanhandava (SP). Lá, ele produzia telhas, tijolos, pisos e azulejos. A fábrica do ex-goleiro ficava, portanto, na cidade onde reside: Avanhandava (SP), próxima a Lins (SP), interior paulista. Rosan, casou-se duas vezes, teve cinco filhos: três do primeiro casamento e dois do segundo. E já era avô de um neto. Os filhos são: Rosana, Marcelo, Rafael, Ana Carolina e Rosano. O neto chama-se Bruno. Possuía imóveis e um sítio em Avanhandava, cidade onde morou desde 1972 e lá ele administrava os aluguéis de diversos que adquiriu ao longo de sua marcante carreira.

               Rosan jogou na melhor Ferroviária de Araraquara de todos os tempos, na metade dos anos 60, ao lado de maravilhosos jogadores como Dudu, Bazzani, Beni, Baiano, Pimentel e etc. E para guardar na memória dos torcedores e para que os jovens de Araraquara conheçam um pouco da história do clube, foi construído o Museu do Futebol e Esportes de Araraquara, o Museu da Arena. Fotografias, recortes de jornais da época e troféus estão expostos neste museu. Não é segredo pra ninguém que a Associação Ferroviária de Esportes, sempre foi uma escola de exímios e talentosos goleiros. Podemos dizer tranquilamente que nos 58 anos de fundação, foi a posição em que a agremiação melhor foi servida. Exemplo disto está o goleiro Rosan, que durante muito tempo foi chamado de “o goleiro que não tomava gols”.

               Falar de goleiros da AFE é a forma mais fácil de cometer injustiças, pois foram vários os goleiros que se destacaram na equipe grená. Porém, vamos falar um pouco mais de Florisvaldo Rosan, que durante muitas temporadas foi titular absoluto da Ferroviária. Rosan estreou com num clássico Bota-Ferro, duelo que terminou empatado por 1 a 1. Considerado a maior revelação do Campeonato Paulista de 1959, onde a AFE foi a terceira colocada no certame, tendo chegado atrás apenas de Santos e Palmeiras na pontuação, foi convocado no ano seguinte para a Seleção Paulista no Campeonato Brasileiro. Seu companheiro de selecionado era nada mais nada menos do que Gilmar, titular absoluto da Seleção Brasileira nas Copas de 1958 e 1962, quando sagramos Bicampeões Mundiais. Rosan faleceu dia 23 de março de 2015.

Comercial de Ribeirão Preto em 1966    –    Em pé: Rosan, Píter, Jorge, Nonô, Amaury e Ferreira    –     Agachados: o massagista Glostora, Peixinho, Luiz Cai-Cai, Paulo Bin, Jair Bala e Carlos César
AMÉRICA / RJ  –  Em pé: Rosan, Alex, Tião, Renato, Marreco e Zé Carlos    –    Agachados: Joãozinho, Badéco, Tadeu Ricci, Edu e Vicente

Em pé: Rosan, Jorge, Nonô, Píter, Amaury e Ferreira    –     Agachados: Peixinho, Luiz Cai Cai, Paulo Bim, Jair Bala e Carlos César

Rosan estava na reserva, mas vejam quem também estava…
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