JOÃO FERRAZ: um limeirense que deixou saudade

                   João Batista Ferraz nasceu dia 23 de junho de 1946, na cidade Limeira-SP. Portanto, amanhã ele estará completando 62 anos de vida. Filho de Mário Ferraz e Geni Figueiredo Ferraz, que ainda tiveram mais quatro filhos; Emiliano que faleceu ainda criança, Jairo, Marlene e Cláudio. Seu pai era descendente de italiano e sempre trabalhou na Companhia Prada, na cidade de Limeira. Com 41 anos de serviços prestados à esta empresa, aposentou-se.  E foi lá dentro da Prada, que Sr. Mário conheceu a jovem Geni, por quem se apaixonou e casou-se. Durante vinte quatro anos, a família morou num dos sobrados cedidos pela Cia. Prada a quatro funcionários. Sobrado este que ficava localizado em frente ao cemitério Saudade I, que na época era o único da cidade.  Sua mãe, dona Geni, era uma cozinheira de mão cheia. Só parou de trabalhar quando casou-se, passando assim a cuidar da casa e da família.

                 Seu pai sempre foi apaixonado por futebol, em especial pelo São Paulo F.C. Todo domingo a tarde costumava praticar este esporte  lá  no  Esporte  Clube  Estudantes,  depois  é  claro  de ajudar dona Geni nos afazeres domésticos. Ao lado do sobrado em que a família morava, existia um gramado muito grande, que era conhecido por “Chapadão”.  Lá os garotos da vizinhança jogavam seu futebol.  Da família Ferraz, os garotos também participavam, mas foi apenas um que como o pai, apaixonou-se pelo futebol. João Ferraz.  Desde cedo ele já tinha jeito para a coisa. Com sete anos de idade, chegava do Grupo Escolar Prada, que ficava localizado ao lado de sua casa, almoçava e já corria para o Chapadão.

                 Disposição era o que não lhe faltava, mesmo depois de ter ficado (as vezes), ajoelhado por meia hora em grãos de milho, castigo dado pela Dona Ione, professora de História, ou pela Dona Priscila de Português.  Na época, muitas crianças iam até o Chapadão para jogar futebol, pois este era um lugar excelente para a prática do esporte, além de ser um dos únicos divertimentos que as crianças tinham na cidade.

                  João Ferraz com seus 7 para 8 anos, já jogava no time infantil da Companhia Prada. Nesta época, era necessário que se pagasse um recibo para ter o direito a uma camisa do time. Seu pai pagava rigorosamente sua mensalidade, pois já sentia no filho, um futuro craque.  Depois jogou em outro time, o Corintinha, que mesmo levando o nome do rival São Paulo, ele honrava aquela camisa.  Quando terminou o primário, João Ferraz transferiu-se para o Instituto Escolar Castelo Branco (hoje E.E.P.S.G. Castelo Branco), onde cursou o ginásio no período noturno, pois durante o dia trabalhava na Cooperativa Prada.  Um amigo seu de nome Marcos Bagatella, hoje uma pessoa influente dentro da Sociedade Esportiva Palmeiras, lhe conferiu um apelido que até hoje ele não entende. Por ser um garoto franzino, sem músculos e até com uma perna um pouco mais fina que a outra, lhe deu o apelido de “João Macaco”

              Com 13 anos de idade, João já defendia o juvenil do Flamenguinho, depois jogou no Jabaquara e Paulistinha. Era uma época de muita felicidade para o jovem João.  Em 1963, já com 17 anos de idade, arranjou um emprego na Companhia União de Refinadores, e dentro da empresa formaram um time, o Refiunião, para disputar o Torneio das Indústrias, que acontece sempre no dia 1º de Maio. João Ferraz foi convidado para jogar no time, pelo qual ficou cinco anos consecutivos campeão.  Trabalhava durante o dia e estudava a noite no Colégio Técnico Santo Antônio e nos finais de semana, sempre havia um tempinho para o futebol. Em 1964, foi convidado a fazer um teste na Associação Atlética Ponte Preta de Campinas.

              Passou uma semana fazendo testes, nos quais foi muito bem, mas quando voltou para casa, sua mãe estava morrendo de saudade, o que fez com que não retornasse aos treinos. Difícil escolha para quem amava o futebol e tinha a oportunidade de jogar num time grande, mas como sempre respeitou e amou sua família, acabou não mais retornando à Campinas.  Em 1968, já com seus 22 anos de idade, foi convidado a jogar em Rio Claro, agora no futebol profissional. Iria disputar o Campeonato Paulista da 2ª Divisão de Profissionais. Por lá ficou até 1969.  No ano seguinte, foi jogar no Lemense, também da 2ª Divisão. Foi nesta competição um dos artilheiros do time e, já começava a ser conhecido pelo chute forte e por seus gols em cobranças de falta.

              Em Limeira, um dos clubes mais tradicionais estava resolvendo montar um time para disputar a 2ª Divisão do Futebol Profissional. Após uma reunião com os dirigentes, estes resolveram convidar jogadores de Piracicaba. João Ferraz era um deles e, então integrou o time do Independente Futebol Clube a partir de 1970, onde viveu seus melhores momentos no futebol.  Nesta época, já estava de namoro com Marilena Niklas, que depois de três anos, se casaram na Catedral de Nossa Senhora das Dores, no dia 8 de setembro de 1973.  Nesse intervalo, o Independente ingressou na 2ª Divisão de Profissionais da Federação Paulista de Futebol, sagrando-se campeão, e com isto foi promovido em 1975 para a Divisão de Acesso do Futebol Paulista, onde permaneceu até 1994.  Em 1972, quando o Independente deixou o futebol amador, tinha uma excelente equipe, que era formada pelos seguintes jogadores; Loca, Chiquinho, Roque, Bentinho, Jair, Candian, João Carlos, Gilberto, Paulo Marmo, João Ferraz e Osvaldinho.   O Independente sagrou-se campeão da Segunda Divisão, ao vencer a A. A. Cafelandense no dia 27 de janeiro de 1974, e lá estava João Ferraz defendendo as cores do Galo da Vila. Foi um momento de muita felicidade para o nosso João, mas felicidade maior ainda estava por vir, pois no dia seguinte, nascia sua primeira filha, a Adriana.

              No ano seguinte, em 1975, a Internacional de Limeira voltava às atividades, que passava a disputar também a Divisão Intermediária do Futebol Paulista, e assim dessa maneira, começaram os confrontos entre Galo e Leão, ou seja, os famosos Derbys.  Em 1976, devido a uma demissão de toda parte de vendas, provocada pela venda da União à Coopersucar, João Ferraz perdeu seu emprego, após 13 anos de trabalho naquela empresa. Neste mesmo ano, trocou de time para jogar seus dois últimos anos como atleta profissional na A. A. Atlética Internacional.  Mas seu coração ainda é sem dúvida alguma galista, pois foi lá que passou a maior parte de sua carreira .

Ao sair da Cia. União de Refinadores, começou a trabalhar na Companhia de Seguros Minas Brasil. Já com 31 anos de idade, resolveu encerrar sua carreira de futebol como profissional. Tanto pela idade, quanto à preocupação com o trabalho, mesmo porque, o futebol estava ficando cada vez mais profissional e, conseqüentemente, exigindo mais do jogador.  Mas quem ama o futebol como João Ferraz, jamais deixará de bater uma bolinha nos finais de semana, e isto ele continuou fazendo. Agora pelo amador, disputou vários campeonatos pelo Ipiranga, pelo Minetto e também pelo Paulistano, onde em 1987 sagrou-se campeão amador.  Também conquistou campeonatos internos do Nosso Clube, defendendo times como o Graminha. E com muito orgulho guarda suas inúmeras medalhas de artilheiro destes campeonatos.   Em 1983, João Ferraz entrou para a equipe de esportes da Rádio Jornal, e uma das grandes emoções nesta sua nova carreira, foi sem dúvida alguma a conquista da Internacional de Limeira em 1986, quando sagrou-se Campeã Paulista. João Ferraz estava lá no Morumbi. Hoje João faz parte da excelente equipe de esportes da Rádio Mix, onde participa de segunda a sexta do programa “Painel Esportivo”, ao lado de Roberto Lucato, Edmar Ferreira, João Valdir de Moraes, Guina Polato, Luiz Carlos Dadona, Roberto Martins, Valfrido Salvi e Naldo Dias. Também participa do programa “Segunda Esportiva”, que vai ao ar toda segunda feira pela TV Mix.

João Ferraz faleceu no dia 13 de setembro de 2011. Ele perdeu a luta contra o câncer. João Macaco, apelido que ganhou de Marcos Bagatella, hoje pessoa influente no Palmeiras. João Fazia parte da equipe de esportes da Rádio Educadora 1020 AM, onde participava de segunda a sexta feira no programa “Painel Esportivo”. Também era titular do programa “Segunda Esportiva”, que era exibido às segundas feiras na TV Jornal. O “bigode mais conhecido da cidade” se destacava em especial, por defender o seu querido São Paulo F.C., chegando a discutir com seus companheiros de bancada, que gostavam de provoca-lo, em especial o amigo César Roberto.

João Ferraz foi vereador de 1996 a 2000 e diretor de esportes de 2000 a 2004, na gestão de Pedrinho Kuhl, um de seus grandes amigos. Foi chefe da delegação limeirense nos Jogos Regionais de 2004, realizados em nossa cidade. O craque da vida e do microfone deixa viúva Marilena Nicklas Ferraz e as filhas Adriana e Patrícia, além de dois netos, pelos quais tinha verdadeira adoração. Seu corpo foi velado na Maçonaria e sepultado às 16:30 horas no Cemitério Municipal de Limeira. Amigos e parentes compareceram para prestar a última homenagem ao esportista. Descanse em Paz, querido amigo João Ferraz.

Em Pé: João Miguel, Loca, Marco Antonio, Ademir, Jurandir e D´adona      –     Agachados: Beto Bade, Guerra, Nestor, João Ferraz e Basílio
Em Pé: Chiquinho, Roque, Bentinho, Jair, Candian e Lôca      –     Agachados: João Carlos, Gilberto, Paulo Marmo, João Ferraz e Osvaldinho

 

 

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4 comentários em “JOÃO FERRAZ: um limeirense que deixou saudade

    1. Olá Leonardo, tudo bem?

      Foi com imensa alegria que recebi seu comentário. Muito obrigado pela atenção e continue prestigiando esse meu site, pois a cada dia temos uma novidade.
      Um grande abraço e fique com Deus.
      José Carlos de Oliviera

        1. Olá Leonardo, tudo bem? Foi com imensa alegria que recebi seu comentário. Muito obrigado pela atenção e continue prestigiando…
          José Carlos de Oliveira

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