ZIDANE: extraordinário jogador e excelente técnico

                 Zinedine Zidane nasceu dia 23 de junho de 1972, na cidade de Marselha, na França. Talvez não seja reconhecido como o maior jogador da história do futebol da França. Para alguns ele pode não ser melhor que Platini, Fontaine, Tigana, Fernandez e Papin. No entanto, toda a sua habilidade em campo é claramente reconhecida. Sem discussão, Zidane foi o principal destaque da seleção da França que conquistou, em casa, a Copa do Mundo de 1998. Foi ele quem construiu o placar de 3 a 0 sobre o Brasil na final da competição, garantindo o cobiçado título. Em duas cobranças de escanteio, ele estava na área para o cabeceio certeiro.

                  Enquanto atuou, Zidane foi considerado um dos melhores jogadores de todos os tempos. Driblador elegante, sua fantástica  visão de jogo e sua habilidade de passe lhe valeram os  adjetivos de “gênio” e “mágico”, atribuídos pela mídia esportiva. Era um jogador completo, um exímio cabeceador, tinha velocidade e driblava muito bem. A UEFA o considerou, em 2001, o melhor jogador europeu dos últimos cinqüenta anos. Zidane era o jogador mais bem pago.

INÍCIO DE CARREIRA

                  Iniciou sua carreira no futebol na equipe júnior do US Saint-Henri. Um clube local, no distrito de La Castellane em Marselha. Com quatorze anos, participou do campeonato local, chamando a atenção dos dirigentes do Cannes. Zidane foi para o Cannes para uma estadia de seis semanas, mas acabou permanecendo no clube por quatro anos, chegando ao nível profissional. Com dezessete anos, Zidane disputou sua primeira partida profissional pela Ligue 1, e marcou seu primeiro gol no dia 8 de fevereiro de 1991, ganhando um carro como presente do presidente da equipe. Torcedor do Olympique desde a infância, Zidane nunca jogou pelo time de Marselha, cidade onde nasceu. Apesar disso, o filho do casal Ismail e Malika tornou-se um dos maiores ídolos da Juventus, da Itália. Antes de ir para o clube italiano, ele jogou no Bordeaux e no Cannes.

JUVENTUS

                   Em 1996, Zidane se transferiu para a Juventus por 3 milhões de euros. Acabou se tornando uma peça fundamental do elenco de Marcello Lippi, na conquista dos Scudettos e do Mundial Interclubes. E foi na Juventus onde Zidane teve as suas maiores conquistas. Logo em 1996, ano em que foi contratado, ganhou o Mundial Interclubes, em Tóquio, contra os argentinos do River Plate. Em 1997 e 1998, viria o bi no Campeonato Italiano. Nestes mesmos anos, a “velha senhora” quase venceu a Copa dos Campeões da Europa. Na primeira chance, o time perdeu para o Borussia Dortmund, da Alemanha. Depois, a derrota aconteceria contra os espanhóis do Real Madrid.

                  Em 1998, a conquista da Copa do Mundo e as boas atuações na Juventus asseguraram o prêmio de jogador do ano da Fifa para o jogador. Ele derrotou nomes fortes como o brasileiro Ronaldo, vencedor em 1996 e 1997, e Davor Suker, o artilheiro croata do Mundial. Dois anos depois, nem o título da Eurocopa colocava Zidane como o favorito para receber novamente a premiação da Fifa. Todos davam como certa a escolha do português Luis Figo, comprado pelo Real Madrid junto ao Barcelona na mais polêmica transferência daquele ano. Mesmo assim, Zidane repetiu o êxito, igualando-se a Ronaldo no número de prêmios pela entidade. Ronaldo foi eleito o Melhor do Mundo em 2002, por seu papel na Copa do Mundo. Mas Zidane voltaria a se igualar ao brasileiro em 2003, conquistando a Bola de Ouro pela terceira vez.

REAL MADRID 

                   Em 2001, assinou contrato de quatro anos com o Real Madrid por 76 milhões de euros, a segunda mais cara transferência da história. Logo de início, Zidane foi peça principal na equipe do Real Madrid, ajudando a equipe a conquistar a Liga dos Campeões da UEFA de 2002, sobre o Bayer Leverkusen, em Glasgow. No mesmo ano, conquistou a Supercopa Européia. Sua saida da Juventus para jogar no estrelado time do Real Madrid, foi um de seus grandes desafios. Sua contratação fazia parte do projeto do presidente do clube, Florentino Pérez, de trazer um craque por temporada. O francês acertou com o clube em 2001 e no ano seguinte ajudou a conquistar a Copa dos Campeões.

                  Não demorou muito e Zidane se tornou ídolo também em Madri, onde foi eleito o melhor jogador do mundo pela terceira vez em 2003. No ano de 2006 o meia anunciou sua aposentadoria para o final da Copa do Mundo.  Jogou sua última partida em clubes de futebol pelo Real Madrid, no dia 8 de maio de 2006, no Estádio Santiago Bernabeu, marcando um gol de cabeça no empate em 3 a 3 com o Villarreal e encerrou sua carreira definitivamente após a Copa do Mundo de 2006.

SELEÇÃO FRANCESA

                   Disputou seu primeiro jogo pela seleção principal no dia 17 de Agosto de 1994, em um amistoso contra a República Tcheca. Zidane entrou aos 63 minutos, e ainda, marcou os dois gols franceses. Na Copa de 1998, disputada na França, Zidane não contentou a torcida com 3 a 0 diante da África do Sul. No segundo jogo, quando se esperava que Zidane fosse começar a mostrar seu bom futebol, a atuação do meia francês foi interrompida por uma expulsão. O jogo terminou com uma goleada dos franceses por 4 a 0 sobre a Arábia Saudita. Desfalque nas duas partidas seguintes, Zidane viu a seleção de seu país vencer a Dinamarca por 2 a 1 e ter dificuldades para derrotar o Paraguai por 1 a 0 na prorrogação (gol de ouro).

                  O meia voltou ao time contra a Itália e foram necessárias as cobranças de pênaltis para o desempate em favor da França. Sem ter marcado ainda nenhum gol no Mundial, Zidane também não conseguiu balançar as redes na virada por 2 a 1 diante da Croácia. Servindo seus companheiros com bons passes, o meia guardou os gols para a final contra o Brasil. Em exibição de gala, Zidane deu uma aula de futebol à seleção brasileira, marcando dois gols, aos 27 e aos 47 minutos do primeiro tempo. Petit fechou o placar marcando o terceiro gol da seleção francesa. Com esta vitória a França sagrou-se campeã  mundial. Este jogo aconteceu no dia 12 de julho de 1998.

                  Na Copa de 2002, o fracasso do francês. Zidane, que tinha acabado de conquistar a Copa dos Campeões pelo Real Madrid, marcando inclusive o gol do título, foi com status de estrela para a Copa do Mundo na Coréia do Sul e Japão. Só que uma contusão o deixou de fora das duas primeiras partidas da França. Na terceira rodada da primeira fase, voltou no sacrifício, mas não conseguiu inspirar os campeões mundiais. Resultado: o país foi eliminado na primeira fase e sem marcar um único gol, com duas derrotas e um empate na bagagem, uma humilhação histórica.  Já na Copa de 2006, considerado o melhor em campo, Zidane foi responsável por jogadas plásticas, com uma atuação técnica excelente.

                  Em uma das suas melhores jogadas na partida, Zidane deu um chapéu em Ronaldo, fazendo em seguida o lançamento que originou a falta, que cobrada por ele mesmo, deu origem ao único gol da partida, de Thierry Henry, encerrando a campanha da seleção brasileira, considerada uma das favoritas ao título daquele ano. Na semifinal, França 1 a 0 sobre Portugal, e na final, França empatou em 1 a 1 com a Itália. Zidane marcou os únicos gols  dos franceses, convertendo cobranças de pênaltis. Ironicamente, na decisão da final, por penalidades, a França perdeu uma de suas cobranças e a Itália converteu suas cinco chances, resultando em França 4 a 5 Itália.

                  Zidane terminou sua participação na partida final ao ser expulso durante o segundo tempo da prorrogação, após desferir uma cabeçada no peito de Marco Materazzi, da Itália. O zagueiro italiano supostamente haveria provocado Zidane, com insultos à sua irmã, à mãe e em seguida ao próprio jogador, que não conseguiu ignorar. Análises feitas pela midia televisiva após a partida, principalmente o polêmico quadro de leitura labial do Fantástico, realizado pela Rede Globo, mostraram os insultos proferidos em italiano por Materazzi. Desconsolado, Zidane não compareceu à cerimônia de recebimento da medalha de prata.

                  Mesmo após seu deslize no último jogo da copa, Zidane foi premiado com o título de Bola de Ouro da Copa do Mundo de 2006, atribuído ao melhor jogador do campeonato. Multado em 7.500 francos suíços e punido com três dias de trabalhos comunitários, pela comissão disciplinar da FIFA, devido à agressão no italiano Materazzi, Zidane manteve o título de Bola de Ouro. Em 2006 ainda ficou em segundo lugar na escolha do melhor jogador do ano pela FIFA, sendo que atuou apenas no primeiro semestre. Zidane foi escolhido três vezes como o melhor jogador do mundo pela FIFA e uma vez como melhor jogador da Europa. Em 2004 Zidane foi selecionado para o FIFA 100, lista dos cento e vinte e cinco maiores jogadores vivos de futebol, escolhidos por Pelé para o centenário da FIFA.

 

SELEÇÃO FRANCESA DE 1998

 

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