ROBERTO BELANGERO: campeão paulista pelo Corinthians em 1954

                   Roberto Belangero nasceu dia 28 de junho de 1928, na cidade de São Paulo. Foi o maior centro-médio da história do Corinthians. Formava na legendária linha média campeã do IV Centenário, com Idário e Goiano. Era o contraponto de categoria no meio dessa dupla de valentes. Titular da seleção brasileira de 1957, durante as eliminatórias para a Copa de 1958, na Suécia. Perseguido por uma contusão, acabou ficando fora do mundial, e com isto deixou de se tornar um campeão mundial. Depois que saiu do Corinthians foi jogar na Argentina, no Newell´s Old Boys, onde veio encerrar sua brilhante carreira de jogador de futebol. Depois tornou-se técnico do próprio Corinthians, o qual dirigiu 24 partidas no ano de 1964.

CORINTHIANS

                   Roberto Belangero começou nas categorias de base do Corinthians. Na década de 40 jogava nos aspirantes do Timão, cuja equipe fazia a Fiel comparecer ao Pacaembu duas horas antes do time principal jogar, pois aquela rapaziada já dava espetáculo, atuando por música quando subiram ao principal na década de 50. Eram os tempos de Idário, um zagueiro valente e de alma corintiana, não é por acaso que era chamado de Deus da Raça. E ao lado de Idário, o médio-direito, estavam as legendas Touguinha, médio-esquerdo, e Roberto Belangero, centro-médio. Roberto Belangero era o Professor, o Mestre, o Cérebro; sua inteligência cadenciava o jogo ou fazia fluir, dependendo do momento do jogo.

                  Era o cérebro operante de um Timão que já contava com Cláudio Christóvam do Pinho, aquele que pensava e fazia gols, gerenciando no ataque o que o cérebro de Roberto Belangero armava no meio-campo. Da sua ponta-direita, centrava para Baltazar, o Cabecinha-de-Ouro, o maior cabeceador do futebol. Jogavam pela ala esquerda Noronha, na ponta, e Nelsinho, centrado. Belfare e Newton finalizavam a escalação, com Bino no gol.

                 A primeira partida de Roberto Belangero pelo Corinthians aconteceu no dia 7 de setembro de 1947, num amistoso que o Timão realizou contra uma seleção da cidade de Pinhal. O jogo foi no Estádio Municipal do Espírito Santo do Pinhal. O Corinthians venceu por 4 a 0 e neste dia jogou com; Bino, Domingos da Guia e Aldo; Palmer, Hélio e Roberto Belangero; Cláudio, Baltazar, Servílio, Nenê e Ruy. Os gols foram marcados por; Cláudio (2), Servílio e Baltazar.

ANOS DOURADOS              

                   A grande fase de Roberto Belangero assim como a do Corinthians, começou no ano de 1950, quando conquistou o título do Torneio Rio-São Paulo. E neste torneio o Coringão venceu nada menos que a base da Seleção Brasileira da Copa de 50. Era o consagrado Expresso da Vitória, do bacalhau carioca, o Vasco da Gama. E de virada, como reza a Tradição Corintiana. O Rio-S.Paulo era o campeonato mais nacional possível. Foram 7 jogos, com 5 vitórias, um empate e uma derrota. O jogo contra o Vasco foi realizado na 5ª rodada e foi emblemático, pois manteria o carioca como Vice até o fim do certame. O gol da vitória foi de Baltazar, de cabeça.

                   O Corinthians voltava a se sagrar campeão nacional após aquele “Campeão dos Campeões” de 1942, contra o mesmo Vasco da Gama. Depois veio o bicampeonato paulista em 1951 e 1952. Em 1953 novamente conquistou o Rio-São Paulo e só não conquistou o título paulista, pois naquele ano o Corinthians passou praticamente metade do ano na Europa. Nesta excursão, simplesmente venceu praticamente todos os jogos que disputou. Venceu equipes como a Lázio, Internazionalle, Real Madrid, Barcelona, Galatasaray, Fenerbach, Torino, Borussia Dortmund, entre outras equipes, sem contar com vitórias sobre seleções da Turquia, Finlândia, etc…  Voltou ao Brasil com o título de Bola de Ouro do futebol brasileiro. Nunca ouvi ninguém da imprensa falar sobre isso. Conquistou ainda, naquele ano, o título da pequena Taça do Mundo disputada na Venezuela. Realmente foi uma Era Dourada na carreira de Roberto Belangero e do seu amado Corinthians que ele tanto defendeu e amou em sua vida.

                   Mas de todos os títulos que conquistou com a camisa corintiana, sem dúvida, foi o título paulista de 1954, o título do IV Centenário. Foi uma conquista que até hoje o torcedor corintiano lembra com muito carinho. Tudo aconteceu no dia 6 de fevereiro de 1955, quando o Corinthians empatou com o Palmeiras em 1 a 1 lá no velho Pacaembu. Neste dia o Corinthians jogou com Gilmar, Idário, Homero, Goiano e Alan; Roberto Belangero e Rafael; Cláudio, Luizinho, Baltazar e Simão. Um dos melhores times de todos os tempos do alvinegro de Parque São Jorge. Sem dúvida alguma, este título de 54 marcou a história do S. C. Corinthians Paulista. 

                   A última partida de Roberto Belangero pelo Corinthians aconteceu no dia 11 de dezembro de 1960, quando o alvinegro venceu a Ponte Preta por 1 a 0 pelo campeonato paulista. O jogo foi no estádio Moisés Lucareli, em Campinas e o Timão neste dia jogou com a seguinte formação; Cabeção, Egidio, Olavo, Ari Clemente e Oreco; Roberto Belangero e Rafael; Lécio, Felício, Lopes e Irineu (Joaquinzinho). O único gol da partida foi anotado por Joaquinzinho aos 5 minutos da segunda etapa. Roberto Belangero jogou no Corinthians de 1947 até 1960. Nesse período disputou 450 jogos, venceu 274, empatou 88 e perdeu 88. Nesse período marcou 22 gols a favor e 1 contra. Sagrou-se Campeão Paulista em 1951, 52 e 54 e Campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1950, 53 e 54.

SELEÇÃO BRASILEIRA

                    Com a camisa canarinho, disputou 18 jogos. Venceu 11, empatou 5 e perdeu 2. Sua primeira apresentação pela seleção brasileira aconteceu em 1956, na Copa América. No ano seguinte foi novamente convocado para representar o nosso país, tanto pela Copa América, como nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, onde foi titular da Seleção Brasileira em praticamente todas as partidas, mas devido às contusões, acabou ficando de fora, deixando assim de ser um campeão mundial. A seleção de 57 era assim constituída; Castilho, De Sordi, Mauro, Zózimo e Roberto Belangero; Dino Sani e Dida; Canhoteiro, Vavá, Almir e Zagallo.          

TÉCNICO

                     Depois que encerrou a carreira de jogador, começou a trabalhar como auxiliar técnico de Paulo Amaral, lá mesmo no Corinthians. Em 1964 assumiu o comando e dirigiu 24 partidas, sendo que venceu 12, empatou 8 e perdeu 4 vezes. Roberto Belangero foi mais um dos que foram ídolos como jogador e anos depois se tornou técnico do clube. Assumiu o cargo em definitivo dia 9 de agosto de 1964, quando o Corinthians empatou em 2 a 2 com o XV de Piracicaba, pelo primeiro turno do campeonato paulista. Sua última partida como treinador do Timão, aconteceu dia 29 de novembro de 1964, quando perdeu para o Palmeiras por 4 a 1 pelo campeonato paulista.

                    Devido a forte pressão, principalmente depois de uma derrota como esta para o arqui-inimigo, Roberto acabou pedindo demissão do cargo e quem assumiu em seu lugar foi o saudoso Osvaldo Brandão. Durante estes três meses e meio que esteve a frente do comando corintiano, uma das vitórias que Roberto mais comemorou foi quando o Corinthians venceu o Palmeiras por 1 a 0, no dia 13 de setembro de 1964. O jogo foi no Pacaembu e o único tento da partida foi anotado por Silva aos 7 minutos do primeiro tempo cobrando penalidade máxima cometida por Tarciso em Ney.

                   Neste jogo o Ney, pai do Dinei, foi expulso, ainda no primeiro tempo, ele chutou sem bola o Djalma Dias e o árbitro o expulsou. Com a expulsão de Ney, o Corinthians ficou com dez homens. A linha do Corinthians nesse jogo era: Ney (ponteiro direito), Luizinho, Silva, Flávio e Lima. A defesa do Palmeiras era: Valdir, Rubens Caetano, Djalma Dias e Ferrari; Dudu e Tarciso. Como Ferrari sabia atacar, Rubens Caetano não tinha essa facilidade, Roberto Belangero, inteligentemente, fez com que o ponteiro canhoto Lima se deslocasse para a ponta direita, assim, impediria a descida de Ferrari para o ataque. Roberto Belangero dava instruções ao time corintiano do túnel das gerais do Pacaembu e Ney, expulso de campo, ficava nos degraus, perto do técnico, quando o árbitro se aproximava ele descia as escadas. O técnico do Palmeiras, nessa partida, era Sílvio Pirilo. Aliás, a última partida dele no Palmeiras, depois dessa derrota, não aguentando as pressões, ele deixou o cargo.

                    Roberto Belangero faleceu dia 30 de outubro de 1996, em São Paulo, causando muita tristeza à coletividade corintiana, pois foi um jogador que sempre honrou a camisa do alvinegro de Parque São Jorge, pois foi um dos maiores jogadores que já passaram pelo clube. Para muitos que tiveram o privilégio de vê-lo jogar, afirmam que foi o maior centromédio (hoje volante) da história do Timão. Foi um jogador extremamente habilidoso e um dos mais técnicos do futebol brasileiro. O próprio Nilton Santos com quem jogou na seleção brasileira sempre diz; “Roberto foi um dos jogadores que mais bonito batia na bola”.

Em Pé: Alan, Homero, Goiano, Idário, Roberto Belangero e Gilmar      –     Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Rafael e Nonô
Em pé: Cássio, Idário, Chérri, Walmir, Olavo e Roberto Belangero     –     Agachados: Zé Carlos, Luizinho, Zague, Rafael e Boquita
Em Pé: Oreco, Ari Clemente, Olavo, Egidio, Cabeção e Roberto Belangero      –     Agachados: Bataglia, Luizinho, Almir, Rafael e Guimarães
Em pé: Cabeção, Olavo, Ari Clemente, Walmir, Idário e Roberto Belangero      –     Agachados: Bataglia, Rafael, Índio, Zague e Tite
Em pé: Alan, Homero, Clóvis, Walmir, Roberto Belangero e Gilmar      –     Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Jackson e Nonô
Em Pé: Oreco, Gilmar, Olavo, Cássio, Goiano e Roberto Belangero      –     Agachados: Zezé, Índio, Rafael, Zague e Boquita
Em pé: Cabeção, Walmir, Oreco, Olavo, Ivan e Roberto Belangero      –     Agachados: Bataglia, Paulo, Zague, Rafael e Tite
Em pé: Gilmar, Idário, Goiano, Julião, Murilo e Roberto Belangero      –     Agachados: Claudio, Luizinho, Jackson, Gatão e Colombo
Em pé: Cabeção, Idário, Julião, Murilo, Sula e Roberto Belangero      –     Agachados: Claudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário
Em pé: Idário, Julião, Alan, Olavo, Roberto Belangero e Gilmar      –     Agachados: Claudio, Luizinho, Paulo, Baltazar e Jansen
Em pé: Alan, Idário, Julião, Gilmar, Olavo e Roberto Belangero      –     Agachados: Claudio, Luizinho Rafael, Paulo e Zezé
Em pé: De Sordi, Jadir, Nilton Santos, Gilmar, Mauro e Roberto Belangero      –     Agachados: Garrincha, Moacir Mazzola, Pelé e Canhoteiro
Em pé: Djalma Santos, Bellini, Zózimo, Nilton Santos, Gilmar e Roberto Belangero      –     Agachados: Garrincha, Evaristo de Macedo, Índio, Didi e Joel

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