CAÇAPAVA: ídolo do Internacional / RS na década de 70

                  Luiz Carlos Mello Lopes nasceu dia 26 de dezembro de 1954, na cidade de Caçapava do Sul (RS). O apelido surgiu por causa da cidade onde nasceu, que fica distante 263 km da capital. Em um time onde quase todos atacavam e tinham qualidade para isso, o volante Caçapava era o responsável pela guarnição da defesa colorada. Junto com Falcão, Carpegiani e depois Batista, formou um dos meios de campo considerados dos sonhos pelos colorados mais antigos. Como marcador implacável, anulou grandes craques que ousaram ameaçar os defensores do Inter, como Adãozinho e Palhinha, na final do Campeonato Brasileiro contra o Cruzeiro em 1975, e Geraldão, do Corinthians, em 1976.

INTERNACIONAL/RS

                 O volante deu seus primeiros passos no Gaúcho, time de Caçapava do Sul, então com seus 18 anos de idade. Em meados de 1970, o Internacional começava a montar um dos melhores elencos que o planeta já presenciou. Foi nesta década que o Clube do Povo provou quem era o maior clube do Rio Grande do Sul e do Brasil. O novo estádio, inaugurado alguns anos antes, correspondia à expectativa da fanática torcida colorada, sendo palco de grandes jogos e de finais inesquecíveis. Daquele time, havia craques do meio-campo para frente, como Falcão e Paulo César Carpegiani, mas quem segurava os meias e os atacantes adversários? A resposta está na ponta da língua de todos torcedores da época: Caçapava.

                Em 1972 transferiu-se para o Internacional, onde, aos poucos, começou a trilhar o caminho das grandes conquistas. Em 1974, conquistou seu primeiro grande título com a camisa colorada, o primeiro Campeonato Gaúcho de muitos outros que estavam por vir. Venceu também em 1975, 1976 e 1978. Um ano depois, deparava-se com um Beira-Rio completamente lotado para a grande final do Brasileirão, diante do forte Cruzeiro. Placar de 1 a 0 para o Inter, gol de Figueroa, por quem Caçapava nutria grande amizade. Em 1976, veio o bicampeonato, vitória de 2 a 0 em cima do Corinthians de Neca, Ruço, entre outros.

                Em um daqueles episódios curiosos do futebol brasileiro, o volante Caçapava tentava convencer o médico colorado, José Mottini, a não realizar operação no seu joelho direito. “Doutor, se eu chutar a bola com a direita, o menisco tem que doer? Eu não sinto nada!”, questionou o volante. Com a resposta afirmativa do médico, confirmando que a lesão havia aparecido no exame de artroscopia, o jogador retrucou: – Então esse joelho aí não é o meu!

CORINTHIANS

                Pouco antes de contratar Caçapava, o presidente corintiano Vicente Matheus tentava a contratação do meio-campista Falcão, à época a principal estrela do Internacional. Como o Colorado não tinha planos de perder seu melhor jogador para um time brasileiro, Falcão fora negociado posteriormente com a Roma, Matheus teve de se contentar em trazer o raçudo volante do Inter. “O melhor era o Falcão, mas o Caçapava estava também entre os melhores”, contava Matheus.

                Caçapava chegou ao Corinthians em 1979 e logo em seu primeiro ano no Parque São Jorge conquistou o título do Paulistão. O curioso é que além de Falcão e Caçapava, o Corinthians tentou contratar mais um meio-campista colorado: Batista. Porém, Batista, embora tenha até colocado a camisa corintiana, jamais defendeu o alvinegro. Com a camisa corintiana, Caçapava realizou 148 jogos e marcou 5 gols.

LEMBRANÇAS

                Depois da vitoriosa passagem pelo Internacional, o volante Caçapava atuou ainda no Corinthians, Palmeiras, Vila Nova de Goiás, Ceará, onde foi Campeão Cearense no ano de 1984 e voltou ao Rio Grande do Sul para jogar no Novo Hamburgo, e se aposentou no Fortaleza, do Ceará no ano de 1987. Foi algumas vezes convocado para a Seleção Brasileira. Depois que encerrou a carreira manteve uma escolinha de futebol na distante Teresina, no Piauí, onde foi professor da Escolinha de Futebol do 25º Batalhão de Caçadores, unidade militar do Exército Brasileiro, na divisa entre Teresina (PI) e Timon (MA) e em 2004 tornou-se técnico de futebol. Em 2006, começou a fazer parte da comissão técnica do Piauí Esporte Clube.

                 Para os colorados que assistiram ao vivo aos craques da década de 70 desfilarem pelos gramados do Brasil, uma lembrança há de ficar. Caçapava era o cão de guarda da meia-cancha colorada, e não dava descanso e nem sossego para os atacantes e meias mais desavisados. Infelizmente Caçapava nos deixou no dia 27 de junho de 2016, aos 61 anos de idade, vítima de infarto.

CURIOSIDADES

                 Dizem, que embora fosse um negro de porte físico avantajado, o que impunha respeito em seus adversários, Caçapava sofria de uma enorme fobia por cobras e aranhas. Bastava alguém ameaçar jogar algum desses animais, mesmo que de brinquedo, contra sua pessoa, que ele saía em disparada feito uma criança medrosa.

1981   –   Em pé: Lóti, Taborda, Rafael, Caçapava, Wladimir e Mauro   –    Agachados: Biro-Biro, Sócrates, Mário Motta, Zenon e Joãozinho
Em pé: Valdir, Manga, Figueroa, Hermínio, Chico Fraga e Falcão   –    Agachados: Valdomiro, Caçapava, Flávio, Carpegiani e Lula
1979   –  E m pé: Jairo, Mauro, Luis Cláudio, Amaral, Caçapava e Romeu   –   Agachados: Píter, Biro-Biro, Palhinha, Sócrates e Wladimir
1976  –  Em pé: Zé Maria, Manga, Figueroa, Vacaria, Marinho Peres e Falcão   –    Agachados: Valdomiro, Jair, Escurinho, Caçapava e Dario
1981 – Em pé: Rondinelli, Gomes, Zé Maria, Rafael, Caçapava e Wladimir    –   Agachados: Biro-Biro, Sócrates, Mário, Zenon e Paulo César Caju
Em pé: Reinaldo Salomon, Lúcio, Corbo, Oberdã, Falcão e Jorge Tabajara   –    Agachados: Tarciso, Tadeu Ricci, André Catimba, Caçapava e Éder
1980 – Em pé: Zé Maria, Mauro, Solitinho, Djalma, Caçapava e Wladimir   –    Agachados: Vaguinho, Sócrates, Geraldão, Wágner Basílio e Wilsinho
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