BRASIL 5×2 SUÉCIA – Dia 29 de Junho de 1958

                  Toda vez que comemoramos o dia de São Pedro, também é um dia de muita alegria para o futebol brasileiro, pois também comemoramos a conquista do nosso primeiro título mundial, realizado na Suécia em 1958.  A Copa do Mundo daquele ano teve início no dia 8 de junho e terminou dia 29 de junho.  A seleção brasileira saiu do Brasil desacreditada devido ao fracasso da Copa de 50 que fora disputada aqui em nosso país e, também pelo 6º lugar que conquistou na Copa de 54 que foi disputada na Suíça. Inclusive, uma revista francesa analisando os candidatos ao título mundial da Suécia, referia-se ao Brasil em tom de descrença e dizia; “Um futebol talentoso, mas psicologicamente e mentalmente, primário”.  E davam como favoritos naquele ano, os soviéticos, que pela primeira vez iriam disputar um mundial. 

                 E as dificuldades brasileiras já começaram nas eliminatórias, que naquela época só havia dois países sul-americanos em disputa, o Brasil e o Peru.  Jogando em Lima no dia 13 de abril de 1957, a nossa seleção apenas empatou com o Peru em 1 a 1.  Mas aqui no Maracanã dia 21 de abril, vencemos por 1 a 0, gol de Didi, o que nos deu a condição de participarmos daquele mundial.

                Um ano depois, seguia para a Europa sem muito alarde a nossa seleção e, pela primeira vez cuidara de todos os detalhes, ou seja, enviaram uma equipe de técnicos, preparador físico, cozinheiro, dentista e até um psicólogo.  No entanto, esqueceram de enviar ao Comitê Organizador da Copa do Mundo, os números das camisas que os jogadores brasileiros iriam usar durante a competição, sendo assim, coube ao uruguaio Lorenzo Villizio, que era um dos organizadores da Copa, colocar os números, e como ele não conhecia ninguém, colocou qualquer número para os jogadores. Ai nasceu o grande casamento de Pelé e a camisa 10. 

               Sendo assim, naquela Copa os jogadores convocados por Vicente Feola receberam as seguintes numerações:  Castilho–1,  Bellini–2,  Gilmar–3,  Djalma Santos-4,  Dino Sani-5,  Didi-6,  Zagallo-7,  Oreco-8,  Zózimo-9,  Pelé-10,  Garrincha-11,  Nilton Santos-12,  Moacir-13,  De Sordi-14,  Orlando-15,  Mauro-16,  Joel-17,  Mazzola-18,  Zito-19,  Vavá-20, Dida-21  e  Pepe-22.

              Participaram desta Copa 16 países: Alemanha Ocidental, Argentina, Áustria, Brasil, Escócia, França, Hungria, Inglaterra, Irlanda do Norte, Iugoslávia, México, País de Gales, Paraguai, Suécia, União Soviética e Checoslováquia. Foram divididos em quatro grupos e o Brasil ficou no grupo 4, onde também estavam, Áustria, União Soviética e Inglaterra. Antes do mundial, o Brasil fez dois amistosos na Itália e venceu as duas partidas. 

A ESTREIA BRASILEIRA

               E finalmente chegava o dia da estreia da seleção brasileira, que entrava em campo pela primeira vez com a camisa amarela, daí o nome “seleção canarinho”. Era o dia 8 de junho, e o Brasil entrou em campo para enfrentar a Áustria com a seguinte formação; Gilmar, De Sordi, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Dino Sani e Didi; Joel, Mazzola, Dida e Zagallo.  Com dois gols de Mazzola e um de Nilton Santos, vencemos a primeira partida sem dificuldades.

SEGUNDO JOGO

               Três dias depois, ou seja, dia 11 de junho, entrávamos em campo novamente, desta vez para enfrentarmos os ingleses que haviam empatado na sua estreia com os soviéticos em 2 a 2.  Nesta segunda partida, a seleção brasileira entrou em campo com a mesma formação da estreia e acabou empatando em 0 a 0. Esta partida foi disputada na cidade Gotemburgo.  Depois daquele empate, um grupo de jogadores liderados por Nilton Santos, Didi e Bellini, fizeram uma sábia sugestão aos homens da comissão técnica, ou seja, que fossem escalados, Zito, Vavá, Garrincha e Pelé, uma vez que a próxima partida seria decisiva para que a nossa seleção continuasse na competição e também porque o adversário seria a favorita União Soviética. E mais sabiamente, a comissão técnica aceitou a sugestão.

MUDA A HISTÓRIA DO FUTEBOL BRASILEIRO

              Era o dia 15 de junho e lá estavam frente a frente, brasileiros e soviéticos. Dois minutos de jogo, Garrincha bate a três zagueiros e chuta violentamente contra a trave. Um minuto depois, era a vez de Pelé chutar no travessão. Na jogada seguinte, de Didi para Pelé, de Pelé para Vavá e surge o primeiro gol brasileiro.

              Não seria exagero afirmar, que aqueles três minutos de jogo, fizera modificar a própria história do futebol brasileiro e superado a infantilidade 1930, a imaturidade de 1934, a inexperiência de 1938, o otimismo de 1950 e os nervos de 1954.  Aos 37 minutos do segundo tempo, Vavá marcou o segundo gol numa jogada que lhe custou um corte profundo em sua perna.  Com este resultado, o Brasil passou para as quartas de final, e foi enfrentar País de Gales, uma seleção tecnicamente bem dotada. 

QUARTAS-DE-FINAL

               Este jogo aconteceu dia 19 de junho, uma data que ficou marcada na história do futebol brasileiro, pois neste jogo, o ainda garoto Pelé, marcou seu primeiro gol em Copa do Mundo, um gol espetacular aos 21 minutos do segundo tempo que decidiu a sorte do jogo, pois vencemos a partida por 1 a 0. Com isto, já estávamos classificados para a semi-final.

SEMI-FINAL

              Para quem saiu do país desacreditado, já estávamos no lucro, pois já havíamos chegado na semi-final daquele mundial.  O nosso adversário seria a poderosa França, que tinha como centroavante o magistral Just Fontaine, que foi o artilheiro daquela Copa com 13 gols, recorde que até hoje não foi quebrado.  Era o dia 24 de junho, a cidade era Estocolmo e de um lado do campo estava Pelé e do outro Fontaine.  Juiz apita o início e logo aos 2 minutos, Vavá abre a contagem.  Sete minutos depois, Fontaine empata a partida.  Aos 39 do primeiro tempo, Didi desempata a partida. Fim do primeiro tempo.  Para a segunda etapa, Pelé volta a campo iluminado e marca três gols. Aos 7, aos 19 e aos 30 minutos. Somente aos 38 que a França consegue marcar seu segundo gol.  Com esta vitória de 5 a 2, o Brasil estava na final daquela Copa. Na decisão do terceiro lugar, a seleção francesa bateu a seleção da Alemanha Ocidental, por 6 a 3, com quatro gols de Just Fontaine, no dia 28 de junho.

A GRANDE FINAL

              Finalmente chegava o grande dia, onde brasileiros e os donos da casa iriam disputar o título daquele mundial.  Era o dia 29 de junho, a cidade era Estocolmo, o estádio era o Rasunda e, o árbitro era o francês Guigue.  Neste dia a seleção canarinho precisou jogar de azul, pois a camisa da Suécia também era amarela. Alguns jogadores supersticiosos, diziam que a mudança da cor da camisa era um mal sinal. Ao ouvir isto, Paulo Machado de Carvalho que era o chefe da delegação, gritou: Nós vamos jogar de azul, que é a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida, e sendo  Ela a padroeira do Brasil, vocês  acham que Ela irá  nos abandonar nesta hora? E assim, entraram em campo mais confiantes ainda os seguintes jogadores; Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo.  

JOGO DO TÍTULO

               Logo aos 3 minutos de jogo, a Suécia abriu o placar. Didi pegou a bola e foi até o meio de campo dizendo aos companheiros; “No mês passado o Botafogo veio aqui e ganhou desses caras, por que nós vamos perder?” E aquela conversa deu resultado, pois aos 9 minutos Vava empatou a partida e aos 32 ainda do primeiro tempo, virou o placar.  Já estávamos com a mão na taça, mas depois da Copa de 50, tudo era possível. 

               Veio o segundo tempo e aos 14 minutos Pelé faz mais um para o Brasil. Aos 23 Zagallo aumenta o placar.  Aos 25 a Suécia diminuiu. Mas aos 45 minutos do segundo tempo, Pelé fecha o placar. Brasil 5 a 2. Pela primeira vez, o Brasil era Campeão Mundial de Futebol.  Bellini ergueu a Taça de Ouro. Graças a ele, foi criado um dos gestos mais significativos do futebol e, até mesmo, dos outros esportes; o levantar a taça de campeão. Os brasileiros em especial, jamais esquecerão daquele gesto feito por Bellini no dia 29 de junho de 1958. Os jogadores deram a famosa volta olímpica, o Rei Gustavo saudou os campeões e o Brasil realizou um sonho de oito anos, depois daquela catástrofe de 50.

A FESTA DO POVO BRASILEIRO

               O povo brasileiro saiu às ruas para comemorar e a música que o povo cantava se referindo ao placar da partida final, era aquela marchinha carnavalesca da época “Jardineira”, que dizia; O jardineira por que estás tão triste, mas o que foi que aconteceu?  Foi a Camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu.

              Neste mundial, tivemos 35 jogos, foram marcados 126 gols.  O Brasil fez 6 jogos, marcou 16 gols e sofreu apenas 4, por isso, foi o legítimo campeão de futebol, um esporte que é uma paixão que nasce no berço, se desenvolve na infância, aumenta na adolescência, amadurece na juventude e não abandona mais, até o fim da vida.

CURIOSIDADES DA COPA

               Pelé aos 17 anos e 239 dias foi o jogador mais novo a vencer uma Copa do mundo. No primeiro dia de concentração brasileira na Suécia, quem servia as mesas dos jogadores era uma linda loura sueca. Para os jogadores não se entusiasmarem muito, o comando da seleção fez a moça tirar férias. Brasil e Inglaterra empataram por 0 a 0 ainda na primeira fase. Foi o primeiro empate sem gols da história de todas das Copas.

BRASIL CAMPEÃO DA COPA DE 1958     –     Em pé: o técnico Vicente Feola, Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gilmar       –     Agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá, Zagallo e o preparador físico Paulo Amaral
SELEÇÃO DA SUÉCIA – 1958      –    Em pé: Skoglund, Gren, Simonsson, Gustavsson e Liedholm     –     Agachados: Hamrin, Börjesson, Bergmark, Svensson, Axbom e Parling

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