PARANÁ: o falso ponta

                  Ademir de Barros nasceu na cidade de Cambará – PR no dia 6 de abril de 1942, portanto, hoje ele está completando 66 anos de vida. Este nome não faz lembrar ninguém em especial, entretanto, se falarmos em Paraná, ex-ponta esquerda do São Paulo Futebol Clube e da Seleção Brasileira, muitos com certeza irão se lembrar, em especial os amantes do futebol.

                 Paraná chegou ao São Bento de Sorocaba em fevereiro de 1960, vindo da cidade de Cambará (PR), sua terra natal. Ainda nos campos paranaenses recebeu o apelido de Carcará, graças aos seus dribles curtos e por atormentar a vida dos zagueiros adversários.  No entanto, bastaram alguns treinos no Azulão sorocabano para ganhar o apelido que o acompanhou a vida toda.

               Em Sorocaba, Paraná ajudou a colocar o São Bento na elite do futebol paulista ao conquistar o acesso para  a  Primeira  Divisão  em fevereiro de 1963 com a seguinte equipe; Nestor, Chicão, Salvador e Nei; Gibe e Gonçalves; Copeu, Raimundinho, João Carlos, Osvaldo e Paraná. Ele ainda atuou mais um ano no clube e em 1965 chegou ao Morumbi, onde defendeu o tricolor paulista por nove anos. Nessa época o time do São Paulo era; Suly, Renato, Bellini, Jurandir e Tenente; Dias e Laúca; Valdir Birigui, Zé Roberto, Prado e Paraná. Foi uma época muito difícil para o São Paulo, pois seu pensamento estava todo voltado na construção do Morumbi e, por isso, os primeiros elencos em que Paraná fez parte no São Paulo não tinham tanta força.

              Nessa época o clube estava em contenção de despesas. Mas mesmo assim, em 1967, foi vice-campeão paulista, perdendo o título no último minuto da penúltima rodada, num jogo em que o tricolor vencia o Corinthians por 1 a 0 gol de Lourival. No entanto, aos 44 minutos do segundo tempo, o centroavante Benê empatou para o Corinthians. Com esse resultado, a decisão ficou para a última rodada, quando o São Paulo enfrentou o Santos e acabou perdendo o título, numa noite inspirada do Rei Pelé.

              Em 1970 e 1971, Paraná fez parte do bicampeonato paulista do Tricolor, quando montou um grande esquadrão, principalmente em 71 que jogava assim; Sérgio, Forlan, Jurandir, Arlindo e Gilberto; Edson, Gerson e Pedro Rocha; Terto, Toninho Guerreiro e Paraná.  Depois deste bicampeonato, o São Paulo não parou mais de colecionar títulos.

              Paraná deixou o Tricolor em 1975 para disputar o Campeonato Brasileiro pelo Operário, de Campo Grande (MS). A partir daí começou uma peregrinação por times pequenos, já se aproximando do final da carreira. Depois do Operário foi para o Colorado (PR), atual Paraná Clube. Jogando pelo Londrina, marcou o gol inaugural do estádio do Café, quando o Londrina empatou com o Flamengo em 1 a 1 no dia 22 de agosto de 1976. No início de 1977 Paraná chegou à Francana, no interior paulista. Em 1978 voltou a Sorocaba para atuar mais uma vez no clube que o revelou. Um ano depois foi jogar no Barra Bonita (SP) onde ficou até 1980, quando encerrou a carreira.

              Hoje Paraná divide o tempo entre a escolinha de futebol e partidas de veteranos. Ele organiza o time de veteranos do São Paulo, com o qual viaja por todo o interior. Ele agenda os jogos, leva as camisas e ainda arrisca um ou outro drible. Em casa, a atenção é dividida com sua primeira neta, Maria Eduarda. Ela é filha de Cíntia, a filha mais velha. Paraná tem outros dois filhos: Cibele e Júnior.

              As portas do Morumbi ainda estão abertas para o ex-ponta esquerda. Algumas vezes por ano Paraná visita os amigos no clube e vai assistir aos treinos do Tricolor no Centro de Treinamento na Barra Funda. O bom relacionamento com o clube ainda pode render para Paraná. Ele pretende assumir em Sorocaba a franquia da escolinha de futebol do São Paulo e manter ainda mais forte seu vínculo com o clube. Aos 66 anos ele continua com bastante vontade de trabalhar.

O apelido do estado natal não esconde o amor pela terra que o criou. Paraná, ponta-esquerda raro no futebol, tem o nome pelo amor ao seu Estado e sua cidade, Cambará, que ele diz ser a mais bonita do mundo. Apesar do amor pelo Paraná, Ademir de Barros, que hoje completa 66 anos, começou sua carreira no interior paulista e conquistou projeção nacional jogando num dos maiores clubes do Brasil, que o levou até a Seleção Brasileira.

 

SELEÇÃO BRASILEIRA

 

              Paraná participou da Copa do Mundo de 1966 disputada na Inglaterra, onde foi um dos poucos poupados pela ira dos mais fanáticos torcedores brasileiros, depois da ridícula participação do escrete canarinho. Naquele mundial o Brasil ficou em 11º lugar. Realizou três partidas, venceu uma (Bulgária) e perdeu duas (Hungria e Portugal). A seleção daquele mundial era a seguinte; Manga, Fidélis, Brito, Orlando e Rildo; Denílson e Lima; Jairzinho, Silva, Pelé e Paraná.  Pela Seleção Brasileira Paraná jogou 11 vezes. Foram 9 vitórias, e duas derrotas. Marcou somente um gol com a camisa canarinho, foi contra o Peru no dia 4 de junho de 1966, quando o Brasil venceu por 4 a 0.

              Atualmente, Paraná, trabalha como professor de uma escolinha de futebol da Prefeitura de Sorocaba, no interior de São Paulo. São cerca de 200 crianças e adolescentes entre 7 e 16 anos, que têm aulas diariamente com Paraná e outros ex-jogadores, onde eles ensinam o controle de bola, chute e passe. Mas não fica só nisso não. Tem muita conversa para a criançada onde ele dá muitos conselhos e diz também que não consegue ver futebol pela televisão, pois ao fazer uma comparação com o futebol do passado, ele cita o dinheiro que os jogadores de hoje ganham, com os de sua época, onde os jogadores jogavam pelo amor a camisa do clube, a parte financeira vinha depois.  Sempre comenta que quando subiu com o São Bento para a primeira divisão, em 1963, os jogadores estavam com três meses de salários atrasados, no entanto, todo mundo queria jogar e ganhar o campeonato para aparecer e conseguir melhorar de vida.

              Paraná foi um sucesso meteórico, com pouco tempo de profissional, já foi contratado pelo São Paulo, em 1965, onde fez história. Com apenas 22 anos já estava no grupo da Seleção Brasileira que disputou a Copa de 66.  Sempre foi um falso ponta. Apesar de jogar com a camisa 11 e ser considerado ponta-esquerda, Paraná nunca se considerou com as características da posição, já que não costumava driblar visando a linha de fundo. Costumava mais ajudar o meio, armando os jogos. Ele não sabe, mas ajudou a criar o esquema 4-4-2 com seu ímpeto menos ofensivo. Este mesmo esquema que ele condena ao comentar que hoje, os técnicos enchem o meio de volantes e não dão espaço para o craque.

              Paraná jogou no São Paulo F.C. de 1965 até 1975. Realizou 394 partidas. Foram 196 vitórias, 97 empates e 101 derrotas e marcou 40 gols.  Paraná nunca foi craque, mas jamais afinou e, na Copa de 66 foi um bravo num grupo desunido e pipoqueiro, segundo os saudosos cronistas esportivos Geraldo Bretas e Mário Moraes.

Paraná doou seu corpo, para que depois de morto seja utilizado em estudos na Faculdade de Medicina de Sorocaba. Ele entende que desta forma está colaborando para o avanço da medicina e fornecendo material de estudo para os estudantes de medicina. Alegre e brincalhão, ao ser recebido na Faculdade disse aos alunos que seu corpo não servirá para estudo das atuais e próximas futuras turmas, pois pretende viver muito ainda, mas deixou registrado em cartório o seu último desejo. Parabéns ao Paraná, que continua a brilhar fora dos gramados, como ser humano preocupado com o futuro da humanidade.

Em pé: Adailton, Sérgio, Gilberto, Edson, Jurandir e Forlan    –    Agachados: Paulo, Terto, Pedro Rocha, Gerson e Paraná
Em pé: Djalma Santos, Bellini, Manga, Orlando, Dudu e Rildo    –    Agachados: Jairzinho, Gerson, Flávio, Pelé e Paraná
Em pé: Bellini, Dias, Tenente, Renato, Suly e Jurandir    –   Agachados: Birigui, Zé Roberto, Prado, Laúca e Paraná
Em pé: Orlando, Manga, Brito, Denilson, Rildo e Fidélis     –    Agachados: Jairzinho, Lima, Silva, Pelé e Paraná
Em pé: Jurandir, Sérgio, Gilberto, Arlindo, Edson e Forlan     –   Agachados: Terto, Pedro Rocha, Toninho Guerreiro, Gerson e Paraná

 

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