ADO – goleiro que brilhou nos anos 70

                    Eduardo Roberto Stinghen nasceu dia 4 de julho de 1946, na cidade Jaraguá do Sul – SC. Ficou marcado no futebol por ter participado do grupo que conquistou o Tri no México em 1970 e também por ter tido uma boa passagem pelo Corinthians de 1969 até 1974. A exemplo de Emerson Leão, que já foi modelo de roupas íntimas, Ado era considerado um goleiro galã, por sua vasta cabeleira e pelo porte atlético. Foi mais um que fez parte de um período difícil na história corintiana, passando por um longo jejum de títulos que começou em 1954. Uma de suas participações marcantes aconteceu em um dos jogos mais lembrados pelos torcedores da velha guarda do Timão. Foi no dia 25 de abril de 1971, quando o Corinthians derrotou seu arqui rival Palmeiras por 4 a 3, numa das mais inesquecíveis viradas corintianas. Foi um jogo que entrou para a história do futebol brasileiro.

LONDRINA

                   “Fique tranqüilo papai, ainda vou ter meu nome em evidência e dar muitas alegrias a você e a nossa família”. Estas foram as palavras de Ado ao Sr. Juliano, seu pai. E estava certo aquele garoto de 16 anos, que resolvera trocar os livros pela bola, definitivamente. Foi descoberto no juvenil do Londrina e chamado pelo pai, um professor cioso de suas responsabilidades, que desejava para seus filhos uma boa educação e um caminho de sucesso. Começava ali a carreira de Ado, arqueiro do Corinthians, que a torcida o adorava, lembrando do jogador eficiente, elástico, sensacional, que na pior das hipóteses poderia ser galã de cinema ou garoto propaganda.

                   Para muitos, isso até atrapalhava algumas vezes, mas Ado sempre foi sincero; “Eu gosto da torcida. Sentir seu afeto, seu incentivo. E nenhum jogador pode ter queixa da torcida do Corinthians. Incentiva, estimula, vai a todos os campos, sempre esperando assistir a mais uma vitória do seu quadro preferido. Muitas vezes a vitória não aparece. E, pior, o título também não. Mas ela continua firme. Fiel seguidora de seu quadro, incentivadora de seus ídolos. Tenho orgulho em ser prestigiado por ela”.

                   Ado é catarinense. Pelo menos de nascimento. No mais, ele adora Londrina, sua terra desde os 5 anos de idade. Saiu lá de Jaraguá do Sul com a família toda em 1951. O menino louro, segundo de uma série que só terminaria em seis, sempre foi chegado á bola. Ainda pequeno recebeu o apelido carinhoso dos pais e dos irmãos de Ado. Todo queriam chamá-lo pelo nome, Eduardo, mas era mais difícil. Daí ficou o Ado, que mais tarde seria sua identificação no Brasil e no exterior.  “Eu sempre fui um garoto tranquilo.

                  Mas a bola eu perseguia com entusiasmo. Com 17 anos, estava no juvenil do Londrina, já autorizado por meu pai que queria seus filhos estudando, vê-los formados, para um dia seguirem uma carreira sem problemas de sobrevivência. Mas compreendeu o que eu queria e hoje tenho certeza de que não está arrependido. Quanto a minha ida para o Corinthians, teve muita coisa antes disso. Com 19 anos, era titular do Londrina. Mas, jogar no interior é uma coisa muito séria. Nem sempre há aquela seriedade que o profissional exige para se completar. Mas, treinava com vontade, com muito afinco e acabei me revelando no Paraná”

                  Ado despontava no Londrina, mas suas atuações eram irregulares. Ora bem, ora mal. Acontece que o presidente do Londrina, era uma espécie de dono da equipe. Seu dinheiro estava lá e ele queria reavê-lo, cansado de anos e anos sem maiores compensações. A solução era vender os melhores. Começou com Lidú, que foi para o Corinthians, falecendo prematuramente num trágico acidente automobilístico juntamente com o ponta esquerda Eduardo, na Marginal do Tiete.  Ado era o carro-chefe do presidente. Tinha no goleiro uma fé irremediável.

VERDADEIRA VIA CRUZ

                   E começou a via cruz na vida do goleiro Ado. Primeiro foi o Vasco. Cheguei lá e o técnico era o Paulinho. Fiquei quase um mês. Não treinei direito. Estava lá também o Leão. Nem eu, nem ele com chances de mostrar alguma coisa. Depois foi o Santos, que estava em viagem e sem atividade. Formiga nem me viu treinar e disse que faria um relatório quando a delegação chegasse. Vi que não aconteceria nada e nem apareci mais.

CORINTHIANS

                   É costume o jogador dizer que o clube que o contratou é o maior, que desde criança já torcia por ele, etc…  mas juro que sempre gostei do Corinthians. E meu ídolo era o goleiro Gilmar, que aprendi a admirar lá no Parque São Jorge. O Londrina foi vender o Dobreu e acabei entrando no negócio. Fiquei dois meses com Dino Sani me ensinando muito. Devo tudo a ele. De repente, Lula, Alexandre, todos os goleiros corintianos contundidos. E Dino me escalou. A estreia contra o Botafogo carioca, no Maracanã. Teste maior para um goleiro não poderia haver. E confesso que fui bem. Tanto que não sai mais do time titular. Este jogo aconteceu no dia 29 de outubro de 1969 pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa e neste dia o Corinthians jogou com; Ado, Miranda, Ditão, Luiz Carlos e Pedro Rodrigues; Suingue e Rivelino; Paulo Borges, Ivair (Dirceu Alves), Benê (Tales) e Lima.

                  O Corinthians venceu por 2 a 0, gols de Paulo Borges e Rivelino. Ao todo Ado disputou 207 jogos pelo Timão. Venceu 83, empatou 75 e perdeu 49. Sofreu 170 gols durante os quatro anos que vestiu a camisa do alvinegro de Parque São Jorge. E nestes anos, inúmeras partidas ficarão para sempre na memória do goleiro Ado, como por exemplo um jogo contra o Fluminense, em São Paulo, pois foi o seu teste definitivo. Naquele dia ele pegou tudo. Até um pênalti cobrado pelo ponta esquerda Lula, excelente jogador e grande cobrador de pênaltis. A partir daí foi fácil seguir em frente. Com seis jogos na Taça de Prata, acabou recebendo o prêmio maior para um jogador, ou seja, a seleção brasileira.

                  Outro jogo que traz muita alegria ao ex-goleiro, foi uma virada corintiana sobre o Palmeiras em 1971. Com dois minutos de jogo o Verdão já vencia por 2 a 0, mas aos poucos o alvinegro foi tomando conta do jogo e acabou vencendo por 4 a 3. Os gols do Corinthians foram marcados por Mirandinha (2), Adãozinho e Tião, enquanto que para o Palmeiras, marcaram: Cesar (2) e Leivinha. Mas também tem jogos tristes que Ado não esquece, como por exemplo aquela derrota para o Santos no dia 26 de novembro de 1972, quando o Peixe venceu por 4 a 0. E também outro jogo de muita tristeza para Ado com a camisa do Corinthians, foi justamente a sua última partida pelo Timão. Isto aconteceu dia 15 de dezembro de 1974, quando foi derrotado pelo Palmeiras por 4 a 1. Neste dia o Corinthians jogou com; Ado, Vanderlei, Brito, Ademir (Laércio) e Ojeda; Tião (Dirceu Alves) e Adãozinho; Ivan, Nilton, Carlos Alberto e Peri Depois dessa partida Ado discutiu com o técnico Sylvio Pirilo e não jogou mais no Corinthians.

SELEÇÃO BRASILEIRA

                    A primeira vez que Ado foi convocado para defender nossa seleção, haviam cinco jogadores do Corinthians. Ele, Zé Maria, Vaguinho, Luiz Carlos e Rivelino. Veio a Copa do Mundo de 1970, disputada no México, onde ele foi juntamente com os outros dois goleiros Félix e Leão. Na época a mídia clamava por sua presença na meta canarinho como titular, mas Zagallo deu preferência ao goleiro Félix pela sua experiência, Ado era seu reserva imediato e Leão era o terceiro goleiro. “Não joguei nenhuma partida, mas fiquei muito feliz só de estar naquele grupo que só tinha feras e não foi por acaso que conquistou o Tricampeonato Mundial” – declarou o goleiro Ado.

OUTROS CLUBES               

                   Depois que saiu do Corinthians, foi jogar no América do Rio de Janeiro em 1974. No ano seguinte defendeu o Atlético Mineiro, em 1976, a Portuguesa de Desportos, o Velo Clube de Rio Claro e o Santos F.C. No ano seguinte o Ferroviário do Ceará e o Fortaleza de 78 à 80 e finalmente o Bragantino até 1984, onde encerrou sua carreira. Pelo clube do interior paulista, Ado protagonizou uma cena curiosa: em 1982, marcou um gol com as mãos, validado pela arbitragem.

                  Atualmente, Ado transmite seus ensinamentos à futura geração de craques do Brasil, já que é dono de duas escolinhas de futebol, ambas na capital paulista, uma no Morumbi e outra em Alphaville, na Alameda Araguaia. De vez em quando, dá uma “canja” aos alunos seja com a bola nos pés, seja apenas com palavras, contando as inúmeras histórias que acumulou em sua carreira. Antes das escolinhas, Ado chegou a ser dono de dois restaurantes em São Paulo, mas não aguentou a saudade da bola e alegou que “o jogador morre duas vezes: quando para de jogar e quando morre de verdade.

                 Não há como fugir, a nossa vida é o futebol”. Atualmente mora no bairro do Brooklin, zona sul de São Paulo. Durante os quatro anos que jogou no Corinthians não conquistou nenhum título. Teve uma ascensão fulminante e em pouco tempo estava na seleção, mas depois da Copa, devido a badalações noturnas, já que era tido como goleiro galã, sua carreira começou a entrar em declínio e nunca mais foi o mesmo jogador.

 

Em pé: Zé Maria, Djalma, Ado, Tião, Luiz Carlos e Miranda      –    Agachados: Vaguinho, Lance, Mirandinha, Rivelino e Marco Antonio
Em pé: Luiz Carlos, Tião, Sadi, Ado, Zé Maria e Pedrinho      –     Agachados: Lindóia, Samarone, Rivelino, Mirandinha e Peri
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