Di Stéfano: um argentino que brilhou na Espanha

                  Alfredo Di Stéfano nasceu dia 4 de julho de 1926, na cidade de Buenos Aires, Argentina. Quando criança, não se imaginava como jogador de futebol, preferindo a carreira de aviador, apesar dos incentivos do pai. Só começou a gostar do jogo após marcar três gols quando, aos 17 anos, foi chamado às pressas para completar o time do bairro.

                 Um outro acaso lhe destinou a seu primeiro clube, o River Plate, onde já havia jogado seu pai. Foi levado à equipe por um ex-jogador desta que, em visita casual em sua casa, ouviu da mãe de Di Stéfano que o garoto tinha talento. Passou no teste e foi convidado pelo ex-jogador Carlos Peucelle a entrar na quarta categoria do clube, logo subindo para terceira após ser visto por outro antigo atleta do River, Renato Cesarini. Cesarini, depois que o observou, indagou a Peucelle: “diga-me, é um center-forward? No que foi respondido: “Não, senhor, não é. É um fenômeno”.

                Iniciou a carreira no River Plate em 1943. Logo na estreia, fez um gol aos 15 segundos, um recorde que durou muitos anos na Argentina. Para ganhar experiência, foi emprestado por um curto período ao Huracan. O atacante, de volta ao River, se destacou no Campeonato Sul-Americano de 1947, quando foi campeão e artilheiro. Tornou-se o maior jogador do futebol argentino à época (fazia parte do time conhecido como “A Máquina”), mas foi obrigado a se transferir ao Milionários, da Colômbia, por causa de uma greve geral que paralisou o país em 1949. Deixou o River Plate com 49 gols em apenas 66 jogos.

                 Em 1952, Di Stéfano participou de um amistoso na Espanha, e despertou o interesse dos gigantes Real Madrid e Barcelona. A equipe da Catalunha já havia acertado a contratação mas, segundo historiadores, o ditador Franco atravessou a negociação e exigiu que o argentino jogasse no time da capital. O ministro dos esportes, General Moscardo, apresentou sua solução: o argentino faria temporadas alternadas por cada equipe por quatro anos – começando pelo Real. O acordo foi rejeitado pelo Barça, e Di Stéfano acabaria ficando no Real.

                Di Stéfano vestiu pela primeira vez a camisa do Real Madrid em 23 de setembro de 1953. A despedida só aconteceria 11 anos depois. Pelo Madrid, conquistou cinco Copas dos Campeões da Europa em seguida (1956/57/58/59/60), um Mundial, além de oito Ligas Nacionais e outros títulos de menor expressão. A maior decepção da carreira como atleta foi não ter disputado uma Copa do Mundo. Ele pendurou as chuteiras aos 40 anos de idade, em 1966, no Español e depois passou a viver as emoções fora das quatro linhas.

                Como treinador, Di Stéfano conquistou o Campeonato Espanhol de 1979 com o Valencia. Também dirigiu Boca Juniors, River Plate e o Real Madrid em duas oportunidades (82 a 84 e 90 a 91), e levantou apenas a Supercopa da Espanha em 1991. Em 1983, foi derrotado nas quatro finais que disputou e ainda perdeu o título nacional na última rodada. No ano 2000, tornou-se presidente de honra do Real Madrid.

DI STÉFANO VESTIU A CAMISA DO PALMEIRAS

                Em janeiro de 1948, Boca Juniors e River Plate vieram a São Paulo disputar amistosos contra as equipes da capital. O River despertou atenção especial do público e da imprensa, pois se tratava de “La Máquina”, apelido dado ao melhor time da história do futebol argentino.

                Foi um esquadrão de craques que dominou o futebol portenho na década de 1940 e, infelizmente [para eles], não pôde registrar seu nome na história das Copas, já que as edições de 1942 e 1946 foram suspensas, e em 1950 a Argentina boicotou o Mundial realizado no Brasil.

               Na ocasião, vieram ao Brasil jogar nos times argentinos, estrelas como: Alfredo Di Stéfano, eleito pela respeitada Revista France Football como o melhor jogador da Europa de todos os tempos; José Manuel Moreno, considerado por muitos especialistas da época como o maior boleiro argentino; e Angel Labruna, craque-referência do River Plate e até hoje lenda do futebol sul-americano.

               Mas o maior astro daquela constelação dos “hermanos” era mesmo o centroavante Di Stéfano, que brilhou no River nos títulos nacionais de 1945 e 1947. Para aproveitar a ilustre estada dos argentinos na cidade paulistana, em 1948, foi marcada uma espécie de tira-teima: Boca e River contra o “Trio de Ferro”, ou seja, uma verdadeira Seleção Argentina versus a Seleção Paulista, esta formada por jogadores de Corinthians, São Paulo e Palmeiras.

               Os paulistas chegaram ao Pacaembu preparados para jogar com uniforme todo branco, neutro, enquanto que do outro lado surgiu um impasse. Os jogadores do River se negavam a vestir a camisa do Boca, e vice-versa. A rivalidade impedia tal heresia. Na última hora, o craque palmeirense e argentino de nascimento, Bóvio, sugeriu aos portenhos que usassem o uniforme do Verdão. A ideia foi acatada.

              Assim, na noite de 21 de janeiro de 1948, uma verdadeira Seleção Argentina, uma das melhores de sua história, adentrou o gramado do estádio Paulo Machado de Carvalho envergando a camisa do Palmeiras, num momento histórico do futebol mundial.

              O fato é que, em certo período da partida, o ataque com a camisa alviverde foi aquele que é considerado uma “poesia” aos apreciadores da velha guarda futebolística: Di Stéfano, Boye, Moreno, Labruna e Lostau, mais Nestor Rossi na “meia-cancha”, Yacono na defesa e o célebre Carrizo no gol. Os seis primeiros, segundo a imprensa do país vizinho, formavam uma linha de frente arrasadora, comparável ao inesquecível quinteto santista, composto por Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

             Di Stéfano, então o melhor jogador do planeta, comandou o ataque dos visitantes e ainda fez um gol no jogo com a roupagem palestrina. O resultado final do referido duelo foi 1 a 1. E os jornais do dia seguinte, como a extinta Gazeta Esportiva, comentaram o extraordinário espetáculo técnico promovido no Pacaembu.

             A Seleção Paulista daquele dia foi a seguinte; Oberdan, Caieira (Renganeschi), Noronha (Turcão), Rui e Zezé Procópio; Valdemar Fiume e Amalfi; Cláudio, Ieso, Servilio (Canhotinho) e Teixeirinha (Remo). O árbitro foi Artur Janeiro e o gol brasileiro foi marcado por Servilio.

             Alfredo Di Stefano se naturalizou espanhol em 1956, e em 30 janeiro de 1957, ele jogou sua primeira partida com a camisa da seleção nacional espanhola, contra a Holanda, na vitória da Espanha por 5 a 1, com três gols dele. Alfredo Di Stéfano faleceu dia 7 de julho de 2014.

O Real Madrid da temporada 1959/60. Agachados, da esquerda para a direita, os três primeiros são Canário, Didi e Di Stéfano
Seleção da FIFA de 1993   –   Em pé: Puskas, Djalma Santos, Svatopluk Pluskal, Lev Yashin, Ján Popluhár, Karl-Heinz Schnellinger, Milutin Kic, Josef Masopust, Luis Eyzaguirre e Jim Baxter    –     Agachados: Raymond Kopa, Denis Law, Alfredo di Stéfano, Eusébio e Francisco Gento 
Dois grandes ídolos do Real Madrid – Di Stéfano e Cristiano Ronaldo
Dia 21 de Janeiro de 1948 – Argentinos com a camisa do Palmeiras
Em pé: Dominguez, Marquitos, Santamaria, Pachin, Vidal e Zárraga   –    Agachados: Canário, Del Sol, Di Stéfano, Puskas e Gento
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