MILTON BUZETTO: o rei da retranca

                   Milton Buzetto nasceu dia 14 de novembro de 1934, na cidade de Piracicaba-SP. O ex-zagueiro, que tinha boa impulsão e marcação forte, iniciou a carreira no Palmeiras. Ficou no Parque Antártica de 1955 a 58, período em que passou por todas as categorias do clube até chegar ao elenco principal. Foi companheiro de Mazzola, Oberdan Catani, Carabina, entre outros. Permaneceu no time profissional do Alviverde onde jogou 41 vezes: 13 vitórias, 13 empates e 15 derrotas depois foi emprestado ao Noroeste, de Bauru (SP), em 1959. De lá, iniciou uma longa trajetória no Juventus. Defendeu a camisa grená do “Moleque Travesso” por 18 anos no total, 11 como atleta e outros 7 como treinador. Não era de marcar muitos gols, mas se gaba por em várias ocasiões ter marcado o “Rei do Futebol”. “Marquei mais gols contra do que a favor”, brinca. “Não era muito habilidoso, e tinha de ficar mais lá atrás, mas marquei duro o Pelé por 12 anos”, relembra. Como treinador, além da tradicional equipe da  Moóca,  dirigiu o Corinthians, em 75  e também teve passagens por outros grandes clube.   

INÍCIO DE CARREIRA

                    Com 16 anos apareceu a oportunidade de jogar no time principal do “Estrela”, time de sua terra natal, Piracicaba.  Jogou seis meses, era lateral direito. Certo dia, o Sr. Idílio Gianetti que era um dos sócios da Viação Piracicabana lhe perguntou: “Você quer ir para o juvenil do Palmeiras? Eu vou levar o Cuíca”. Cuíca era como o Mazzola era conhecido em Piracicaba naquele tempo. E Buzetto respondeu “Se o Cuíca for eu vou também”. E realmente foram.

                  Mazzola e Milton Buzetto foram jogar sem remuneração, moravam dentro do Parque Antártica, tinham alimentação e alojamento. Era uma beleza ir de Piracicaba à São Paulo, não pagavam a passagem de ônibus, era cortesia do Sr. Idílio Gianetti. Como passaram em todos os testes veio uma remuneração. Ganhavam mais do que trabalhar em Piracicaba e isto os animava muito. Quando Milton telefonava para sua mãe ela dizia: “Estão metendo o pau em você e no Cuíca, dizem que vocês não jogam nem no XV de Novembro vão querer jogar no Palmeiras?”. Jogaram e foram campeões pelo juvenil, aspirante, isso em 1956. Daí subiram para o profissional, o Palmeiras fez uma grande remodelação no time, permaneceram Valdemar Filme, Gérsio, Renatinho e Ivam. Os demais jogadores eram todos novinhos.

               Muitos não acreditavam que Milton estivesse jogando no Palmeiras, achavam aquilo impossível. Uma vez o Palmeiras foi jogar contra o XV de Novembro, lá em Piracicaba, foi assunto para a semana toda, diziam: “O Palmeiras vem com Mazzola e com Milton, se o XV não ganhar de goleada é marmelada!”. O Palmeiras ficou concentrado em Águas de São Pedro. Ao terminar o primeiro tempo estava 3 a 0 para o Verdão. Mazzola tinha marcado dois gols. O jogo terminou 4 a 1, Mazzola fez mais um gol. Isso foi no campo da Rua Regente Feijó, o estádio “Roberto Gomes Pedrosa”, depois que o XV passou a jogar no estádio Barão de Serra Negra.

              Daí para frente aqueles que duvidavam, passaram a acreditar que Piracicaba poderia dar bons jogadores. Milton Buzetto continuou no Palmeiras por mais dois anos, foi quando chegou o treinador Osvaldo Brandão, que não trabalhava com jogador novo, e pediu novas contratações para ser campeão isso em 1959. Ele chamou Milton e disse-lhe que desejava que ele permanecesse no time, só que não iria jogar porque ele estava contratando jogadores da seleção brasileira. Para não ficar parado Brandão arrumou o Noroeste de Bauru para Milton jogar nesse período.

JUVENTUS

                Em 1960 o Juventus comprou seu passe do Palmeiras. O presidente do Juventus tinha uma loja na Rua 25 de Março, e era também conselheiro do São Paulo Futebol Clube. O Juventus só tinha o campo na Rua Javari, mais nada. As coisas foram melhorando para Milton e passou a ser titular absoluto da equipe grená da Moóca. Milton sempre foi um zagueiro muito duro, marcava seus adversários sem dar muito espaço, mas sempre com lealdade. E sua fama era tão grande, que certa vez o Juventus foi jogar contra o Santos lá na Vila Belmiro. No dia seguinte o Santos sairia de viagem para mais uma de suas excursões por este mundo a fora. Logo depois do jantar teve a preleção com os jogadores e foi anunciada a equipe que jogaria aquela noite.

                Para surpresa de Milton Buzetto, ele não estava escalado. Muito bem, o jogo terminou 10 a 1 para o Santos. Anos depois Milton encontrou com um dos diretores do Juventus daquela época, que perguntou se ele lembrava daquele jogo, o que Milton respondeu que sim, pois até aquele dia não havia entendido porque não foi escalado, sendo que ele era o titular absoluto. Foi aí que o ex-diretor do Juventus lhe contou. “Foi um pedido do Santos à diretoria do Juventus, pois como sua fama era de jogador violento, todos ficaram com medo que você o machucasse, pois o Santos tinha uma excursão pela Europa, e como Pelé era a galinha de ovos de ouro do Santos…”

               Milton jogou no Juventus por 11 anos e quando encerrou a carreira de jogador, passou a trabalhar como treinador e foi no próprio clube da Moóca que iniciou a nova fase de sua vida. O Juventus sempre foi um time simpático a todos os torcedores, mas também foi o maior cemitério de jogadores do passado, jogadores que vestiram a camisa da seleção brasileira, como o grande Oberdan Catani, Cabeção, Roberto Belangero, Luizinho, Rafael, Homero, Lanzoninho, Gino, Baltazar, Carbone, Rodrigues e tantos outros,  encerraram as suas carreiras do simpático Moleque Travesso.

TREINADOR

               Em 1971 passou a ser técnico do Juventus. Como técnico trabalhou também no Corinthians, Guarani, Inter de Limeira, Atlético Paranaense, Goiás, Comercial de Ribeirão Preto, Mixto (Cuiabá), Comercial (Campo Grande), Uberaba, Francana, Paulista (Jundiaí), XV de Piracicaba, União Barbarense, Taquaritinga, União (Rondonópolis MT), Vocem (Assis SP ), Marcílio Dias e Jabaquara, onde encerrou a carreira de treinador.

CORINTHIANS

               Milton Buzetto foi contratado pelo Corinthians em 1975, por intermédio do presidente Vicente Matheus. Porém, assumiu o time durante o jejum de grandes títulos e a cobrança era muito grande. Sua estreia no comando do alvinegro de Parque São Jorge aconteceu dia 20 de agosto de 1975, quando o Timão derrotou o América de São José de Rio Preto por 1 a 0, gol de Adilson. Para este jogo Milton Buzetto mandou a campo os seguintes jogadores; Sérgio, Zé Maria, Darcy, Ademir e Cláudio Marques; Ruço e Basílio; Adilson, Geraldão, Pita e Daércio. O jogo foi válido pelo Campeonato Brasileiro daquele ano.

               Como Milton era muito amigo dos jogadores, pediram para que ele intercedesse junto ao presidente Vicente Matheus um aumento de salário, pois mesmo aqueles a nível de seleção, estavam ganhando três mil,  enquanto os jogadores da Portuguesa ganhavam oito mil. E lá foi Milton Buzetto enfrentar a fera, que foi logo dizendo que não podia inflacionar o clube, mas que iria pensar no assunto. Passados alguns dias, Vicente Matheus chamou Buzetto e lhe disse “eu pensei muito naquilo que você me pediu referente ao aumento para os jogadores e eu já decidi, oito mil é muita coisa, vou pagar somente sete mil e quinhentos” Naquele momento Milton Buzetto pensou, “se eu soubesse disso, teria pedido dez mil.

               Em 1976, após um começo irregular no Paulista, foi demitido e substituído por Filpo Nuñes. A última vez que comandou o Corinthians foi no dia 30 de maio de 1976, quando o Timão venceu a Esportiva de Guaratingueta por 2 a 1. Foi um jogo amistoso realizado na cidade de Guaratingueta. Neste dia Milton Buzetto escalou a seguinte equipe; Sergio (Tobias), Zé Maria (Darcy), Moises, Cláudio Marques e Wladimir; Helinho (Ruço), Adãozinho e Lance (Basílio); Ivan, Adilson (Geraldão) e Toninho Metralha. No jogo seguinte diante do Juventus, Filpo Nunes assumiu o comando corintiano.

               A imprensa atribuiu a demissão ao fato de Buzetto ter criticado a forma centralizadora de Matheus comandar a política do Corinthians. Em 62 partidas no comando do Timão, foram 30 vitórias, 17 empates e 15 derrotas, com 75 gols pró e 42 contra.  Naquela época o Corinthians era um time que apesar do sistema defensivo marcou 75 gols e sofreu 42. Milton deixou o time armado para Filpo Nuñez, que passou o bastão para Duque ser vice-campeão brasileiro em 76 e aí então a chegada de Osvaldo Brandão, na Libertadores e o titulo paulista de 77.

O REI DA RETRANCA

               Certa vez Milton Buzetto explicou porque ganhou esta fama de retranqueiro “Quando passei a ser treinador, a maioria dos jogadores jogavam comigo e éramos amigos e tínhamos os mesmos problemas de salário baixo. Fizemos um pacto que seria muito importante para nossas carreiras e aumentaríamos nossos salários se não perdêssemos jogos. Então, todos atacavam e voltavam para fazer uma marcação mais fechada, não permitindo que o adversário tivesse a posse de bola. Isso deu certo, todos nós aparecemos muito, ficamos conhecidos e todos nós ganhamos com isso, principalmente o Juventus, que passou a vender jogadores para grandes clubes e para o exterior”.

               Baseando-se no depoimento de Buzetto, a ideia da retranca nasceu da necessidade do Juventus, um time pequeno, adotar uma postura mais defensiva diminuindo as possibilidades de sair derrotado de uma partida. A ideia foi tão bem sucedida que Milton Buzetto recebeu o título que ostenta até hoje, o de “Rei da Retranca”. Atualmente Milton Buzzeto mora em uma chácara, em Piracicaba-SP, batizada de “Retranca”. Não é maravilhoso? Ele batizou sua chácara com sua grande marca: como beque e como técnico adorava uma retranca. No Juventus da Moóca, seu esquema de jogo era o 11-0-0.

Em pé: Riogo, Milton Buzzeto, Lima, Pando, Homero e Mão de Onça   –     Agachados: Amaral, Zeola, Orlando, Cássio e Torres
Em pé: Milton Buzzeto, Clóvis, Diógenes, Pando, Claudinei, Homero e o massagista Elias    –     Agachados: Antoninho Minhoca, Amaral, Palico, Luizinho e Lucindo
Em pé: Ismael, Jorge, Formiga, Waldemar Carabina, Nivaldo e Milton Buzzetto     –    Agachados: Renatinho, Fernando, Mazolla, Ivan e Caraballo
Em pé: Waldemar Carabina, Laércio, Ismael, Maurinho, Gersio Passadore e Milton Buzetto    –     Agachados: Renatinho, Ney Blanco, Tati, Ivan e Colombo.
Em pé: massagista Elias Pássaro, Diógenes, Poças, Milton Buzzeto, Clóvis, Claudinei e Jorge   –     Agachados: Nondas, Jair Francisco, Luizinho, Joaquinzinho e Lucindo
Em pé: Dario, Clóvis, Poças, Claudinei, Hidaldo e Milton Buzetto    –     Agachados: Antoninho Minhoca, Rafael, Quarentinha, Abib e Tanese
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