BABÁ: ídolo do Guarani e do São Paulo

                  Roberto Caveanha nasceu dia 7 de julho de 1944, na cidade Mogi Guaçú – SP. Foi um excelente centroavante da década de 60, quando fez muito sucesso no Guarani de Campinas e posteriormente no São Paulo F.C. Chegou também a vestir a camisa da nossa seleção uma vez, quando enfrentamos a seleção da Yuguslávia no Maracanã e o jogo terminou empatado em 3 a 3. Babá entrou no lugar do ponta esquerda Edu do Santos F.C., que bateu a cabeça violentamente contra a trave e precisou sair de campo e fazer alguns exames para ver se não era nada sério.

                  Os gols brasileiros foram anotados por Carlos Alberto cobrando pênalti, Pelé e Babá. Este foi o último jogo de nossa seleção no ano de 1968 e também o último em que teve Aymoré Moreira como técnico, pois no início de 1969, João Saldanha assumia o comando com as “Feras de Saldanha”, com os quais disputou as eliminatórias para a Copa do México. A título de curiosidade, esta mesma seleção da Iugoslávia, três dias depois enfrentou uma seleção mineira no Mineirão e perdeu por 3 a 2. 

GUARANI F.C.

                  Babá chegou ao Bugre Campineiro em 1964, ano em que o Guarani fez um belo campeonato Paulista, onde ficou em 7º lugar. Disputou 30 partidas. Venceu 14, empatou 3 e perdeu 13. Marcou 46 gols e sofreu 44. Durante o campeonato obteve vários resultados importantes, como por exemplo a vitória sobre o Palmeiras por 1 a 0 no dia 1 de junho, sobre o Corinthians por 3 a 1 no dia 30 de agosto, a goleada sobre o Noroeste por 5 a 1 no dia 7 de outubro, sobre o São Paulo por 2 a 0 no dia 25 de outubro e o jogo mais importante do Guarani daquele ano, que foi contra o Santos no dia 18 de novembro de 1964. O jogo foi no Estádio Brinco de Ouro da Princesa, que recebeu um público de 25.258 pagantes. O árbitro foi Armando Marques.

                  Neste dia o Guarani jogou com; Sidney, Osvaldo Cunha, Ditinho, Diogo e Eraldo; Ilton e Américo; Joãozinho, Nelsinho, Babá e Carlinhos. O técnico era Armando Renganeshi. A equipe santista jogou com; Gilmar, Ismael, Modesto, Geraldino e Lima; Zito e Mengalvio; Peixinho, Coutinho, Pelé e Pepe.  O Guarani abriu o placar aos 5 minutos de jogo através do ponta esquerda Carlinhos, mas um minuto depois o Santos empatou através de um gol contra do zagueiro Ditinho. A torcida santista ainda comemorava, quando Joãozinho desempatou a partida. Faltando um minuto para terminar o primeiro tempo, Babá fez o terceiro gol para o Bugre. Final da primeira etapa, Guarani 3 x 1 Santos. 

                  Começa a segunda etapa e logo aos 10 minutos, Américo faz o quarto gol para time campineiro. Aos 13 minutos pênalti a favor do Peixe e quem vai cobrar é Pelé, que para espanto de todos o goleiro Sidnei (já falecido) defendeu. E para fechar o placar Nelsinho aos 40 minutos faz o quinto gol. Final de jogo, Guarani 5 x 1 Santos. Foi uma vingança do time bugrino, pois no primeiro turno jogando lá na Vila Belmiro, o Santos venceu por 6 a 1. No ano seguinte manteve praticamente o mesmo time e voltou a fazer um bom campeonato, prova disto foi a boa vitória contra o Corinthians por 3 a 1 no dia 25 de novembro, gols de Babá (2) e Américo. Repetiu a posição do ano anterior, ou seja, ficou em 7º lugar.

                 Três dias depois de perder para o Guarani por 5 a 1, o Santos enfrentou o Botafogo de Ribeirão Preto na Vila Belmiro. Os jogadores santistas ainda estavam com a goleada sofrida no meio da semana para o Guarani atravessada na garganta e quem pagou o pato foi o Botafogo, pois o Santos venceu por 11 a 0, com 8 gols de Pelé, que naquele dia mais parecia um leão solto no Coliseu. Neste Campeonato Paulista de 1964, tivemos um outro acontecimento que ficou marcado e ele aconteceu dia 20 de setembro, quando Santos e Corinthians se enfrentaram. Respeitando-se o mando, ele foi programado para ser disputado na Vila Belmiro.

                 O interesse do público foi tão grande, que cerca de duas mil pessoas não puderam entrar no Estádio, que ficou superlotado. Essa superlotação resultou num acidente. Felizmente não se tornou uma repetição da tragédia que havia acontecido naquela época em Lima, no Peru. A pressão que o enorme público fazia provocou o desabamento de uma parte das arquibancadas, seguido de um estouro do alambrado, e o gramado foi logo invadido pelo público apavorado. Crianças e mulheres foram logo protegidas para que se evitassem os tão temidos pisoteamentos. Mesmo assim registraram-se ferimentos em cerca de cem pessoas.

                O acidente aconteceu quando eram decorridos sete minutos de jogo, que foi logo interrompido. Respeitando o que determinava o regulamento, o Árbitro Armando Marques aguardou 34 minutos, após o que se conscientizou de que não havia mais clima para dar prosseguimento e deu o jogo por suspenso. A Federação Paulista determinou que a partida fosse realizada na integra no dia 30 de setembro, agora no Estádio do Pacaembu, com os portões abertos. Este jogo terminou empatado em 1 a 1.

SÃO PAULO F.C.

                Babá chegou ao Morumbi em 1965, uma época muito difícil, principalmente para os jogadores, pois o Tricolor estava construindo seu estádio e com isto não dava muita atenção ao departamento de futebol. Babá, Dias, Suly, Paraná e outros jogadores, aguentavam o time nas costas. O resto do time era até engraçado. A cada jogo aparecia um cara contratado a preço de banana. O torcedor não aguentava, e nem os jogadores. Foram oito anos de dificuldades, com um time sem ataque e sem reservas. Jogador titular não tinha direito a folga. Nessa época o clube estava em contenção de despesas. Mas mesmo assim, em 1967, foi vice-campeão paulista, perdendo o título no último minuto da penúltima rodada, num jogo em que o tricolor vencia o Corinthians por 1 a 0 gol de Lourival. No entanto, aos 44 minutos do segundo tempo, o centroavante Benê empatou para o Corinthians.

                Com esse resultado, a decisão ficou para a última rodada, quando o São Paulo enfrentou o Santos e acabou perdendo o título, numa noite inspirada do Rei Pelé. Este jogo contra o Corinthians aconteceu dia 17 de dezembro de 1967 e o palco foi o velho Pacaembu. Neste dia o Tricolor jogou com; Picasso, Renato, Jurandir, Dias e Edilson; Lourival e Nenê; Valter, Dejair, Babá e Paraná. O técnico era Sylvio Pirilo. Já o Corinthians jogou com; Marcial, Osvaldo Cunha, Ditão, Clóvis e Maciel; Edson e Rivelino; Marcos, Tales, Benê e Gilson Porto. O técnico era Luiz Alonso Peres, mais conhecido por Lula.

                  Com este empate, Santos e São Paulo terminaram o campeonato com o mesmo número de pontos, sendo assim, foi necessário um jogo extra para se conhecer o campeão paulista de 1967. Este jogo aconteceu dia 20 de dezembro no estádio do Pacaembu, que recebeu neste dia um público de 43.627 pessoas. O árbitro mais uma vez foi Armando Marques.  Edu abriu o placar logo aos 10 minutos de jogo e três minutos depois Toninho Guerreiro aumentou o placar para dois a zero. Na etapa complementar, aos 43 minutos, Baba diminuiu e assim terminou o jogo com o Santos vencendo a partida e conquistando o título paulista daquele ano. Vale lembrar que o artilheiro deste ano foi Flávio do Corinthians com 21 gols assinalados.

                 No último ano em que Baba foi titular da equipe, ou seja, em 1969, o São Paulo tinha uma grande equipe, tanto é que ficou em 3º lugar e quase conquista o título, pois no dia 21 de junho, São Paulo e Santos se enfrentaram no Morumbi. Ao Santos bastava um empate para chegar ao seu segundo tricampeonato paulista. Ao Tricolor, só a vitória interessava para igualar a pontuação do Peixe. O clássico SanSão terminou em 0 a 0, enquanto que o Palmeiras no dia seguinte derrotou o Corinthians por 3 a 2, gols de Dudu, Artime e Jaime, enquanto que Rivelino e Benê marcaram para o alvinegro. Com estes resultados o Santos foi o campeão, o Palmeiras o vice e o Tricolor ficou em 3º lugar. O artilheiro do campeonato foi Pelé com 26 gols.

                Neste ano de 69, o São Paulo tinha a seguinte equipe, a qual enfrentou o Santos no jogo decisivo; Picasso, Cláudio Deodato, Jurandir, Roberto Dias e Edílson; Terto e Nenê; Paraná, Zé Roberto, Téia e Babá. O técnico era Diede Lameiro. Babá jogou no São Paulo até 1970, chegando a ser campeão paulista pelo Tricolor naquele ano, embora tenha participado de alguns jogos apenas. Com a camisa do São Paulo disputou 216 partidas e marcou 94 gols, o que nos dá uma média de 0,44 gol por jogo. É o 20º artilheiro do clube. Antes de encerrar a carreira ainda jogou por algum tempo no São Bento de Sorocaba, ao lado de Maciel e Tales, que brilharam no Corinthians na década de 60.

FORA DAS QUATRO LINHAS

                 Mesmo depois que encerrou a carreira, Babá não deixou de bater sua bolinha. No inicio da temporada de 1976, entre fevereiro e abril, a Federação Paulista de Futebol organizou uma competição preparatória para o Campeonato da 2ª Divisão daquele ano. Em campo, seis dos favoritos ao título da “Segundona” participaram do Torneio “Jerônimo Bastos”: Palmeiras de São João da Boa Vista, Internacional de Limeira, Batatais, Rio Preto, Velo Rioclarense e Grêmio Catanduvense.

                 O Palmeiras, graças a atuações perfeitas da dupla de ataque Babá (ex-Guarani, São Paulo e Seleção Brasileira) e Tião Marino (titular do Corinthians em 1973) – venceu o torneio de forma indiscutível, prova disto foi a primeira rodada em que goleou a Inter de Limeira por 5 a 0, gols de Tião Marino (2), Babá (2) e Roberto. Hoje Babá reside em Mogi Guaçu (SP), onde nasceu. Pai de três filhos e avô de duas netas, ele já foi um excelente Secretário Municipal de Esportes da Prefeitura de Mogi Guaçu, tendo apoiado maciçamente o futebol varzeano. Em 2007, assumiu a função de assessor parlamentar de seu irmão Peri, ex-jogador de futebol e vereador em Mogi Guaçu.

Em pé: Nenê, Dias, Bellini, Celso, Fábio e Renato      –     Agachados: Faustino, Prado, Babá, Fefeu e Paraná
Em pé: Dias, Deodato, Terto, Edson, Jurandir e Picasso      –     Agachados: Paraná, Zé Roberto, Téia, Nenê e Babá
Em Pé: Osvaldo Cunha, Penachio, Fábio, Carlos Alberto, Advaldo e Tenente      –     Agachados: Laúca, Prado, Baba, Nenê e Adiber
ADVALDO E BABÁ

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