BODINHO: ídolo do Internacional de Porto Alegre

                     Nilton Coelho Barbosa nasceu dia 16 de julho de 1928, na cidade de Recife – PE. Jogou no Internacional de Porto Alegre nos anos 50, onde fez parte de grandes times daquela década. Foi um dos maiores atacantes da história do Colorado. Foi destaque na goleada inesquecível de 6 a 2 sobre  Grêmio em um dos primeiros jogos da história do estádio Olímpico. Apesar da baixa estatura (1m74), era ótimo cabeceador, daí o apelido de Bodinho. Jogando pelo Internacional foi quatro vezes campeão gaúcho. Destacou-se em especial no Estadual de 1955, marcando 25 gols em 18 jogos. Fez parte da delegação brasileira, formada por um combinado de jogadores gaúchos, que conquistou o título do Campeonato Pan-Americano de 1956, disputado no México. Aquele time revelou craques para o futebol, como o goleiro Valdir, que brilho no Palmeiras na década de 60, o zagueiro Oréco, que brilhou no Corinthians e foi campeão da Copa de 1958, o meio campista Ênio Andrade e o atacante Chinesinho que brilhou no Palmeiras.

INÍCIO DE CARREIRA

               Em 1944 o Sampaio Corrêa formou uma equipe poderosa, com grandes nomes em seu elenco, como Tarrindo, Moisés e Manoelzinho. Porém, chegaria ao vice-campeonato maranhense e não obteve nenhum título nesse ano. Contudo, o clube revelou um grande craque que, em pouco tempo, brilharia pelo Flamengo, Internacional e chegaria à Seleção Brasileira. Nílton Coelho da Costa era pernambucano e popularmente conhecido como Bodinho. O seu apelido, como foi eternizado pela crônica esportiva e pelos torcedores, vinha da força da sua cabeceada. Começou a sua carreira jogando pelo folclórico Íbis de Pernambuco, antes de transferir-se para o Sampaio Corrêa, em 1944. Nesse mesmo ano, o Flamengo do Rio de Janeiro esteve excursionando pela capital maranhense.

              O clube carioca enfrentou e venceu por 3 a 1 o combinado formado por Maranhão Atlético Clube e Sampaio Corrêa, em amistoso realizado na noite do dia 15 de abril no Estádio Santa Isabel. Pela sua grande atuação na partida pelo combinado maranhense, Bodinho chamou a atenção da delegação do Flamengo. Desfalcado para a partida seguinte no Maranhão, contra o Moto Clube de São Luis, a delegação carioca entrou em contato com a diretoria do Sampaio Corrêa, a fim de contar com o jogador para a partida contra os motenses, uma vez que Joaci e Luizinho estavam adoentados e não atuariam pelo rubro-negro carioca. Porém, desistiram em tê-lo somente na partida amistosa: um ano depois, em 1945, Bodinho transferiu-se para o Flamengo, onde permaneceu até 1949.

INTERNACIONAL

               No ano seguinte estava jogando no Rio Grande do Sul, defendendo as cores do Nacional de Porto Alegre (clube extinto). Em 1951, por indicação do treinador Teté, Bodinho finalmente chegou ao Internacional, clube onde jogaria até encerrar a carreira no ano de 1958. No Colorado, Bodinho passaria por um dos melhores momentos de sua carreira. Conquistou quatro Campeonatos Gaúchos, sendo que em 1955 conseguiu a maior média de gols por partida do campeonato, marcando 25 gols em 18 jogos (média de 1,4 gols por partida). Ao lado de Larry, formou uma das maiores duplas de atacantes do futebol gaúcho. Pelo Internacional, Bodinho sagrou-se campeão gaúcho em 1951, 52, 53 e 55. Bodinho participou do Rolinho, time Colorado da década de 50, e que substituiu o famoso Rolo Compressor dos anos 40. Bodinho recebeu este apelido devido às cabeçadas fulminantes que costumava dar contra os goleiros adversários, além de apavora-los com seus chutes de virada.

               Um dos momentos altos de Bodinho no Inter foi no Festival de Inauguração do Estádio Olímpico, que pertence ao Grêmio, que organizou um triangular com o Liverpool, do Uruguai, e Inter. No primeiro jogo entre Liverpool e Inter, o destaque foi Bodinho. Ele fez três gols, e o Larri um, e o Inter venceu de quatro a zero. O encontro entre Inter e Grêmio, aconteceu no dia 26 de setembro de 1954, jogo que fechava as festividades da inauguração do estádio do Grêmio, o maior rival do time Colorado. Neste dia o Internacional jogou com; Milton, Florindo, Lindoberto, Oreco, Salvador, Odorico, Luizinho, Bodinho, Larry, Jerônimo e Canhotinho. O tricolor gaucho jogou com; Sérgio, Ênio Rodrigues, Orli, Roberto, Sarará, Itamar, Tesourinha, Milton, Camacho (Vítor), Zunino e Torres (Delém). O jogo terminou com uma goleada de 6 a 2 para o Internacional, gols de Larry (4), Jerônimo e Canhotinho, enquanto que para o Grêmio marcaram Sarara e Zunino.

               Foi um jogo tão festivo que até o árbitro era atração: pela primeira vez um juiz uruguaio apitava, o Sr. Carlos Alberto Vigorito. Em campo, o baile foi todo colorado. Quando o Internacional marcou o quarto gol, o goleiro gremista perdeu de vez a paciência com seus jogadores e, sem maiores explicações, deixou o gramado e saiu caminhando de cabeça baixa para o vestiário. Ninguém entendeu nada. Alguns jogadores do Inter correram até ele e ouviu-se a voz de Bodinho dizendo: “Volta, covarde, para tomar mais quatro”. O goleiro Sérgio, ofendido, remexeu seus brios e resolveu retornar a campo. Acabou sofrendo mais dois gols, ambos de Larry, mas nesta altura já não tinha estrutura emocional sequer para articular uma frase de reclamação.

               Sempre na ponta-direita, Bodinho formou dupla de ataque com Larry e cravou o nome na história do futebol gaúcho. Foi um dos maiores jogadores da história do Sport Club Internacional. A carreira durou 15 anos e até hoje o ex-ponta é lembrado pela torcida colorada, com músicas e bandeiras. Foi o maior artilheiro do futebol gaúcho em média de gols por partida.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Em 1956 defendeu a nossa seleção, onde conquistou o Campeonato Pan-Americano, na Cidade do México. A Seleção Brasileira era representada por jogadores do Rio Grande do Sul e a delegação era formada pelos seguintes jogadores; Valdir Joaquim de Moraes, Sérgio, Paulinho, Oreco, Figueiró, Florindo, Ênio Rodrigue, Ortunho, Duarte, Odorico, Sarará, Jerônimo, Ênio Andrade, Milton, Luizinho, Hercílio, Bodinho, Larry, Juarez, Chinesinho e Raul Klein. Foi então iniciada a gloriosa jornada que nos levaria a conquista do bicampeonato do Continente, graças a fibra e a garra dos jogadores gaúchos.

               A competição foi disputada por 6 Seleções (Brasil, Argentina, Chile, Peru. México e Costa Rica), como fórmula, todas as equipes se enfrentavam em turno único, ao todo, o Brasil disputou 5 partidas, 4 vitórias e 1 empate, 9 pontos conquistados e 14 gols marcados, com esta campanha, o Brasil garantiu o primeiro lugar e consequentemente a medalha de ouro, ficando a Argentina com a Prata e a Costa Rica com o bronze. Bodinho marcou três gols em cinco partidas e ajudou a conquistar o título que foi decidido no dia 18 de março de 1956, quando o Brasil empatou com a Argentina em 2 a 2, gols de Chinesinho e Ênio Andrade. A Taça da conquista não faz mais parte do acervo da Confederação Brasileira de Futebol. O troféu foi roubado junto com a taça Jules Rimet, segundo inquérito aberto pela polícia carioca, as “relíquias” foram derretidas.

RECORDAÇÕES

               Pernambucano, de uma família humilde, criado com muita dificuldade pelos pais ao lado de vinte e dois irmãos. Um homem que, em 1950, aos 22 anos, quando chegou ao Rio Grande do Sul, aprendeu a amar aquela terra e a venerar um clube de futebol. Foi em Porto Alegre que Nílton Coelho da Costa conquistou as maiores conquistas de sua vida: o nascimento de sua filha e de suas duas netas, e a consagração por ser idolatrado por uma multidão. Tímido, trabalhador, humilde, não admitia perder: tinha dificuldade em assimilar derrotas. Desde a infância difícil no Nordeste até a velhice no Sul, quando sofreu com câncer de próstata por dez anos e com o Mal de Alzheimer durante dois, ele conquistou uma verdadeira legião de fãs que sempre terá na memória um homem que era capaz de realizar façanhas em um campo de futebol. Bodinho chegou no Internacional em 1951. Permaneceu por oito anos. Conquistou quatro campeonatos gaúchos, participou da conquista do Pan de 1956 e fez parte de um dos maiores times da história do clube.

               Bodinho faleceu dia 22 de setembro de 2007, aos 79 anos. Está sepultado no cemitério da Santa Casa, na capital gaúcha. Eliane Alves da Costa é a sua única filha. Ela guarda todo o acervo da carreira do jogador. São fotos, revistas, camisetas e a chuteira usada por ele no México. “Meu pai não foi só um jogador, foi um filho maravilhoso, que ajudou a família, nunca esqueceu suas raízes, foi um excepcional marido e pai” relembra sua filha. Bodinho é considerado um dos maiores goleadores da história do futebol gaúcho. Nos arquivos, são registrados 193 gols em oito anos. Ele tem uma média de quase 90% de gols, em quase 100 jogos ele fez noventa. No Gauchão, se fala que o Baltazar é o maior, mas não é. O Baltazar fez 28 gols mas em quarenta e cinco jogos. O Bodinho fez vinte e cinco em dezoito jogos.

               Por que o apelido de Bodinho? Existem três versões. Dizem que a origem vem de sua capacidade de cabecear a bola. Mas segundo sua filha, tem outra versão: “desde pequena eu ouvia a história que o apelido veio do fato que ele era muito chorão, ele chorava feito um bode, tanto é que eu tenho uma foto dele rindo agarrando um bode”. E a terceira é que era chamado de Bodinho porque, quando ele era criança, ele gostava de mamar nas tetas das cabritas, então veio o apelido.

BODINHO É O CENTROAVANTE
Em pé: Valdir, Oréco, Figueiró, Florindo, Odorico e Duarte      –     Agachados: Luizinho, Bodinho, Larry, Enio Andrade e Chinesinho

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