ARAKEN PATUSKA: ídolo do Santos na década de 30

                  Abraham Patuska da Silveira, nasceu dia 17 de julho de 1905, na cidade de Santos – SP. No meio futebolístico era mais conhecido por Araken Patuska e jogou no Santos, no São Paulo, no Flamengo e também defendeu nossa seleção na Copa de 1930, disputada no Uruguai, quando ficamos em 6º lugar. Araken foi um dos primeiros ídolos do Santos F.C. Ele tinha apenas 15 anos e se preparava para assistir ao jogo do clube presidido por seu pai. A partida amistosa era entre o Santos e o Jundiaí. Mas, pouco antes do início da peleja, Edgar da Silva Marques, um dos atletas do Alvinegro, passou mal.

                 O treinador Urbano Caldeira, que depois emprestaria seu nome ao lendário estádio da Vila Belmiro, coloca o garoto Araken para jogar. O Peixe empata em 5 a 5 e o menino faz quatro gols. Começava ali a saga de Araken. O garoto tinha um bom drible e era muito veloz, tanto que ostentaria mais tarde o título de campeão paulista dos 100 metros com barreiras. Em 1927 formou com Siriri, Camarão, Feitiço e Evangelista, o ataque dos cem gols dos quais 31 pertenceram a Araken.

                O fato desses jogadores terem marcado 100 gols em uma edição de Campeonato Paulista já seria algo marcante mas, o que chamou mesmo a atenção, foi o fato de terem levado apenas 16 partidas para alcançar esse número, resultando em uma média fantástica de 6,25 gols por partida que, até hoje, é recorde mundial de média de gols marcados em um campeonato oficial. Outro dado impressionante é que Araken conseguiu uma marca que só seria batida 37 anos depois: foi às redes sete vezes em um único jogo, na vitória de 12 a 1 contra o então tradicional Ypiranga. Só em 21 de novembro de 1964 Pelé superaria Araken, quando fez oito gols no 11 a 0 contra o Botafogo de Ribeirão Preto, na Vila Belmiro.

FAMA INTERNACIONAL

               Naquela época não era raro que jogadores fossem emprestados a outros clubes em ocasiões específicas e por curtos períodos. Foi assim que em 1925 o Santos cedeu o craque Araken ao Paulistano, que fez uma excursão para a Europa onde os brasileiros, pela primeira vez, foram chamados de “reis do futebol”. Em 16 de março, o clube estreou no estádio de Búfalo contra a seleção francesa, com Nestor, Clodoaldo e Bartô; Sérgio, Nondas e Abate; Filó, Mário de Andrada, Friedenreich, Araken e Netinho.

               O time ganhou de 7 a 2 e o resultado foi recebido com assombro no Brasil. Na ronda européia, em dez jogos, o Paulistano perdeu um, para o francês Cette, e teve resultados importantes como a vitória contra Suíça, por 1 a 0, e a goleada sobre Portugal, por 6 a 0. Jogando ao lado de outro craque, Arthur Friedenreich, o ótimo desempenho levou a que os jogadores brasileiros fossem chamados de “reis do futebol” pelos jornais franceses. Vaidoso, gostava de jogar usando uma boina.

               Foi nesta excursão que Araken ganhou o apelido de “Le Danger” (O perigo). Com esse desempenho, e sendo artilheiro do Paulista pelo Alvinegro Praiano em 1927 e vice-campeão paulista por três vezes, em 1927, 1928 e 1929, era de se esperar que Araken fosse para a primeira Copa disputada no mundo, em 1930.

FLAMNGO E SÃO PAULO

               Pelo Flamengo disputou somente uma partida e ainda foi num jogo beneficente. Foi contratado pelo Flamengo para poder disputar a Copa de 30, uma vez que nenhum jogador paulista foi liberado para o mundial por causa de uma briga entre os dirigentes. Ao voltar da Copa foi jogar no São Paulo Atletic onde sagrou-se campeão paulista em 1931. Ficou no Tricolor até 1934, ano em que o clube se extinguiu.

DE VOLTA A VILA

               Em 1935, já na época do profissionalismo, Araken voltou ao Santos ganhando 800 mil reis de salário, 200 mil por vitória e 100 mil por empate. Apesar de profissional, era caixa da Light onde ganhava 800 mil réis e ainda fazia bicos como cantor de rádio, onde ganhava 20 mil réis por programa. E foi na final do Campeonato Paulista de 1935, que ele marcou um gol na partida contra o Corinthians. O jogo aconteceu dia 17 de novembro de 1935 e foi disputado no estádio Alfredo Schuring (Parque São Jorge). O Peixe venceu por 2 a 0, gols de Raul e Araken. Com este resultado o Santos conquistou o primeiro título paulista de sua história. Neste dia o Santos jogou com; Cyro, Neves e Agostinho; Ferreira, Martelete e Jango; Sacy, Mário Pereira, Raul, Araken e Junqueira.

               Seguiria até 1937 na Vila, tendo disputado 193 jogos pelo Santos, com a incrível marca de 177 gols com a camisa peixeira, uma média de 0,91 gols por jogo, o que faz dele o oitavo maior artilheiro da história do clube, imediatamente à frente de Pagão e atrás de Edu. Coube ainda a Araken a glória de ter marcado o gol de nº 1.000 do Peixe, o primeiro do 3 a 0 contra o Atlas Flamengo, em 24 de março de 1929. Araken teve ainda dois irmãos que atuaram pelo Santos: Ary e Ararê Patusca. O primeiro, morto em 1923, foi um dos primeiros atletas brasileiros a fazer sucesso no exterior e, com 103 gols oficiais, é o vigésimo maior artilheiro da história do Alvinegro.

GRATIDÃO

               Outro fato interessante na vida de Araken foi a homenagem prestada por ele à seu ex-treinador Urbano Caldeira, em 1938, por ocasião da inauguração do seu busto na Vila Belmiro. O já ex-atleta entregou a medalha de ouro conquistada no Paulista de 35 para ser posta no monumento que homenageava Caldeira. Na carta, Araken dizia: “Urbano! Giba! – Hoje, no teu Clube, no teu Estádio, inaugura-se a tua herma, homenagem justa e merecida pela tua obra, criando no esporte santista, paulista e brasileiro e, mesmo, sul-americano, o Campeão da Técnica e da Disciplina. Teu companheiro desde os mais ingratos aos mais auspiciosos momentos, sou uma prova viva das tuas atividades no seio da família alvinegra. Urbano, nasci para o esporte das tuas mãos experientes e sábias; tu fizeste do menino, aos 15 anos, um esforçado entusiasta defensor das cores preto e branca. Orgulho-me de ter sido nas tuas mãos, na tua vida esportiva, um instrumento de algum proveito, de alguma utilidade.”

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Araken foi o único jogador paulista a defender a seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1930 no Uruguai. Na ocasião, Araken estava brigado com o Santos e aproveitando a passagem do selecionado pelo porto da cidade, a caminho de Montevidéu, integrou-se ao elenco, contrariando os dirigentes paulistas. O Brasil estreou dia 14 de Julho, no Parque Central, perdendo de 2×1 para a Iugoslávia. O gol brasileiro foi marcado por Preguinho. Neste dia o Brasil jogou com; Joel; Brilhante, Itália; Hermógenes, Fausto, Fernando; Poly, Nilo, Araken, Preguinho, Teóphilo. O Brasil naquele ano, tinha uma população de 37.600.000 habitantes, sendo que somente o estado de São Paulo, tinha 22.400.000 habitantes.

               Neste ano também, o Papa Pio XI, proclamava Nossa Senhora Aparecida como a Padroeira do Brasil. Dia 17 de julho a Iugoslávia voltou a vencer, desta vez sobre a Bolívia com o placar de 4 a 0. Com esta vitória a Iugoslávia estava classificada para a semi-final.  Restava ao Brasil entrar em campo no dia 20, apenas para cumprir tabela. Mas os jogadores brasileiros fizeram questão de encerrar sua participação naquele mundial de uma forma honrosa e assim venceu a Bolívia por 4 a 0, com gols de Moderato (2) e Preguinho (2).

               Neste dia o Brasil jogou com; Velloso; Zé Luiz, Itália; Hermógenes, Fausto, Fernando; Benedito, Russinho, Carvalho Leite, Preguinho, Moderato.  E assim dessa maneira, o Brasil ficou em 6º lugar naquele mundial. Sem contar com sua força máxima, o Brasil foi eliminado logo na primeira fase, e Araken criticado pelos outros jogadores da seleção, que o teriam chamado de “bailarino”.

O IRMÃO DE ARAKEN

               Ary Patusca foi um dos primeiros ídolos do Santos Futebol Clube. Filho de Sizino Patuska, primeiro presidente da agremiação litorânea, estreiou como jogador em 1915. Jogou até 1923. Atacante goleador e grande cabeceador, marcou 103 gols em 85 jogos com a camisa do“Peixe”, apelido do clube santista, sendo o vigésimo maior artilheiro de sua história. Foi também o primeiro jogador brasileiro a se destacar na Europa, aonde foi enviado para estudar na Suíça, jogando pela Internazionale de Milão, no período de 1913-1915.

               Araken Patuska morreu dia 24 de janeiro de 1990, na cidade de Santos, aos 84 anos de idade. Até hoje é lembrado como um dos primeiros ídolos do Santos F.C. É o oitavo maior artilheiro do alvinegro praiano com 177 gols. Hoje o Santos poderá conquistar o tricampeonato paulista depois de 43 anos, realmente um título muito importante para o clube de Vila Belmiro, mas não podemos esquecer do primeiro título conquistado pelo clube praiano em 1935, pois foi ali que a coleção de títulos começou e lá estava Araken Patuska, inclusive marcando um dos gols daquela grande vitória do dia 17 de novembro de 1935.

Araken é o quarto da esquerda para a direita
SÃO PAULO CAMPEÃO PAULISTA 1931 – De pé (da esq. p/ direita: Armandinho, Barthô, Bino, Araken, Clodoaldo, Fried, Luizinho, Sasso, Milton e Junqueirinha. Agachado: Joãozinho

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