REINALDO: o eterno Rei do Atlético Mineiro

                  José Reinaldo de Lima nasceu dia 11 de janeiro de 1957, na cidade de Ponte Nova (MG). Não foi só o artilheiro máximo do Atlético Mineiro, clube que defendeu por 14 anos consecutivos, mas um dos maiores centroavantes da história do futebol brasileiro.  O “Rei Reinaldo” da torcida atleticana tinha porte franzino, mas uma habilidade extraordinária, um raro talento de vir buscar jogo e arrancar com a bola dominada. Sabia tabelar e tinha um raciocínio para armar jogadas bem acima da média. Ele chegou a marcar, apesar das ausências forçadas por seguidas contusões, 386 gols em sua carreira. Fez sua estréia no Galo Mineiro, dia 28 de janeiro de 1973. Sempre se destacou como grande jogador e um goleador que tantas alegrias deu à torcida alvinegra de Belo Horizonte. Teve bons e maus momentos em sua carreira. Contusões, drogas, seleção brasileira, enfim, uma história emocionante esta de Reinaldo, ídolo do Atlético Mineiro.             

                 O grande talento do craque só foi ofuscado por causa da truculência dos adversários e pelas seguidas infiltrações e cirurgias mal sucedidas a que foi submetido desde o início de sua carreira. O primeiro problema em seu joelho aconteceu quando pisou num buraco, lá no estádio Castelão no Ceará em 1974, quando tinha 17 anos.  Seu pé ficou preso e provocou uma torção.  Depois, ainda no juvenil, foi vitima de uma entrada desleal de um zagueiro do próprio Atlético e teve de extrair os meniscos dos dois joelhos. Apesar da gravidade da lesão, que aconteceu antes mesmo de Reinaldo tornar-se profissional, conquistou seis campeonatos mineiros (1976, 78, 79, 80, 81 e 82) e ainda foi duas vezes vice-campeão brasileiro (1977 e 1980).   Quando o Galo conquistou o tricampeonato mineiro de 1979, 80 e 81, o Atlético tinha um grande time; João Leite, Orlando, Osmar Guarnelli, Luizinho e Jorge Valença; Toninho Cerezo e Geraldo; Pedrinho, Palhinha, Reinaldo e Eder.

                Em 1977, Reinaldo já estava com um dos joelhos seriamente lesionado e, mesmo assim, marcou 28 gols no Campeonato Brasileiro daquele ano, um recorde que durou 20 anos para ser batido. Somente em 1997 o jogador Edmundo superou esta marca. No ano seguinte, foi convocado pelo técnico Cláudio Coutinho para a Seleção Brasileira que iria disputar a Copa do Mundo da Argentina, a única em que esteve presente. Era esperança de gols brasileiros. Fez o primeiro gol brasileiro naquele mundial, no jogo contra a Suécia, em que empatamos em 1 a 1.  Porém, mais uma vez seus joelhos o impediram de mostrar seu verdadeiro futebol.  Chegou a submeter-se a um tratamento chamado de “gladiador”, mas de nada adiantou. Jogou a Copa de 78 sem condições.  Na volta ao Brasil, viajou imediatamente para os Estados Unidos para uma nova cirurgia, desta vez com relativo sucesso. Com a camisa da nossa seleção, Reinaldo disputou 31 partidas e marcou 11 gols.

                Pelo Atlético Mineiro, Reinaldo disputou 478 partidas, nas quais marcou 254 gols. Sua última partida com a camisa do Galo aconteceu no dia 11 de agosto de 1985. Neste mesmo ano, depois de uma seqüência de operações em seus joelhos, o centroavante transferiu-se para o Palmeiras, onde ficou apenas três meses. Mas na época, já não tinha condições de jogar o futebol que o havia consagrado no Galo Mineiro.  Depois, ainda jogou no Cruzeiro e encerrou a carreira precocemente no futebol holandês, defendendo o Telstar, um time da segunda divisão, em 1987, com 30 anos de idade.  A vida atlética de Reinaldo sempre foi cercada de dramas. Depois de extrair os dois meniscos, ainda quando era juvenil, devido a sua habilidade e eficiência em campo ele era caçado pelos adversários. Por essa razão, foi submetido a inúmeras cirurgias, que o afastaram de vários jogos importantes.

                Depois das contusões, Reinaldo viveu um drama ainda maior, as drogas.  Em novembro de 1996, depois de exercer um mandato de quatro anos como Deputado Estadual pelo PT e perdido a reeleição de 1994, pelo PV, ele se viu envolvido num processo por tráfico de drogas. Um traficante chamado Waltenci Montanari, foi detido com um carro emprestado por Reinaldo. Condenado a quatro anos de prisão por tráfico de cocaína, acusação que ele negava veementemente, o ex-craque do Atlético Mineiro se refugiou num sitio até que um habeas-corpus o livrou da cadeia. Foram os piores dias de sua vida.

                 Ele confessa que teve muita vergonha, foi muito doloroso, chorava sozinho só de lembrar dos seus filhos.  Mais esse drama teria sido uma catástrofe na vida do já então ex-jogador se não tivesse sido sua redenção. “Há males que vem para o bem. Aquele problema que tive com a polícia talvez tenha sido um artifício de Deus para eu dar uma freada violenta”, avaliou Reinaldo.  Se não fosse o escândalo, o jogador não teria se livrado dos dez anos de vício, que já o dominava completamente.  A droga já tinha o envolvido e não conseguia nem sair mais de casa.

                Reinaldo, conta que cheirou cocaína pela primeira vez depois de ter abandonado o futebol brasileiro em 1986.  Conta que estava numa festa, lhe ofereceram e ele aceitou. Na Holanda, onde retomou a carreira, o crescimento do vício foi contido por sua mulher, a holandesa Ankel Nieke. O vício só aumentou em 1994, quando perdeu a eleição.  Ficou perdido, não fazia nada e usava drogas diariamente. Realmente havia chegado no fundo do poço.  Não aceitava se internar temendo tornar público seu envolvimento com a droga. Só quando estourou o escândalo, é que resolveu se tratar e, “graças a Deus”, dois anos depois considerava-se curado.

               Hoje, Reinaldo só quer lembrar dos seus bons momentos no futebol. Ele conta orgulhoso que o Maracanã ficou calado por duas vezes. A primeira foi na derrota para o Uruguai na final da Copa de 50. A segunda foi por causa dele, Reinaldo.  Era a final do Brasileirão de 1980, quando o Galo disputava a final contra o Flamengo.  O Mengão vencia por 2 a 1, quando Reinaldo sentiu uma distensão. Como o Galo não podia fazer mais nenhuma substituição, ele foi para a ponta direita, apenas fazer número.  Os jogadores do Flamengo, ao vê-lo capengando, Junior o aconselhou a sair do jogo, dizendo que ele não aguentava mais andar. Quando Reinaldo pegava na bola a torcida rubro-negra gritava: Bichado… bichado…. 

               No segundo tempo, Eder cruzou da esquerda e Junior vacilou na marcação. Os zagueiros do Flamengo não acreditavam que Reinaldo pudesse correr, mas na hora, sentiu a oportunidade. Deu um pique, acabou de arrebentar o músculo e fez o gol de empate. Foi o gol mais emocionante de sua carreira, pena que o Maracanã ficou calado naquele momento.  Três minutos depois, o craque mineiro foi expulso de campo e o Flamengo acabou marcando o gol do título.

              Durante sua carreira, teve grandes momentos, como a conquista do pentacampeonato mineiro em 1982, pois o título foi conquistado em cima do maior rival, o Cruzeiro.  Este jogo aconteceu no dia 5 de dezembro de 1982. Neste dia o Mineirão recebeu um público de 108.935 pagantes. Tostão abriu o placar aos 23 minutos e Renato empatou para o Galo aos 45 do primeiro tempo. Começou o segundo tempo e, logo ao 1 minuto de jogo, Reinaldo desempatou a partida, que assim terminaria: Atlético 2 a 1 sobre o Cruzeiro.  Neste dia o Galo jogou com; João Leite, Fred, Nenci, Luizinho e Jorge Valença; Heleno e Paulinho; Formiga, Reinaldo, Luiz Carlos e Eder.

               José Reinaldo de Lima, o “Rei Reinaldo”, o maior artilheiro da história do Clube Atlético Mineiro, trabalha como colunista do jornal “O Tempo”, de Belo Horizonte, e fundou o Belo Horizonte Futebol Cultura, em pareceria com uma universitária da capital mineira. Reinaldo encerrou a carreira, aos 28 anos, após sofre cinco cirurgias no joelho. O centroavante também atuou no Palmeiras, Cruzeiro e na Holanda, em clubes de pouca expressão, porém, não conseguiu repetir o sucesso que obteve no Galo Mineiro, onde disputou 478 partidas, marcou 254 gols e conquistou seis títulos estaduais.  Reinaldo também teve momentos difíceis quando entrou em depressão e se envolveu com drogas, mas felizmente, conseguiu dar a volta por cima.

               Em 2005, o ex-deputado Reinaldo tornou-se vereador em Belo Horizonte, mas seu grande projeto de vida é tornar-se presidente do Clube Atlético Mineiro, sua paixão.  Ele jamais irá se conformar com o lamentável rebaixamento do Galo para a Segunda Divisão do futebol brasileiro, ocorrido em 2005, pois quando defendia as cores do clube mineiro, não era admissível uma derrota sequer, quanto mais um rebaixamento. Sempre amou o Galo, dedicou boa parte de sua vida a ele, por isso, luta para chegar a presidência, para poder ajudar ainda mais no engrandecimento daquele clube que o projetou para o futebol nacional. Assim como trabalhou em prol do povo mineiro, durante o período que foi Deputado Estadual de 1990 até 1994, também quer trabalhar em prol da felicidade da torcida atleticana, que o ama de paixão, pois até hoje, Reinaldo não esquece da forma carinhosa como a torcida do Galo o tratava lá da arquibancada. Era um coro só: Rei, rei, rei, Reinaldo é o nosso Rei.

1978 – Em pé: Toninho Baiano, Leão, Oscar, Edinho, Toninho Cerezo, Amaral e o preparador físico Admildo Chirol   –    Agachados: o massagista Nocaute Jack, Tarciso, Zico, Reinaldo, Rivelino e Dirceu
Em pé: João Leite, Nelinho, Osmar Guarnelli, Luisinho, Cerezo Jorge Valença    –     Agachados: Catatau, Heleno, Reinaldo, Renato e Éder.
Seleção do Atlético Mineiro de todos os tempos   –   Em pé: Nelinho, João Leite, Luizinho, Vantuir, Cincunegui e Toninho Cerezo    –     Agachados: Oldair, Paulo Isidoro, Reinaldo, Dario e Éder. Técnico: Telê Santana
1977 – Em pé: Márcio, Ortiz, Getúlio, Dionísio, Toninho Cerezo e Vantuir    –    Agachados: Marinho, Danival, Paulo Isidoro, Reinaldo e Marcelo.
Em pé: Mazurkiewcz, Getúlio, Grapete, Alberto, Cláudio Mineiro e Vanderlei Paiva    –     Agachados: Paulinho Kiss, Campos, Toninho Cerezo, Reinaldo e Jorginho

 

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