JAIR MARINHO: campeão do mundo em 1958

                 Jair Marinho de Oliveira nasceu dia 17 de julho de 1936, na cidade de Santo Antonio de Pádua – RJ. Foi um lateral direito que jogou no Fluminense, Portuguesa de Desportos, Corinthians, Vasco da Gama, Campo Grande, do Rio de Janeiro e também defendeu nossa seleção na Copa do Mundo de 1962, embora não tivesse participado de nenhuma partida, mas teve a honra de fazer parte daquele grupo que encantou o mundo, ao sagrar-se bicampeã mundial no Chile. Era um zagueiro de estatura baixa, mas com um vigor físico invejável. Não era violento, procurava manter a técnica e a lealdade, por isso, sempre foi muito querido entre os jogadores de sua época, tanto pelos companheiros de clube, como também pelos adversários.

FLUMINENSE

               Jair Marinho começou sua carreira jogando no Fluminense do Rio de Janeiro em 1956. Com a camisa do Tricolor das Laranjeiras, conquistou  o  Campeonato  Carioca  de 1959 e também o Torneio Rio-São Paulo de 1957 e 1960.  O Fluminense já tinha sido o primeiro clube carioca a conquistar o Torneio Rio-São Paulo em 1957 e de maneira especial “Campeão Invicto”.  Novamente em 1960, agora sob o comando do técnico Zezé Moreira. Interessante é que enquanto todos prestavam atenção nas poderosas equipes do Santos e do Botafogo, tidos como favoritos do certame, o que resultou em várias reuniões para a confecção da tabela, o tricolor “comendo pelas beiradas” conquistava mais um título para sua galeria. O centroavante Waldo, artilheiro do Torneio foi mais uma vez decisivo, marcando nada menos que onze gols sendo que 3 deles na inesquecível vitória por 7 x 2 sobre o São Paulo, em pleno Maracanã, no choque entre os tricolores carioca e paulista e um na decisiva partida contra o Palmeiras.

               O Fluminense sagrava-se mais uma vez Campeão de um Torneio Interestadual. Nessa época o Fluminense tinha a seguinte equipe; Castilho, Jair Marinho, Pinheiro, Edmilson e Altair; Clóvis e Wilson; Maurinho, Valdo, Paulinho e Escurinho.  No ano anterior, o Fluminense sagrou-se Campeão Carioca, onde fez uma campanha maravilhosa, ou seja, disputou 22 jogos, 17 vitórias, 4 empates, 1 derrota, 45 gols a favor, 9 contra, com saldo positivo de 36 gols. O artilheiro do Campeonato foi Quarentinha, com 20 gols (Botafogo). Enquanto que o artilheiro do Fluminense foi Waldo com 14 gols. O técnico do Tricolor das Laranjeiras era Zezé Moreira.

PORTUGUESA DE DESPORTOS

               Em 1964, veio para São Paulo jogar na Portuguesa de Desportos, já consagrado como campeão do mundo no mundial do Chile em 1962. Sua estréia com a camisa da Lusa aconteceu dia 24 de junho de 1964, num amistoso contra o Corinthians no Parque São Jorge. O jogo terminou com a vitória corintiana em 2 a 1. Os dois gols do alvinegro foram marcados por Flávio, enquanto que o único tento da Lusa do Canindé foi marcado por Henrique Frade.  Neste dia a Portuguesa jogou com; Felix, Jair Marinho, Ditão, Vilela e Edilson; Pampolini e Nair; Neivaldo, Ivair, Henrique Frade e Nilson. O técnico era Aymoré Moreira.

CORINTHIANS

               Veio para o Corinthians em troca dos jogadores Augusto e Amaro da Portuguesa de Desportos. Estreou no timão dia 5 de setembro de 1965, quando o Corinthians venceu o Guarani por 3 a 2 pelo primeiro turno do campeonato paulista. O jogo foi no Parque São Jorge e neste dia o Corinthians jogou com; Marcial, Jair Marinho, Eduardo, Clóvis e Edson; Dino Sani e Rivelino; Marcos, Flávio, Geraldo José e Gilson Porto. O técnico era Osvaldo Brandão. Os gols foram de Marcos (2) e Rivelino, enquanto que para o bugre campineiro marcaram  Babá e Nelsinho, dois jogadores de depois vieram fazer dupla de ataque no São Paulo F.C.  A despedida de Jair Marinho do Corinthians aconteceu no dia 27 de agosto de 1967, quando o Corinthians goleou o Comercial de Ribeirão Preto por 6 a 2 em pleno estádio Palma Travassos, com 4 gols de Flávio, um de Rivelino e um de Tales.  Neste dia o Corinthians jogou com; Barbosinha, Jair Marinho, Ditão, Clóvis e Maciel; Nair e Rivelino; Bataglia, Tales, Flávio e Gilson Porto. O técnico era Zezé Moreira.

               Com a saída de Jair Marinho, quem assumiu a lateral direita,  foi Osvaldo Cunha que havia chegado do São Paulo juntamente com o atacante Prado. Uma das partidas históricas de Jair Marinho com a camisa corintiana, aconteceu no dia  2 de março de 1966, dia em que Garrincha fez sua estréia no Corinthians. Neste dia o Corinthians enfrentou o Vasco da Gama pelo Torneio Rio-São Paulo. O jogo foi no Pacaembu e o time do Rio de Janeiro venceu por 3 a 0, gols de Célio (2) e Maranhão. Com a chegada de Garrincha e também de Nair e Ditão que estavam chegando da Portuguesa de Desportos, estava nascendo um novo Corinthians, mas não passou de um sonho na torcida alvinegra. Porem o apelido criado pela imprensa paulistana para aquela equipe, ficou até hoje, Timão.

               Com a camisa do Corinthians, Jair Marinho disputou 96 partidas. Venceu 59, empatou 19 e perdeu 18. Marcou um gol  e nesse período conquistou apenas o Torneio Rio-São Paulo de 1966, assim mesmo, foi um título que foi dividido com mais três clubes; Santos, Botafogo e Vasco da Gama, pois com a aproximação da Copa do Mundo, não havia data para um quadrangular e assim, as quatro agremiações foram proclamadas campeãs. Antes de encerrar a carreira, Jair Marinho ainda jogou no Vasco da Gama e no São Cristovão do Rio de Janeiro, em 1970, mas foram passagens bem curtas.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Para a Copa do Mundo de 1962, o técnico Aymoré Moreira convocou, Djalma Santos e Jair Marinho para a lateral direita e Nilton Santos e Altair para a lateral esquerda. Mesmo antes de saírem do Brasil, Jair Marinho e Altair já sabiam que seriam reservas, pois Djalma e Nilton Santos, realmente eram os titulares absolutos desde a Copa de 1958. Durante os treinamentos para a Copa de 62, o ponta direita treinava contra o lateral-direito. Então Jair Marinho teve o prazer de treinar muito com o Garrincha, que tinha como ponto forte o drible e a velocidade para chegar à linha de fundo. Pensava que aquilo seria excelente para sua carreira, até porque teria que marcá-lo quando voltasse ao Rio. “Eu chamava Garrincha de torto e disse que iria dar um pau nele no treino. Caçava ele em todas as jogadas, peguei todas as informações para passar ao Altair (lateral-esquerdo do Fluminense e também presente na Seleção) para marcá-lo quando enfrentássemos o Botafogo. Mas era um jogador tão fantástico que tinha vários recursos e passou a cair para o meio para fugir da nossa marcação. Ele se aprimorou por causa dos treinos, passou a bater faltas e cabecear” – recordou com um sorriso saudoso no rosto.

               Jair Marinho sempre dizia “era muito bom jogar no mesmo time de Djalma Santos, Pelé e Garrincha. Nós não tínhamos medo de adversário nenhum. Nunca perdemos com o Pelé e Garrincha em campo para ninguém. Algumas pessoas falam: “poxa você nem jogou na Copa”, aí eu digo: “precisei jogar?”. Aprendi muito com o Djalma Santos, para mim o melhor lateral do mundo, porque era um cara muito clássico, não fazia falta. Um fenômeno. Lembro também que o jogo mais marcante foi contra a Espanha no dia 6 de junho de 1962. Estávamos perdendo por 1 x 0, o Nilton Santos cometeu um pênalti, em fração de segundos deu um passo a frente e o juiz marcou falta. Depois  conseguimos vencer por 2 a 1. Aquela vitória foi muito importante porque o Pelé tinha se machucado e com isso perdemos metade do time” – destacou.

               Por falar novamente em Garrincha, Jair Marinho também aproveitou a experiência na Seleção Brasileira para aplicar na sua volta ao Fluminense, quando teve que enfrentar novamente o craque das pernas tortas.  “O Garrincha não deixava a gente dormir. Falávamos sempre no quarto, eu e o Altair, sobre a maneira dele jogar e como poderíamos fazer para pará-lo.  Ele tirava o nosso sono antes dos clássicos com o Botafogo. Não à toa o Garrincha não jogava bem contra o Altair. Ele escorregava quatro, cinco metros do chão e tomava a bola dele” – contou. A tática deu certo e a dupla ajudou o Fluminense a conquistar o Carioca de 1959 e o Rio-São Paulo de 60, neste último passando justamente pelo Botafogo de Garrincha.

               Pela seleção brasileira, Jair Marinho disputou apenas cinco jogos (4 vitórias e 1 derrota) Não marcou nenhum gol. Os títulos que conquistou com a camisa canarinho foram: Taças Oswaldo Cruz e Bernardo O´Higgins em 1959 e da Copa de 62, no Chile. Depois que aposentou-se, passou a viver com a família em Niterói – RJ. Tem quatro filhos e três netos. Ainda bate a sua bolinha na praia e em time de masters e é também professor de futebol para a garotada. Valdo Santana, repórter da Rádio Grande Rio, é um dos filhos de Jair Marinho.

Em pé: Técnico Zezé Moreira, Clóvis, Jair Marinho, Edmilson, Altair, Castilho e Pinheiro      –     Agachados: Maurinho, Paulinho, Valdo, Telê Santana e Escurinho
Em pé: Garrincha, Nilton Santos, De Sordi, Jurandir, Aldemar, Zagallo, Benê, Preparador Físico Paulo Amaral      –      Agachados: Valdir, Jair Marinho, Zéquinha, Rildo, Amarildo, Germano e Gilmar
Em pé: Clóvis, Jair Marinho, Edmilson, Altair, Castilho e Pinheiro      –     Agachados: Maurinho, Paulinho, Valdo, Telê Santana e Escurinho
Em pé: Jair Marinho, Marcial, Clóvis, Galhardo, Edson e Dino Sani      –     Agachados: Marcos, Rivelino, Flávio, Nair e Gilson Porto
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