ZEQUINHA: titular da primeira Academia Palmeirense

                José Ferreira Franco nasceu dia 18 de novembro de 1934, na cidade de Olinda – PE. Conhecido como Zequinha, integrou, como médio volante a seleção brasileira que sagrou bicampeã mundial no Chile em 1962. Conquistou ainda, a Taça Atlântico, em 1960, a Taça Oswaldo Cruz em 1962 e Copa Rocca em 1963, participando 17 jogos pela seleção canarinho, com 14 vitórias e marcando 2 gols. Teve também uma fase maravilhosa em sua carreira que foi de 1958 até 1969, quando defendeu as cores da Sociedade Esportiva Palmeiras e nesse período sagrou-se campeão paulista em 1959, 1963 e 1966. Conquistou também pelo Verdão o Torneio Rio-São Paulo de 1965, a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, ambos em 1967. Enfim, teve uma carreira de muito sucesso dentro do futebol brasileiro, por isso, hoje a nossa coluna “Memória do Futebol” está lhe prestando esta humilde homenagem.  

SANTA CRUZ 

                Zequinha cresceu no bairro de Santo Amaro, em Recife, onde fazia suas “peladas” e defendia o combinado da vila. Na adolescência, jogava entre boleiros veteranos, entre eles Valdomiro Silva, então treinador das divisões de base do Santa Cruz. Daí, em 1954, Valdô, como era chamado pelos tricolores, ao ver o garoto se destacando, levou-o para o Arruda. Mais tarde, Oto Vieira, técnico do time principal do tricolor pernambucano, pediu para Valdô que indicasse um jogador da equipe de aspirantes para treinar entre os profissionais. O escolhido foi Zequinha, que entrou no segundo tempo, no time reserva, e arrebentou, chamando a atenção da torcida.

                Os suplentes perdiam por 2×1, mas o jovem promissor empatou, num lance que viria a ser sua principal marca, o chute de fora da área. “Quando me chamaram para treinar fiquei meio receoso, mas depois entrei e fiz o gol em Miro. Acabei me soltando. No final, só ouvia os comentários dos torcedores, que foram para ver Barbosa e acabaram tendo uma grata surpresa com a minha atuação”, disse Zequinha, certa vez, ao Jornal do Comércio. Antes mesmo de assinar o primeiro contrato, o volante, considerado a frente de seu tempo, já havia defendido a Seleção Pernambucana de aspirantes algumas vezes. A condição de ídolo não demoraria a chegar.

                Sua estréia como jogador profissional aconteceu dia 15 de julho de 1954, quando o Santa Cruz fez um amistoso interestadual com o Botafogo da Paraíba e perdeu por 2 a 1. Mas, se existe um título que lavou sua alma e explodiu de alegria os tricolores pernambucanos, esse foi o Super Campeonato de 1957. A torcida, na espera por um título há quase dez anos, virou manchete nos jornais da época pela bravura e fidelidade ao time. Além dos fortes adversários, o Santa Cruz teve de driblar um surto de gripe “asiática”.

               Zequinha, mais outros atletas, foram atingidos pela doença, o que ocasionou na queda de rendimento do time, mas não o suficiente para conquistarem o título tão esperado pela torcida do Santa Cruz. A cerveja, de tanta festa, acabou. A equipe, que explodiu de felicidade sua torcida jogou assim naquele dia 16 de março de 1957 contra o Sport; Aníbal, Diogo e Sidney, Zequinha, Aldemar e Edinho, Lanzoninho, Faustino, Rudimar, Mituca e Jorginho. O Técnico era Alfredo Gonzalez e o árbitro da partida foi  Esteban Marino. Na campanha, Zequinha não fez gol nas suas 19 partidas, do total de 21 do Santa no campeonato, o que não impediu o assédio de clubes do sudeste.

PALMEIRAS

               O Fluminense tentou, mas não chegou a um acordo financeiro. Veio o Palmeiras, através do técnico Oswaldo Brandão. “Você já está pronto para viajar?”, teria perguntado Brandão à Zequinha, depois de um treino no Arruda. Iniciava-se a formação da primeira “Academia”, do Palmeiras, que brilhou no final dos anos 50 e na década de 60, cuja escalação o torcedor do alviverde sabe na ponta da língua. Logo que Zequinha virou ídolo em São Paulo ele era bastante solicitado para as entrevistas. Jornalistas em início de carreira na crônica esportiva, como o saudoso Joelmir Beting  e Benedito Rui Barbosa (autor de novelas da Rede Globo) assinavam matérias especiais com o craque pernambucano para os jornais paulistas.

               Zequinha permaneceu durante dez anos no Palmeiras, tornado-se o 15° jogador em número de atuações pelo clube. Lá, ele e o alviverde palestrino fizeram frente ao Santos de Pelé, que na época era o time mais temido pelos seus adversários. Quem pode esquecer da grande final do campeonato paulista de 1959, quando Palmeiras e Santos se enfrentaram. Foi uma das finais que entrou para a história do futebol nacional. O Santos tinha Laércio, Urubatão, Getúlio, Dalmo, Formiga, Zito, Dorval, Jair da Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe. Sem dúvida alguma, um time que impunha muito respeito a qualquer adversário. Já pelo Palmeiras, o técnico Osvaldo Brandão mandou a campo os seguintes jogadores; Valdir, Djalma Santos, Valdemar Carabina, Aldemar, Geraldo Scotto, Zequinha, Chinesinho, Julinho Botelho, Américo, Nardo e Romeiro.

                Realmente duas máquinas de jogar futebol. Dos 22 jogadores, 13 já haviam vestido a camisa da seleção brasileira. Quem teve a felicidade de ver estes monstros sagrados jogarem, pode dizer que é um privilegiado, pois eram jogadores de alto nível, coisa que nos dias de hoje não vemos mais. E o mais importante, jogavam por amor a camisa, pois o que ganhavam não chega nem perto de muitos jogadores de quinta categoria dos dias de hoje.  São estes jogadores de hoje, que nos fazem sermos saudosistas. Foram necessários tres jogos para decidir quem seria o grande campeão. No primeiro confronto tivemos um empate de 1 a 1, gols de Pelé para o Peixe e Zequinha para o Verdão. No segundo jogo outro empate, desta vez em 2 a 2.

                 E na terceira partida o Palmeiras venceu por 2 a 1, gols de Julinho Botelho e Romeiro, enquanto que para o Santos, Pelé marcou o único tento. Vale lembrar que o gol de Romeiro foi de falta e quem sofreu a falta foi Zequinha, quando se aproximava da área santista. Pelo Palmeiras, Zequinha disputou 417 jogos. Venceu 247, empatou 83 e perdeu 87 vezes. Nesse período marcou 40 gols com a camisa esmeraldina. Chegou a formar dupla com Ademir da Guia em 1966, quando o Palmeiras tinha o seguinte time; Valdir, Djalma Santos, Djalma Dias, Minuca e Ferrari; Zequinha e Ademir da Guia; Gallardo, Ademar Pantera, Servilio e Rinaldo.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Zequinha participou do grupo que formou a nossa seleção no mundial de 1962, disputado no Chile. Os jogadores de meio-de-campo eram; Zequinha, Zito, Didi e Mengalvio. Era praticamente a mesma seleção da última Copa em que o Brasil conquistou seu primeiro título mundial, sendo assim, o técnico Aymoré Moreira resolveu manter o mesmo meio de campo de 58, ou seja, Zito e Didi, sendo assim, Zequinha ficou no banco durante toda a Copa como reserva direto de Zito. Ao todo Zequinha disputou 17 partidas com a camisa canarinho. Venceu 14, empatou uma e perdeu duas vezes. Marcou dois gols.

                O primeiro foi num amistoso em que o Brasil venceu Portugal por 2 a 1 no dia 6 de maio de 1962. O jogo foi no Pacaembu e os gols brasileiros foram marcados por Zagallo e Zequinha. O segundo gol foi marcado num amistoso em que o Brasil venceu Israel por 5 a 0. O jogo foi em Tel Aviv e os gols foram marcados por; Amarildo (2), Quarentinha (2) e Zequinha.  Além do mundial de 62, no Chile,  Zequinha também defendeu nossa seleção em 1960 pela Taça do Atlântico, em 1962 pela Taça Oswaldo Cruz e em 1963 pela Copa Rocca. 

FIM DE CARREIRA

               Antes de encerrar sua brilhante carreira, Zequinha jogou ainda no Atlético Paranaense em 1969 e no ano seguinte no Nautico do Recife, onde parou de jogar. Apesar do tamanho (tinha apenas 1m66 de altura) foi um bravo jogador, que dificilmente perdia em uma dividida. Zequinha, cunhado do ex-zagueiro Minuca, só perdeu o lugar no time verde com a chegada de Dudu e também porque já estava pensando em parar com o futebol. Era um volante habilidoso, bom na dividida, embora sempre leal. Aliava ótimo sentido de marcação e visão de jogo a uma pontaria certeira.

               Os chutes de longa distância eram sua principal característica. Durante o Campeonato Brasileiro-2006, no jogo entre Santa Cruz e Vasco, Zequinha, ao lado do ex-zagueiro Ricardo Rocha, recebeu da CBF a Comenda João Havelange, a carteirinha da entidade e uma camisa da Seleção padronizada com o nome e número do craque usada na Copa-62. Zequinha, já numa cadeira de rodas, estava ao lado de filhos e netos, cercado por curiosos e recebeu agradecido a homenagem.

              Rodadas antes, na partida envolvendo Santa Cruz e São Paulo, Zequinha havia sido homenageado pela diretoria do clube, dando nome a uma alameda que fica no primeiro andar do Arruda, no acesso ao setor das cadeiras. Porém, hoje, a placa não está mais numa das alamedas. Ela foi danificada por vândalos e a diretoria resolveu retirá-la. Está sendo restaurada para voltar ao local. Apenas para lembrar aos vândalos que o maior patrimônio de um clube é a sua história.

               Zequinha faleceu dia 25 de julho de 2009, em Olinda-PE, após um mal-estar, ele foi levado ao Hospital Unimed II, onde faleceu por falência múltipla dos órgãos.  Fica aqui nossa homenagem à este grande jogador que dignificou o nosso futebol, em especial o Santa Cruz do Recife e a Sociedade Esportiva Palmeiras, que durante tantos anos honrou a camisa que vestiu.

Em pé: Djalma Santos, Valdir, Minuca, Djalma Dias, Zequinha e Ferrari    –    Agachados: Gallardo, Ademar Pantera, Servilio, Ademir da Guia e Rinaldo
Em pé: Djalma Santos, Picasso, Waldemar Carabina, Djalma Dias, Vicente e Zequinha    –     Agachados: Julinho Botelho, Vava, Servilio, Ademir da Guia e Gildo
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Aldemar, Zequinha e Geraldo Scotto    –     Agachados: Gildo, Julinho, Geraldo José, Chinesinho e Romeiro
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Aldemar, Zequinha e Geraldo Scotto    –     Agachados: Gildo, Américo, Vava, Hélio Burini e Geraldo José
Em pé: Aníbal, Waldemar Carabina, Zequinha, Jorge, Formiga e Geraldo Scotto    –     Agachados: Julinho, Paulinho, Nardo, Ênio Andrade e Chinesinho
Em pé: Sidnei, Diogo, Aníbal, Aldemar, Edinho e Zequinha    –     Agachados: Lanzoninho, Rudmar, Mituca, Faustino e Jorginho
Em pé: Jair Marinho, Zequinha, Nilton Santos, Zózimo, Gilmar e Mauro Ramos de Oliveira   –    Agachados: Garrincha, Mengálvio, Coutinho, Pelé, Pepe e o massagista Mário Américo
Em pé: Djalma Santos, Zéquinha, Roberto Dias, Rildo, Eduardo e Gilmar     –    Agachados: Marcos, Gerson, Quarentinha, Amarildo e Zagallo
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Procópio, Djalma Dias, Zequinha e Ferrari    –     Agachados: Jairzinho, Ademar Pantera, Servílio, Dudu, Rinaldo e o massagista Reis
Postado em Z

Deixe uma resposta