OSMAR SANTOS: o Pai da Matéria

                  Osmar Aparecido Santos nasceu dia 28 de julho de 1949, na cidade de Osvaldo Cruz – SP, portanto, ontem completou 63 anos de vida. Foi sem dúvida alguma, um dos melhores e mais populares narradores esportivos de todos os tempos. Em São Paulo, Osmar Santos foi o pivô de uma revolução no rádio esportivo, tendo introduzido uma forma diferenciada e criativa nas transmissões esportivas. Osmar Santos foi ainda, a voz das Diretas em 1984, num dos momentos mais importantes da “História do Brasil”. Fenômeno de comunicação atuou também com destaque na TV. Formado em Educação Física, Administração e Direito, Osmar Santos, também conhecido como “O Pai da Matéria”, trabalhou como locutor esportivo nas rádios Jovem Pan, Record e Globo onde continua contratado mas sem narrar mais as partidas devido ao grave acidente de automóvel que sofreu e que afetou sua fala, que era seu dom. Esse acidente calou a voz do maior locutor esportivo do rádio brasileiro. Hoje como artista plástico, dedica parte de seu tempo em pinturas sobre telas.

INÍCIO DE CARREIRA

                  Passou a infância em Marília, para onde seus pais Romeu e Clarice se mudaram. Foi também na cidade do interior paulista que começou a trabalhar no rádio, veículo que o tornaria conhecido no Brasil inteiro pelo estilo incomparável nas transmissões esportivas. Seu início de carreira foi em 1963, aos 14 anos, na Rádio Clube de Osvaldo Cruz, destacando-se mais tarde na Rádio de Marília, até ser contratado pela Jovem Pan (SP) em 1972, onde trabalhou até 1977.

RÁDIO GLOBO

                  Em 1977, aceitou o desafio de comandar o Sistema Globo de Rádio, na época ainda Rádio Nacional, onde transmitiu a histórica final de 1977, cujo campeonato marcou o fim da agonia corintiana de quase 23 anos sem títulos. Faziam parte da equipe comandada por Osmar na Rádio Globo, na fase de maior sucesso: Loureiro Júnior e Carlos Aymard (comentaristas), Fausto Silva, Roberto Carmona e Henrique Guilherme (repórteres de campo). E os também narradores: Oswaldo Maciel, Oscar Ulysses e Odinei Edson (esses dois últimos, seus irmãos). Juarez Soares também participou da equipe, como apresentador de um programa que falava de futebol e variedades. Com base nessa experiência, Osmar Santos e sua equipe passaram a apresentar o programa e variedades “Balancê” (que tinha na produção Odir Cunha, com Lucimara Parisi na produção artística).

                  Osmar Santos teve uma participação importante como locutor dos comícios da campanha política de 1984 pelas Diretas Já!. Bastante popular, recebeu proposta para candidatar-se a cargos políticos, mas não aceitou. Osmar vinha sendo preparado para trabalhar na Rede Globo, onde atuou como narrador de futebol e apresentador, mas quem acabou sendo contratado em 1989 para apresentar o programa dominical da Globo foi seu amigo Fausto Silva. Faustão havia se destacado no programa Perdidos na Noite, produzido pela TV Record a partir de 1982, e TV Bandeirantes, a partir de 1986. Sempre muito criativo, inovou também quando passou a narrar partidas pela TV Record.

                  Em alguns momentos a câmera o mostrava na cabine e ele falava diretamente com o telespectador. Também criou bordões que foram tão bem aceitos pelo público, que ecoavam pelos estádios, como o famoso “Parou por quê, por que parou?”. Entre suas expressões inesquecíveis, estão “Ripa na chulipa e pimba na gorduchinha”, “Um prá lá, dois prá cá”, “É fogo no boné do guarda”, “Sai daí que o Jacaré te abraça, garotinho”, “No caroço do abacate” “A garotinho”, “Vai garotinho porque o placar não é seu” e uma das narrações de gol mais marcante do rádio brasileiro “E que GOOOOOOOOOOOOOOOOOL”.

                  Também foi Osmar Santos quem criou a expressão “Animal”, que melhor representou o jogador Edmundo, terminando por se tornar a sua marca registrada. Seu irmão Oscar Ulisses comanda a equipe de esportes da Rádio Globo. Seu outro irmão Odinei Edson narra a Fórmula 1 para a Rádio Bandeirantes. Na Bandeirantes trabalha também o seu primo Ulisses Costa. O Troféu Osmar Santos é concedido a cada ano à equipe que termina o primeiro turno do Campeonato Brasileiro de Futebol em primeiro lugar. Osmar Santos era inovador, cheio de jargões e criativo, capaz de ditar moda entre os amantes do futebol e deixar inúmeros discípulos.

ACIDENTE AUTOMOBILÍSTICO

                 Osmar Santos sofreu um acidente automobilístico ocorrido no dia 22 de dezembro de 1994, na BR 153, trecho que liga Marília a Lins, no interior de São Paulo, quando ele tentou desviar de um caminhão que estava atravessado na pista e que era dirigido por um motorista bêbado. Com isto acabou  se acidentando durante uma viagem noturna. Teve grande recuperação de várias funções, porém sua fala ficou comprometida, sendo capaz de pronunciar menos de cem palavras, impedindo-lhe de continuar trabalhando como narrador, com isto, encerrou sua brilhante carreira. Ao acordar no hospital, estava com a parte direita do corpo paralisada, consequência de traumatismos no cérebro. Após muitas sessões de fisioterapia e fonoaudiologia, voltou a pronunciar palavras, além de ter recuperado parte da coordenação motora. Mas jamais retornou ao microfone. Desde então, virou um dos exemplos de perseverança em sua própria recuperação. Atualmente, comanda a equipe de esportes da Rádio Globo de São Paulo, ao lado de seu irmão Oscar Ulisses.

ARTISTA PLÁSTICO

                 Após ter escapado da morte, atualmente pinta e exibe suas telas em diversas exposições pelo Brasil, utilizando-se da mão esquerda. Pinta quadros que já foram expostos em inúmeros eventos. Adotada como terapia logo após o acidente, esta manifestação não-verbal o fez receber vários elogios. Suas telas foram avaliadas por mestres da pintura como poéticas, com cores vibrantes e iluminadas.  Personagem afastado do universo do futebol desde 94, quando sofreu um grave acidente, o ex-narrador Osmar Santos celebrou dez anos de história como homem das artes plásticas com uma exposição em São Paulo. O material do criador de famosos bordões que o povo até hoje não esquece, ficou disponível para apreciação por uma semana.

                 A obra de Osmar Santos ficou exposta na galeria do internacionalmente famoso artista Romero Britto, na Rua Oscar Freire, em São Paulo. Ao todo foram 12 quadros de autoria do homem cuja voz embalou torcidas do país por três décadas. Eles ficaram à venda por uma semana no local e depois disso não havia mais nenhum, todos foram vendidos rapidamente. Eram quadros com muitas cores, alguns fazendo releitura de pintores famosos. Osmar pinta muitos animais, flores. É um verdadeiro renascimento. Ele é um grande exemplo de uma pessoa que se reinventou. Achou toda sua parte sensível para usar na cultura e na arte.

BELAS LEMBRANÇAS

                No auge, chegava a pronunciar 100 palavras por minuto sem engasgar nenhuma vez. A dramaticidade que colocava a cada lance era capaz de prender o ouvinte durante a partida inteira. Conseqüência direta de sua veia poética aguçada. Osmar devorava obras de nomes como Carlos Drumond de Andrade, Camões e Eça de Queirós. Osmar trabalhou também na televisão. Passou pelas redes Globo, Record e Manchete, mas vale destacar sua participação no inesquecível “Balancê”, programa de variedades que fez história. Em 1984, ficou conhecido como o “locutor das Diretas” devido ao seu engajamento na campanha que pretendia instituir novamente as eleições diretas para presidente do Brasil. Subiu no palanque ao lado de ícones da política nacional como Franco Montoro, Leonel Brizola e Luís Inácio Lula da Silva. Narrou a Copa do Mundo de 1986 pela Rede Globo como primeiro locutor, na companhia de Galvão Bueno (2º locutor) e Luís Alfredo (3º locutor). Fez para a Rede Manchete a Copa do Mundo de 1990 com comentários de Zagallo.

                Dez anos depois do acidente que o prendeu a uma cadeira de rodas. O ex-locutor esportivo Osmar Santos deu mais um passo importante em recuperação. Lançou no interior de São Paulo sua biografia, “O Milagre da Vida”. Alegre e fazendo muitas brincadeiras, distribuiu autógrafos e brincou com os fãs, que o abraçaram e se emocionaram com o grande comunicador do rádio brasileiro. Hoje, mesmo privado de sua vocação com microfone em punho, o ídolo do rádio e TV mantém sua ligação com o futebol. Sempre que pode, procura acompanhar as partidas de futebol ao vivo, no estádio. Recentemente, foi homenageado em um jogo da Portuguesa no Canindé.

               Paralelamente, Osmar mantém sua busca cultural ativa. Amigos contam que o ex-narrador costuma sair quase todas as noites, acompanhado de seu motorista, para prestigiar eventos de música, arte ou ir a cinemas. Ele nunca esmoreceu. Nunca perguntou por que isso aconteceu com ele. Pelo contrário, sempre teve uma atitude otimista em relação à situação pós-acidente. Foi mesmo um processo de elevação espiritual. Sempre foi um homem simples e não podemos esquecer que Osmar começou na humilde Radio Clube de Oswaldo Cruz, transferiu-se para a Radio Dirceu de Marília e depois para a Radio Verinha (Radio Clube de Vera Cruz). Ali, ele brilhou muito. Muito mesmo. Seu brilho chegou até a capital e Marília ficou pequena para o seu talento. O Brasil precisava ouvir o novo gênio do microfone. Infelizmente um acidente calou a voz do maior locutor esportivo do rádio brasileiro, um verdadeiro ANIMAAAAL da comunicação, o nosso querido e eterno “Pai da Matéria”.

 

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