PAULO ISIDORO: um formiguinha dentro de campo

                  Paulo Isidoro de Jesus nasceu dia 3 de agosto de 1953, na cidade de Matosinho – MG. Foi um jogador que atuou em todas as posições do meio de campo para frente. Jogou no Atlético Mineiro, Grêmio, Santos, Nacional de Manaus e também defendeu nossa seleção na Copa de 1982, ao lado de Falcão e Toninho Cerezo, uma seleção que encantou o mundo com seu belo futebol, mas não conquistou o titulo. Foi um jogador habilidoso (também chegou a atuar como autêntico ponta-direita) e que sabia muito bem fazer o importante papel de “formiguinha” pelas equipes que passou.

                 Começou a carreira jogando em um time amador do Bairro das Garças, o Ideal. Nesse time o massagista Irineu o observou e o recomendou ao técnico das divisões de base do Atlético Mineiro, na época, Barbatana. Quando surgiu para o time profissional, em 1973. Em 1974, foi emprestado junto com Toninho Cerezo ao Nacional de Manaus. Naquele ano, o time amazonense fez ótima campanha no Brasileirão e os dois acabaram retornando ao Galo, onde foram campeões em 1974.

ATLÉTICO MINEIRO

               Ao retornar ao Atlético foi lançado no time principal pelo técnico Telê Santana. Foi uma época em que surgiram grandes craques no Galo Mineiro; Marcelo, Reinaldo, Cerezo e outros que mais tarde brilharam no futebol brasileiro. Foi um time que marcou a torcida do Atlético, pois até hoje o torcedor atleticano sabe de cor a escalação daquele time. Por ironia do destino, em 1977 o Atlético que não havia perdido uma partida sequer, perdeu o título do Brasileirão para o São Paulo numa decisão por pênaltis. Até hoje Paulo Isidoro não se conforma com a perda daquele título, pois tinham 10 pontos a mais que o São Paulo e o artilheiro da competição. Segundo Paulo Isidoro faltou humildade ao técnico atleticano, ele menosprezou um pouco o time Tricolor. Na hora da preleção disse que Paulo Isidoro não iria entrar como titular e não deu nenhuma explicação. Realmente o técnico Barbatana estava muito esquisito naquele dia 5 de março de 1978.

GRÊMIO

               Em 1979, Paulo Isidoro foi jogar no Grêmio de Porto Alegre, depois de uma troca com o ponta esquerda Eder. Foi uma troca que agradou os dois jogadores, pois Paulo Isidoro já não estava mais feliz no Atlético e Eder estava louco para voltar à Minas Gerais. A equipe gremista era assim formada naquela época; Leão, Paulo Roberto, Vantuir, Hugo de Leon e Casemiro; China, Paulo Isidoro e Vilson Tadei; Tarciso, Baltazar e Renato Sá. Realmente era um time muito forte, tinha um contra ataque mortal e com isso conquistou em 1980, o gauchão e a Copa do Brasil e no ano seguinte o Campeonato Brasileiro, derrotando São Paulo na final em pleno Morumbi por 1 a 0, gol de Baltazar. Realmente neste dia o Tricolor deu um Bai Azar.

SELEÇÃO BRASILEIRA

                Em 1982, Paulo Isidoro estava jogando muito e seria muita injustiça não ser convocado. Naquele ano inclusive, ganhou a Bola de Ouro da Revista Placar, quando disputou com Zico e isto fez com que Paulo Isidoro fosse cheio de moral para a seleção onde só tinha feras. Telê Santana fez um esquema de jogo em que Paulo Isidoro era uma peça importantíssima, corria o campo inteiro, ajudando na cobertura do lateral direito, apoiando o ataque, enfim, estava num preparo físico invejável e com isto ia cada vez mais agradando o técnico e passando confiança ao torcedor brasileiro. Durante toda a preparação para a Copa de 82, Paulo foi titular absoluto. No entanto, para surpresa do povo brasileiro e principalmente de Paulo Isidoro, quando começou a Copa, Telê Santana o deixou na reserva, entrando sempre no final do jogo, assim foi em todos os jogos da nossa seleção no mundial. Contra a Argentina então em que vencemos por 3 a 1, nem chegou a entrar em campo.

               Por tudo isso, Paulo Isidoro guarda um mágoa muito grande de Telê Santana, pois ele o decepcionou muito com aquilo. Quem também não entendeu aquilo foi o Jô Soares, pois começou com aquela campanha nacional que dizia “Coloca ponta Telê” se referindo a Paulo Isidoro no time. Marcou 4 gols em 41 jogos pela Seleção Brasileira de Futebol, sendo 4 pela Seleção Brasileira de Futebol de 1982. Ganhador da Bola de Prata da “Revista Placar” em 1976, 1981 e 1983, como melhor ponta-de-lança e da Bola de Ouro da “Revista Placar em 1981, como melhor jogador do Campeonato Brasileiro. Teve uma sequência de 42 jogos sem perder pelo Grêmio Porto Alegrense.

SANTOS F.C.

               Depois da Copa, Paulo Isidoro foi jogar no Santos. O convite foi feito e aceito no ato, pois já faziam três anos que estava no sul e o frio era terrível, sendo assim, aceito o convite para jogar numa equipe, cuja sede era uma cidade praiana. Na conversa com o presidente santista, Sr. Milton Teixeira ele disse que estava pensando em contratar o Serginho Chulapa, mas que estava com medo, pois ele vivia aprontando, mas Paulo Isidoro que foi seu grande companheiro de seleção, deu o maior apoio ao amigo e assim dessa maneira o Santos acabou contratando Serginho. E realmente deu tudo certo, Serginho ajudou a equipe conquistar o título paulista de 1984 que desde 1978 não conquistava. Em 1983 o Santos ficou com o vice campeonato brasileiro, perdendo para o Flamengo na final. No Paulistão de 84 a final foi contra o Corinthians no dia 2 de dezembro. O jogo foi no Morumbi e neste dia o técnico Castilho escalou a seguinte equipe; Rodolfo Rodrigues, Chiquinho, Márcio, Toninho Carlos e Toninho Oliveira; Dema, Paulo Isidoro e Humberto; Lima, Serginho Chulapa e Zé Sérgio. O Santos venceu por 1 a 0, gol de Serginho aos 27 minutos do segundo tempo. Com esta vitória o Corinthians deixou de conquistar mais um tricampeonato, pois já havia sido campeão em 1982 e 83, ambas em cima do São Paulo.

               O Santos nesse ano tinha realmente um grande time, pois além desses que jogaram a final, ainda tinha Paulo Robson, Lino, Pita e Camargo. A campanha do Santos naquele ano foi a seguinte; 38 jogos, 22 vitórias, 13 empates e apenas 3 derrotas. Marcou 54 gols e sofreu 19. Um fato que poucos sabem, este jogo entre Santos e Corinthians foi num domingo a tarde no Morumbi, no sábado a noite, véspera do jogo, o pai de Paulo Isidoro estava sendo velado em Belo Horizonte. Como profissional responsável que era, foi para o jogo, ganhou o título e retornou pra Minas para enterrar o pai.

DE VOLTA AO FUTEBOL MINEIRO E PAULISTA

               Paulo Isidoro estava muito bem no Santos, mas seu coração estava triste, pois com a morte de seu pai, sua mãe estava muito sozinha em Belo Horizonte e como ele era muito apegado a ela, resolveu voltar a jogar em Minas e não foi difícil para que o Atlético Mineiro se interessasse por ele novamente. E já no ano em que chegou, 1985, foi campeão mineiro e no ano seguinte conquistou o bicampeonato. A equipe do Galo Mineiro daquele ano era a seguinte; João Leite, Nelinho, Oliveira, Luizinho e Nena; Elzo, Paulo Isidoro e Everton; Sergio Araujo, Paulinho e Edivaldo. Com a camisa do Atlético Mineiro, Paulo Isidoro disputou 399 jogos e marcou 98 gols.

              Em 1987 Paulo deixou o Atlético para voltara ao futebol paulista e desta vez para jogar no Guarani de Campinas, onde jogou como médio volante. Pelo Bugre Campineiro foi vice-campeão paulista em 1988 ao perder a final para o Corinthians por 1 a 0, gol de Viola. Na primeira partida deu empate de 1 a 1, gol de Neto de bicicleta para o Guarani e Edson para o alvinegro. A equipe do Guarani naquele ano era assim formado; Sergio Neri, Marquinhos, Wagner Bacharel, Ricardo Rocha e Albéris; Paulo Isidoro, Barbieri, Marco Antonio Boiadeiro e Neto; Evair e João Paulo.   

               Para surpresa de muitos, em 1988 Paulo Isidoro foi jogar no rival Cruzeiro, onde foi muito bem recebido pelos jogadores, dirigentes e torcedores. Infelizmente foi uma época difícil para o Cruzeiro, mas mesmo assim, Paulo ajudou seus companheiros a conquistar o título mineiro de 1990, mesmo com um time razoável; Paulo César, Balu, Paulão, Gilmar Francisco e Nonato; Ademir, Luiz Fernando e Paulo Isidoro, Paulinho, Ramon e Edson. O técnico era Carbone. Este foi o time que derrotou o Corinthians por 1 a 0 no dia 25 de agosto de 1990 pelo Campeonato Brasileiro. O jogo foi no Pacaembu e o único gol da partida foi anotado por Paulão aos 31 minutos do segundo tempo.

               Mesmo aos 40 anos ainda era visto atuar nos campeonatos de Showbol, sempre com o mesmo fôlego e talento, pois foi um jogador que sempre se cuidou e com isto pode praticar o futebol depois dos 40. Hoje é treinador de futebol e administra seus vários imóveis em Minas Gerais. Atualmente reside em sua cidade natal. Foi realmente um vencedor por onde passou, só não conquistou título pela seleção brasileira, embora tenha participado de uma equipe que encantou o mundo, mas infelizmente não chegou a ser campeão. Tem tres filhos, o mais velho já foi campeão brasileiro no sub-20 pelo Cruzeiro. E ao recordar seu passado, Paulo Isidoro sempre se emociona, pois teve a honra de jogar ao lado ou de enfrentar grandes craques como; Dirceu Lopes, Zé Carlos, Maradona, Zico, Sócrates, Toninho Cerezo, Luizinho, Reinaldo e tantos outros. Hoje Paulo Isidoro leva uma vida tranquila com a família e trabalhando em sua escolinha, onde passa um pouco de sua larga experiência que teve como jogador.

Em pé: João Leite, Edevaldo, Toninho Cerezo, Oscar, Luizinho e Junior      –     Agachados: Tita, Paulo Isidoro, Sócrates, Batista e Zé Sérgio
Em pé: Gilberto, Davi, Marolla, Dema, Toninho Carlos e Toninho Oliveira      –     Agachados: Lino, Paulo Isidoro, Serginho Chulapa, Pita e João Paulo
PAULO ISIDORO DANDO ENTREVISTA À RÁDIO EDUCADORA DE LIMEIRA
Em pé: Waldir Peres, Edevaldo, Luizinho, Oscar, Toninho Cerezo e Junior      –     Agachados: Paulo Isidoro, Sócrates, Reinaldo, Zico e Eder
Em pé: João Leite, Batista, Nelinho, Elzo, João Pedro e João Luis      –     Agachados: Sérgio Araújo, Paulo Isidoro, Tita, Marcos Vinícius e Edivaldo
SELEÇÃO DO ATLÉTICO MINEIRO DE TODOS OS TEMPOS      –     Em pé: Nelinho, João Leite, Luizinho, Vantuir, Cincunegue e Toninho Cerezo      –     Agachados: Oldair, Paulo Isidoro, Reinaldo, Dario e Eder
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