TÉIA: artilheiro do Campeonato Paulista de 1968

                Antonio Zelenkow Silvestre nasceu dia 29 de abril de 1944, na cidade de Fernandópolis – SP. Foi um centroavante que marcou época na Ferroviária de Araraquara e também no São Paulo F.C. Em 1968 quando ainda defendia as cores grenás da Ferroviária, sagrou-se artilheiro do Campeonato Paulista com 20 gols e vejam que naquele ano Pelé também disputou o campeonato, no entanto, mesmo jogando por um clube do interior, conseguiu tal façanha. Devido a este grande sucesso, o Tricolor Paulista logo correu atrás para trazê-lo ao Morumbi, onde também brilhou. Téia era um bom finalizador e não decepcionou com a camisa tricolor, pois com ela disputou 60 partidas, venceu 32, empatou 12 e perdeu 16. Nesse período marcou 19 gols e não conquistou nenhum título, pois foi uma época em que o São Paulo investia tudo na construção do seu estádio e com isto o time de futebol ficava em segundo plano.  Com a chegada de Toninho Guerreiro comprado junto ao Santos, Téia começou a perder espaço no time titular e com isto acabou deixando o Tricolor.

ÍNICIO DE CARREIRA

               Embora muitos pensem que Téia começou sua carreira na Ferroviária, na verdade o time que o revelou para o futebol foi a Associação Bancária de Esportes, carinhosamente chamada de A. B. E. e que hoje se chama Fernandópolis Futebol Clube ou FeFeCe, a Águia Fernandopolense da querida cidade de Fernandópolis e que está com um time tão em baixa nos últimos anos. Naquela época, o estádio de Fernandópolis chamava-se “Estádio Municipal John Fritzgerald Kennedy” hoje se chama “Claudio Rodante”. Pois bem, naquela época o Estádio tinha somente um lance de arquibancada do lado direito de quem entra no Estádio e que para aquela época era grande, muito grande.

               Do outro lado só tinha o alambrado. Nos dias de jogo quem tinha caminhão encostava de “marcha ré” no alambrado e todos traziam cadeiras de casa, as quais acomodavam em cima do caminhão e ali faziam aquela “pseudo” arquibancada e era dali que  viam os jogos da ABE onde Téia jogava e fazia gols fantásticos. O ataque da Águia era: na ponta direita Joãozinho o camisa 7, na meia direita Adãozinho ( não o do Corinthians) o número 8, o  centroavante com a 9 era o Teia, meia esquerda era Torres o 10, e na ponta esquerda Canhoto o 11.

               Com esse ataque a ABE subiu da terceira para a segunda divisão em 1967. O Téia era aquele tipo de centroavante como era o Careca, era habilidoso, bom cabeceador, batia forte tanto com a perna direita quanto com a perna esquerda, tinha uma presença de área impressionante. Quando a ABE estava ganhando por 1 X 0 e o gol não tinha sido do Teia, o torcedor dizia que estava 2 a 0 pois o Teia com certeza ainda iria guardar o dele.

               Havia na cidade duas emissoras de Rádio AM que transmitiam os jogos, a Radio Cultura e a Radio Educadora, pois bem, em uma delas tinha um comentarista que não gostava do Téia. Num belo domingo a ABE jogava com o Valparaiso lá em Fernandópolis. O jogo terminou 5 a 2 para a ABE e o Teia fez 4 gols e um deles ficou guardado na memória de todos que estavam presentes. Ele recebeu uma bola no alto de costas para o gol mais ou menos na meia lua da grande área, dominou no peito e sem deixar a bola cair de perna esquerda de virada meio assim de “volêio” fez o gol, um gol golaço.

               Durante os comentários do jogo, vieram as famosas atuações individuais e o tal comentarista deu uma nota baixa para o Teia e justificou da seguinte forma “O Teia hoje fez 4 gols e só. Não correu, não vibrou com o time não teve a mesma atitude dos demais companheiros de time. Meu Deus, quisera eu ter em meu time um jogador que não corresse, não vibrasse e fizesse 4 gols em uma partida. Como vemos, comentarista azedo existe desde aquela época.

FERROVIÁRIA

               Téia teve o seu primeiro contrato com o clube afeano lavrado em 1965, um ano triste que marcou sua queda à segunda divisão depois de dez anos de grande sucesso desportivo, ainda bem que sucedido de uma memorável campanha que trouxe o clube de volta à divisão principal em 1966, e melhor ainda seguido das memoráveis campanhas de 67, 68 e 69, que corresponderam ao tri campeonato do interior paulista.

               Em 1968, Téia conseguiu a façanha de tornar-se o primeiro jogador a ultrapassar Pelé como artilheiro de um campeonato, após dez anos de consecutiva liderança do extraordinário jogador santista. Téia fez vinte gols em vinte e seis partidas e levou a taça dos artilheiros. A maioria desses gols, claro, de cabeça, alguns obtidos de fora da área, posto que a potência de seu remate neste domínio era inacreditável.

               A Ferroviária logrou de obter o terceiro lugar nesta competição e, não fora alguns percalços no primeiro turno, como por exemplo a derrota de 4 a 1 para o Santos dentro de casa, as derrotas para São Bento e XV de Piracicaba por 2 a 1 também dentro de casa e alguns empates, certamente teria brigado pelo título paulista daquele ano. Mas no segundo turno fez uma campanha maravilhosa, onde obteve grandes resultados, como aquele 4 a 1 sobre o Corinthians no dia 1 de junho.

               Neste dia o técnico Diede Lameiro mandou a campo a seguinte formação; Machado, Baiano, Fernando, Rossi e Fogueira; Bebeto e Bazani; Valdir, Maritaca, Téia e Pio. A Ferroviária chegou a estar vencendo por 4 a 0, gols de Maritaca, Bebeto, Téia e Bazani, somente aos 30 minutos da etapa complementar que Paulo Borges fez o único tento corintiano.

               Este campeonato foi marcado por dois acontecimentos que entraram para a história do futebol paulista. Primeiro foi a quebra do Tabu entre Corinthians e Santos. O alvinegro de Parque São Jorge não vencia o Peixe há 11 anos em Campeonatos Paulista, mas no dia 6 de março derrotou a equipe praiana por 2 a 0, gols de Paulo Borges e Flávio. A torcida corintiana comemorou como se fosse a conquista de um título. O segundo acontecimento foi no dia 29 de junho, quando se enfrentaram Palmeiras e Guarani no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas.

              As equipe se enfrentaram pela penúltima rodada da competição. O suposto acordo era de que o Guarani escalaria um time reserva e com um jogador em situação irregular, de maneira tal que, se o time da casa vencesse, o Palmeiras poderia buscar na justiça esportiva os pontos perdidos. O jogo terminou empatado por 1 a 1, gols de Suingue para o Palmeiras e Wilson para o Bugre Campineiro, placar que eliminou a possibilidade de queda do Palmeiras à divisão inferior.

              Por conta de documentos que mostravam o acordo entre Palmeiras e Guarani, o Comercial conseguiu se livrar do rebaixamento, mesmo ficando na última posição da tabela. Com isto, o Guarani perdeu os pontos da partida por ter escalado jogadores irregulares e o Palmeiras ganhou os pontos, evitando que fosse rebaixado para a Segunda Divisão do futebol paulista.

               Vale lembrar que o campeão paulista de 68 foi o Santos com 45 pontos, em segundo ficou o Corinthians com 34 e em terceiro ficou a Ferroviária com 30 pontos. Em último ficou o Comercial com 20, mas com toda aquela confusão entre Palmeiras e Guarani, o Comercial conseguiu no tapetão evitar sua queda para a segunda divisão do futebol paulista.  O jogo que decidiu o título aconteceu no dia 19 de maio de 1968 (tres rodadas antes de acabar o campeonato), quando o Santos derrotou o Palmeiras por 3 a 1 em pleno Parque Antarctica. Os gols santista foram marcados por Edu, Pelé e Toninho Guerreiro, enquanto que China marcou para a equipe esmeraldina.

               Téia foi contratado pela AFE em 1965 para reforçar o ataque grená que não se acertava. Com 21 anos de idade, alto, magro, bom cabeceador, Téia que finalizava bem com o pé esquerdo, foi marcando gols, ora nos cruzamentos do ponta Pio, pela esquerda, ora do baixinho Valdir, pela direita. Os gols de Téia ajudaram a Ferroviária a voltar à Divisão Especial em 1966, a conquistar o bicampeonato do interior, 67 e 68, e mais ainda, inserir o nome da Ferroviária na galeria dos artilheiros do Campeonato Paulista da divisão principal. Téia atuou em 100 jogos pela Ferroviária, marcou 61 gols, obtendo 62 vitórias, 22 empates e 16 derrotas. É o sétimo artilheiro da história da Ferroviária.

SÃO PAULO

                Depois de um campeonato espetacular disputado pela Ferroviária, a qual ficou em terceiro lugar na competição e também por ter sido o artilheiro com 20 gols mesmo tendo Pelé na disputa, por tudo isso em agosto de 1968 Téia foi contratado pelo São Paulo. Na época o Tricolor tinha a seguinte equipe, Picasso, Celso, Eduardo, Roberto Dias e Edilson; Benê e Nenê; Minuca, Terto, Babá (Téia) e Paraná. Esta foi a equipe que perdeu para o Corinthians no dia 8 de setembro por 2 a 1 pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. O jogo foi no Morumbi e os gols corintianos foram anotados por Rivelino e Paulo Borges, enquanto que Roberto Dias marcou o gol sãopaulino.

               Téia foi campeão paulista em 1970 ao lado do canhoto Gerson, do lateral Pablo Forlan e do atacante Toninho Guerreiro. Téia perdeu espaço no time são-paulino com a chegada de Toninho Guerreiro, ex-camisa 9 do Santos, o único pentacampeão paulista (67, 68 e 69 pelo Santos e 70 e 71 pelo São Paulo). Téia foi embora do Morumbi e Toninho seguiu no clube, no qual foi bicampeão paulista em 1970 e 1971. Depois que deixou o Tricolor, Téia ainda jogou no São Cristóvão do Rio de Janeiro e por lá encerrou sua brilhante carreira. Hoje mora no bairro da Água Verde em Curitiba (PR). Lá, tem uma loja de automóveis usados.

Em pé: Belvoni, Brandão, Fogueira, Joãozinho, Rossi e Machado   –     Agachados: Valdir, Leocádio, Téia, Bazani e Pio
Em pé: Dias, Cláudio, Terto, Edson, Jurandir e Picasso   –     Agachados: Paraná, Zé Roberto, Teia, Nenê e Babá
Time da Bancária de Fernandópolis em 1964    –     Em pé: Botão, Euzébio, Chicão, Martins, Joe, Wilson e Zezinho   –     Agachados: Joãozinho, Téia, Torres, Jesus,  Canhoto e o massagista Ramon
Em Pé: Joãozinho, Fogueira, Rossi, Brandão, Adão e o goleiro Machado   –    Agachados: Passarinho, Leocádio, Teia, Bazani e Pio

Em pé: Cláudio Deodato, Terto, Roberto Dias, Eduardo, Édson  e Picasso    –     Agachados: Paraná, Zé Roberto, Téia, Nenê e Babá
Em pé: Edílson, Celso, Roberto Dias, Lourival, Jurandir e Picasso    –    Agachados: Miruca, Terto, Téia, Nenê e Paraná
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