GIVANILDO: um pernambucano que venceu em São Paulo

                   Givanildo José de Oliveira, nasceu no bairro de Vila Popular em Olinda (PE), no dia 9 de agosto de 1948. De origem humilde, sua infância foi marcada por sacrifícios para ajudar sua família. Carregou sacolas na feira em troca de alguns trocados e mais tarde conseguiu um emprego de Office Boy. Emprego este que, curiosamente, lhe abriu as portas para o mundo do futebol. Em pouco tempo, o dono da empresa notou a quantidade de visitantes que sempre compareciam às sextas feiras procurando o garoto para jogar pelos mais badalados times de várzea da cidade. Não demorou muito para que ele conseguisse que o jovem talento fizesse um teste nas categorias de base do Santa Cruz no ano de 1966. Aprovado, Givanildo foi desenvolvendo suas habilidades com a camisa coral.

SANTA CRUZ

                  Baixinho, magro e sem chute, com o passar dos anos seu futebol de fôlego “incansável” foi aproveitado pelo técnico Gradim, inicialmente atuando em algumas partidas como ponta esquerda. E foi nessa posição que Giva liderou praticamente quase todas as votações da “bola de prata da revista Placar” em 1971, perdendo para o ponteiro Edu do Santos F.C, justamente nas últimas apurações. Com seu futebol em alta, o “Topo Gigio” (um de seus apelidos) começou a ser cobiçado por grandes clubes do futebol brasileiro, mas acabou permanecendo no Arruda Com o passar do tempo, Givanildo passou a ocupar uma merecida posição no meio campo da equipe que levantou o inesquecível penta-campeonato pernambucano (1969 – 1973). Entretanto, em 1973 aconteceu o susto.

                Em uma partida contra o Náutico válida pelo Campeonato Brasileiro, Givanildo levou um empurrão do jogador Chico do Náutico e caiu na lateral do campo. O lance, aparentemente casual e sem maldade, ocasionou a fratura de sua clavícula direita com encavalamento do osso, exigindo uma pronta intervenção cirúrgica e o afastamento de três meses dos gramados. E foi no Brasileirão de 1975, que o excelente time do Santa Cruz surpreendeu o Brasil quando chegou em quarto lugar naquela competição, sendo eliminado apenas pelo forte time do Cruzeiro em um confronto direto. Aquela memorável equipe do Santa Cruz ainda contava com grandes valores como Levir Culpi (atualmente treinador), Pedrinho (ex Corinthians), Ramon (artilheiro do Brasileirão de 1973) e o centroavante Nunes, que posteriormente fez sucesso no Flamengo.

SELEÇÃO BRASILEIRA

              Em 1976, Givanildo foi convocado para a Seleção Brasileira que disputou e venceu o Torneio bi-centenário dos Estados Unidos, além da conquista da Taça do Atlântico do mesmo ano. Giva rodava todo o perímetro defensivo com grande disposição, como um autêntico limpador de para brisas. Com a chegada do técnico Cláudio Coutinho, Givanildo foi praticamente “esquecido” nas convocações seguintes. Esse “esquecimento” de Cláudio Coutinho pode ter influenciado bastante na sua adaptação e no seu rendimento quando jogou pelo Corinthians.

CORINTHIANS

             O Timão tinha investido alto em três grandes contratações que poderiam realmente dar certo. R$ 2,5 milhões de cruzeiros investidos no volante Givanildo, que chegava do Santa Cruz, mais os R$ 1,2 milhões de cruzeiros ao meia Neca, que chegava do Grêmio. Sem contar ainda com os 500.000 cruzeiros ao atacante João Paulo do XV de Piracicaba.

            Givanildo chegou ao Corinthians em setembro de 1976 para a disputa do Campeonato Brasileiro do mesmo ano, onde participou da épica campanha que levou o time ao vice campeonato. Em 1977, com a contratação do técnico Oswaldo Brandão, Givanildo não quis entrar em uma nova disputa pela posição. Era sacado constantemente da equipe, além dos boatos sobre o interesse do alvinegro por Caçapava e Falcão. Magoado, Givanildo pedia para ir embora! Mesmo com uma permanência relativamente curta no Parque São Jorge, o volante é lembrado até hoje pelo ótimo futebol que apresentou, sempre dedicado e incansável dentro de campo. Na bagagem que levou de volta para Recife, estava o importante título paulista de 1977. Mesmo que boa parte da torcida alvinegra não se lembre, ele também participou naquela campanha atuando em algumas partidas. Pelo Corinthians disputou 52 jogos. Venceu 28, empatou  9 e perdeu 15. Marcou 2 gols.

DE VOLTA AO NORDESTE

             Voltou ao seu querido Santa Cruz, onde conquistou o bi-campeonato pernambucano 1978/1979. Logo em seguida foi negociado com o Fluminense. Não permaneceu muito tempo no tricolor carioca e mesmo com o título carioca de 1980, Givanildo pediu para sair do clube e novamente voltou para sua querida Recife, para desta feita defender o Sport Club do Recife. Apesar da polêmica envolvendo sua transferência justamente para o “Rival da Ilha”, Givanildo sagrou-se tri-campeão pernambucano em 1982. A partir de 1983, o velho “Giva” decidiu deixar os gramados. Assim, começou sua destacada carreira ocupando o cargo de treinador. Sério e competente, ficou conhecido como o “Rei dos Acessos”. São quase trinta anos de bons serviços como técnico atuando em várias equipes pelo Brasil. Um dos maiores vencedores do futebol nordestino.

Em pé: Joel Mendes, Carlos Alberto, Paranhos, Pedrinho, Alfredo e Givanildo     –    Agachados: Jadir, Betinho, Neinha, Carlos Roberto e Joãozinho
Em pé: Zé Maria, Tobias, Moisés, Zé Eduardo, Givanildo e Wladimir     –    Agachados: Vaguinho, Neca, Geraldão, Ruço e Romeu

Em pé: Gilberto, Carlos Alberto, Pedrinho, Levir Culpi, Rubens e Givanildo     –    Agachados: Jairzinho, Lucas, Nunes, Jadir e Pio
Em pé: Carlão, Dentinho, Levir Culpi, Carlão, Antonino e Juarez    –   Agachados: Paquito, Givanildo, Ramon, Luciano e Fernando Santana
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