TONINHO GUERREIRO: brilhou no Santos e no São Paulo

                   Antonio Ferreira nasceu dia 10 de agosto de 1942 na cidade de Bauru (SP) e faleceu dia 26 de janeiro de 1990.  Portanto, se estivesse vivo, hoje ele estaria completando 66 anos de vida. Pouquíssimos jogadores conseguiram superar as marcas de Pelé enquanto ele reinou absoluto dentro das quatro linhas do campo de futebol.  Nem mesmo Pelé conseguiu ser cinco vezes consecutivas campeão paulista. Toninho foi e ainda é, o único penta campeão paulista, tendo conquistado o título nos anos de 1967, 1968 e 1969 jogando pelo Santos F.C. e 1970 e 1971, jogando pelo São Paulo F.C.

                  Além disso, o Guerreiro deixou o Rei para trás também na temporada de 1968, quando fez nada menos que 76 gols (média de 1,055 gol por jogo), constituindo-se no principal artilheiro do time santista no ano. Dois anos antes, também fizera mais que Pelé, quando marcou 60 vezes. Foi realmente um centroavante que dentro da pequena área sabia o que fazia. Tinha calma, não dava chutão e raramente perdia um gol quando saía na frente do goleiro. Até hoje os torcedores santistas e são paulinos, lembram dele com saudade.  

                  Seguindo o que seu pai aconselhava e o que os seus instintos diziam, Toninho não teve outra opção a não ser partir para a carreira de jogador, contrariando sua mãe, que sonhava em vê-lo trabalhando na Companhia Paulista Ferroviária de Bauru. E ele fez bem. Com uma técnica refinada, um raro talento de goleador, um físico avantajado e muita sorte, Toninho foi, rapidamente, vendo que sua escolha não poderia ter sido outra. Garimpado por um caçador de craques de Bauru, Toninho foi encaminhado para atuar pelo profissional do Noroeste com apenas 17 anos. Na estreia, entrou no lugar do centro avante contundido e fez o único gol na derrota de 4×1 diante do Comercial de Ribeirão Preto. Aprovado, foi pressionado pelos dirigentes a assinar um contrato de profissional. Artur, seu pai e grande conselheiro não quis. Acreditando no talento do filho, tentou levá-lo para o Santos. Chegando lá encontrou Pelé, Coutinho e Zito pela frente e se assustou. Em três meses estava de volta ao Noroeste.

SANTOS F.C.

                   Mas o predestinado Toninho parecia ter seu caminho traçado. No primeiro campeonato paulista que disputou pelo Noroeste, foi um dos principais artilheiros com 17 gols. Desta forma, já mais acreditado, voltou a Vila Belmiro para ficar. Ao chegar, Toninho precisou apenas de um ano para se firmar no elenco titular de estrelas do Peixe. Formava uma dupla genial com Pelé e não deixou que o brilho de seu futebol fosse ofuscado pelo Rei. E ganhou sua primeira oportunidade no time dos sonhos de seu pai. Jogando ao lado de Pelé foi campeão paulista de 1964 e 1965. No ano seguinte, quebrou a hegemonia de Pelé e se tornou o artilheiro do paulistão com 24 gols.

                   No período de sete anos em que esteve na Vila Belmiro, ganhou 21 títulos entre grandes competições e pequenos torneios de menor importância. Na verdade, Toninho fazia parte do seleto esquadrão do Santos que ganhava quase tudo que disputava. A especialidade de Toninho Guerreiro não podia ser outra, senão fazer gols. Mesmo passando longe da fama de fominha, ele foi o artilheiro de inúmeras competições. Só em campeonatos paulistas foram cinco edições como o maior goleador do torneio. Foi campeão ainda pelo Santos em 1968 e 1969, quando o peixe tinha um grande time, que era formado assim; Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Lima; Edu, Toninho Guerreiro, Pelé e Abel.  Com a camisa do Santos, Toninho realizou 373 partidas, marcando 283 gols, marca que o coloca em quarto lugar entre os artilheiros do Santos.  Durante os sete anos que defendeu as cores do peixe, Toninho conquistou 31 títulos.

SÃO PAULO F.C.

                    Em 1970 foi jogar no São Paulo F.C., que estava desde 1957 sem ganhar um título. Junto com Toninho, também chegava Gerson e com isto o tricolor formou um grande time para quebrar um jejum de 13 anos. A equipe do São Paulo de 70 era a seguinte: Sérgio, Forlan, Jurandir, Dias e Gilberto; Edson, Nenê e Gerson; Terto, Toninho e Paraná.  No ano seguinte, chegava Pedro Rocha e mais uma vez o tricolor sagrava-se campeão paulista.  Com 31 anos de idade, deixou o São Paulo, onde realizou 171 jogos. Ganhou 90, empatou 51 e perdeu 30. Marcou 85 gols com a camisa do tricolor do Morumbi. 

                   Depois teve passagens pelo Flamengo do Rio de Janeiro e Operário de Mato Grosso do Sul.  No clube carioca fez apenas quatro jogos. Já estava no fim de carreira, inclusive já havia começado a beber e a fumar. Depois vieram os problemas familiares e ele começou a perder a motivação pela bola e encerrou sua carreira em 1974 aos 32 anos de idade, jogando pelo Noroeste, o mesmo clube que iniciou a carreira em 1957.  Ele ainda fez jogos de exibição por mais três anos na seleção brasileira de showbol e na equipe do Milionários, junto com Garrincha, Carlos Alberto Torres e outros grandes nomes do futebol. Depois que parou com o futebol, Toninho passou a trabalhar com sucata. Mesmo aposentado, jamais dispensou a sua habitual partida de futebol society as segundas com os amigos.

                 Toninho só não deu certo na seleção brasileira. Mesmo sendo reconhecidamente um gênio, Toninho foi grotescamente injustiçado na seleção brasileira. O Brasil passava por um período muito feliz no futebol, com uma grande safra de grandes jogadores, e muito infeliz na política, com o auge do regime militar que matou centenas de pessoas. A Copa do México se aproximava e Toninho estava no apogeu de sua carreira. Algo poderia explicar uma não convocação? Pois Toninho Guerreiro não foi ao México. Aliás, embora tenha correspondido toda vez que foi convocado e estado na lista do técnico João Saldanha para a Copa de 70, ele acabou sendo cortado por recomendação do médico Lídio Toledo, sob a alegação de que tinha sinusite.

                 Depois Toninho ficou sabendo que o verdadeiro motivo do seu corte teria sido a pressão do então presidente da República, general Médici, que queria o Dada Maravilha, entre os convocados.  Foi um absurdo. O Saldanha caiu porque disse que o presidente mandava no ministério e ele mandava na seleção.  Toninho nunca perdoou o médico, disse a jornalista Agnes Roberta, que casou com Toninho em 1976 e viveu com ele até sua morte.

                 Toninho não quis seguir a carreira de técnico por questões particulares, pois apesar de “matador” dentro da área, ele não suportava magoar as pessoas. “Penso sempre naquele que não escalei, pois ele também é um pai de família e precisa ganhar seu dinheiro” dizia Toninho, que sempre foi um atacante de luta, que tinha na área adversária seu campo de batalha. Não chutava forte, por isso preferia fazer gols de dentro da área. Fora dela, gostava de dar bons passes para os companheiros, como fez com Pelé durante vários anos.  Toninho tinha uma invejável frieza para enfrentar goleiros, a danada da bola sempre o procurava no interior da área adversária, e ele ficava feliz quando surgia a oportunidade de completar a jogada.  Nunca foi de fazer comemorações exageradas. Sarcástico, Toninho preferia debochar da desolação dos zagueiros e goleiros adversários. 

                    Era uma simpatia e gostava de levar a vida de acordo com sua filosofia. Dizia que nunca teve inimigos. Quando o criticavam por ter-se envolvido com álcool e fumo no final de carreira, ele argumentava; “Comecei a jogar com 15 anos e sempre fui um ótimo profissional. Um dia resolvi curtir um pouco, mas sem exagero. Ganhei muito dinheiro e não o joguei pela janela. Minha mulher e minhas filhas moram em Santos, minha mãe e meus irmãos ganharam casas de mim. Não seria justo eu morar no Morumbi e a família numa favela”

                   O apelido de “guerreiro” se justificava porque brigava pela posse da bola como um faminto por um prato de comida. Aliava-se a isso a boa condição técnica, facilidade para proteger a bola, e incrível visão de gol. No entanto, toda essa garra que possuía, não foi o suficiente para vencer a morte, que chegou para ele no dia 26 de janeiro de 1990.  O peso, a boemia e o cigarro foram minando o corpo de um dos mais competentes centroavantes que o Brasil teve em todos os tempos.

Em pé: Lima, Zito, Geraldino, Joel, Mauro e Laércio      –     Agachados: Peixinho, Mengalvio, Toninho Guerreiro, Pelé e Pepe
Em pé: Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal, Clodoaldo, Cláudio e Rildo     –    Agachados: Edu, Lima, Toninho Guerreiro, Pelé e Abel
Em pé: Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel, Clodoaldo, Cláudio e Rildo     –     Agachados: Wilson, Buglê, Toninho Guerreiro, Pelé e Edu
Em pé: Lima (camisa do Campo Grande), Ismael (camisa do Madureira), Joel Camargo (Flamengo), Olavo (Vasco da Gama), Mengálvio (América), e Gylmar (o único com a camisa do Santos). Agachados: Peixinho (Bangu), Rossi (São Cristóvão), Toninho Guerreiro (Portuguesa), Pelé (Olaria) e Pepe (Fluminense)
Em pé: Gilberto, Sérgio, Samuel, Edson, Arlindo e Forlan      –     Agachados: Paulo, Terto, Toninho Guerreiro, Pedro Rocha e Paraná
Em pé: Jurandir, Sérgio, Gilberto, Arlindo, Edson e Forlan      –     Agachados: Terto, Pedro Rocha, Toninho Guerreiro, Gerson e Paraná

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