ZEZÉ PROCÓPIO: brilhou no São Paulo e no Palmeiras

                 José Procópio Mendes nasceu dia 12 de agosto de 1913, na cidade de São Lourenço – MG. Durante os 16 anos em que jogou futebol, defendeu o Villa Nova de Minas Gerais, Atlético Mineiro, Palestra Itália, Botafogo do Rio de Janeiro, São Paulo e também nossa Seleção Brasileira, tendo disputado a Copa do Mundo de 1938, a qual ficamos em terceiro lugar. Disputamos cinco partidas, vencemos três, empatamos uma e perdemos uma, que foi para a Itália. Jogou no Palestra Itália, atual Palmeiras em 1942 e 1943, depois de 1945 até 1948, sagrando-se campeão pelo alviverde em 1942 e 1947. Participou da transição do nome de Palestra Itália para Sociedade Esportiva Palmeiras, devido a Segunda Guerra Mundial. Pelo Tricolor Paulista conquistou o titulo de 1943 e 1945, quando o São Paulo formou um grande esquadrão e que ficou marcado na história do clube paulista. Zezé Procópio fez história também no Atlético Mineiro, onde conquistou o título de Campeão dos Campeões em 1937 ao vencer o Fluminense carioca por 6 a 0. Enfim, foi um jogador que o torcedor brasileiro deve e muito respeita-lo 

ATLÉTICO MINEIRO

               Zezé Procópio começou sua carreira no Vila Nova de Minas Gerais em 1932, onde jogou até 1936. Depois foi jogar no Atlético Mineiro. Sua estreia com a camisa do Galo aconteceu dia 13 de janeiro de 1937, quando empatou com o Fluminense carioca em zero a zero pelo Torneio dos Campeões, o qual o Atlético sagrou-se campeão. Este Torneio teve a participação dos campeões do Rio de Janeiro (Fluminense), São Paulo (Portuguesa) e Espírito Santo (Rio Branco). A final foi contra o Tricolor Carioca e o Atlético simplesmente atropelou seu adversário, 6 a 0. A equipe era assim formada; Kafunga, Florindo e Quim; Zezé Procópio, Lola e João Bala; Paulista, Alfredo Bernardino, Guará, Nicola e Resende – Técnico: Floriano. Depois deste título o Atlético passou a ser conhecido e respeitado em todo o Brasil. A última partida de Zezé Procópio com a camisa atleticana foi no dia 26 de dezembro de 1937, quando o Atlético goleou o América Mineiro por 4 a 0 pelo Campeonato Mineiro. Com a camisa do Galo, Zezé disputou 30 jogos e marcou 2 gols.

PALESTRA / PALMEIRAS

               Zezé Procópio é um homem que ficará eternamente na história do Palmeiras, pois ele viveu aquela mudança do nome do clube que ocorreu em 1942 devido a Segunda Guerra Mundial. Dia 22 de agosto de 1942, o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália, entrando no conflito. A partir daí, tudo tinha qualquer ligação com esses dois países, inclusive o Palestra Itália. Sendo assim, foi marcada para o dia 13 de setembro de 1942, uma reunião no clube para a escolha do novo nome. E foi do sócio Mário Minervino, a sugestão de “Sociedade Esportiva Palmeiras”, que foi aprovada por todos os demais.

              Esta difícil decisão foi tomada dias antes do jogo mais importante do clube naquele ano, ou seja, da decisão do campeonato paulista de 42.  O jogo seria contra o São Paulo F.C. no dia 20 de setembro.  O time do Palmeiras entrou no gramado do Pacaembu, carregando uma bandeira brasileira e, um dos jogadores que carregava esta bandeira era Zezé Procópio.  Houve um silêncio no estádio por alguns momentos, e em seguida começaram as palmas.  Era a Paz.

               Foi um jogo difícil e pesado, entradas violentas e muitas provocações.  Mas o verdão naquele dia estava impossível. Quando o árbitro Jaime Janeiro expulsou o zagueiro são-paulino Virgílio e os tricolores abandonaram o campo em protesto, o marcador mostrava 3×1 para o Palmeiras, gols de Cláudio (que depois seria ídolo e o maior artilheiro da história do S. C. Corinthians Paulista), Del Nero e Echevarrieta. Para o tricolor marcou Waldemar de Brito, aquele que anos mais tarde iria descobrir o maior jogador de futebol de todos os tempos, Pelé.  E já no seu primeiro ano com o nome de Palmeiras, o alviverde conquistou seu primeiro título.

               A equipe que entrou para a história do clube foi a seguinte; Oberdan, Junqueira e Begliomini; Zezé Procópio, Og Moreira e Del Nero; Cláudio, Waldemar Fiume, Villadoniga, Lima e Echevarrieta. O técnico foi Del Débbio. Foi o primeiro título com o novo nome e uma faixa foi estendida pela torcida nas arquibancadas do Pacaembu que dizia: “Morreu o líder e nasceu o campeão” Este jogo contou com um público de 45.913 pessoas.  Na rodada final, o time alviverde perdeu para o Corinthians por 3 a 1 e, junto, a chance de terminar o campeonato invicto. Em 1947 Zezé Procópio conquistou outro título paulista pelo Palmeiras. Com a camisa do alviverde, Zezé Procópio disputou 107 jogos. Venceu 74, empatou 18 e perdeu 15. Marcou um gol.

SÃO PAULO F.C.

              Desde 1937 o Paulistão sempre ficava entre Corinthians ou Palmeiras, o que gerou a piada de que, para decidir quem seria o campeão, bastava jogar cara ou coroa, já que só havia duas possibilidades. Um dirigente são paulino questionou a piada, perguntando quando, nesse caso, o São Paulo seria o campeão. Lhe responderam que o São Paulo só seria campeão Paulista, quebrando a hegemonia quando a moedinha caísse de pé. Em 1943 o Tricolor montou um grande time e com isto fez um grande Campeonato Paulista. Na última rodada jogaram São Paulo e Palmeiras, se o Verdão vencesse, São Paulo, Palmeiras e Corinthians empatariam em 32 pontos e haveria um supercampeonato desempate. Começa a finalíssima no Pacaembu e aos 6 minutos de jogo, Sastre do São Paulo se contundiu e passou o resto do jogo fazendo número, pois naquela época não havia substituição. O São Paulo passou então o jogo segurando o 0 a 0, que lhe valeu o título. Neste dia o técnico Joréca do São Paulo mandou a campo os seguintes jogadores; King; Piolim e Virgílio; Zezé Procópio, Zarzur e Noronha; Luizinho, Sastre, Leônidas da Silva, Remo e Pardal.

               Dois anos depois o Tricolor conquistou novamente o título paulista. O título Paulista de 1945 foi calmo e tranqüilo. De ponta a ponta, como um verdadeiro time grande, enterrando definitivamente as “esperanças” Palmeirenses e Corintianas, de que era mais fácil uma moeda cair em pé, do que o São Paulo ser campeão. O São Paulo só foi perder o primeiro ponto na sexta rodada do primeiro turno (um empate com o Santos), enquanto seus concorrentes mais diretos o fizeram já na segunda rodada (o Corinthians perdeu para o Juventus por 1×0 e o Palmeiras empatou com a Portuguesa em 0x0). Depois, até ser campeão, o Tricolor perdeu apenas mais dois pontos (derrota para o Corinthians na quarta rodada do segundo turno, quando os Corintianos já estavam com seis pontos perdidos). O Tricolor garantiu o título na antepenúltima rodada, com uma suada vitória sobre o Ipiranga por 3×2, já que o adversário ficou na frente do placar por duas vezes, 1×0 e 2×1.

               Título ganho, já despreocupado, empatou com o Palmeiras na penúltima rodada para terminar o campeonato com 4 pontos perdidos, cinco a menos que o Corinthians, o segundo colocado. O campeonato de 1945 foi a consagração de alguns craques do São Paulo, como Virgílio e Zezé Procópio, este um dos “monstros sagrados” daquela época. No campeonato de 1945, o São Paulo aplicou uma goleada histórica no Clube Atlético Jabaquara por 12×1, com quatro gols de Leônidas da Silva, quatro de Remo, três de Teixeirinha e um de Bárrios. Com a camisa do Tricolor, Zezé Procópio disputou 49 jogos. Foram 36 vitórias, 7 empates e 6 derrotas.

SELEÇÃO BRASILEIRA 

               Zezé Procópio foi convocado para disputar a Copa de 1938, na França. A primeira partida foi contra a Polônia no dia 5 de junho, onde tivemos um jogo simplesmente espetacular, onde o Brasil venceu por 6 a 5. Ao final dos 90 minutos, em campo inundado por fortes chuvas e sob violento temporal, as duas equipes chegaram ao surpreendente 4 a 4. Veio então a prorrogação de 30 minutos, com o campo impraticável, um lamaçal sem grama. Os poloneses marcaram seu quinto gol e os brasileiros fizeram mais dois, fechando assim o placar de 6 a 5 para o Brasil. Os gols brasileiros foram marcados por Leônidas da Silva (4), Romeu e Perácio. Veio a segunda partida, desta vez o adversário era a Checoslováquia, dia 12 de junho. Foi um jogo dramático e tumultuado, que terminou empatado em 1 a 1, mesmo depois da prorrogação. O árbitro teve muito trabalho e expulsou os brasileiros Zezé Procópio e Machado e o checo Riha.

               Dois jogadores checos sofreram fraturas em lances violentos. Como tinha que haver um vencedor, foi marcado um novo jogo para o dia 14 de junho no mesmo local e o Brasil venceu por 2 a 1. Depois enfrentamos a Itália e perdemos por 2 a 1. Com esta derrota fomos decidir o terceiro lugar contra a Suécia e vencemos por 4 a 2, gols de Leônidas da Silva (2), Romeu e Perácio. O time brasileiro era assim formado; Batatais, Domingos da Guia e Machado; Zezé Procópio, Brandão e Afonsinho; Roberto, Romeu Pellicciari, Leônidas da Silva, Perácio e Patesko. Vale lembrar que o campeão do mundial de 1938 foi a Itália que na final derrotou a Hungria por 4 a 2. Com a camisa canarinho. Zezé Procópio disputou 20 jogos. Venceu 10, empatou 4 e perdeu 6.

               Depois que encerrou a carreira passou a trabalhar como treinador e dirigiu a Esportiva de Guaratinguetá, o Botafogo de Ribeirão Preto e o São Carlos. Zezé Procópio faleceu dia 8 de fevereiro de 1980, em Valênça – RJ. 

SELEÇÃO BRASILEIRA DE 1944 COM A CAMISA DA SELEÇÃO PAULISTA E COM DISTINTIVO DA BANDEIRA BRASILEIRA – Zezé Procópio está ao lado esquerdo do goleiro, e do lado direito está Domingo da Guia

Em pé: Zarzur, Piolim, Virgílio, King, Zezé Procópio e Noronha    –    Agachados: Luizinho, Sastre, Leônidas da Silva, Remo e Pardal
SELEÇÃO PAULISTA DE 1943  –  Em pé: Téc. Del Débbio, Junqueira, Brandão, Zezé Procópio, Oberdan, Osvaldo e Dino     –    Agachados: Luizinho, Lima, Leônidas da Silva, Remo e Hércules

Em pé: Piolim, Zarzur, King, Zezé Procópio, Noronha e Florindo     –    Agachados: Luizinho, Sastre, Anito, Remo e Pardal
Em pé: Piolim, Rui, Zezé Procópio, King, Florindo e Noronha     –   Agachados: Bárrios, Sastre, Leônidas da Silva, Remo e Pardal
Em pé: Caieiras, Zezé Procópio, Túlio, Oberdan, Waldemar Fiume e Turcão    –    Agachados: Lula, Arturzinho, Osvaldinho, Lima e Canhotinho
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