RINCON: campeão mundial pelo Corinthians em 2000

                  Freddy Eusébio Gustavo Rincon Valencia nasceu dia 14 de agosto de 1966, na cidade de Buenaventura – Colômbia.  Se existem jogadores capazes de despertar amor e ódio, um deles certamente é Freddy Rincon. Dono de uma técnica exuberante, que alia vigor físico a desarmes e passes precisos, o colombiano foi assunto de muita discussão entre torcedores e dirigentes pelo seu futebol. Discussão também nunca faltou em sua carreira. De temperamento forte, Rincon teve passagens polêmicas pela maioria dos clubes em que atuou: brigou com companheiros de time e dirigentes. Suas transferências foram marcadas por sigilos e valores volumosos e, em alguns casos, até decididas na Justiça. Na seleção da Colômbia, onde ganhou o apelido de Pérola Negra, também arrumou inimizades.

INÍCIO DE CARREIRA  

           Rincon começou a carreira como meia, no Independiente, de Santa Fé, na Colômbia. No clube, suas atuações renderam a primeira convocação para a seleção colombiana aos 21 anos. De Santa Fé foi comprado pelo América, de Cali, uma das principais equipes do país. O toque refinado na bola e a força para superar a marcação do adversário ajudaram o time a conquistar o título nacional por três anos consecutivos (1990, 91 e 92). Virou ídolo e atraiu a atenção internacional.

PALMEIRAS

              Em 1994 Rincon chegou ao Palmeiras pelas mãos da Parmalat, empresa que gerenciava o departamento de futebol do clube, que pagou US$ 3 milhões por seu passe. “Nunca pensei que fosse jogar numa outra equipe sul-americana. Mas veio a Parmalat e estou feliz”, disse o colombiano ao vestir a camisa do Verdão pela primeira vez. Mas a felicidade deu lugar à apreensão em pouco tempo. Com atuações medianas, acabou perdendo o lugar na equipe. Amargou um período na reserva até convencer o técnico Wanderley Luxemburgo a escalá-lo novamente. Se acertou na metade da temporada e ajudou a comandar a equipe na conquista dos títulos do Campeonato Paulista e Brasileiro de 94.

             A boa atuação no Palmeiras era reflexo do momento que Rincon atravessava a seleção da Colômbia. Ao lado de Asprilla, Valencia, Valenciano, Valderrama e Higuita formou a melhor seleção que os colombianos já viram. O time entrou para a história graças a um resultado: a goleada por 5 a 0 sobre a Argentina, em Buenos Aires, nas eliminatórias da Copa de 1994. No Mundial, porém, a Colômbia não passou da primeira fase. “O favoritismo atrapalhou e achamos que poderíamos ser campeões sem dificuldades”, contou Rincon ao retornar ao seu país, depois de a seleção perder a vaga nas oitavas-de-final para os Estados Unidos.

EUROPA

              O fracasso na Copa não impediu uma transferência para o exterior. Do Palmeiras Rincon assinou contrato com o Nápoli. A equipe italiana, que quase havia comprado o jogador na época do América de Cali, fechou o negócio. Fechou, mas não pagou. Rincon ficou alguns meses na Itália, atuou em poucas partidas e foi repassado ao Real Madrid, que assumiu a dívida para ter um dos jogadores sul-americanos mais cobiçados naquele período. Numa das principais equipes do mundo Rincon não conseguiu mostrar seu futebol. Amargou a reserva e, em alguns jogos, nem sequer foi relacionado para as partidas.

DE VOLTA AO PALMEIRAS

              Insatisfeito e à disposição do mercado da bola, Rincon voltou para o futebol brasileiro. Um ano e meio depois estava pronto novamente para vestir a camisa do Palmeiras. “Foi uma ilusão jogar na Europa. Mas todo jogador tem esse sonho e tive que aproveitar a chance que apareceu”, comentou ao pisar novamente no Palestra Itália. Mas a má fase também o acompanhou em sua volta ao Verdão. Rincon jogou mal e teve problemas com seus companheiros de clube. “Havia muita briga entre os jogadores que pertenciam à Parmalat e os que eram do Palmeiras. Ali eu jogava só para cumprir meu contrato”. E no final do seu compromisso, Rincon foi negociado com o arqui-rival

CORINTHIANS

              O time do Parque São Jorge foi um divisor de águas em sua carreira. Rincon chegou ao clube em 97 e ganhou função nova. Passou a jogar como volante. Em pouco tempo se transformou no melhor jogador do País e, logo depois, ovacionado como um dos melhores jogadores dessa posição no mundo. Seus desarmes e marcação implacável atemorizaram adversários. Em campo se transformou num dos líderes da equipe. Novamente ao lado do técnico Wanderley Luxemburgo, Rincon fez história. Fez parte de um meio-campo dos sonhos para a torcida do Timão, ao lado de Vampeta, Marcelinho e Ricardinho. E ainda com Edílson no ataque. O bicampeonato paulista e brasileiro de 98 e 99 confirmaram o time como o melhor do País enquanto manteve esse elenco. Rincon reinava soberano na proteção à defesa.

             O fracasso por duas vezes na Libertadores da América – ambas diante do rival Palmeiras – foi um peso que os jogadores tiveram que carregar até janeiro de 2000. Em meio a muitas brigas internas, também abafadas pelo então técnico Oswaldo de Oliveira, Rincon chamou companheiros de “mau caráter” e pediu mais empenho dos atletas. Na disputa do Mundial de Clubes da Fifa, no Rio de Janeiro, Rincon ajudou o Corinthians a ganhar o mundo. A equipe venceu o Vasco, na decisão por pênaltis, em que o colombiano acertou sua cobrança. Depois de três anos de glórias, Rincon deixou o time sob muita polêmica e foi jogar no Santos. Pelo Corinthians, Rincon disputou 158 jogos. Venceu 69, empatou  37 e perdeu  52 vezes. Marcou 11 gols com a camisa do alvinegro de Parque São Jorge. 

SANTOS

              No Peixe alternou bons e péssimos momentos. O início foi difícil, com uma expulsão logo em sua estréia contra a Matonense, em Matão, pelo Campeonato Paulista. Os cartões vermelhos se sucederam. E quando isso acontecia Rincon aproveitava para pegar um avião para a Colômbia rever os familiares. Mesmo assim, o volante levou a equipe à final do Paulistão, perdida para o São Paulo. Rincon deixou o Santos em julho de 2001 sem conquistar nenhum título.

CRUZEIRO

              A próxima parada de Rincon foi o Cruzeiro. Com muita festa, o jogador foi contratado para formar o “super time” montado pela diretoria do clube. A equipe tinha ainda Sorín, Alex, e Edmundo. Mas dentro de campo, os resultados foram um fracasso. A equipe não se classificou para a fase decisiva do Campeonato Brasileiro e o elenco foi desmontado. Rincon, com um alto salário e um dos mais cobrados pela torcida, deixou o clube. Parado desde que deixou o Cruzeiro, o jogador foi convidado a voltar a jogar futebol pelo Corinthians no início de 2004, e chegou ao clube junto com um pacotão de reforços. Após uma série de maus resultados, foi dispensado sem maiores explicações. Irritado, Rincon moveu uma ação na Justiça para receber o que lhe era de direito, mas nunca mais conseguirá ter de volta a imagem que a Fiel guarda com tanto carinho: a imagem da conquista do Mundial da Fifa, em 2000. Rincon defendeu a Seleção da Colômbia inúmeras vezes, entre elas, a Copa de 1990 na Itália, a de 1994, nos Estados Unidos e a de 1998, na França.

Em pé: Marcos, Sandro, Rincon, Juninho, Cleber e Cafu     –    Agachados: Djalminha, Luizão, Galeano, Elivelton e Leandro
Em pé: Dida, Kleber, Fábio Luciano, Vampeta, Rincon e Adilson   –   Agachados: Luizão, Índio, Ricardinho, Marcelinho e Edílson
Em pé: Mazinho, Cláudio, Cleber, Fernandes, César Sampaio e Antônio Carlos    –   Agachados: Evair, Rincon, Edilson, Roberto Carlos e Zinho
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