TIÃO ABATIÁ: um dos maiores ídolos do Coritiba F.C.

               Sebastião José Ferri nasceu dia 20 de janeiro de 1945, na cidade de Abatiá – PR. Em 1971, um táxi aéreo pousou em Bandeirantes. Dele saiu Almir de Almeida, supervisor do Coritiba. Sua missão era trazer uma dupla que, há cinco anos, perturbava os adversários do União Bandeirante: Tião Abatiá e Paquito. “Foi a primeira vez que um avião desceu em Bandeirantes”, brinca Tião Abatiá da “dupla caipira”, apelido grudado nele e em seu parceiro de ataque, Paquito, hoje treinador do União. Eles deixaram Bandeirantes por obra de Elba de Pádua Lima, o Tim, então técnico do Coxa.

             “Chegamos já badalados. Toda a imprensa de Curitiba estava no aeroporto do Bacacheri”, lembra o hoje dono de casa lotérica em Ribeirão do Pinhal (PR). No futebol, ele iniciou aos 20 anos, na extinta Cambaraense. Mal esquentou o lugar em Cambará e foi para a vizinha Bandeirantes. No União,  foi  vice-campeão paranaense  em 1966, 1969 e 1971.  No último  ano, foi o artilheiro do estadual, com 19 gols. Antes do Coxa, uma curta passagem pelo São Paulo de Gérson e Pedro Rocha. “O União pediu muito alto, senão teria ficado no Morumbi”, conta sem cair em lamentos.

CORITIBA F.C.

                Ele e Paquito chegaram ao Coritiba numa quarta-feira. No domingo seguinte, com um gol de cada, o alviverde venceu a Portuguesa por 2 a 1, no Couto Pereira. No Campeonato Brasileiro de 1971, Tião Abatiá ganhou a Bola de Prata da revista Placar, como melhor centroavante. Naqueles dias, foi até personagem do gibi do Zé Carioca. O papagaio de Walt Disney tinha um amigo chamado Tião Abaterá. “Talvez, por acharem que eu iria reclamar, mudaram o nome. Foi uma homenagem”, reconhece. No Coxa, foi quatro vezes campeão paranaense (1972/73/74/75). “No último ano não fiquei até o final. Fui pra Portuguesa, mas eles me mandaram a faixa”.

               Das histórias que conta, duas envolvem figuras habituais no folclore do futebol: o presidente do União, Serafim Meneghel, e o técnico Iustrich. Do cartola, lembra que num União x Seleção de Paranaguá, um pênalti foi marcado. Indignado, Meneghel, de revólver na cintura, entrou em campo para, digamos, estabelecer um diálogo com o árbitro Vander Moreira. O juiz apreciou a argumentação e desistiu da penalidade, que favoreceria o Selecionado, trocando-a por um tiro de meta para o Bandeirante.

               De Iustrich, ficou o treino das seis da manhã. Mas, não pelo treino. “Pra que tão cedo se o jogo era à tarde ou a noite? Mas, o café da manhã era cinco estrelas”. Abatiá conta que Iustrich, às vezes, interrompia o treino para oferecer melão e pêssego. “O Chinês (Evangelino da Costa Neves, ex-presidente do Coritiba) dizia que ele iria quebrar o clube”. Iustrich criou o treino “da madrugada” para tirar alguns jogadores da vida noturna. Por “alguns jogadores”, entenda-se Zé Roberto. “Nem me incomodava se o Zé treinava ou não. Domingo, ele decidia”, lembra. Ainda no folclore, Abatiá cita o autor de uma frase famosa no anedotário do futebol: “Estou feliz por estar em Belém do Pará, cidade onde nasceu Jesus”. Ele jura que ouviu ela sair da boca do zagueiro Pescuma. “Se outros falaram, não sei. Eu ouvi dele”, assegura, antes de dar vez a uma gargalhada.

               Dos títulos que conquistou, o que mais o emociona é o do Torneio do Povo de 1973. “Sabe quem ganhou o jogo pra nós? Um torcedor do Bahia”. O Coxa perdia em Salvador, quando da arquibancada alguém apitou. Achando que era do juiz, os zagueiros do Bahia pararam. “O Hélio Pires continuou e fez o gol”, recorda. Inesquecível também foram os dois gols sobre a seleção de Marrocos. O 2×0 foi parte de uma viagem que deu ao Coritiba a Fita Azul, prêmio do jornal “A Gazeta Esportiva” ao time brasileiro de melhor campanha em amistosos no exterior. Depois do Coritiba, Abatiá jogou na Portuguesa, no Colorado e no Pelotas (RS). No final da carreira, o que mais o marcou foi um Grêmio Maringá x Colorado. No Galo, o velho companheiro Paquito. Os dois com 24 gols cada no Paranaense. “Naquele dia, ele marcou, eu, não”, recorda. O gol fez de Paquito o artilheiro de 1976.

               Depois de aposentar as chuteiras, Tião Abatiá montou uma lotérica e passou a cuidar dos imóveis que comprou em Curitiba e no Norte Pioneiro. Não quis ser treinador e nem retomou a faculdade de Educação Física, que interrompeu nos anos 70, em Assis (SP). “O União só jogava o Paranaense. Dava pra estudar tranquilo”. recorda. Já distante da bola, encontrou o que considera sua única mágoa: a morte da filha Janaína, num acidente de automóvel, em 1998. Em Ribeirão do Pinhal, próximo a Bandeirantes, Abatiá mantém a amizade com Paquito (“falo com ele toda semana”). Quando está em Curitiba, para visitar os filhos, passa também na panificadora do ex-ponta Aladim e só lamenta não rever ex-companheiros, como Leocádio, Negreiros e Hermes.

               Sempre bem humorado, o atacante de um período dourado de União Bandeirante e Coritiba não alimenta o coro de que, na sua época, o salário era ruim: “Hoje, os salários são bons até para os pernas-de-pau. Mas não me queixo: ganhava bem”.

TIÃO ABATIÁ NÃO MORREU

               Sebastião Ferri, o Tião Abatiá, ex-centroavante do Coritiba na década de 70, não morreu, conforme indicavam informações desencontradas. Quem estava internado num hospital com várias complicações na saúde, e de fato perdeu a vida foi um bancário aposentado e também conhecido pelo apelido de Abatiá, daí originando-se a confusão. O diário pede desculpas para a família e aos milhares de leitores pelo equívoco. O próprio Tião Abatiá telefonou para o site para explicar a situação.”Recebi mais de 150 ligações, mas ainda estou vivo”, disse, rindo.

              Ele está radicado atualmente em Ribeirão do Pinhal, mas nasceu em Abatiá. Começou a carreira no Cambará. Depois, foi para o União Bandeirante, onde atuou ao lado de Paquito e despertou o interesse do São Paulo. Ficou pouco tempo no Morumbi (jogou apenas uma partida), sendo negociado logo com o Coritiba. Por sinal, em 1971, formou ao lado de Paquito a célebre “dupla caipira” do Coxa na brilhante campanha do Coritiba durante o Brasileiro, vencido pelo Atlético Mineiro de Telê Santana.

              Só que o Galo perdeu em Curitiba para a Coxa por 1 a 0, assim como o São Paulo (Coritiba 1 a 0, gol de Hermes) e o Santos, que igualmente foi derrotado no então Belfort Duarte por 1 a 0, gol de Tião Abatiá no goleiro Cejas. O Coritiba tinha uma das melhores equipes do Brasil na época, com Krüger, Gardel, Marçal, Dito Cola, Cláudio Marques, Aladim e Nilo, além de Hélio Pires e Dreyer.

              Depois de tanto brilhar no Coritiba, Tião Abatiá teve rápida passagem pela Portuguesa, em 1974. Mas, com problemas no joelho, voltou para o Paraná e encerrou a carreira em 1977 no Colorado (que se uniria depois ao Pinheiros para se transformar no atual Paraná Clube). A torcida do Coxa não esquece de Tião, campeão do Torneio do Povo em 1973, que reunia os melhores times do país. Ele chegou a ser cogitado para uma vaga na seleção brasileira. Tião Abatiá jogou de 1966 a 1971 no União de Bandeirante. Em 1971, foi artilheiro do Campeonato Paranaense. Em setembro daquele ano, ele e Paquito, a famosa “Dupla Caipira”, vêm para o Coritiba para disputar o Campeonato Brasileiro.

              Na estréia de ambos, Coritiba venceu a Portuguesa por 2×1, com gols da dupla. No final de 1971, Abatiá foi escolhido pela Revista Placar como melhor centroavante do Brasil, recebendo a Bola de Prata. Em 1972, o avante foi campeão Paranaense com o Coritiba. Também excursionou com o Clube para o exterior, que voltou invicto e, por isso, foi proclamado “Fita Azul”. No Brasileiro de 1972 novamente foi muito bem, e o Clube chegou em 5º lugar da competição. Em 1973, duas conquistas importantíssimas: o ambicionado Tricampeonato, e o Torneio do Povo. No Brasileiro, o Clube ficou em 8º lugar.

               No ano de 1974, Tião Abatiá foi campeão paranaense pela 3ª vez. Em 1975, foi campeão paranaense pela 4ª vez. Foi para a Portuguesa, em uma troca temporária por Luisinho e Maisena. No ano seguinte, voltou para o Coritiba na disputa do Brasileiro. O Clube ficou em 9º lugar no campeonato. O lance inesquecível na brilhante história de Abatiá. Dois de outubro de 1971. Coritiba e Atlético Mineiro se enfrentam e o Coxa vence por 1×0, gol de Paquito. Aos 45 minutos do segundo tempo, Paquito lança Abatiá na área. Ele domina a bola, na pequena área, finta Vantuir, Grapete e o goleiro Renato por duas vezes.

               Abatiá cruza para a área e Leocádio, outro super-craque da época, cabeceia sozinho, mas por cima do gol. Toda a torcida do Coritiba presente no Couto Pereira levanta e aplaude de pé a jogada do “Super Abatiá”, que inclusive foi usada por anos na abertura dos programas esportivos de todo o país. Sebastião José Ferri, o caipira Tião, que nasceu em Abatiá, um homem simples e humilde, mas que escreveu com letras douradas o seu nome no Coritiba F.C., onde até hoje é lembrado com muito carinho pela imensa torcida paranaense. Tião Abatia faleceu dia 16 de agosto de 2016 na cidade de Londrina-PR.

1970  – Em pé: Pescuma, Hermes, Hidalgo, Célio, Cláudio Marques e Nilo   –    Agachados: Leocádio, Humberto, Hélio Pires, Tião Abatiá e Rinaldo
1970   –   Em pé: Pescuma, Hermes, Carvalho, Hidalgo, Cláudio Marques e Nilo    –    Agachados: Leocádio, Negreiros, Paquito, Tião Abatiá e Rinaldo
Em pé: Jairo, Júlio César, Marçal, Hermes, Hidalgo e Nilo Neves     –    Agachados: Rubinho, Gerson, Tião Abatiá, Renê e Aladim
Tião Abatiá ao lado do Rei Pelé
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