MENGÁLVIO: fez parte de um quinteto inesquecível

                   Mengálvio Pedro Figueiró nasceu dia 17 de dezembro de 1939, na cidade de Laguna – SC. Formou uma das mais famosas linhas de ataque do futebol mundial: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Pelo Peixe, Mengálvio, que sabia atuar na meia e também como volante, conquistou vários títulos. Os principais foram: Libertadores de 1962 e 1963, Mundiais Interclubes 1962 e 1963, Paulistas de 1960, 1961, 1962, 1964, 1965 e 1967, Taça Brasil de 1961, 1962, 1963, 1964 e 1965, e Torneios Rio-São Paulo de 1963, 1964 e 1966. Pela Seleção Brasileira, Mengálvio fez 15 partidas, marcou um gol e foi reserva do excelente Didi na Copa do Mundo de 1962, vencida pelo Brasil, no Chile. Deixou o Santos em 1968 e chegou a trabalhar como supervisor de uma rede de cinema no litoral paulista. Estaria rico se jogasse atualmente, mas Mengálvio vive sem luxos no litoral paulista. Pai de três filhas e avô de dois netos.

INÍCIO DE CARREIRA

                   Mengálvio começou a carreira de jogador na equipe do Aimoré, da cidade de São Leopoldo (RS), no final dos anos 50. Jogando pela modesta equipe, o meio-campista foi vice-campeão estadual. Antes, aos 16 anos, ainda amador, atuou pelo Barriga Verde, de Laguna – SC.

SANTOS F.C.

                   Quando o cerebral meia Jair da Rosa Pinto deixou o esquadrão do Santos Futebol Clube abriu-se uma lacuna do meio-campo santista. Era difícil de imaginar, na época, que o Alvinegro Praiano encontraria um substituto a altura. Mas a responsabilidade de substituir um dos principais craques da história do futebol brasileiro não assustou o garoto Mengálvio Pedro Figueiró. Chegou na Vila Belmiro em 1960, com apenas 21 anos, e integrou o mais famoso ataque da história do futebol mundial (Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe). Sua contratação foi uma indicação do zagueiro Calvet, que conhecia muito bem o jovem magro e esguio que se destacava no Aymoré de Lages, do Rio Grande do Sul. Mengálvio chegava ao ataque com facilidade e era tão técnico quanto Jair da Rosa Pinto, mas com a vantagem de ser mais participativo na marcação. Essa sua característica foi fundamental para que os outros componentes do ataque mágico pudessem se preocupar apenas em atacar. Esteve presente nas maiores conquistas da história do Santos FC, além de ter sido campeão do mundo com a Seleção Brasileira na Copa de 1962.

                   Pelo Santos, disputou 371 jogos e marcou 28 gols. Conquistou diversos títulos no Peixe. Pela Seleção Brasileira, Mengálvio fez 15 partidas, sendo que venceu 7, empatou 1 e perdeu 7, marcou um gol e foi o reserva do excelente Didi na Copa do Mundo de 1962, vencida pelo Brasil, no Chile. O único gol marcado por Mengálvio pela seleção canarinho aconteceu no dia 15 de março de 1960, quando o Brasil derrotou o México por 2 a 0 pelo Torneio Pan-americano. Os gols foram marcados por Mengálvio e Alfeu. Pela nossa seleção, sagrou-se campeão no Campeonato Pan-Americano (1960); Copa do Mundo (1962); Taça Oswaldo Cruz (1962) e Copa Rocca (1963). Em 1968, Mengálvio deixou o Santos e chegou a trabalhar como supervisor de uma rede de cinema no litoral paulista. Depois teve uma curta passagem pelo Grêmio de Porto Alegre e no Millonários da Colômbia em 1969, onde sagrou-se campeão do Torneio Finalizacón. Durante toda sua careira  jogou nos seguintes clubes: Aimoré-RS (1957 a 1959); Santos (1960 a 1967 e 1969); Grêmio (1968); Millonarios-COL (1969).

FORA DAS QUATRO LINHAS

                    Mengálvio, o catarinense de Laguna, terra de Anita Garibaldi, marcou época ao lado de Pelé, vive quase anonimamente no litoral paulista e diz que ainda pode ser útil ao futebol As pernas longas que por tantos anos trabalharam, de forma incansável, para marcar adversários, desarmar jogadas e deixar atacantes na cara do gol revelam um certo cansaço. Elas pedem um merecido repouso após tanto sacrifício. Mas ele insiste em mantê-las em atividade. Detentor de três títulos mundiais, dos quais dois pelo Santos (1962-1963) e um pela Seleção Brasileira (1962), o catarinense Mengálvio Pedro Figueiró, um dos muitos artistas da bola nos anos 1960, não quer saber de trégua. Ele sente que ainda pode transferir seu conhecimento, seu talento e habilidades a atletas mais jovens, em início de carreira. Durante algum tempo trabalhou na cooperativa dos ex-atletas profissionais de São Paulo.

                   O último paradeiro do ex-meia é São Vicente, cidade vizinha a Santos, onde mora modestamente numa casa sem luxo nem ostentação. Aos 71 anos, o ex-meia mora em São Vicente, cidade vizinha a Santos, com sua mulher Claudina, as filhas Fabiana e Alessandra e o neto Nathan, de quatro anos, que ele considera ser o verdadeiro sucessor de Pelé. Quando sobra um tempo, Mengálvio retorna ao Estádio Urbano Caldeira, palco que consagrou o seu futebol, para rever amigos. E lá as portas se abrem quase que automaticamente. Os funcionários mais antigos até perguntam por que ele fica tanto tempo ausente. Uma pergunta que nem sempre tem resposta. Mas o reconhecimento popular, o carisma e a identidade com o público acompanham Mengálvio.

                   Turistas que visitam a Vila Belmiro ou torcedores que circulam pelas ruas próximas do estádio logo identificam o craque, mesmo que ele tente se esconder. Mengálvio é um pouco avesso à exposição. Contudo, para um jogador com a história dele, essa missão é quase impossível. Recentemente, um grupo de turistas norte-americanos de San Diego, na Califórnia, foi conhecer o estádio e a história do Santos. Encontraram Mengálvio e Pepe, dois integrantes do quinteto mágico formado com Dorval, Pelé e Coutinho, e cujas feições atuais desconheciam. Após uma breve conversa, tiraram fotos com os ídolos e saíram dali realizados. Porque o futebol é assim, e Mengálvio sabe disso.

                  A Câmara Municipal de Laguna, cidade em que Mengálvio nasceu, em 2008 prestou uma homenagem ao ilustre filho daquela terra. Dirigentes do Avaí, Figueirense e Criciúma, além de amigos e familiares do homenageado, prestigiaram a sessão solene, que concedeu honraria de mérito ao ex-jogador de futebol Mengálvio Figueiró. A iniciativa da solenidade partiu de alguns deputados, tendo à frente dos trabalhos o presidente em exercício da Casa, deputado Sandro Tarzan, que frisou que três irmãos de Mengálvio seguiram carreira no futebol, sendo que o lagunense formou o grande ataque do Santos com Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe. Em 15 anos de carreira, lembrou o parlamentar, conquistou 40 títulos nacionais e internacionais, como o bicampeonato mundial pelo Santos e pela seleção em 1962, oito campeonatos paulistas, cinco vezes foi campeão brasileiro e por quatro oportunidades levantou a taça do Torneio Rio-São Paulo.

                  Mengálvio agradeceu a homenagem e registrou a presença de ex-atletas do Santos. “Eu recebi, há 15 dias, homenagens do povo gaúcho, mas esta me emociona muito mais. Apesar do sucesso no futebol, eu não mudei, preservei a honestidade e a humildade. Parei de jogar futebol há 30 anos, mas ressaltou que o esporte continua lhe dando alegrias até hoje, como esta cerimônia protagonizada pelos parlamentares. Para Tarzan, a Assembleia se sentiu honrada em demonstrar a gratidão daquele ilustre catarinenses, pessoa de origem humilde que conquistou o respeito mundial, deu alegrias a duas gerações e servirá de exemplo no futuro.

                  Outra homenagem à Mengálvio, foi prestada pelo Santos. Na manhã de 30 de agosto de 2008, um sábado, no CT Meninos da Vila, foram inaugurados dois belíssimos vestiários (com nove chuveiros cada). Uma homenagem a dois bicampeões do mundo pelo Santos FC: Mengálvio Figueiró (foi craque com a 8 do clube) e Antonio Lima dos Santos, o Lima, (que em 2008 respondia pela equipe infantil do Santos). Foi um dia de encontro dos jogadores santistas que num passado não tão distante, tiveram a honra de vestir a gloriosa camisa santista.

                  E neste encontro festivo, muitos assuntos foram conversados e muitas coisas engraçadas foram relembradas, como esta que Lima contou; Numa das excursões que o Santos fez à Europa, Mengálvio enviou um telegrama para sua família, e o texto do telegrama era o seguinte: “Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da Varig”. É claro que não deixaram também de relembrarem os títulos conquistados naquela época de ouro do Peixe e um dos jogos que todos fizeram questão de lembrar, foi a conquista do primeiro título mundial em 1962, em cima do Benfica de Portugal. Naquela época era um jogo em cada país e o primeiro jogo foi no Brasil com vitória do Santos por 3 a 2, com dois gols de Pelé e um de Coutinho, sendo que para os portugueses Santana fez os dois gols. Com esta vitória o Santos foi à Lisboa com a vantagem do empate.

                  O segundo e decisivo jogo foi no dia 11 de outubro de 1962, dia em que o Santos Futebol Clube conquistou o título. A partida que rendeu o título ao Santos foi um verdadeiro show de bola. O placar final foi de 5 para o Peixe e 2 para o Benfica. Este jogo é tido por muitos dos jogadores daquela época como a melhor apresentação do Santos em toda a sua história e Mengálvio, o moço de Laguna-SC estava lá, formando o ataque mais poderoso de todos os tempos; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pépe, um ataque que dificilmente iremos ver nos próximos 100 anos.

Em pé: Lima, Zito, Modesto, Joel, Mauro e Laércio      –     Agachados: Peixinho, Mengálvio, Toninho Guerreiro, Pelé e Pepe
Em pé: Haroldo, Dalmo, Lima, Ismael, Gilmar e Mauro      –     Agachados: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Almir e Pepe
Em pé: Lima, Zito, Dalmo,Calvet, Gilmar e Mauro      –     Agachados: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe
Em pé: Getúlio, Dalmo, Jorge, Formiga, Mauro e Silas       –      Agachados: Tite, Mengálvio, Dorval, Pelé e Pepe
Em pé: Dalmo, Calvet, Zito, Fioti, Mauro e Lála      –     Agachados: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe
Em pé: Lima, Zito, Dias, Rildo, Eduardo e Gilmar      –     Agachados: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe
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