SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS – Fundado em 26 de Agosto de 1914

SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS                                       

               Santos, 17 de janeiro de 1882.  O navio Colombo acaba de chegar da Europa.  Entre os que desembarcaram está Caetano Tozzi, o primeiro italiano a se registrar nos serviços brasileiros de imigração. Como as centenas de milhares de seus patrícios que chegariam depois, Caetano trazia vontade de trabalhar e gosto pela música e pelas festas. Nos quase 50 anos que viveu no Brasil, Caetano pode mostrar que cultivou dois afetos somados ao espírito aberto para as coisas do Brasil e o amor pela velha Itália.  Ele morreu em 1929, deixando além de 76 netos, hábitos e costumes trazidos da península: macarrão, San Genaro, pizza, bolacha, e truco. Como empresário, ajudou a fazer nascer a industrialização no Brasil. Em troca, recebeu o orgulho de poder ser palestrino. Parecida com a história de Caetano é a dos italianos que se agrupavam, no começo do século, para matar saudade da Itália. Eles lotavam o Teatro São José para ver espetáculos líricos, que depois iriam cantarolar nos bondes de São Paulo, enquanto caía a garoa.  Mas nem só de música viviam os italianos. Outros da colônia tinham a atenção voltada para o esporte.

Em 1914, o hoje Clube Espéria se chamava Societá dei Canottieri (Sociedade dos Remadores). Lá se jogava a bocha e se praticava o remo. Mas, nesse tempo, o futebol já começava a invadir o país. E afinal, era praticado há muito tempo na Itália. Quatro deles, ou seja, Luís Cervo, Ezequiel Simone, Luís Emmanuele Marzo e Vicente Ragonetti, eram os mais entusiasmados. Eles se encantaram com a visita dos clubes Torino e do Pro Vercelli ao Brasil, e resolveram que os italianos e os ítalo-brasileiros de São Paulo também precisavam de um time de futebol. Um time aberto a todos, de qualquer cor e origem. Poucos dias depois, o jornal Fanfulla, porta-voz da colônia italiana de São Paulo, entrava na campanha, publicando uma carta de Vicente Ragonetti. Nela, o italiano apresentava idéias sobre a fundação do clube e reclamava: queremos a participação de todos nesse ideal. A 19 de agosto de 1914, a Fanfulla  publicava um convite. Todos os que desejassem participar da criação de um clube  “italiano” de futebol deviam comparecer às 20:00 horas, no número 2 da Rua Marechal Deodoro, Salão Alhambra, para a reunião do Palestra Itália, nome já escolhido.  O encontro não foi o que se esperava, muitos pensavam que o clube teria, como outros da época, atividades artísticas, teatro, leituras literárias, recitais e bailes. Desfeito o engano, nova reunião foi marcada para 26 de agosto. Compareceram 46 pessoas, e estava fundado o Palestra.

               O primeiro presidente eleito, foi Ezequiel Simone.  O dinheiro era pouco, os projetos ousados e os conflitos apareciam a todo instante. Apesar de ter hoje seu retrato em lugar de destaque na galeria dos presidentes do Palmeiras, a verdade é que Ezequiel Simone presidiu o clube apenas 19 dias.  Para seu lugar, foi eleito Augusto Vacari. Lá fora, o mundo fervia. Toda a Europa estava envolvida numa peleja bem menos nobre, a Primeira Guerra Mundial.  A Itália lutava contra o Kaiser da Alemanha. Vacari voltou à Itália em janeiro de 1915, abandonando a presidência do Palestra.  Deixou no lugar Leonardo Paseto, às voltas com problemas financeiros. A colônia não colaborava mais com o clube, preferindo ajudar organizações como a Cruz Vermelha e a Pró-Pátria empenhadas no esforço de guerra.  Foi então que apareceu o trabalho de outro imigrante, Luís Cervo, que não deixou o Palestra morrer. No mesmo mês de janeiro de 1915, no dia 24, o Palestra disputava sua primeira partida de futebol.  O jogo foi em Sorocaba, contra o time do Savóia, da cidade de Votorantim. Vitória do Palestra por 2×0.  Jogaram esta partida histórica: Stilitano, Bonato e Fúlvio;  Police, Bianco e Vale;  Cavinato, Fiasschi, Allegretti, Amílcar e Ferre. O capitão foi Vale, escolhido pela diretoria, e os gols foram marcados por Bianco e Allegretti.

               Cresceu então um trabalho de bastidor, visando a inclusão do clube na Associação Paulista de Esportes Atléticos  (APEA).  Mas a falta de dinheiro era um drama, o que levou o Palestra à um vexame, em novembro de 1915, quando perdeu do Santos por 7×0, num amistoso arrumado às pressas. Se o resultado foi negativo, serviu para dar naquele ano, um superávit de 296 mil réis. Incluído no campeonato da APEA no lugar do Wanderers, da colônia inglesa, o Palestra começou a disputa de seu primeiro campeonato empatando com o time do Mackenzie por 1×1.  E os outros resultados também não foram essas coisas.  Resultado: penúltimo lugar, só a frente do Ypiranga. Valeu a experiência da disputa, entretanto, buscaram reforços para o campeonato de 1917, como Ministro, Martinelli, Flosi, Bertolini, Picagli e um jovem que ficaria famoso, Heitor. Boas exibições e resultados positivos se sucedia. E o teste definitivo aconteceu dia 6 de maio de 1917, quando pela primeira vez, o Palestra enfrentou aquele que se tornaria seu eterno rival, o Corinthians.

               O jogo, segundo os cronistas da época, foi um acontecimento.  No placar final, 3×0 para o Palestra, já reconhecido como um dos grandes de São Paulo, além de sério aspirante ao título.  E, mesmo reclamando das arbitragens e de perseguições da APEA, o Palestra consegui chegar à final contra o Paulistano. Perdeu o jogo, mas conseguiu o segundo lugar. O Palestra crescia de dar susto nos adversários. Nem todos, claro, gostavam do novo e forte Palestra. O campeonato de 1918 arrastou-se para o Palestra, até o dia 30 de junho. Nesse dia, associados e dirigentes depois de se sentirem roubados em um jogo contra o Paulistano, resolveram marcar uma reunião para reagir. Dia 3 de julho, 280 associados e a diretoria, sob o comando do presidente Valentim Soma, decidiram abandonar o campeonato e sair da APEA.

               O futebol paulista sentiu tanto a falta do Palestra, que os demais clubes redigiram um documento em que pediam à APEA para que não aceitasse o pedido feito de abandonar o campeonato, e este documento foi assinado por todos os presidentes dos outros clubes. Em outubro, o clube voltava a se filiar à APEA. Com muita honra, mas tarde demais para disputar o campeonato. Chegava o ano de 1919 e a ambição agora não era apenas participar.  O Palestra queria o título. Quando começou o campeonato, todos descobriram que, apesar da paralisação forçada, o time não só mantinha os melhores jogadores, como estava reforçado.

No início do ano de 1920, o presidente do Palestra, Sr. David Pichetti, comprava por 500 contos de réis, o terreno do Parque Antárctica. A aquisição foi importante, consolidava o nome do Palestra.  E o time de futebol?    Esse não decepcionava, chegava outra vez à decisão. E contra o adversário de sempre, o Paulistano. Dia 19 de dezembro de 1920, finalíssima do campeonato.  Automóveis brigavam para chegar ao campo do Floresta.  E no empate de 1×1 do primeiro tempo, também ninguém disse nada. Mas quando Forte marcou o segundo gol do Palestra, a torcida delirou. Palestra Campeão! Faltou vinho e cerveja na “pequena” São Paulo de 1920. O Palestra Itália era definitivamente  um dos grandes do futebol brasileiro. A farra foi grande. Alguns jogadores abusaram nas comemorações, mas não se pode esquecer que era época do amadorismo.

               Outra pessoa importantíssima na vida do Palestra, foi o conde Francisco Matarazzo, que começava a ser o grande capitalista de São Paulo na década de 20. Nos anos de 1921, 22 e 23, o Palestra foi vice campeão.  Ainda em 1922, o clube faz sua estréia internacional, enfrentando o selecionado do Paraguai, time do centromédio Fleitas Solich, muitos anos depois técnico de grandes equipes do futebol brasileiro, entre eles o Palmeiras. O futebol do Paraguai curvou-se diante do Palestra que venceu por 4×1. E assim dessa maneira, o clube não crescia somente no futebol, mas também no basquete, no ciclismo e na esgrima, conquistando títulos seguidos. Em 1926 foi campeão invicto e bicampeão em 1927 ao vencer o Santos por 3 a 2. Melhor que isso, só o tricampeonato de 1932, 33 e 34.

               Nos anos 40, outra guerra bombardeia a vida do clube.  A Itália de Mussolini ligou-se à Alemanha e ao Japão.  Como o Brasil, depois de balançar um pouco, formou com os aliados, o Palestra Itália, que antes provisoriamente mudara seu nome para Palestra São Paulo, tornou-se Sociedade Esportiva Palmeiras. Nem por isso o clube deixou suas raízes italianas. O Palmeiras tornou-se campeão logo em seu primeiro ano de nome novo, e só não foi invicto porque perdeu a última partida para o Corinthians por 3×1. Em 1943, o time não fez uma boa campanha.  Ficou em terceiro lugar, vendo o São Paulo de Leônidas e Sastre ser campeão.

              No ano de 1950, o Palmeiras volta a conquistar o título paulista e a Taça Cidade de São Paulo.  E este título teve uma repercussão impressionante, que lhe valeu o vice-campeonato paulista no ano seguinte, perdendo somente para o Corinthians. Ainda no ano de 1951, o Palmeiras conquistou a Taça Rio, uma versão da Copa do Mundo inter-clubes, ao empatar em 2 a 2 com a Juventus da Itália no dia 22 de julho, no Maracanã.  E com esta vitória brasileira, aquele estádio voltou a ter alegria, depois da perda da copa de 50. Novamente voltou a ficar vice-campeão nos anos 1953 e 1954, perdendo para São Paulo e Corinthians respectivamente. Em 1959, formou um grande time e sagrou-se campeão paulista, ao derrotar o poderoso Santos de Pelé. Na década de 60 formou a primeira Academia e nos anos 70 formou a segunda. Foram times que o torcedor esmeraldino lembra com muita saudade. Em 1992 o clube formaliza um acordo de co-gestão com a multinacional italiana Parmalat.

               Com ótimos esquadrões, torna-se bicampeão paulista (93/94) e bicampeão brasileiro (93/94). Sagra-se novamente campeão paulista em 1996, com a melhor campanha de um time na fase do profissionalismo no certame. Dia 16 de junho de 1999, o Palmeiras enfrentou o Deportivo de Cali da Colômbia, numa final sensacional da Copa Libertadores da América. Na primeira partida o Palmeiras perdeu por 1×0. Na segunda partida o Palmeiras venceu por 2 a 1. Como as duas equipes venceram pela mesma diferença de gols, foi necessário decidir nas cobranças de pênaltis. E o resultado foi 4×3 para o Palmeiras.  Depois, somente em 2008 a torcida esmeraldina voltou a soltar o grito de campeão e foi no dia 4 de maio quando o Verdão goleou a Ponte Preta por 5 a 0 e sagrou-se campeão paulista e voltou a soltar o grito de campeão em 2016, quando conquistou o título do Campeonato Brasileiro.

                                                                                            José Carlos de Oliveira

Deixe uma resposta