LEÔNIDAS DA SILVA: o Diamante Negro

                   Leônidas da Silva nasceu dia 6 de setembro de 1913 no Rio de Janeiro e, faleceu dia 24 de janeiro de 2004 em Cotia (SP). Portanto, se estivesse vivo ontem estaria completando 95 anos de idade. Hoje nós vemos em vídeos, jogadas magistrais de Pelé, Zico, Rivelino e muitos outros, no entanto, jogadores como Leônidas da Silva, não tiveram este privilégio de deixarem gravados em fitas e vídeos, seus momentos de rara beleza no futebol, pois na época em que desfilou pelos gramados, ainda não havia essa tecnologia.

                  Mas podemos afirmar aos mais jovens, que Leônidas foi um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos, foi um dos mais empolgantes jogadores de toda a história do futebol. Atacante veloz, valente, habilidoso e oportunista, marcou época nas décadas de 30 e 40.  Sua carreira começou no São Cristóvão do Rio de Janeiro em 1930. Seu estilo de jogo e sua habilidade não tardaram a garantir-lhe um lugar na seleção brasileira dois anos mais tarde, quando tinha apenas 19 anos.

                  Depois jogou no Bonsucesso em 1932 e Vasco da Gama em 1934 onde foi campeão estadual. No Botafogo em 1935, também sagrando-se campeão carioca. No Flamengo sagrou-se campeão carioca em 1939 e campeão do Torneio Rio São Paulo em 1940.  Na Gávea, ele marcou 150 gols em 179 jogos (113 vitórias, 30 empates e 36 derrotas). No Flamengo jogou até 1942, quando cartolas acusaram-no de estar  fazendo corpo mole para não atuar. Resultado, conseguiu a sua liberação do time e ainda divulgou para a imprensa os exames de raio-x e um laudo médico que atestavam a lesão. Esse episódio causou em Leônidas uma raiva do Flamengo. Quem ganhou com essa briga foi o São Paulo F.C., que o contratou imediatamente.

SÃO PAULO F.C.

                  Quando chegou ao Tricolor, em 1942, poucos acreditavam que o Leônidas, já um atleta experiente, pudesse acabar com o estigma perdedor do time. Afinal, era tanto o domínio dos dois rivais, Corinthians e Palmeiras (então Palestra Itália), que na época dizia-se que o Campeonato Paulista era decidido pelos times na cara e coroa. O São Paulo só conquistaria o título se um dia a moeda caísse em pé. Se havia algum jogador na época que poderia deixar a moeda em pé, esse alguém era Leônidas. Os torcedores do Tricolor Paulista sabiam disso. Por esse motivo, os dirigentes gastaram a fortuna de 200 Contos para trazer o jogador, que chegou a São Paulo recebido com muita festa. Sua chegada foi digna de nota. O atleta foi recebido por aproximadamente 10 mil torcedores em festa na estação de trem. Para se ter uma ideia da multidão, vale ressaltar que apenas duas outras pessoas receberam o mesmo tratamento ao chegar na capital paulista: o Presidente da República, Getúlio Vargas, e o “cantor das multidões”, Orlando Silva.

                  Sua estreia com a camisa tricolor, aconteceu dia 24 de maio de 1942, quando o São Paulo empatou com o Corinthians em 3 a 3 no Pacaembu, com um público recorde de 70.281 pagantes, tudo para ver Leônidas jogar.  Neste dia, o São Paulo jogou com; Doutor, Fiorotti e Virgílio; Zacilis, Lola e Silva; Luizinho, Waldemar de Brito, Leônidas da Silva, Teixeirinha e Pardal. Neste dia, Leônidas não marcou nenhum gol. O primeiro com a camisa tricolor aconteceu no dia 31 de maio, numa vitória de 4 a 2 sobre o Santos F.C.  Leônidas também é lembrado ainda hoje, como o criador da “Bicicleta”.  A primeira vez em que usou a técnica e marcou um gol assim foi no dia 24 de abril de 1932, em uma partida entre Bonsucesso e Carioca, quando ajudou seu time, o Bonsucesso, a vencer o adversário por 5 a 2.

                   Pelo Flamengo, realizou o lance em uma oportunidade, em 1939, contra o Independiente, da Argentina, que ficou famosa. Pelo São Paulo, dois gols de bicicleta foram marcantes. Seu primeiro gol de bicicleta pelo Tricolor aconteceu em uma partida contra o Palestra Itália, no dia 14 de junho de 1942. O time perdeu por 2 a 1. E o último gol de bicicleta de Leônidas, talvez tenha sido o mais famoso de todos. Foi no dia 13 de novembro de 1948, em uma goleada de 8 a 0 do São Paulo sobre o Juventus. Esse lance ficou imortalizado em uma das fotos mais famosas do jogador.

                   O jogador construiu uma história de conquistas pelo São Paulo F.C.. Atuando pelo Tricolor, foi campeão paulista em cinco oportunidades: 1943, 1945, 1946, 1948 e 1949, tornando o clube o mais vitorioso dos anos 40 no estado e, depois desses cinco títulos, o São Paulo se tornou grande e respeitado em todo o Brasil.  Com a camisa Tricolor, Leônidas disputou 210 partidas. Venceu 136, empatou 36, perdeu 38 vezes e marcou 143 gols.  Já com 38 anos de idade, Leônidas deixou o futebol, para se tornar treinador e depois comentarista esportivo, onde trabalhou alguns anos ao lado de Osmar Santos (o pai da matéria) na Jovem Pan do Brasil. 

SELEÇÃO BRASILEIRA

                   Sua estreia na seleção brasileira aconteceu em 1932 na Copa Rio Branco disputada no Uruguai, quando o Brasil enfrentou os donos da casa, campeão da Copa do Mundo de 1930 e bicampeão dos Jogos Olímpicos. No entanto, com uma personalidade forte, não se intimidou e marcou dois gols, garantindo uma histórica vitória de 2 a 1 para o Brasil. Era o início de uma longa e vitoriosa trajetória. Dois anos mais tarde, jogou sua primeira Copa do Mundo, que foi disputada na Itália. A participação brasileira foi muito fraca, restou o consolo de ter marcado o único gol de nossa seleção. Quatro anos mais tarde, brilhou na Copa do Mundo da França, saindo com a medalha de bronze, além de ter sido o artilheiro, com oito gols marcados. E mais, foi eleito posteriormente, o melhor jogador do mundial e teve inúmeros adjetivos, inclusive virou marca de chocolate “O Diamante Negro” por causa da raridade de seu talento e também de “Homem Borracha”, por sua elasticidade. 

                    Logo na estreia do mundial, o Brasil bateu a Polônia por 6 a 5, sendo que quatro gols foram marcados por Leônidas. Um fato engraçado; era tanta a chuva, que Leônidas resolveu atuar sem as chuteiras, mas quando o juiz percebeu, mandou recoloca-las.   Na segunda partida contundiu-se e acabou ficando de fora da equipe na semi-final contra a Itália. Sem o nosso artilheiro perdemos por 2 a 1 e fomos eliminados. Neste mundial o nosso selecionado tinha a seguinte formação: Pedrosa, Canalli, Silvio Hoffman, Valdemar de Brito e Otacílio; Ariel e Valdir;  Luizinho, Leônidas da Silva, Carvalho Leite e Atila. O técnico era Luiz Vinhais.  Com a camisa canarinho, Leônidas fez 37 partidas e marcou 37 gols.

                    Que Leônidas da Silva foi um excepcional jogador, todos aqueles que tiveram a oportunidade de vê-lo em ação podem afirmar. Fora das quatro linhas, sempre foi marcado pela personalidade muito forte e por um temperamento difícil, tanto é, que depois que encerrou sua carreira de jogador, trabalhou durante 20 anos como comentarista esportivo e, seu estilo de comentário era bastante direto e duro, por vezes marcando-o como polêmico. Nesta nova carreira, ganhou por sete vezes o prêmio “Roquete Pinto”, um reconhecimento da qualidade nas transmissões no rádio.

                   Mas de repente, seus comentários passaram a ficar mais confusos. Leônidas apresentava uma dificuldade muito grande de manter-se atento. Esquecia com muita facilidade e por vezes não completava sentenças. Eram os primeiros sinais da moléstia que acompanhou Leônidas até sua morte: o Mal de Alzheimer.  Trata-se de uma doença hereditária degenerativa do sistema nervoso que apresenta como sintoma a incapacidade de guardar memórias e a progressiva eliminação das lembranças, das mais recentes às antigas.

                  Leônidas viveu por 30 anos em uma casa de tratamento para idosos em São Paulo, e guardou poucas recordações de seu tempo de jogador até morrer em 24 de janeiro de 2004. Sua fiel companheira sempre foi sua mulher, Albertina Santos. Todos os dias ela visitava o marido e passava o tempo com ele, cuidando do ex-craque. O tratamento foi mantido pelo São Paulo F.C., último time que defendeu como jogador. Graças ao trabalho de esforçadas pessoas, a brilhante carreira do nosso Diamante Negro não será esquecida tão cedo, pois no museu do São Paulo F.C., uma estátua homenageia o atleta no seu lance característico: a bicicleta.  Também foi lançada uma biografia de Leônidas e sua vida vai sair em filme. Tudo para que os amantes do futebol não esqueçam jamais desse que foi um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos, o primeiro grande herói do futebol nacional.

Em pé: Rui, Savério, Mauro, Mário, Bauer e Noronha      –     Agachados: Friaça, Ponce de Leon, Leônidas da Silva, Remo e Teixeirinha
Em pé: Piolim, Rui, Zezé Procópio, King, Florindo e Noronha      –     Agachados: Barrios, Sastre, Leônidas da Silva, Remo e Leopoldo
Em pé: Técnico Joréca, Piolim, Florindo, King, Zezé Procópio, Zarzur e Noronha      –     Agachados: Bárrios, Sastre, Leônidas da Silva, Remo e Leopoldo

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