GERALDO SCOTTO: verdadeiro carrapato para os atacantes

                Geraldo Scotto nasceu dia 11 de setembro de 1934, na cidade de São Paulo. Foi um dos melhores laterais esquerdo que já vestiu a camisa da Sociedade Esportiva Palmeiras. Jogou no alviverde de 1958 até 1967, nesse período conquistou títulos importantes com a camisa esmeraldina. Não foi para a Copa de 62, no Chile, porque fraturou a perna pouco tempo antes da convocação. Era um marcador leal, mas um verdadeiro carrapato para os pontas de sua época, pois não dava espaço. Foi protagonista de grandes duelos com o Mané Garrincha, numa época de ouro do futebol brasileiro, pois o Botafogo carioca tinha um time simplesmente espetacular e o mesmo acontecia com o Palmeiras, que tinha jogadores como; Djalma Santos, Julinho, Vavá, Zéquinha, Mazzola, Romeiro, Valdemar Fiume e tantos  outros  que  honraram  o  nome  do  Brasil  pelo exterior com muita dignidade, pois foram jogadores que jogavam por amor a camisa que vestiam e assim foi também o nosso inesquecível Geraldo Scotto, que também jogou no São Paulo e no Santos embora por pouco tempo.

INÍCIO DE CARREIRA

               Geraldo Scotto começou sua carreira no XV de Piracicaba em 1954 e ficou por lá até 1957, quando o dirigente Romeu Ítalo Ripoli montou um bom time para disputar o campeonato paulista daquele ano. A equipe era formada por;  Mathias, Idiarte, Paulo Farah, Biguá, Pepino e Geraldo Scotto. Arlindo, Bertinho, Tito, Gatão e Nelsinho. Esta foi a equipe que enfrentou o Corinthians no dia 15 de dezembro de 1957. Este jogo foi em Piracicaba e neste dia o Corinthians venceu por 5 a 2, gols de Paulo (2), Cláudio, Zague e Olavo, enquanto que para o XV marcaram Tito e Arlindo.

PALMEIRAS

              No ano seguinte, foi contratado pelo Palmeiras. Sua estréia aconteceu no dia 29 de maio de 1958, quando o alviverde derrotou o Nacional da capital paulista por 2 a 0. Nessa época o time palmeirense era formado por; Anibal, Jorge, Waldemar Carabina, Formiga e Geraldo Scotto; Zéquinha e Ênio Andrade; Julinho, Nardo, Paulinho e Chinesinho. Esta foi a equipe que derrotou o Corinthians por 4 a 0 no dia 21 de agosto de 1958. Foram três gols de Paulinho e um de Julinho. Com esta vitória, o Palmeiras quebrou um tabu de 7 anos sem vencer o Corinthians pelo Campeonato Paulista.

               Mas foi no ano seguinte que Geraldo Scotto teve uma de suas maiores alegrias com a camisa esmeraldina. Foi a conquista do Campeonato Paulista, o qual teve uma final sensacional, chamada pela imprensa de “Super Campeonato”, pois foram necessárias três partidas para ficar conhecido o campeão daquele ano. O Santos era o atual campeão, pois em 1958 simplesmente atropelou seus adversários, sagrando-se campeão com uma rodada de antecedência, sendo assim, manteve o mesmo time mesmo porque, não tinha o que melhorar. Mas o Palmeiras naquele ano também montou um super time. E foi já no dia 5 de janeiro, uma terça feira, que Santos e Palmeiras entraram no Estádio Municipal do Pacaembu para começarem a decidir mais um título paulista. Começa a partida e aos 22 minutos, Pelé abre o placar. Festa na torcida do Peixe. Mas, aos 34 minutos, Zequinha empata a partida ainda no primeiro tempo. 

               E este seria o placar final. Veio então a segunda partida e esta aconteceu dois dias depois, ou seja, dia 7 de janeiro, uma quinta feira.  O palco era o mesmo, o velho Pacaembu, que mais uma vez recebeu um grande público. Começou a partida e aos 25 minutos Pepe cobrando pênalti abriu o placar. Final do primeiro tempo.  Logo aos 3 minutos do segundo tempo, o zagueiro santista Getúlio, marcou contra. Dois minutos depois, Chinesinho virou o placar, mas aos 35 minutos, Pepe empatou novamente a partida. E assim terminava mais uma vez empatada aquela decisão, 2 a 2, num jogo em que os goleiros Laércio e Valdir tiveram muito trabalho. E a grande decisão ficava para o dia 10 de janeiro de 1960, um domingo de muito sol e calor na capital paulista.                 

               Neste dia o Santos jogou com; Laércio, Urubatão, Getúlio, Dalmo, Formiga, Zito, Dorval, Jair da Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe. Sem dúvida alguma, um time que impunha muito respeito a qualquer adversário. Já pelo Palmeiras, o técnico Osvaldo Brandão mandou a campo os seguintes jogadores; Valdir, Djalma Santos, Valdemar Carabina, Aldemar, Geraldo Scotto, Zequinha, Chinesinho, Julinho Botelho, Américo, Nardo e Romeiro. Realmente duas máquinas de jogar futebol. Aos 14 minutos de jogo Pelé abriu o placar. A torcida santista foi ao delírio, que só parou aos 43 minutos, quando Julinho empatou a partida. Final do primeiro tempo e tudo igual no placar. Aos três minutos da etapa final, falta para o Palmeiras, de meia-distância. Romeiro batia forte e de três dedos, com um veneno incrível. E aquela batida de falta tornou-se imortal: por cima da barreira, a bola foi no ângulo do ex-palmeirense Laércio, que nem se mexeu. Golaço que garantiu a vitória por 2 a 1 e o Palmeiras era o grande campeão de 1959.

               Em 1965, Geraldo Scotto teve a honra de vestir a camisa da Seleção Brasileira. Foi no dia 7 de setembro, quando o Palmeiras representou o Brasil num jogo amistoso contra o Uruguai na inauguração do Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão. O Palmeiras foi escolhido, porque na época o alviverde apresentava um futebol maravilhoso, tanto é, que era chamado de “Academia”. O jogo terminou com a vitória brasileira por 3 a 0, gols de Rinaldo, Tupãzinho e Germano. Dois anos depois, Geraldo Scotto deixou o Palmeiras. Sua última partida foi no dia 17 de dezembro de 1967, quando o Palmeiras derrotou o Juventus por 2 a 1.

              Com a camisa do alviverde, Geraldo Scotto disputou 352 partidas. Venceu 215, empatou 72 e perdeu 65. Marcou 3 gols. Nesse período conquistou inúmeros títulos, entre eles, a Taça Roberto Gomes Pedrosa de 1967, o Rio-São Paulo de 1965, Taça Brasil de 1960 e 1967 e três vezes campeão paulista, em 1959, 1963 e 1966. Depois que deixou o Palmeiras, jogou ainda no Nacional da Comendador Souza e no Juventus em 1968, inclusive fez parte do time juventino no jogo em que Paulo Borges fez sua estréia no Corinthians, isto aconteceu dia 23 de fevereiro de 1968, quando o Timão venceu por 3 a 0, gols de Benê, Eduardo e do estreante Paulo Borges. Geraldo Scotto fez também seis partidas pela Seleção Brasileira durante a Copa Rocca de 1960.

FORA DAS QUATRO LINHAS

               Para os mais veteranos, foi o melhor lateral esquerdo da história da Sociedade Esportiva Palmeiras e um dos mais leais marcadores de Mané Garrincha. Além de ser um bom marcador, possuía inteligência para ajudar o ataque, em uma época na qual laterais não costumavam ser ofensivos. Sempre se deu bem marcando Garrincha, pois jogava com vontade e muita garra. Dizia Scotto que procurava olhar para a bola e não para o corpo de Garrincha, caso contrário, o drible era certo. “Gostava de marcar o Garrincha porque o Mané deixava chegar perto, o que facilitava e muito para mim que era chamado de “carrapato” pelos pontas direita da época” – diz Scotto.

               Depois que encerrou a carreira de jogador de futebol, passou a vender chapa de aço, aí roubaram seu carro e resolveu sair da firma e aposentar de vez. “Fico em casa vagabundeando. Faço coisas leves, limpo o quintal, passeio na rua e bato papo com os amigos” diz o ex-craque. Confessa que não assiste mais futebol, desanimou. Segundo ele, depois que viu jogar Garrincha, Canhoteiro, Mauro Ramos de Oliveira, Julinho, Coutinho, Pelé, Pagão e tantos outros, dá vontade de chorar ao ver estes meninos de hoje ganhando uma fortuna e não jogando absolutamente nada, perto dos craques do passado. Estes jogadores de hoje nos obrigam a sermos saudosistas.

               A maior frustração de Geraldo Scotto, foi ter quebrado a perna em 1962, uma semana antes da Copa. Era uma partida no Pacaembu, contra o São Paulo, em que o Tricolor venceu por 2 a 1, gols de Baiano e Benê, enquanto que Chinesinho marcou o único tento do alviverde. Foi uma jogada com o ponta direita Célio e ficou nove meses parado. Scotto queria muito ir para aquele mundial no Chile, mesmo que fosse para ficar na reserva do Nilton Santos, que realmente era o titular absoluto da nossa seleção naquele mundial em que conquistamos o bicampeonato.

               Considerado ao lado de Roberto Carlos como o maior lateral-esquerdo da história do Palmeiras, Geraldo Scotto foi um lateral à frente de seu tempo, pela capacidade que tinha em marcar com eficiência e ao mesmo tempo apoiar o ataque com inteligência, numa época em que os laterais não costumavam desempenhar um papel ofensivo. Além de jogar no Santos e no Palmeiras, também defendeu o São Paulo (quatro jogos), XV de Piracicaba, Ponte Preta e Nacional de São Paulo. Apesar de ter jogado em dois rivais alviverde é um ídolo e um dos maiores jogadores da nossa história. Mais um esquecido, não lembrado. Morou mais de 30 anos na Vila Mariana, bairro na zona sul de São Paulo. Faleceu dia 27 de julho de 2011 depois de sofrer uma parada cardíaca.

Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Aldemar, Zéquinha e Geraldo Scotto     –    Agachados: Gildo, Julinho, Geraldo José, Chinesinho e Romeiro
Em pé: Anibal, Waldemar Carabina, Zéquinha, Jorge, Formiga e Geraldo Scotto    –   Agachados: Julinho, Paulinho, Nardo, Enio Andrade e Chinesinho
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Djalma Dias, Dudu e Geraldo Scotto     –    Agachados: Gildo, Servilio, Tupãzinho, Ademir da Guia e Rinaldo
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Aldemar, Zéquinha e Geraldo Scotto    –    Agachados: Julinho, Nardo, Américo, Chinesinho e Romeiro
Em pé: Ramiro, Airton, Barbosinha, Geraldo Scotto, Dalmo e Zito    –    Agachados: Dorval, Jair Rosa Pinto, Pelé, Pagão e Pépe
Em pé: Djalma Santos, Valdir, Waldemar Carabina, Filpo Nuñez, Djalma Dias, Dudu, Geraldo Scotto, Santo, Tarciso e Picasso      –     Agachados: Germano, o massagista Reis, Gildo, Servílio, Tupãzinho, Ademir da Guia, Rinaldo, Dario, Nélson, Júlio Amaral e Ferrari

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