RICARDO ROCHA: campeão mundial com nossa seleção em 1994

                  Ricardo Roberto Barreto Rocha nasceu dia 11 de setembro de 1962, em Recife (PE).   Se fosse o lateral Ricardo por toda a carreira, talvez não ele tivesse o mesmo brilho. Mas foi quando abandonou a camisa 2 que Ricardo Rocha começou a brilhar no futebol. Entre o preço irrisório para ir jogar no Santa Cruz e a transação milionária para trocar o São Paulo pela Espanha, muitos gols tiveram que ser evitados, e muitos atacantes precisaram ser desarmados.  Atuando na lateral direita, o então Ricardo começou sua carreira no modesto Santo Amaro, de Recife, de onde sairia em 82 para o Santa Cruz. O preço? Um jogo de camisas, quatro chuteiras e duas bolas que, dizem, nunca foram entregues.

                 Ele passou quatro anos no Arruda onde foi campeão estadual pela primeira vez, antes de chamar a atenção do Guarani. A mudança para Campinas rendeu sua nova  posição. Ricardo agora era zagueiro do Bugre, o que lhe valeria suas primeiras convocações para a seleção brasileira. Na equipe campineira, ele atuaria ao lado de nomes como Mauro Silva, Neto e Wilson Gotardo e seria vice-campeão brasileiro em 86 e vice paulista em 88. Por conta das boas atuações, logo ele chamou atenção do mercado europeu. Em 88, seu destino era o Sporting, de Lisboa. No clube português, um intervalo na carreira em ascensão.

                Atravessando uma crise financeira, os dirigentes sportinguistas não pagaram integralmente o valor da negociação e ele acabou atuando poucas vezes. “Foi uma grande decepção na minha vida. Eu pensei que encontraria o paraíso, e cheguei mesmo foi ao inferno”, explicou na época. Ele deveria ficar no clube até junho de 89, mas saiu antes. “Os dirigentes do Sporting ainda me enviaram duas passagens para eu retornar, mas eu não senti firmeza na proposta deles”, disse.  Mesmo tendo US$ 220 mil a receber em José Alvalade, decidiu voltar ao Brasil onde, disputado por São Paulo, Santos, Palmeiras, Vasco, Corinthians e Fluminense, escolhe o Morumbi para voltar a brilhar.

               Sob o comando de Carlos Alberto Silva, que havia sido seu treinador no Santa Cruz, faz sua estréia no São Paulo no dia 27 de maio de 89. Vitória dos Menudos por 1 a 0 sobre o Santo André. No mesmo ano, o time ficaria com o vice do Brasileirão. Mesmo tendo perdido a final para o Vasco, o torneio serviu de superação para o Tricolor. “Quando terminou o primeiro turno do campeonato brasileiro, todos duvidavam que o São Paulo pudesse chegar. Afinal, quase tínhamos sido rebaixados”, disse o Xerifão, que havia sido sondado pelo próprio clube carioca.

              O estilo sério e seguro lhe valeu sua primeira Copa do Mundo, onde passaria a adotar o sobrenome. Era agora Ricardo Rocha. Após a fraca campanha na Itália, ele renova contrato com o clube até julho de 91 e só encerraria seu ciclo com um novo retorno aos gramados do Velho Continente para uma experiência mais feliz que a anterior. Apesar da disputa que envolvia PSV Eindhoven e Zaragoza, seu novo clube era o Real Madrid, que pagou US$ 3 milhões para levá-lo para o Santiago Bernabéu.  A fase não era das melhores para o clube merengue. Em dois anos na capital espanhola, Ricardo conquistou apenas a Copa do Rei de 93.

             Quando o presidente Ramón Mendoza anunciou que não tinha interesse em renovar com ele, os clubes brasileiros voltaram a se ouriçar. Foi dado como certo no Palmeiras, quase foi repatriado pelo São Paulo, mas rumou para o Santos, onde teve um apagado segundo semestre.  Ao final do ano, deixou a Vila Belmiro e foi para o Vasco, onde era um sonho antigo. Conquistou o título carioca de 94, o que certamente ajudou sua convocação para uma nova Copa do Mundo, desta vez com mais sucesso. Já experiente, Ricardo Rocha era campeão mundial com a seleção brasileira, o maior título de sua carreira. De volta ao Vasco, foi sondado novamente pelos dirigentes são-paulinos em 95. No ano seguinte, quase acaba no Olaria, que tentava montar uma seleção e já havia contratado o também ex-vascaíno Charles Guerreiro.

              Se a negativa ao Tricolor Suburbano não surpreendeu, sua volta ao exterior sim. Europa? Que nada, Argentina mesmo! O zagueirão alugaria seu passe ao Newell’s Old Boys, de Rosário, e ficaria lá pelos próximos dois anos. Em 97 foi eleito o melhor jogador estrangeiro do ano no país e teve uma passagem rápida pelo Fluminense. Porém, voltou ao Newell’s Old Boys, onde ficou até 98, antes de encerrar a brilhante carreira no Flamengo, em 98.  Atuando pelo Guarani, veio a primeira convocação para a seleção brasileira em 86.

               Não demorou muito e vieram também os títulos, como o Pré-Olímpico e o Pan-americano de 87. “Ganhamos de 2 a 0 e fomos campeões. Isto prova que sou um cara de sorte, certo?”, brincou após a conquista do Pan de futebol. No mínimo, sorte. Também em 87, ele figuraria entre os convocados da seleção principal que disputaria um torneio amistoso na Inglaterra. Na decisão, empate contra os anfitriões, mas o zagueiro apareceria muito bem. “Aquele jogo eu matei a pau. Ganhei vários prêmios como melhor em campo”, lembra.

              Ricardo não disputaria as partidas das Olimpíadas de 88, onde o Brasil perdeu o ouro para a União Soviética. Menos mal que ele voltaria a vestir a amarelinha em 89, nas convocações para o grupo das Eliminatórias para a Copa de 90. Aliás, no grupo, não: foi numa dessas que Ricardo mostrou que viria para mostrar serviço e disputar vaga entre os titulares. “Não vim para somar, estou chegando para jogar. Quem soma é máquina de calcular.” As convocações, por sinal, eram muito controversas.

              Ricardo era jogador do São Paulo na época e o único da relação a atuar em clubes paulistas. Para efeito de comparação, foram oito jogadores de times cariocas na Copa de 90. A evidência, um tanto problemática, não passou imune pelo pernambucano. “Existe muita sacanagem na seleção brasileira. Não posso dizer tudo que sei, porque isso me comprometeria demais. Afinal, não teria como provar”, comentou Ricardo, em agosto de 89.  Independente das intrigas nos corredores, Ricardo foi para sua primeira Copa do Mundo. Foi então que, com a companhia de Ricardo Gomes na zaga, teve que adotar seu sobrenome Rocha.

             E foi como Ricardo Rocha que ele ganhou a briga com Môzer e estreou na terceira partida, contra a Escócia. “Antes de ser convocado, deixei claro que iria para a Itália para ser titular. Nos treinos, apliquei-me bastante. Respeitei sempre as determinações do Lazaroni. Ganhei a posição em campo”, explicou durante o torneio. Infelizmente, seu primeiro Mundial seria curto e o Brasil seria derrotado no jogo seguinte, contra os argentinos.

              Muito se discutiu sobre aquela seleção. Questões extra-campo, discussões de prêmios, desentendimento entre convocados que se sentiam desprestigiados e críticas em relação ao esquema tático do treinador Sebastião Lazaroni levaram o Brasil apenas ao nono lugar na Copa. “Muita coisa não estava certa e acabou resultando na nossa desclassificação. Eram problemas muito complexos e que, devido até mesmo à falta de experiência de alguns atletas, acabaram prejudicando o desempenho dentro de campo”, lamentou o zagueirão. “Não faz o mínimo sentido ficarem culpando o Lazaroni por ter escalado o time dessa ou daquela maneira.

             Ele fez o que achava melhor para o grupo, mas infelizmente não conseguiu atingir seu objetivo”.  No ano seguinte, apesar do tropeço, Ricardo Rocha ainda mostrava a vontade de um iniciante. “Tenho certeza que na Copa do Mundo (de 94) estarei lá e serei titular”, brincou o jogador, que foi além. “Vocês que me desculpem, mas o técnico da seleção na Copa de 98 serei eu”. Ele pode ter perdido a corrida para Zagallo na França, mas nos Estados Unidos, a promessa foi cumprida. Com o corte de Mozer, que pediu dispensa alegando problemas particulares, Ricardo ganhou espaço e foi relacionado por Carlos Alberto Parreira para o time titular da estréia contra a Rússia. 

             Sua participação na Copa, porém, reduziu-se a 69 minutos. Ainda no primeiro tempo da estréia, Ricardo era o último homem da defesa em jogada do atacante Yuran. O brasileiro perdeu o lance, puxou a camisa do russo e caiu sentindo dores. Não foi expulso, como diz a regra, mas não disputaria outra partida em Copas do Mundo. Ele ainda aguentaria até o segundo tempo, quando foi substituído por Aldair. Com uma lesão no músculo adutor da coxa direita, até esteve cotado para voltar contra Camarões, mas teve que dar seu apoio do banco.

              Mesmo assim, seu carisma e sua liderança foram fundamentais nos bastidores do Tetra, motivando os companheiros. “O ego do Romário sempre foi muito maior que ele. Nós percebemos isso. Então eu, o Branco e o Dunga resolvemos atiçar o Baixinho. Dizíamos que ele era o máximo. Deu certo”, exemplificou. A dívida com a torcida, que ele mesmo assumia, estava paga. Após o Mundial, ele ainda disputaria mais um amistoso, goleando a Eslováquia por 5 a 0. Mas esta seria sua última partida de uma carreira gloriosa nos tempos difíceis da Seleção. Ricardo foi extremamente vitorioso na carreira. Pelo Santa Cruz foi campeão pernambucano de 1983.

              Pelo São Paulo, campeão paulista de 1989 e Brasileiro de 1991. No Real Madrid, levantou a Copa da Espanha em 1993. No Vasco, foi campeão carioca em 1994. Pela Seleção Brasileira fez 43 jogos com 29 vitórias, sete empates, sete derrotas e um gol marcado. Pelo São Paulo disputou 70 jogos com 32 vitórias, 26 empates, e 12 derrotas. E com a camisa do Mengão Ricardo vestiu em 24 ocasiões com 14 vitórias, cinco empates e cinco derrotas.  Ricardo Rocha é padrinho de Daniele, filha de Romário. Hoje ele organiza campeonatos de show-ball por todo o país e é um dos responsáveis pela nossa seleção nessa modalidade esportiva e também é comentarista da Sportv.

Em pé: Sérgio Neri, Gilson, Almir, Ricardo Rocha, Marco Antônio e Tosin    –   Agachados: Chiquinho, Tite, Evair, Marco Antônio Boiadeiro e João Paulo
Em pé: Zetti, Ronaldão, Leonardo, Ricardo Rocha, Zé Teodoro e Antônio Carlos    –   Agachados: Muller, Raí, Macedo, Bernardo e Cafú
Em pé: Ricardo Rocha, Taffarel, Mauro Galvão, Jorginho, Ricardo Gomes e Branco    –    Agachados: Bebeto, Careca, Silas, Evaldo e Dunga
Em pé: Adilson, Gilmar, Vizoli, Ricardo Rocha, Nelsinho e Zé Teodoro    –    Agachados: Mário Tilico, Bobô, Nei Bala, Raí e Edivaldo
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