QUARENTINHA: maior artilheiro da história do Botafogo/RJ

                   Waldir Cardoso Lebrêgo, o “Quarentinha”, nasceu em Belém do Pará no dia 15 de setembro de 1933 e faleceu dia 11 de fevereiro de 1996, portanto, amanhã fará 12 anos que o Brasil perdeu um grande jogador de futebol, o qual defendeu o Botafogo do Rio de Janeiro numa época em que o Fogão só tinha craques e, que formou uma das maiores equipes de toda sua história, onde o ataque era simplesmente; Garrincha, Didi, Amarildo, Quarentinha e Zagallo, um ataque que o torcedor botafoguense jamais esquecerá.

                  Quarentinha é o maior artilheiro da história do Botafogo com 308 gols em 446 partidas, uma marca que dificilmente outro jogador ultrapassará, principalmente nos dias de hoje, que o jogador mal desponta como craque, já tem algum clube estrangeiro para leva-lo.

                  A história de um dos maiores ídolos do Botafogo carioca, começa bem longe do Rio de Janeiro. O ano era 1947 e a cidade, Belém do Pará.  Na época o Paysandu faturava o inédito pentacampeonato estadual invicto, maior feito de toda a trajetória da competição. Entre os onze que integravam o famoso “Esquadrão de Aço”, a linha de ataque era formada por Arleto, Farias, Hélio, Jaime e Luiz Lebrego (pai de Quarentinha).  No exército, Luiz Lebrêgo era identificado pelo número 40. Por coincidência, seu filho também era o aluno de número 40 na sala de aula. A partir daí, o menino não seria mais conhecido pelo nome, mas sim pelo apelido “Quarentinha”.

                  Em 1950, já crescido, ele não hesitaria em se enveredar pelos mesmos gramados por onde o pai passou. Com apenas 16 anos, Quarentinha foi lançado no time titular do Paysandu, para se transformar num ídolo precoce.  Após o começo de carreira no time da região norte, o atacante se transferiu para o Vitória da Bahia, onde foi o artilheiro do campeonato baiano de 1953 com 31 gols.  Seu sucesso como grande goleador fez com que o passe do mesmo fosse adquirido pelo Botafogo do Rio de Janeiro, onde começou a despontar como artilheiro de nível nacional.

                  Logo em sua estreia, dia 26 de junho de 1954, pelo Torneio Rio-São Paulo, marcou um dos gols da goleada botafoguense por 5 a 1 diante do São Paulo F. C., no Maracanã. Nos demais inúmeros gols que marcou sob o manto da Estrela Solitária, Quarentinha pouco comemorou.  Não era de seu feitio dar socos no ar, cambalhotas ou fazer imitações para celebrar o dom que lhe foi dado. Para ele, pouco importava quantos gols marcava em uma partida. “Estou sendo pago para fazer isso mesmo”, repetia constantemente, muitas vezes, desagradando à torcida de seu clube.

                  Desentendeu-se com os dirigentes alvinegros e foi emprestado em represália ao Bonsucesso do Rio, onde disputou o campeonato carioca de 1956, sagrando-se vice artilheiro do certame com 21 gols, um gol a menos que o artilheiro que foi Valdo do Fluminense.  Porem no jogo em que o Bonsucesso enfrentou o Botafogo, Quarentinha fez o único gol da partida e com isto os dirigentes voltaram atrás e o integraram novamente ao elenco do alvinegro.

                   De volta ao Botafogo, Quarentinha foi artilheiro do campeonato carioca por três anos consecutivos, ou seja, em 1958 com 19 gols, em 1959 com 25 gols e em 1960 com 25 gols. Além das conquistas individuais, faturou os Campeonatos Cariocas de 57 e 62 ao lado de uma verdadeira seleção formada por Manga, Paulistinha, Jadir, Nilton Santos e Rildo; Airton e Didi;   Garrincha, Amarildo, Quarentinha e Zagallo. No Estadual de 61 não jogou, pois se machucou. Venceu também os Torneios Rio-São Paulo de 62 e 64, bem como diversos campeonatos que o Botafogo disputou em excursões ao redor do mundo. No entanto, uma discussão com o dirigente Brandão Filho o tirou definitivamente, do elenco do Botafogo em 1965. Depois do ocorrido, Quarentinha foi vendido para o América de Cali da Colômbia, onde encerrou a carreira.

                     No Botafogo, Quarentinha escreveu seu nome com letras de ouro, pois até hoje é o maior artilheiro do clube de General Severiano com 308 gols.  Está à frente de nomes como Carvalho Leite com 275 gols, Garrincha com 242 gols, Heleno de Freitas com 207 gols e Jairzinho com 189 gols.  Outra marca importante na carreira deste jogador, é de ser até hoje o maior artilheiro em Torneio Rio – São Paulo com 36 gols marcados.

PELA SELEÇÃO BRASILEIRA           

                    Com a camisa amarelinha, Quarentinha disputou 17 partidas, entre 1959 e 1963, tendo anotado 17 gols (até hoje a melhor média de gols por jogo de um atleta na seleção). Estreou diante do Chile, no Maracanã no dia 17 de setembro de 1959 pela Taça Bernardo O’Higgins e marcou dois gols na goleada de 7 a 0. Neste jogo aconteceu algo inédito, ou seja, Quarentinha jogou com a camisa 10 e o Rei Pelé com a camisa 9. No jogo de volta, no estádio do Pacaembu, o Brasil venceu por 1 a 0, gol de Quarentinha. 

                   A decepção veio com uma contusão no menisco do joelho direito, que o impediu de disputar a Copa do Mundo de 62 no Chile, onde certamente teria muitas chances, pois Pelé se machucou logo na segunda partida e não mais voltou a jogar pela seleção naquele mundial, entrando Amarildo em seu lugar. Em 1984, dezenove anos depois de abandonar o futebol brasileiro, o artilheiro se envolveu em uma acusação de roubo de gasolina da empresa em que trabalhava, a Companhia Estadual de Gás do Rio de Janeiro.  Na ocasião, chegou a ser preso, mas foi solto.

                  Quarentinha morreu no dia 11 de fevereiro de 1996, antes de completar 63 anos de idade, de parada cardíaca.

PRINCIPAIS TÍTULOS

Pelo Botafogo – RJ

Campeonato Carioca de 1957 e 1962

Torneio Rio-São Paulo de 1962 e 1964

Quadrangular de Bogotá em 1960

Pentagonal do México em 1962

Torneio de Paris em 1963

Torneio Internacional do Suriname em 1964

Em pé: Paulistinha, Manga, Jadir, Nílton Santos, Aírton e Rildo.      –     Agachados: Garrincha, Edson, Quarentinha, Amarildo e Zagallo.
Em pé: Beto, Adalberto, Tomé, Nilton Santos, Pampolini e Roberto      –     Agachados: Garrincha, Paulo Valentim, Osvaldo Rossi, Edson e Quarentinha
Em pé: Lamin, Cacá, Domício, Nilton Santos, Pampolini e Ronald      –     Agachados: Garricha, Tião Macalé, Paulo Valentim, Quarentinha e Amarildo

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