GILBERTO SORRISO: ídolo no São Paulo e no Santos

                Gilberto Ferreira da Silva nasceu dia 18 de setembro de 1951, na cidade de São Paulo. Filho de Guilherme Ferreira da Silva e Pedra Teodora da Silva, Gilberto Sorriso defendeu o São Paulo, entre os anos de 1968 e 1977, passando pelo infantil e aspirantes, antes de chegar ao profissional. No final de 77, deixou o Morumbi e foi jogar em outro grande clube paulista, o Santos F.C., onde ficou até 1985. Chegou a ter uma rápida passagem pelo Santo André, onde atuou ao lado de jogadores como Ataliba e Solitinho, ambos do Corinthians, e Márcio Fernandes, ex-ponta do Santos. Por fim, defendeu a Portuguesa Santista em 1989, onde encerrou sua brilhante carreira, a qual conquistou títulos importantes, como por exemplo; bicampeão paulista em 1970/71 e campeão em 1975 pelo São Paulo. Com a camisa do Peixe conquistou o título paulista de 1978, onde eram chamados de “Meninos de Vila” e novamente em 1984. Sempre bem humorado, ainda hoje Gilberto leva a vida sorrindo.

SÃO PAULO F.C.

                Gilberto começou sua carreira no próprio São Paulo Futebol Clube nas Categorias de Base, mas, antes jogava no Cruzeirinho na Fagundes Filho em São Judas Tadeu. Era um time bom time, jogava o José Carlos Serrão, Édson, jogadores de nível naquele time. Dali fizeram um teste no Corinthians, na época do Sr. Rato, não foram aprovados e logo em seguida tiveram oportunidade de serem levados pelo Sr. Orlando, o qual praticamente passou a ser adotado pelo mesmo e teve a felicidade de fazerem um teste no São Paulo, foram aprovados em 1968 e de lá sua carreira profissional decolou. Gilberto jogava de lateral-direito na várzea.

               No dia que foi fazer o teste com o José Poy, ele perguntou quem era lateral-direito. Imediatamente Gilberto levantou a mão. Como já tinha lateral-direito Poy falou “negão, joga na esquerda”. Fez dois treinos, na terça e na quinta. No sábado, ele o convocou para um jogo amistoso no Jardim Rochedale, em Osasco. Foi o seu primeiro jogo com a camisa do São Paulo.  Tinha no início uma dificuldade de usar a perna esquerda, mas com uma série de treinamentos passou a usá-la naturalmente.

               Gilberto teve uma felicidade muito grande no São Paulo. Sua idade que era de Infantil e já foi jogando como Juvenil. Teve uma ascensão muito rápida e foi campeão em 69 e depois Campeão Brasileiro com a Seleção Paulista em 70, campeonato este disputado em Santo André na inauguração do estádio e na sua volta desta Seleção foi chamado para os profissionais e não saiu mais. Em 1970 Gilberto fez parte de um grande time do São Paulo, jogando ao lado de craques como Gérson, Pedro Rocha, Edson Cegonha e o próprio Forlan. Já como profissional em 1970, teve a felicidade de pegar um belo time, com Sergio, Forlan, Jurandir, Dias e Tenente na lateral-esquerda. Aí foi promovido e tinha no meio de campo titular o Edson, Gérson, Toninho Guerreiro e o Paraná.

                Foi um time muito bom que conseguiu tirar o São Paulo de 13 anos na fila sem conseguir títulos. O torcedor são-paulino já não aguentava mais ficar tanto tempo sem gritar “campeão”, por isso, naquela noite de 9 de setembro de 1970, ele pode extravasar toda sua felicidade, e mal sabia ele, que daquele dia em diante, muitas alegrias como aquela ou ainda maiores, ele iria ter até os dias de hoje. Naquela noite o São Paulo jogou com; Sérgio, Forlan, Jurandir, Dias e Gilberto (Tenente); Edson e Nenê; Paulo, Terto (Benê), Toninho Guerreiro e Paraná. O técnico era Zezé Moreira.

               Gilberto foi bicampeão paulista em 70 e 71. Em 1972 foi vice-campeão invicto. Contra o Palmeiras, o Tricolor estava páreo a páreo, mas teve um jogo que o Palmeiras venceu e ficou um ponto na frente. Na final, teve um empate e o Palmeiras foi campeão. Em 74 Gilberto estava em uma fase fantástica, jogando todos os jogos, inclusive bateu um recorde, ou seja, disputou 73 partidas seguidas sem ser substituído, sem expulsão e atuando os 90 minutos. Nesta época Pelé o indicou, falando que o lateral que deveria ir pra Seleção Brasileira era o Gilberto Sorriso. E realmente foi convocado, foi uma festa muito grande no clube, mas na hora da apresentação houve uma mudança radical e sua participação na Seleção se resumiu em ficar na lista dos 40.

               Em 75 surgiu uma outra geração, com Serginho Chulapa e o tão famoso Muricy Ramalho. O  técnico do São Paulo era José Poy, assumindo o São Paulo com uma determinação de fazer uma renovação. Realmente foi feita, remanescentes eram poucos jogadores como Gilberto, Pedro Rocha, Terto e Zé Carlos. Trouxe um time renovado com Paranhos, Arlindo e Chicão. Esta equipe realmente ficou trinta e poucas partidas sem perder e conseguiu ali o campeonato. Em 1977, pouco antes do Brasileirão que o São Paulo conquistou, Gilberto foi contratado pelo Santos Futebol Clube. Com a camisa do Tricolor do Morumbi, Gilberto Sorriso realizou 431 jogos. Foram 210 vitórias, 142 empates e 79 derrotas. Marcou 7 gols.

SANTOS F.C.

               No final  do campeonato brasileiro de 1977, o presidente do São Paulo chamou Gilberto e lhe disse que tinha uma proposta do Santos, perguntando se ele queria ir, dizendo que só concretizaria a negociação se ele quisesse. Nelsinho Baptista e Gilberto, que eram os dois laterais, interessavam ao Santos, sendo assim, os dois conversaram e acharam melhor irem para o Santos. Só que quando eles chegaram, se assustaram um pouco, porque tinha jogadores demais naquela época. A equipe não se encontrava na Capital, estava viajando e ficaram na dúvida se iriam ficar ou se era melhor voltarem, mas acabaram ficando.

              Houve uma mudança no Santos e aí eles passaram usar os garotos da equipe de base junto com a experiência de alguns jogadores como Gilberto, Nelsinho, Clodoaldo e Aílton Lira. Nasceu ali os primeiros “Meninos da Vila”, com Juary, Nilton Batata, Pita, Célio e Neto. Foi fantástica a montagem daquele time e os resultados alcançados. Nasceu uma amizade muito grande naquele time que perdura até hoje e estão sempre juntos. Por isso que Gilberto tem ainda hoje um carinho até maior pelo Santos do que pelo São Paulo, porque a sua convivência é maior com os jogadores do Santos, onde sua carreira foi muito boa.

              Teve algumas saídas devido à alguns problemas, disputando uma Taça de Prata pelo Goiás. Voltou e foi pro Noroeste, tendo nesta volta um problema no Tendão de Aquiles, retornando depois ao Santos, sendo novamente campeão em 84 com um time diferente, que tinha Rodolfo Rodrigues, Márcio Rossini, Toninho Carlos, Gilberto, Toninho Oliveira, Dema, Serginho Chulapa, Lino, Paulo Isidoro, Zé Sérgio e Humberto. Era um timaço. Haviam jogadores que tinham saído do São Paulo e foram para o Santos. A maioria dos atletas que saem do São Paulo e vão para o Santos dão certo e arrasam. Teve a oportunidade de ser campeão em 84. Na final, o Santos derrotou o Corinthians por 1 a 0 com um gol do Serginho Chulapa, aos 27 do segundo tempo. Neste dia o Santos jogou com; Rodolpho Rodrigues, Chiquinho, Márcio, Toninho Carlos e Toninho Oliveira (Gilberto); Dema, Paulo Isidoro e Humberto; Lima, Serginho e Zé Sérgio (Mário Sérgio). O técnico era o ex-goleiro Castilho.

FORA DAS QUATRO LINHAS

               Após encerrar a carreira como jogador, trabalhou no São Paulo como técnico das categorias infantil juvenil e júnior do São Paulo e esteve envolvido também com escolinhas de futebol. Tem em seu currículo um Curso Superior de Educação Física e também Pós em Administração Esportiva. Gilberto Sorriso tem dois filhos, Gilberto Tavares da Silva, o Giba, e Thalita Tavares. Giba, filho de Sorriso, é lateral-esquerdo como o pai. Ele começou a carreira no Santos.

               Certa vez, Gilberto Sorriso chegou a passar por um grande susto. Um homem também conhecido por Gilberto Sorriso cometeu um crime na região de Porto Feliz (SP). A polícia recebeu a informação que se tratava de um ex-jogador e resolveu bater na porta do ex-craque do São Paulo e do Santos. Na verdade, o picareta – um falso “Gilberto Sorriso” que se dizia descobridor de talentos, agia na região de Porto Feliz (SP) e usava o nome e a fama do ex-lateral do São Paulo e Santos para ludibriar jovens jogadores.

              Um dia o tal picareta matou uma pessoa a golpes de macaco de um Opala e a polícia acabou indiciando “Gilberto Sorriso” como o autor. Resultado: Gilberto Ferreira da Silva, o verdadeiro Gilberto Sorriso, em 2001 foi processado e… quase levado a julgamento. E, devido à tradicional morosidade da justiça, o nome de Gilberto continua “sujo” até os dias de hoje. Ou seja, o processo ainda não foi extinto e como ainda há ordem de prisão contra o tal assassino foragido, Gilberto Sorriso circula com um “contra mandato de prisão”. Isso já evitou que ele fosse preso por duas vezes. É mole?

              Gilberto sempre foi uma pessoa muito simpática e bem humorada, tanto é, que está sempre sorrindo, fazendo jus ao seu apelido. Ele pertence à uma associação que trabalha com garotos carentes da periferia de São Paulo, desenvolvido dentro da comunidade (favelas) onde tem um campinho de futebol, com dois ex-atletas trabalhando, passando os fundamentos do futebol e da própria vida e foi lá que Gilberto Sorriso realizou algumas palestras, sempre procurando passar sua experiência aos mais jovens que ainda estão iniciando a vida dentro do futebol. 

Em pé: Adailton, Sérgio, Gilberto, Edson, Jurandir e Forlan    –   Agachados: Paulo, Terto, Pedro Rocha, Gerson e Paraná
Em pé: Nelsinho Batista, Gilberto, Neto, Alfredo, Bianqui e Ernani    –   Agachados: Juary, Carlos Roberto, Reinaldo, Evilázio e João Paulo
Em pé: Gilberto, Davi, Marola, Dema, Toninho Carlos e Toninho Oliveira    –   Agachados: Lino, Paulo Isidoro, Serginho Chulapa, Pita e João Paulo
Em pé: Gilberto, Sérgio, Dias, Edson, Jurandir e Forlan   –   Agachados: Paulo, Terto, Toninho Guerreiro, Gerson e Paraná
Em pé: Gilberto, Sérgio, Paranhos, Arlindo, Edson e Forlan   –   Agachados: Terto, Zé Carlos, Toninho Guerreiro, Dias e Piau
Em pé: Gilberto, Vitor, Joãozinho, Neto, Clodoaldo e Nelsinho Batista    –   Agachados: Nilton Batata, Ailton Lira, Juary, Pita e João Paulo

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