GRÊMIO FOOT-BALL PORTOALEGRENSE – Fundado em 15 de Setembro de 1903

                                       A Fundação de um clube que nasceu da bola para o futebol, a história da baixada, os primeiros gremistas e as emoções dos primeiros jogos. A bola de couro trazida pelo paulista Cândido Dias da Silva foi um dos fatores decisivos para a fundação de Grêmio Portoalegrense. Trabalhando há algum tempo em Porto Alegre, Cândido Dias da Silva recebeu dos irmãos que moravam em São Paulo, um presente que jamais esperava: uma bola de futebol.

                                      Em 1903, com exceção dos estrangeiros, pouca gente na cidade ouvira falar do novo esporte, e muito menos ainda tivera oportunidade de ver uma bola de couro. Cândido porem, não se importou com a falta de conhecimento e, aos fins de semana, reunia os amigos e com eles, de bonde puxado a burro, ia jogar a sua bola para os lados da Cascata. Pedro Haeffner, um dos componentes do grupo, sugeria então que Cândido por carta, consultasse os irmãos sobre a maneira de se praticar o futebol, pedindo, se possível que eles mandassem também um livro de regras.

                                     Foi justamente nessa época, que apareceu em Porto Alegre a equipe de futebol do Esporte Clube Rio Grande. Os ingleses e alemães que jogavam no time de Rio Grande haviam sido convidados para uma exibição na Cidade e, no dia marcado, 7 de Setembro de 1903, o campo da Várzea ficou rodeado de curiosos. Cândido com a bola debaixo do braço, estava entre eles, com a atenção redobrada. Em dado momento a bola dos ingleses esvaziou-se, para desapontamento geral.

                                    Cândido, mais do que depressa, emprestou a sua, garantindo o final da demonstração. Em troca, ao final da partida, obteve dos jogadores as primeiras lições sobre futebol e, principalmente, deles ficou sabendo com agir para fundar um clube. Os ensinamentos tiveram um resultado fulminante: no dia 15 de setembro de 1903, uma semana após a exibição dos estrangeiros em Porto Alegre, foi fundado o Grêmio Foot-ball Portoalegrense.

Fundação

                                  “Já estava escurecendo. No mês de setembro, quando começa a escurecer são 19 horas. Essa a hora em que nos reunimos na Rua José Montauri, para fundar o Grêmio, por ideia do paulista Cândido Dias da Silva, o dono da bola. E ali onde existe o restaurante Dona Maria. Era um hotel muito bom na época.” Palavras de Frederico Reinoldo Panitz, o último sócio-fundador ainda vivo, em 1971, aos 88 anos de idade.

                                  O Grêmio F.B.P.A., na época Grêmio Portoalegrense, foi fundado em 15 de Setembro de 1903. Num hotel da atual Rua Dr. José Montauri, 33 rapazes reuniram-se e fundaram, então, aquele que seria um dos maiores clubes brasileiros de futebol. Nesta época, Porto Alegre tinha uma população de 120.000 habitantes.

Primeira Ata

                                  Aos quinze dias de setembro de mil novecentos e três, reuniram-se no Salão Grau sito à rua 15 de Novembro, nesta capital, os abaixo assinados afim de tratarem da fundação de uma sociedade, que tivesse por fim dedicar-se ao jogo de foot-ball. Presidiu a sessão o Sr. Francisco França Júnior servindo em de secretário. À sociedade foi dado o nome de Grêmio de Foot Ball Porto-Alegrense. A fim de redigirem os estatutos foi nomeada a Comissão composta dos Srs. Pedro Haeffner, Guilherme Uhrig e Alvaro Brochado.

Porto Alegre 15 de Setembro de 1903

Alberto Lins Siebel”

                                 As cores escolhidas para o clube foram o havana (quase alaranjado) e o azul. A falta de tecidos havana no comércio fez com que houvesse uma alteração no uniforme. A cor foi substituída pelo preto, com a incorporação posterior do branco. O Grêmio realizou o primeiro jogo apenas no dia 6 de março de 1904, quase meio ano depois de sua fundação. Foram duas partidas numa tarde só, com primeiro e segundo quadros, contra o Fuss Ball Porto Alegre (extinto), no campo do adversário.

                               Foi pela disputa de dois troféus, o “Vereinspreis” e o “Wanderpreis”, ou “troféu dos clubes” e “troféu móvel” em alemão. O programa do jogo, com escalações dos times e outros detalhes, foi impresso em alemão e português. E o Grêmio ganhou seu jogo de estreia por 1×0. O “Wanderpreis”, um bonito copo de metal, é o primeiro dos mais de 2 mil troféus do clube e está exposto bem na entrada do museu.

                              Nas primeiras décadas houve uma influência muito grande da colônia alemã entre os jogadores e torcedores gremistas. O primeiro estádio efetivo do clube foi a Baixada, no bairro Moinhos de Vento, que ficou conhecido como “fortim”, dada a dificuldade dos adversários baterem o time em seus redutos.

                             O primeiro campo do Grêmio foi a Baixada do Moinhos de Vento, que custou 10 contos de réis. A compra foi negociada pelo dirigente Augusto Koch e sua inauguração foi dia 4 de Agosto de 1904.  Situava-se entre as atuais Ruas Mostardeiro e Dona Laura. O Grêmio permaneceu na Baixada até 1954. Foi na Baixada que o Grêmio ganhou seu primeiro troféu, o Wanderpreiss. Foi lá também que, em 1909, venceu o primeiro clássico Gre-Nal com a histórica goleada de 10 x 0.

                             O primeiro título estadual veio em 1921, sendo repetido no ano seguinte. Nos anos 30 surgiram os primeiros grandes ídolos: Eurico Lara, o goleiro que virou lenda; Luiz Carvalho, o “rei da virada” que viria a ser tudo no clube, inclusive presidente nos anos 70; Oswaldo Rolla, o “Foguinho”, que revolucionaria o futebol gaúcho anos depois no cargo de treinador do próprio Grêmio, dando ênfase ao futebol-força; ou ainda Luiz Luz, zagueiro com passagem pela seleção brasileira.

                             Em 1946 surgiu a primeira torcida organizada do Grêmio, o mascote “Mosqueteiro” e uma faixa com os dizeres “Com o Grêmio onde estiver o Grêmio”. Em 1953, ao escrever o hino do cinquentenário do Grêmio (hoje hino oficial do clube), o compositor Lupicínio Rodrigues inverteu a frase: “Com o Grêmio onde o Grêmio estiver”.

                             Em 1950, o Grêmio foi o primeiro clube fora do Rio de Janeiro a jogar no Maracanã, ganhando do Flamengo por 3 x 1. Este jogo foi parte do pagamento do jogador Hermes que aparece na foto abaixo com a camisa do Flamengo.  Neste jogo o Grêmio marcou seu gol número 3.000 com o jogador Balejo.

                            A década de 50 marcou uma virada na história gremista. Em 1954 o clube trocou de casa. Saiu do “Fortim da Baixada” e se transferiu para o moderno Estádio Olímpico. A mudança abriu uma era de conquistas com os gremistas comemorando, a partir de 1956, nada menos do que 12 títulos estaduais em 13 anos.

                            Foi a geração de craques como o zagueiro Aírton, o meia Gessi, o centroavante Juarez – o “tanque” ou o lateral Ortunho. Num segundo momento, este mesmo time apresentou figuras como o volante Élton e os atacantes João Severiano e Alcindo, o “Bugre”.

                            Em 1961, o time fez uma excursão de 33 jogos em 78 dias pela Europa.   Em 1963, o Olímpico foi cenário da Universidade, a Olimpíada Mundial Universitária. O Grêmio sempre foi um pioneiro. Era inevitável que um dia acabasse pintando o mundo de azul, e chegou lá a 11 de dezembro de 1983. Nem os 20 rapazes que fundaram o clube poderiam sonhar tão alto.

                           A década de 70 foi pobre em conquistas, mas o título estadual de 77 foi inesquecível. Comandado por Telê Santana, o Grêmio quebrou uma série de oito anos de derrotas com uma equipe experiente onde figuravam Oberdan, Ancheta, Tadeu Ricci, André Catimba e o garoto Éder.

                           Os poucos títulos dos anos 70 foram compensados na década seguinte. Em 80, o clube concluiu a ampliação do Estádio Olímpico, que passou a se chamar Olímpico Monumental. O primeiro título brasileiro veio no ano seguinte e, em 83, a consagração com os triunfos na Libertadores da América e no Mundial Interclubes. Eram os tempos de Renato, De León, Tita, Mário Sérgio e Mazaropi.

                           A data inesquecível para os gremistas foi o dia 11 de dezembro de 1983. Em Tóquio, na vitória de 2 x 1 sobre o Hamburgo, da Alemanha, veio a “conquista do mundo”.

                           A passagem dos anos 80 para a década de 90 mostra um Grêmio ambicionado, sempre de olho nos títulos internacionais. Em 95 foi, mais uma vez, campeão da América. No Mundial Interclubes, no entanto, perdeu a decisão para o Ajax , da Holanda, nos pênaltis.

                          Nos torneios nacionais ganhou a Copa do Brasil em três edições (89, 94 e 97). O time voltou a ser campeão brasileiro em 96. Marcou a década, a “geração Felipão”, com um time de muita competitividade, comandado pelo treinador Luiz Felipe Scolari e com estrelas como Jardel, Adílson, Paulo Nunes, Dinho, Arce e Émerson.
Na virada para o ano 2000 o Grêmio anunciou uma parceria milionária com a empresa de marketing esportivo suíça ISL e fez investimentos altos para voltar aos grandes títulos. Paralelo a isto, viu surgir no Estádio Olímpico uma das maiores promessas do futebol mundial nos últimos anos – Ronaldinho.

No dia 8 de dezembro de 2012, o Grêmio inaugurou sua nova Arena. Foi num jogo amistoso diante do mesmo clube em que sagrou-se campeão mundial em 1983, ou seja, o Hamburgo, da Alemanha. O jogo terminou com a vitória gremista por 2×1 e o primeiro gol marcado no novo estádio coube ao atacante André Lima.

 

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