COPEU: um autentico ponta direita

                   Carlos Cidreira nasceu dia 26 de setembro de 1943, na cidade de Salvador (BA). Menino pobre, de um só calção, jogava pelada o dia inteiro no campinho de Pau Miúdo, em Salvador. Foi exatamente numa das acirradas peladas que, em tom de brincadeira, um dos moradores do bairro e admirador do futebol do garoto, o chamou de “Copeu”, apelido que pegou e o acompanhou na sua esplêndida jornada vitoriosa no futebol brasileiro. Era mais conhecido pelo espírito de luta do que pela técnica. Para ele não existia bola perdida. Aos 15 anos disputou o campeonato amador de Pau Miúdo, pelo Guarani F.C., destacando-se como artilheiro do certame, marcando 18 gols.

                  Dono de uma velocidade espantosa, atuando na meia direita, Copeu logo foi descoberto pelo técnico do Botafogo, cuja sede situava-se na Praia de Itapuã, e treinavam no campo do quartel da Polícia Militar do Estado. No primeiro treino fez dois gols e, de imediato, com apenas 17 anos, assinou, através de procuração, o seu primeiro contrato como jogador profissional de futebol. Seis meses depois, já artilheiro do time, recebeu o convite para treinar na Sociedade Esportiva Palmeiras.  Assim, aos 18 anos, foi contratado para atuar na meia direita do Verdão do Parque Antártica, ao lado de craques como Ademir da Guia, Dudu, Valdir, Djalma Santos, Tupãzinho e Rinaldo.

                 No ano de 1965 o São Bento de Sorocaba comprou o seu passe, cujo treinador era o renomado Wilson Francisco Alves que, eufórico com as arrancadas velozes de Copeu, o colocou na ponta direita, posição que deu resultados surpreendentes, principalmente porque os gols, vindos de seus chutes, aumentaram consideravelmente. Com a evolução de seu futebol, Copeu, considerado nesse ano o melhor ponta direita do Campeonato Paulista, foi contratado, por empréstimo, pelo poderoso Santos F.C., passando a jogar ao lado de Pelé, o “Rei do Futebol”.

                 Acabando o empréstimo, em 1968, retornou ao São Bento de Sorocaba, sendo, após uma temporada brilhante, campeão do interior do Estado de São Paulo. Em decorrência de seus gols, pois foi um dos artilheiros do certame, a Sociedade Esportiva Palmeiras outra vez o comprou para a temporada de 1969, no finzinho desse ano, tendo como treinador o famoso Rubens Minelli. Jogando ao lado dos craques Dudu, Antunes, Ademir da Guia, Chicão, Baldochi, Eurico, Serginho e Leão, conquistou o cobiçado título de campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, ganhando na final, do Botafogo de Futebol e Regatas do Rio de Janeiro. Pelo Verdão, Copeu fez 122 jogos, com 69 vitórias, 30 empates e 23 derrotas. Marcou 16 gols.

                Após a histórica vitória Copeu foi convocado para a seleção Brasileira de Futebol, pelo técnico Oswaldo Brandão, e, outra vez, teve o privilégio de formar a linha de frente com Pelé, em dois jogos contra a forte seleção paraguaia, vencendo o primeiro por 4×0, perdendo o segundo por 1×0. Ali, além de Pelé, fez tabelinha com Rivelino, Edu, Carlos Alberto Torres, e outros famosos.

               Uma das maiores lembranças do ex-ponta é que sempre “acabava” com o lateral-esquerdo Rildo, do Peixe, nos jogos entre São Bento de Sorocaba e Santos ou Palmeiras e Santos. Talvez por isso, os dirigentes do Santos o contrataram em 1971. Mas Copeu defendeu o time da Vila apenas naquele ano. O ex-jogador também atuou por Botafogo da Bahia e Associação Atlética Portuguesa. Depois foi contratado para jogar no Sport Clube do Recife, onde, como um dos artilheiros, comemorou o título de vice-campeão pernambucano. Em 1972 disputou o Campeonato Paraense de Futebol, pelo Clube do Remo do Pará, ganhando o vice-campeonato.

               Em 1973, foi favorecido com o passe livre e, recebendo o convite do E.C. Comercial de Campo Grande (MS), através da intermediação do craque Gonçalves, veio defender as cores do “Vermelhinho”. Foram seis anos de sucesso. Neste período Copeu marcou 78 gols, transformando-se no maior goleador, de todos os tempos, da história do Esporte Clube Comercial de Campo Grande. Como jogador foi campeão em 1975 pelo “Vermelhinho”. e, como técnico do Colorado, venceu muitos clássicos “comerários”. Também assumiu a direção técnica do C.A Douradense e Ubiratan F.C. (ambos de Dourados-MS), encerrando a carreira como treinador no E.C. Comercial.

             Atualmente é funcionário do Rádio Clube de Campo Grande, atuando como professor da Escolinha de Futebol do Clube. Tem quatro filhos, referentes a seus dois casamentos. O ex-ponta-direita de São Bento e Palmeiras nos anos 60 hoje reside em Campo Grande-MS, onde é treinador dos juvenis do Comercial, ao lado de Gonçalves, também ex-São Bento de Sorocaba. É o maior artilheiro da história do Comercial, clube que defendeu entre 1973 e 1975. No dia 21 de agosto de 2007, Copeu recebeu o título de Cidadão Campograndense, por indicação do vereador Athayde Nery. Segundo o político, essa foi uma maneira de homenagear um jogador que teve grande contribuição para o futebol nacional e estadual. Curioso é que ele veio para Campo Grande em 1973 para passar apenas três meses e lá ficou.

Em pé: Eurico, Minuca, Zé Carlos, Baldochi, Dé e Chicão    –   Agachados: Copeu, Jaime, Cardoso, Ademir da Guia e Serginho
Em pé: Eurico, Neuri, Luiz Pereira, Nelson, Dudu e Dé    –   Agachados: Copeu, Jaime, César, Ademir da Guia e Pio
Em pé: Chicão, Geraldo Scalera, Baldochi, Dudu, Nelson e Ferrari    –   Agachados: Copeu, Servilio, Artime, Ademir da Guia e Serginho
SÃO BENTO DE SOROCABA – Em pé: Nestor, Chicão, Gibe, Salvador, Nei e João Carlos    –   Agachados: Raimundinho, Copeu, Oswaldo, Gonçalves e Paraná
Em pé: Julião, Gibe, Walter, Salvador, Nei e João Carlos    –   Agachados: Raimundinho, Copeu, Ubirajara, Gonçalves e Paraná
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