MUCA: um dos melhores goleiros do Brasil

                   Levy Baldassari nasceu dia 6 de fevereiro de 1927, na cidade de Jacarezinho – PR. Foi um goleiro que jogou na Portuguesa de Desportos na década de 50 e suas brilhantes apresentações fez com que fosse convocado diversas vezes para defender a Seleção Paulista, que na época era formada por verdadeiras feras do nosso futebol. Pela Lusa do Canindé fez parte de uma das melhores equipes que a Portuguesa já teve em todos os tempos, ou seja; Muca, Djalma Santos, Nena, Ceci e Noronha; Brandãozinho e Pinga; Julinho Botelho, Nininho, Renato e Simão, uma verdadeira seleção.

                  E foi esta a equipe que o técnico Osvaldo Brandão mandou a campo no dia 25 de novembro de 1951 para enfrentar o Corinthians, que também tinha um grande time; Gilmar, Idário, Julião, Murilo e Alfredo;  Touguinha e Luizinho; Cláudio, Baltazar, Carbone e Mário. O técnico era Rato. Neste dia a Lusa fez uma partida simplesmente sensacional e venceu o alvinegro por 7 a 3, gols de Julinho (4), Pinga (2) e Nininho. Enquanto para o Corinthians marcaram Idário e Carbone (2).

                 Este jogo foi realizado debaixo de muita chuva e a torcida corintiana elegeu como culpado pela derrota o goleiro Gilmar, que foi afastado da equipe e só voltaria a defender a meta corintiana no ano seguinte. Mas vale lembrar que neste ano de 1951, o campeão paulista foi o Corinthians.

INÍCIO DE CARREIRA

                 Muca começou sua carreira na Esportiva de Jacarezinho de sua terra natal, um clube extinto e que foi duas vezes vice-campeão do Paraná. Por ser um goleiro elástico, de rápidos reflexos e muito corajoso, começou a chamar a atenção de clubes de toda a região paranaense. Foi num tempo em que a população de Jacarezinho vivia empolgada com o futebol. A cada partida da Esportiva, em Curitiba, caravanas imensas se deslocavam para a capital, de trem ou de ônibus. As partidas da Esportiva eram transmitidas pelo locutor Miguel Jorge Chueiri (Tufica), por telefone e reproduzidas pelo Serviço de Alto-Falante do Cine Éden.

               No início dos anos 50, a Esportiva costumava trazer até Jacarezinho grandes equipes do Rio de Janeiro e São Paulo, para jogos amistosos que levavam grandes públicos ao estádio. Foi quando a Portuguesa de Desportos, então um dos grandes quadros de futebol de São Paulo, foi até lá para um amistoso. Seus dirigentes ficaram empolgados com “Muca”, que realizou uma grande partida, sendo o melhor em campo. Acabaram adquirindo seu passe, dando em troca para a Esportiva, o goleiro Bolivar, que pesava nada mais, nada menos, do que míseros 110 quilos.

PORTUGUESA

               Muca foi para a Lusa do Canindé, mas permaneceu sempre na lembrança dos torcedores da sua cidade natal. Em pouco tempo conquistou a simpatia da torcida paulista, não só da Portuguesa, mas dos outros clubes, também, que o admiravam pela elegância, cavalheirismo e habilidade no gol. Nos arquivos de jornais e revistas especializadas de São Paulo, ainda é possível encontrar artigos que falam do goleiro, que se consagrou como um dos melhores que o futebol brasileiro já conheceu.

               Defendendo a meta da Portuguesa de Desportos, Muca foi campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1952, e ainda conquistou a ”Fita Azul” em 1951 e 1953 e o “Troféu San Isidro”, de 1951 e o Campeonato Brasileiro, pela Seleção Paulista, em 1952, que na época só tinha feras, vejam como ela era formada; Muca, Djalma Santos, Hélvio, Bauer e Noronha; Brandãozinho e Pinga; Julinho Botelho, Baltazar, Antoninho e Rodrigues Tatu. O técnico era Aymoré Moreira.

TORNEIO RIO-SÃO PAULO

               A Portuguesa conquistou o Torneio Rio-São Paulo de 1952 e serviu de base para a seleção paulista daquele ano, pois seis jogadores da Lusa foram convocados para defender o estado de São Paulo, ou seja, Muca, Djalma Santos, Brandãozinho, Julinho, Pinga e Noronha. A campanha da Lusa foi a seguinte; disputou nove jogos, venceu seis, empatou um e perdeu dois. Com estes resultados foi decidir o título com o Vasco da Gama, onde realizaram duas partidas para se saber quem seria o campeão daquele ano. Na primeira partida disputada dia 15 de junho no Pacaembu, a Portuguesa venceu por 4 a 2, gols de Nininho (2), Julinho Botelho e Pinga. A segunda partida foi realizada no dia 19 de junho no Maracanã e o placar foi de 2 a 2, com dois gols de Pinga para a Lusa.

EXCURSÕES INTERNACIONAIS

               A Fita Azul era um título oferecido pelo jornal “Gazeta Esportiva” ao time que permanecesse invicto por mais de 10 jogos em excursões fora do país. A Portuguesa recebeu o prêmio três vezes por excursões que realizou durante a década de 50. A Portuguesa foi a primeira equipe brasileira a viajar para a Turquia. O Museu Histórico da Portuguesa possui a bola de capotão trazida da Suécia.

               San Isidro é o padroeiro de Madrid e, em sua homenagem, há uma semana inteira de comemorações. Entre essas comemorações, o Clube Atlético de Madrid decidiu instituir a disputa da Copa San Isidro. No dia 16 de maio de 1951, 70 mil torcedores foram ao Estádio Metropolitano assistir à partida entre Portuguesa e Atlético de Madrid. A Portuguesa chegou a estar ganhando por 3×0, mas a arbitragem, para evitar uma humilhação maior da equipe local, passou a interferir no resultado da partida, até mesmo anulando o gol mais bonito da Portuguesa. No final, vitória da Portuguesa por 4×3.

               Na Colômbia, a Portuguesa disputou um quadrangular, venceu as três partidas e conquistou o título.  O técnico da equipe era Aimoré Moreira e os  jogadores que participaram deste quadrangular foram os seguintes: Muca, Nena, Valter I, Djalma Santos, Brandãozinho, Carlos, Julinho, Renato Edmur, Oswaldinho, Valter II, Lindolfo, Hermínio, Tomires, Dias, Bento, Genê e Atis.

              Numa outra excursão, a Portuguesa começou sua temporada pela Europa de maneira desastrosa.. Na primeira exibição, em Londres, perdeu para o Arsenal por 7×1. Este resultado ao contrário de desanimar os lusos, serviu para um ânimo maior, tanto que, nas 20 partidas disputadas na seqüência da temporada, a Portuguesa não perdeu nenhum.

SELEÇÃO PAULISTA

               Naquele tempo disputava-se um campeonato brasileiro por seleções estaduais, não havia uma competição de clubes, como existe hoje. Graças as suas estupendas atuações defendendo a meta da Portuguesa, Muca foi convocado diversas vezes para integrar a Seleção Paulista. Era cotado para ser o titular da Seleção Brasileira. Muca defendeu a Portuguesa até 1953. Sua última partida foi a vitória de 4 a 3 sobre o Linense, válida pelo Campeonato Paulista, em 20 de dezembro. Neste dia a Portuguesa jogou com: Muca, Djalma Santos, Nena, Ceci e Válter;  Brandãozinho e Amorim; Julinho Botelho, Renato, Átis e Ortega.

FORA DAS QUATRO LINHAS

               Depois que encerrou sua brilhante carreira como jogador, resolveu retornar à pacata Jacarezinho, no interior do Paraná, para levar uma vida tranquila, onde iria se casar com sua namorada de infância, Ilca, que era filha do então prefeito da cidade, o Sr. Benedito Moreira. A vida estava um mar de rosas, ao lado de sua amada e só cuidando da fazenda, ou seja, trocou o verde dos gramados pelo verde das montanhas, onde ele construiu sua morada. Mas infelizmente a vida muitas vezes nos pregam certas peças que não sabemos explicar e foi o que aconteceu com o goleiro Muca.

               No dia 23 de setembro de 1958, durante uma festa de casamento, ao apartar uma briga entre dois empregados da Fazenda Ingá, de propriedade de seu sogro, que ele administrava, Muca foi ferido próximo a virilha por um golpe de canivete e veio a falecer, vítima da violência que ele procurou conter. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu e veio a morrer. Deixou um casal de filhos, sendo que seu filho morreu tempos depois em um acidente de trânsito. Mas seu nome ficou eternizado em Jacarezinho e no futebol brasileiro. A cidade prestou-lhe uma homenagem, dando o nome de “Levy Baldassari” a uma de suas ruas.

               No estádio Municipal Pedro Vilela, de Jacarezinho, existe uma placa de bronze na entrada, em homenagem a Muca. Ela foi descerrada pelo ex-atleta da Seleção Brasileira e bi-campeão do mundo, Djalma Santos, em uma partida entre Veteranos da Associação Esportiva Jacarezinho (AEJ) X Veteranos de Curitiba. O resultado foi 2 a 2. Na placa está escrita uma frase do professor Rodrigo Otávio, que diz: “Muca” aquele que viveu a vida que eu gostaria de ter vivido”. A placa existe até hoje, embora danificada, por falta de manutenção.

               Desde criança, Levy Baldassari, eternizado com o apelido de “Muca” demonstrou ser um apaixonado pelo futebol e, no futebol, jogava como poucos na posição de goleiro. Integrou a equipe da Esportiva de Jacarezinho, desde o tempo do amadorismo até quando ela ingressou na divisão especial do campeonato paranaense, sagrando-se vice-campeão do Estado. No início dos anos 50, foi jogar na Portuguesa e na capital paulista era admirado por todos, pela sua elegância e cavalheirismo e pela habilidade no gol. Existem até hoje artigos de cronistas especializados que narram as habilidades de Muca, um dos maiores goleiros que o Brasil já teve.

1951   –   Em pé: Djalma Santos, Ceci, Brandãozinho, Jacó, Muca e Manduco   –    Agachados: Julinho, Renato, Nininho, Pinga e Jerônimo
Seleção Paulista de 1953   –   Em pé: o treinador Aimoré Moreira, Julinho, Antoninho, Baltazar, Pinga e Rodrigues Tatu   –    Agachados: Bauer, Djalma Santos, Hélvio, Muca, Brandãozinho e Noronha

Em pé: O técnico Osvaldo Brandão, Djalma Santos, Ceci, Brandãozinho, Jacó, Manduco e Muca   –    Agachados: Julinho Botelho, Renato, Nininho, Pinga e Simão.
Seleção Paulista de 1952   –  Em pé: Hélvio, Muca, Djalma Santos, Brandãozinho, Bauer e Noronha   –    Agachados: Julinho Botelho, Antoninho, Baltazar, Pinga e Rodrigues
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