POLOZZI: idolo da Ponte Preta

              José Fernando Polozzi nasceu dia 01 de outubro de 1955 na cidade de Louveira (SP). Alguns jogadores jamais conseguiram desvincular seus nomes dos de seus parceiros. Pepe será sempre lembrado como o companheiro de Pelé no Santos, Dudu o de Ademir da Guia no Palmeiras, ou Nunes o de Zico no Flamengo. A carreira do ex-zagueiro Polozzi também teve uma sombra. A de Oscar, com quem fez sucesso defendendo a Ponte Preta na década de 1970. Polozzi nasceu em Louveira, mudou-se aos 6 anos para Vinhedo e acabou tentando a sorte na Ponte Preta, incentivado pelo pai. A mãe, Benedita Camargo, queria que o filho fosse engenheiro, mas contribuiu para que ele se tornasse jogador de futebol. “Às vésperas de uma Taça São Paulo, eu era mais velho que Juninho e Fernando, então, fui afastado. Pedi para minha mãe me acordar cedo no dia seguinte, ela não fez, o Juninho se contundiu, o Fernando sumiu e os diretores foram me buscar em casa”, contou o zagueiro, que foi revelado naquela competição.

PONTE PRETA

              Na Ponte Preta, Polozzi conheceu Oscar e se consagrou como seu companheiro. “A gente sempre se entendeu muito bem. Era uma coisa instintiva. Nunca combinávamos antes dos jogos a maneira de atuar, ou decidimos quem ia dar o primeiro combate e saía tudo normalmente, graças ao nosso perfeito entrosamento”, lembrou, observando, na época, que não foram apenas ele e o parceiro que ficaram famosos. “Há até pouco tempo, ninguém conhecia a Ponte, mas agora ela está entre os grandes clubes do Brasil”. Passou a ficar famosa principalmente depois daquela decisão do campeonato paulista de 1977, quando enfrentou o Corinthians que vinha de um jejum de títulos há mais de 22 anos.  Todos diziam que a Ponte tinha mais time, no entanto, na hora da decisão, a torcida alvinegra de Parque São Jorge que naqueles três jogos da final, empurrou o time e fez com que cada jogador corintiano se entregasse de corpo e alma para sair de campo com o título, foi decisivo.  

               Naquela noite do dia 13 de outubro de 1977, o técnico Zé Duarte mandou a campo o seguinte time; Carlos, Jair Picerni, Oscar, Polozzi e Angelo; Vanderlei, Marco Aurélio e Dica; Lúcio, Rui Rey e Tuta.  Polozzi lembra o lance do gol como se fosse ainda hoje. Faltavam dez minutos para terminar a partida, quando uma falta na ponta direita deu um novo alento à torcida corintiana. Zé Maria cruzou na área, Wladimir raspou a cabeça e a bola sobrou para Vaguinho, que, de canhota, mandou uma bomba no travessão. No rebote, Wladimir cabeceou mais uma vez, no corpo de Oscar, que impediu o gol. No segundo rebote chega Basílio chutando de uma maneira que parecia haver milhões de pés chutando ao mesmo tempo e a bola foi estufar as redes do goleiro Carlos, que nada pode fazer.

PALMEIRAS    

              Depois de receber a Bola de Prata da Revista Placar, Polozzi, juntamente com Oscar disputou a Copa do Mundo da Argentina, em 1978. Ele foi reserva, mas o amigo foi titular. A fama da dupla despertou o interesse dos grandes clubes brasileiros. Após o Mundial, o Palmeiras, que havia negociado o zagueiro Luís Pereira e já não vinha contando com Alfredo, resolveu investir em Oscar. Uma mudança na diretoria alviverde, no entanto, atrapalhou a negociação. No fim, quem acabou indo ao Verdão, por 5 milhões de cruzeiros, foi Polozzi.  Em 1979, o zagueiro chegou ao Palmeiras jurando amor ao novo clube e já enfrentando a desconfiança de quem condicionava suas boas atuações à parceria com Oscar, que acabou transferido para o NY Cosmos, dos Estados Unidos, e depois para o São Paulo.

              Comandado pelo técnico Telê Santana, porém, Polozzi começou bem sua trajetória no Verdão, fazendo parte de um time que contava ainda com Jorge Mendonça, Baroninho e Rosemiro. “Adoro o Palmeiras. Desde garotinho, sou palmeirense. No dia que deixei a Ponte Preta para assinar contrato com o Palmeiras, senti alguma coisa delirante”, discursava.  “Muitos falavam que eu havia chegado à seleção nas costas do Oscar, mas hoje tenho provado o meu próprio valor. Estou no Palmeiras, sou titular e tenho jogado bem. Espero voltar à seleção agora e me firmar, embora tenham bons jogadores no país como Amaral e Edinho”, empolgava-se.

              O rendimento de Polozzi, contudo, declinou com o tempo, fazendo as cobranças se avolumarem. “Nasceu essa história de que eu só jogo bem ao lado do Oscar. Ele é mais agressivo e, na Ponte Preta, saía para o ataque. Por isso, ganhou mais atenção da torcida e da crônica”, passou a se defender. Como se não bastassem essas críticas, Polozzi foi afastado dos gramados por seguidos problemas de saúde, desde dores musculares aos mais graves. Operou o rim, o apêndice e o joelho e foi chamado de “azarado”. O zagueiro, dono de um gato preto que batizou de Titi, procurava outras explicações para seu declínio profissional. “Não sou supersticioso. O Titi é o meu companheiro de todas as horas. Às vezes, penso que meu espírito não gosta de verde, já que na Ponte Preta tudo foi bem”, lamentava.

              Polozzi também não se entendia com o técnico Paulinho de Almeida, que lhe manteve na reserva do Palmeiras mesmo quando ele estava recuperado das cirurgias. “Esse técnico não é Deus. O que ele faz comigo é safadeza. Quer liquidar com a minha carreira”, reclamava. Segundo os jornalistas que cobriam o clube na época, o zagueiro fez de tudo para derrubar o treinador. Durante um treinamento, ele teria ‘aconselhado’ um juvenil: “Não corra muito. Ninguém está correndo. Quem correr vai levar porrada”.  Dois dias antes de Polozzi ganhar a queda-de-braço com o técnico, em 1982, a mãe do jogador endereçou uma carta à redação de A Gazeta Esportiva, saindo em defesa do filho, que ainda era criticado pelas lesões freqüentes: “…Não podemos esquecer, no entanto, daquelas contusões que ferem o íntimo do atleta e de sua mãe, da mágoa da mãe ao ver seu filho cabisbaixo, triste e desanimado perante uma agressão crítica daqueles que, há bem pouco tempo, o aplaudiam”.

              O filho de Dona Benedita ganhou novo ânimo com a saída de Paulinho de Almeida do Palmeiras. “Confesso que, agora, estou muito feliz. Ainda bem que ele foi embora. Era ele ou eu”, declarou. Acabaram sendo os dois. Depois que a diretoria alviverde negou ser Polozzi o motivo da demissão do antigo técnico, alegando que Paulinho pedira um reajuste e tinha seus motivos para sair, resolveu se desfazer do zagueiro também. Ele foi emprestado ao Botafogo-SP, depois ao Bangu e só voltou três anos depois, em 1985. Aos 29 anos, Polozzi ainda alimentava esperanças de se firmar no Palmeiras em seu retorno, mas acabou trocando-as pelo abatimento. “O que eu mais desejo é ter uma oportunidade no Palmeiras.

              Mesmo sabendo que, no momento, eu não passaria de terceiro reserva. Prefiro ficar em São Paulo, perto dos meus familiares, e não passar por essa amargura que vivo sempre que retorno de um empréstimo para outro clube do Brasil”, pedia.  O zagueiro voltou ao Palestra Itália frustrado por, mesmo tendo ido bem no Bangu, ter que novamente mudar de cidade. “Aluguei um apartamento no Rio e levei meus móveis e a família, que, por sinal, está prestes a aumentar. Voltei para o Palmeiras e minha mobília ficou no Rio, o apartamento fechado e eu tendo que pagar o aluguel por força do contrato. É dose”, indignou-se. “Chega de ser mercadoria que se vende em consignação do atacado para o varejo. Sou um profissional e, acima de tudo, um ser humano”.

              A tristeza de Polozzi era tamanha que ele chegou a lamentar o dia em que sua mãe não o acordou e foi defender a Ponte Preta, ou por não ter sido engenheiro, como era o desejo dela. “Acho que, se eu tentasse chorar, não teria mais lágrimas. O meu pranto é íntimo, o que dói mais. Já estou a ponto de largar de uma vez o profissionalismo ingrato e tentar a vida com outra atividade. Se eu soubesse que passaria por isso, optaria por uma profissão discreta, humilde e de salário bem modesto. Maldita a hora em que decidi ser jogador de futebol. Se depender de mim, o meu filho jamais seguirá os meus fatos”, desesperou-se.

              Polozzi encontrou nova frustração no Palmeiras, mas continuou rodando o Brasil, agora em clubes cada vez mais modestos. Jogou pelo Operário (MS)  onde conquistou um título estadual, Serrano (BA), Bandeirante (SP), Araçatuba (SP), Linense (SP), Toledo(PR) e encerrou a carreira no Tiradentes (DF), aos 37 anos. Ele não conseguiu abandonar o esporte nem depois que pendurou as chuteiras. Como técnico, dirigiu clubes do interior de São Paulo, como Independente de Limeira, União de Mogi das Cruzes, Jaboticabal, Primavera de Indaiatuba, Araçatuba, Guaratinguetá e Marília B, e outros de Goiás, como a Jataiense. Foi ainda auxiliar de Jair Picerni, seu ex-companheiro de Ponte Preta.

Em pé: Mauro Dias, Polozzi, Oscar, Vanderlei, Moacir e Odirlei   –   Agachados: Lúcio, Marco Aurélio, Parraga, Dicá e Genau
Em pé: Rosemiro, Gilmar, Beto Fuscão, Ivo, Polozzi e Sóter   –   Agachados: Amílton Rocha, Jorge Mendonça, Toninho, Pires e Nei
Em pé: Odirlei, Jair Picerni, Vanderlei, Oscar, Carlos e Polozzi   –   Agachados: Lúcio, Marco Aurélio, Rui Rei, Dicá e Tuta
Em pé: Oderlei, Jair Picerni, Vanderlei, Polozzi, Carlos e Oscar   –    Agachados: Lúcio, Marco Aurélio, Rui Rey, Dicá e Tuta
Em pé: Rosemiro, Gilmar, Polozzi, Beto Fuscão, Zé Mário e Pedrinho   –   Agachados: Nedo, Jorginho, César, Pires e Baroninho
SELEÇÃO ENTRE PONTE PRETA E GUARANI – Em pé: Carlos, Oscar, Mauro, Polozzi, Zé Carlos e Odirlei   –   Agachados: Lúcio, Renato, Careca, Zenon e Tuta
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