RATO: um verdadeiro amor pelo Corinthians

                José Castelli nasceu no dia 19 de agosto de 1904, na cidade de São Paulo – SP. Foi um homem que dedicou grande parte de sua vida ao S. C. Corinthians Paulista, pois como jogador defendeu as cores alvinegras de 1921 até 1931 e depois de 1933 até 1937. Anos mais tarde passou a trabalhar como treinador nos anos de 1942 e 43, depois de 1951 a 1954 e mais tarde de 1958 até 1963, sempre pelo Corinthians. Sempre gostou de trabalhar com as equipes de base, pois tinha um bom faro para descobrir novos talentos. E assim foi com Cabeção, Luizinho, Idário, Roberto Belangero e Rivelino. Como jogador tinha o apelido de “Rei dos dribles” por conta de suas fintas objetivas, sempre em direção do gol.

               Era pequeno, arisco e ágil. Em 1919 quando estava começando no futebol era chamado de Ratinho e quando passou para o time de cima, passaram a chama-lo de Rato. Pelo Corinthians foi tricampeão paulista em 1928, 29 e 30. Foi o primeiro jogador a fazer um gol em jogos noturnos no estado de São Paulo, isto aconteceu no dia 28 de março de 1930, no campo do Floresta.

JOGADOR

               José Castelli, o Rato, começou sua carreira de jogador de futebol ainda bem cedo e foi no S. C. Corinthians Paulista e foi ali que começou um grande amor um pelo outro. Em 1919, aos 15 anos, já jogava no segundo quadro do clube, onde era chamado de ratinho. Sua estréia no quadro principal foi em 25 de setembro de 1921, na goleada de 5 x 1 sobre o combinado Portuguesa/Mackenzie em jogo válido pelo Campeonato Paulista daquele ano. Neste dia o Corinthians jogou com; Alonso, Nando e Gano; Rafael, Amilcar e Ciasca; Rivetti, Neco, Gambarotta, Tatú e Rato. O técnico foi Guido Giacominelli. Os gols corintiano foram marcados por Amilcar (2), Tatu (2) e Rivetti.

               Em 1923, Rato sagrou-se campeão e ajudou o Corinthians a conquistar o primeiro bicampeonato com algumas rodadas de antecedência. No jogo decisivo, a equipe bateu o São Bento por 3 a 0 e ganhou o único título no Estádio da Ponte Grande, antecessor do Parque São Jorge. Em um Estadual tumultuado em 1924, o Alvinegro estreou apenas em abril e viu o Torneio parar por mais de um mês em função da Revolução Tenentista. Ainda assim, garantiu o troféu sobre o Paulistano com um gol de Tatu no sofisticado Jardim América.

              Em 1925, o Corinthians não ficou campeão, mas neste ano ele realizou uma partida que entrou para a história do clube. Foi no dia 11 de novembro, quando o Corinthians fez um amistoso com a Seleção Brasileira e o jogo terminou empatado em 1 a 1. O jogo foi na Ponte Grande, campo que pertencia ao Corinthians. Neste jogo o jogador corintiano Neco jogou pela seleção canarinho. Foi um jogo que teve uma grande repercussão na época. No ano seguinte o Corinthians comprou o Parque São Jorge. Como naquele local abrigava uma pequena fazenda, até hoje o campo tem o apelido carinhoso de Fazendinha.

              Em 1927 passou a ter mais destaque na equipe, e com a chegada do ponta-esquerda De Maria, formou uma ala esquerda infernal, que viria a conquistar o tricampeonato paulista de 1928/29/30. O Corinthians inaugurou seu novo estádio (Parque São Jorge) somente em 22 de julho de 1928, num jogo amistoso entre o Campeão Paulista e o Campeão Carioca, que era o América, num empate de 2 a 2, e lá estava Rato em campo juntamente com Tuffy, Grané, Neco, Del Débbio e também De Maria, que fez o primeiro gol da partida, por conseguinte o primeiro do estádio e também o mais rápido, pois foi aos 29 segundos de jogo.

              Em 1930 veio o segundo tricampeonato e o jogo final aconteceu no dia 4 de janeiro de 1931, quando o Corinthians goleou o Santos por 5 a 2 em plena Vila Belmiro. Os gols foram marcados por: Gambinha (2), De Maria, Filó e Nápoli, enquanto que para o Peixe marcaram Feitiço e Vitor. Neste dia a torcida corintiana invadiu a Vila Belmiro. Foram 8 composições de trem com 10 vagões cada, todos de corintianos que saíram da Estação da Luz para verem o Timão conquistar seu segundo tricampeonato. Na volta muitos torcedores viajaram em cima dos vagões sem camisa comemorando o titulo, com isto, muitos vieram a morrer de pneumonia e tuberculose.

               Ainda em 1930, Rato marcou um gol que entrou para a história do futebol paulista. Isto aconteceu dia 9 de março no campo do Floresta, quando tivemos o primeiro jogo noturno oficial no estado de São Paulo, que foi entre Seleção Paulista e um combinado de Buenos Aires. O jogo terminou com a goleada paulista por 8 a 1 e o primeiro gol da partida foi anotado por Rato.

               Em 1931 a Lázio, da Itália, resolveu formar um time praticamente inteiro de brasileiros, que ganhou o apelido de Brasilázio. Levaram vários jogadores de vários clubes brasileiros, mas nenhum outro sentiu tanto quanto o Corinthians, pois levaram o zagueiro Del Debbio e os atacantes Filó, Rato e De Maria. Com isto o time de Parque São Jorge naquele ano ficou em sexto lugar no Campeonato Paulista e começava uma época difícil para o clube, tudo isto após uma derrota para o Palestra Itália por 8 a 0 pelo Campeonato Paulista de 1933, fato que levou o presidente Alfredo Schurig a renunciar ao cargo junto com toda a diretoria, pois ficou descontente com o comportamento de boa parte da torcida corintiana que, revoltada, chegou a invadir a sede do clube então localizada no centro de São Paulo. No final 1933, Rato retornou da Itália para tentar ajudar o Timão a debelar a pior crise da história do clube. Em 1937, após 201 jogos, sendo 131 vitórias, 25 empates, 45 derrotas e 67 gols marcados, Rato se despede do Corinthians, indo para a Portuguesa Santista onde acabou encerrando a carreira como jogador.

               A última partida de Rato com a camisa alvinegra aconteceu dia 23 de maio de 1937, quando o Corinthians fez uma partida amistosa contra a Seleção do Paraná. O jogo foi em Curitiba e os paranaenses venceram por 2 a 0, gols de Gabardino e Pizzato. Neste dia os técnicos Neco e Antonio Pereira mandaram a campo os seguintes jogadores; José, Jaú e Carlos; Brito, Brandão e Munhoz; Filó, Teléco (Lopes), Rato, Carlinhos e Tedesco (Daniel). Pelo Corinthians Rato foi tricampeão paulista por duas vezes, ou seja, 1922/23/24 e 1928/29/30. Foi realmente um jogador que o torcedor corintiano jamais esquecerá.

               Seu amor pelo Corinthians era tão grande que menos de um mês (10-10-1937) que deixou o clube e foi jogar na Portuguesa Santista, a tabela do Campeonato Paulista marcava um jogo entre as duas equipes. O jogo foi no estádio Ulrico Mursa, em Santos e a equipe da casa venceu por 3 a 2, mas Rato confessou que saiu de campo triste, mesmo com a vitória. Dizem que pouco tempo depois, Rato resolveu encerrar a carreira, pois não tinha a mesma alegria de jogar futebol de quando vestia a camisa do seu querido e amado Corinthians. Por tudo isso, Rato foi um personagem importante da história corintiana.

TREINADOR

               Mas a história de Rato com o Timão estava longe de acabar. Em 1942, ele voltou ao Corinthians, agora como treinador para assumir a vaga deixada por outro grande ídolo corintiano, Armando Del Débbio. Rato, que adorava trabalhar com a garotada do terrão, vira e mexe, era sempre chamado para tapar o buraco deixado por técnicos demitidos. A exceção se deu no período entre 1951 a 1954, quando comandou um dos times mais vencedores da história do clube. Como técnico foi bicampeão paulista de 1951/52, e Campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1953.

              Sem dúvida, o título que Rato mais comemorou como técnico do Corinthians foi o de 1951, pois foi um ano que ficará, certamente, marcado na história do Corinthians como um dos mais inesquecíveis. O título paulista coroou uma equipe altamente ofensiva e colocou fim a um jejum de dez anos sem conquistar o estadual. Comandados por José Castelli, o Rato, ex-jogador da equipe, o esquadrão alvinegro marcou nada menos do que 103 gols em 28 partidas. Média de 3,67 por jogo. Com um ataque irresistível, o título paulista veio com duas rodadas de antecedência, depois da goleada contra o Guarani por 4 a 0, no Pacaembu.

              A linha de frente ficou imortalizada: Cláudio (maior artilheiro da história do clube, com 305 gols), Luizinho (o Pequeno Polegar, 175 gols pelo clube), Baltazar (o Cabecinha de Ouro, 267 gols pelo Timão), Carbone (autor do centésimo gol naquele campeonato) e Mário (um dos maiores dribladores da história do clube). O time ainda tinha o goleiro Gilmar dos Santos Neves e a linha defensiva com Murilo, Julião, Idário, Touguinha e Lorena. Carbone foi o artilheiro do Campeonato Paulista de 1951, com 30 gols marcados.

               Sob seu comando, dirigiu o Timão em 255 oportunidades. Venceu 161, empatou 43 e perdeu 51 vezes. Ao todo, foram 9 títulos conquistados para o Corinthians. 6 como jogador e 3 como técnico. José Castelli, o querido Rato, faleceu em 26 de setembro de 1984 em São Paulo. Foi o primeiro meia que se tornou ídolo do Corinthians. Além de ter sido grande goleador à época que atuou como jogador, desempenhou também grandioso papel como treinador, podendo ser considerado facilmente um dos três melhores “jogador-treinador” do clube de Parque São Jorge. Por tudo que ele fez pelo alvinegro de Parque São Jorge, a imensa Fiel Torcida Corintiana lhe diz, obrigado Rato e descanse em paz.

Em pé: Nerino, Grané, Tuffy, Del Débbio, Guimarães e Munhoz    –   Agachados: Filó, Apparício, Gambinha, Rato e De Maria
Em pé: Nerino, Grané, Tuffy, Del Débbio, Guimarães e Munhoz     –    Agachados: Filó, Neco, Gambinha, Rato (José Casteli) e Rato II
Em pé: Idário, Sr. Mario Trigo, Cabeção, Touguinha, Lorena, Murilo, Julião e o técnico Rato     –    Agachados: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Jackson e Carbone

Rato e seu grande amigo Neco (primeiro ídolo do Corinthians)
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