Morumbi – Inaugurado em 2 de Outubro de 1960

                O Estádio Cícero Pompeu de Toledo também chamado de Estádio do Morumbi, é um estádio preparado para jogos de futebol e outros tipos de eventos. Pertence ao clube brasileiro São Paulo F.C. Pelo seu tamanho, abriga a maioria dos clássicos do futebol paulista disputados em São Paulo, além de já ter recebido a Seleção Brasileira, inúmeras vezes. O Morumbi é o quinto maior estádio do Brasil, superado apenas pelo Maracanã, pelo Mineirão, pelo Castelão e pelo Parque do Sabiá.

               Nos primeiros anos de sua existência, o São Paulo utilizou como sede e campo a Chácara da Floresta (localizada à esquerda da Ponte das Bandeiras, junto ao rio Tiete, na zona central da capital paulista). Daí ser empregado o nome de São Paulo da Floresta quando se fala do primeiro período de existência da agremiação, de janeiro de 1930 até maio de 1935. Quando o clube foi fundado novamente em dezembro de 1935, não tinha um campo próprio, situação que perdurou até 1938, quando a união com o Estudante Paulista rendeu ao São Paulo a posse do campo da Mooca pertencente à Antárctica. Em 1940 passou a usar o Pacaembu.

              Em 1944, o São Paulo comprou o Canindé, que passou a ser o seu campo. Mas o Canindé só era utilizado como sede social e local para treinamentos; a área era pequena para a construção de um grande estádio e então surgiram idéias e projetos para a viabilização de uma praça esportiva em algum outro local da cidade. O sonho de construir um grande estádio começou a se tornar realidade. A ideia inicial era a área onde atualmente encontra-se o Parque do Ibirapuera, na época uma região alagada, mas o então vereador Janio Quadros impediu que o clube recebesse a área da prefeitura. O local escolhido foi uma área na região do Morumbi, praticamente desabitado, que estava em processo de loteamento imobiliário. Em dezembro de 1951, a área foi adquirida pelo São Paulo. Em 1952, o presidente do clube, Cícero Pompeu de Toledo, procurou Laudo Natel, diretor do Bradesco, propondo-lhe que assumisse o clube administrativamente.

               No dia 15 de agosto de 1952, monsenhor Bastos abençoou o terreno e foi lançada a campanha Pró-Construção do Morumbi. Foi eleita uma comissão constituída pelo presidente Cícero Pompeu de Toledo e por outras pessoas, como: Amador Aguiar, Manuel Raimundo Pais de Almeida e Paulo Machado de Carvalho. Esses seriam os homens que fariam virar realidade o sonho de construir o maior estádio particular do mundo. Iniciava-se então, uma nova fase na vida do São Paulo Futebol Clube. Parte do dinheiro da venda do Canindé (vendido à Portuguesa de Desportos em 1956) foi revertido em material de construção.

               Toda a receita do clube também foi investida na construção do estádio, ficando o time num segundo plano. As obras para a construção do novo estádio começaram em 1953. O grande sonho do Tricolor estava sendo construído. O projeto do estádio do Morumbi teve a criação do arquiteto Vilanova Artigas, um dos principais representantes da “escola paulista” da arquitetura moderna.

               Alguns números do gigantismo do Morumbi são impressionantes: para o desenvolvimento do projeto foram necessárias 370 pranchas de papel vegetal; cinco meses foram consumidos nas terraplanagens e escavações, com o movimento de 340 mil metros cúbicos de terra; um córrego foi canalizado; o volume de concreto utilizado é equivalente a construção de 83 edifícios de dez andares; os 280 mil sacos de cimento usados, se colocados lado a lado, cobririam a distância de São Paulo ao Rio de Janeiro; 50 mil toneladas de ferro, que daria para circundar a Terra duas vezes e meia. Houveram muitas dificuldades durante a construção.

               Além da constante necessidade de dinheiro, havia que se contornar a oposição dentro do próprio São Paulo. Uns condenavam a localização. “Quem irá ver um jogo a tal distância? Nunca lotaremos o estádio!” Outras preocupadas com as poucas verbas destinadas à equipe. “Seremos um estádio sem time”. Num determinado momento, uma troca foi proposta pela prefeitura que ficaria com o Morumbi e o São Paulo, com o Pacaembu. Mas Laudo Natel, apoiado por toda a diretoria, prosseguiu a batalha, após a morte de Cícero Pompeu de Toledo. Tanto esforço para construir o maior estádio particular do mundo, merecia uma grande festa de inauguração.

              A partida que inaugurou o estádio aconteceu no dia  2 de outubro de 1960. O São Paulo venceu o Sporting de Lisboa, por 1×0. O árbitro da partida inaugural foi Olten Ayres de Abreu. O primeiro gol do Morumbi foi marcado por Peixinho (Arnaldo Poffo Garcia), aos 12 minutos de jogo, diante de 56.448 pessoas que lotavam o estádio ainda inacabado, pois o objetivo era abrigar 120 mil pessoas, com renda de Cr$ 7.868.400,00, recorde em amistosos na época. O São Paulo jogou com: Poy, Ademar, Gildésio e Riberto; Fernando Sátyro e Víctor; Peixinho, Jonas (Paulo), Gino Orlando, Gonçalo (Cláudio) e Canhoteiro; o técnico era Flávio Costa. O Sporting Lisboa formou com: Aníbal; Lino e Hidário; Mendes, Morato e Július; Hugo, Faustino, Figueiredo (Fernando), Diego (Geo) e Seminário; Téc. Alfredo Gonzalez.

               A inauguração total do Morumbi ocorreu no dia 25 de janeiro de 1970. Neste jogo os torcedores se espantaram com mais uma novidade: traves redondas em lugar das tradicionais quadradas, hoje abolidas no mundo inteiro. A partida de comemoração foi entre São Paulo e Porto, de Portugal, e terminou empatada em 1 a 1. Vieira Nunes abriu o placar para a equipe portuguesa, aos 32 minutos de jogo. Miruca empatou para o São Paulo aos 35 minutos do primeiro tempo. O árbitro da partida foi José Favilli Neto e o público foi de 107.069 espectadores presentes (59.924 pagantes).

              O jogo teve a presença do presidente da República, o general Emílio Garrastazu Médici, e do governador paulista, Abreu Sodré. O São Paulo jogou com: Picasso; Édson, Jurandir, Roberto Dias e Tenente; Lourival e Gérson; Miruca (José Roberto), Toninho Guerreiro, Téia (Babá) e Paraná (Claudinho); o técnico era Zezé Moriera. O Porto formou com: Vaz; Acácio, Valdemar, Vieira Nunes e Sucena; Pavão e Rolando; Gomes, Chico (Seninho), Pinto (Ronaldo) e Nóbrega.              

               Após esta inauguração o Morumbi passou a ser chamado de “o maior estádio particular do mundo”, apesar da redução de sua capacidade de 120 para 85 mil espectadores nos anos 90, por medida de segurança. No dia 25 de agosto de 1985, durante um Congresso Internacional das Testemunhas de Jeová, estavam presentes 162.957 pessoas, somando-se as que estavam no gramado e na arquibancada. Diversos eventos artísticos e religiosos fazem parte das estatísticas do estádio do Morumbi.

               Dentre eles a missa celebrada pelo Papa João Paulo II, em 3 de julho de 1980, e os shows épicos dos pop-stars Michel Jackson e Maddona. Em partida de futebol, o recorde é de 138.035 pessoas, no jogo entre Corinthians e Ponte Preta, no dia 9 de outubro de 1977. Entre 1994 e 1996 o estádio passou por uma série de reformas para melhorias na estrutura (que apresentava falhas) e para a colocação de assentos nas arquibancadas e nas chamadas “gerais” e teve a capacidade reduzida em 10 mil pessoas. O nome oficial é Estádio Cícero Pompeu de Toledo, em homenagem ao ex-jogador, dirigente e presidente do clube.

                O São Paulo já conquistou importantes títulos em seu estádio, como por exemplo; Taça Libertadores de 1992 e 2005. Campeonato Brasileiro em 2006, 2007 e 2008. Os maiores rivais do Tricolor (Palmeiras, Corinthians e Santos) muitas vezes preferem jogar no Morumbi em função da capacidade de público dos demais estádios paulistanos e da Vila Belmiro não serem adequados aos regulamentos das competições ou por haver interesse de uma maior renda. Corinthians, Palmeiras (três vezes cada) e Santos (uma vez) já conquistaram o troféu nacional dentro do estádio, sendo que também foi no estádio que o Palmeiras venceu a sua única Copa do Brasil, em 1998.

               O estádio tem 102.904 metros quadrados de área construída. Ainda é uma obra arrojada e inovadora. O campo tem 108 x 72 metros, com um sistema de drenagem em formato de espinha de peixe. As catracas eletrônicas, segundo dados oficiais do clube, permitem a totalização do público em tempo real no painel do estádio. São 15 cabines de rádio e televisão, 81 pontos de vendas para bebidas e lanches, 51 banheiros, centro médico com cinco ambulâncias de plantão e um helicóptero com UTI, 105 guichês para venda de ingressos com rampas e quatro portões de acesso.

               A área para espectadores do Morumbi é equivalente a 64.450 metros quadrados. O estádio do Morumbi é um dos poucos estádios do Brasil a possuir um setor exclusivo aos deficientes físicos. A área tem 470 metros quadrados, espaço para 92 cadeiras de rodas e 108 lugares destinados à portadores de outros tipos de deficiência. Desde março de 1999, o Morumbi tem sua iluminação triplicada em relação à original. O novo sistema é diferente, moderno e mais bonito: os antigos quatro painéis com luminárias concentradas foram substituídos por uma iluminação horizontalizada nos dois lados do estádio.

              As quatro caixas de concreto foram trocadas por duas estruturas metálicas especiais, com 80 metros de extensão cada uma, acompanhando a curvatura do Morumbi. Infelizmente a Fifa não aprovou o estádio do Morumbi para a Copa de 2014, o que lamentamos profundamente, pois um mundial no Brasil sem o Morumbi, será motivo de muita tristeza para todos nós paulistas.

Jogo de inauguração do Morumbi – 2-10-1960 – São Paulo 1×0 Sporting de Lisboa

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