ALADIM: ídolo no Bangu, Corinthians e Coritiba

                 Aladim Luciano nasceu dia 10 de outubro de 1946, na cidade de Barra Mansa – RJ. Escalou os degraus da profissão aceitando tranquilamente a camisa 11 quando o argentino Alfredo González o chamou para ser o ponta-esquerda do time principal do Bangu.  Entre os seus jogadores, despontava com 18 anos um juvenil chamado Aladim. Ele fazia o terceiro homem, que facilitava tudo para os seus companheiros. Chutando de curva, com violência, e voltando sempre para ajudar o meio-campo, Aladim logo construiu uma fama que lhe assegurou lugar entre os grandes jogadores do futebol carioca. Sua carreira foi além de Bangu e Corinthians, jogou também no Coritiba e no Colorado e Atlético Paranaense e por isso, mora até hoje na capital paranaense, onde é dono de padaria no bairro Bacacheri e nas últimas eleições, conseguiu ser reeleito vereador pelo PV.

BANGU

               Começou a carreira no Bangu, e chegou ao alvirrubro levado por um olheiro chamado Belmiro, em 1962. Começou nos juvenis e aspirantes, treinado por Moacir Bueno e em 1963, estreou entre os profissionais numa partida do Torneio Início contra o América, no Maracanã. O maior sucesso com a camisa do Bangu, sem dúvida alguma foi no ano de 1966, quando se profissionalizou e naquele ano  o clube de Moça Bonita formou um grande esquadrão e com isto veio a conquistar o título carioca em cima do Flamengo, numa partida que entrou para a história do futebol brasileiro, não só pela conquista do título, mas também pela verdadeira guerra campal que aconteceu naquele dia.

               Aladim participou daquela final dramática que não teve volta olímpica do Bangu, que foi campeão ao golear o Flamengo por 3 a 0, mas que teve muita polêmica. O goleiro Valdomiro (do Fla) foi acusado de corpo mole (nunca provado) e Almir Pernambuquinho, vendo que o título já estava perdido, agrediu jogadores do Bangu, principalmente o atacante Ladeira. Em consequência disto o árbitro expulsou 4 do Bangu e 5 do Flamengo, e pela regra com 6 jogadores para cada time não pode mais haver jogo, então o árbitro finalizou a partida, e o Bangu foi Campeão Carioca de 1966 em cima do Flamengo dentro de um Maracanã lotado de torcedores do Flamengo, porém não houve a famosa volta olímpica, pois só tinha torcedores rubro-negros.

              Este jogo aconteceu no dia 18 de novembro de 1966, no Maracanã. Neste dia o técnico Alfredo Gonzales mandou a campo os seguintes jogadores: Ubirajara, Fidélis, Mário Tito (já falecido), Luís Alberto e Ari Clemente; Jaime e Ocimar; Paulo Borges, Ladeira, Cabralzinho e Aladim. Os gols foram marcados por Ocimar, Aladim e Paulo Borges. No ano seguinte o time de Moça Bonita voltou a dar trabalho aos clubes grande do Rio de Janeiro, ficando em segundo lugar, perdendo o título para o Botafogo. Do time campeão de 1966, Aladim lembra de um por um com muita emoção, mas diz que só mantém contato mesmo com Ari Clemente e Cabralzinho.

               Foi titular da Seleção Carioca por três anos seguidos,  num ataque quer formado por  Jairzinho, Gérson, Roberto Dinamite, Afonsinho e Aladim. Paulo César Caju era apenas o seu reserva. Deslumbrado, Aladim não teve tempo e nem juízo para aproveitar a fase e fazer um pé-de-meia. Afinal, tinha passado de 10 cruzeiros mensais para 180, e mesmo sabedor que seu companheiro de clube, Paulo Borges, ganhava mil, ele não ligava. Pelo Bangu, foram 194 jogos (81 vitórias, 51 empates e 62 derrotas), marcando 61 gols.

CORINTHIANS

               Em 1970, foi contrato pelo Corinthians por 600 mil cruzeiros. Sua estréia na equipe do alvinegro de Parque São Jorge aconteceu dia 4 de outubro de 1970, quando o Corinthians perdeu para o Atlético Mineiro por 3 a 1 pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. O jogo foi no Mineirão e o Corinthians jogou neste dia com a seguinte formação: Ado, Mendes, Ditão, Luiz Carlos e Ferreira; Suingue e Rivelino; Paulo Borges (Buião), Ivair (Benê), Servílio e Aladim. O técnico era Aymoré Moreira, o mesmo que dirigiu a Seleção Brasileira quando conquistamos o bicampeonato mundial no Chile em 1962.

               Apesar de titular durante sua passagem pelo Parque São Jorge, não viveu um bom momento por lá e várias vezes viu sua titularidade ameaçada, como quando o clube quis contratar Paulo César Cajú, em 1971. Com a camisa do Timão, conquistou dois títulos. O primeiro foi o do Torneio do Povo em 1971. Foi um torneio disputado em Minas Gerais e participavam os quatro clubes de maiores torcidas em seus estados, ou seja, Corinthians, Atlético Mineiro, Internacional e Flamengo. O segundo título foi o Torneio Laudo Natel em 1973, quando em pleno sábado de carnaval, o Corinthians derrotou o Palmeiras por 2 a 1 de virada, com gols de Rivelino e Lance.

              A última partida de Aladim pelo Corinthians aconteceu dia 23 de junho de 1973, quando o Timão derrotou o Operário de Campo Grande por 3 a 0 num jogo amistoso realizado no estádio Morenão, em Campo Grande. Os gols foram marcados por: Lance (2) e Mirandinha.  Com a camisa do Corinthians, Aladim disputou 116 partidas. Venceu 51, empatou 42 e perdeu 23. Marcou 16 gols. Chegou a conquistar a Chuteira de Ouro no Campeonato Paulista desbancando muitos craques da ponta esquerda de outros grandes clubes.

CORITIBA

               Ao final do primeiro semestre de 1973, foi emprestado ao Coritiba, com valor do passe estipulado em 300 mil cruzeiros e com salário muito maior. Depois de muitas negociações, o então técnico do Corinthians, Yustrich, queria-o de volta, mas o Coxa adquiriu seu passe. Já no primeiro ano de clube, conquistou o título paranaense, assim como em 1974, 75, 76 e 79.  Em 1978 foi emprestado ao Atlético Paranaense, onde foi vice-campeão e no ano seguinte retornou ao Coritiba para conquista mais um título. Disputou o Campeonato Brasileiro pelo Coritiba em 1979 e ficou em terceiro lugar. Em 1980 ficou em quarto lugar, até então as duas melhores participações do clube no torneio.

              No final de 1980, foi vendido ao Colorado (atual Paraná Clube) onde ficou até 1983. Depois retornou ao Coritiba no começo de 1984 e no ano seguinte encerrou sua carreira e resolveu comprar uma panificadora no bairro Bacacheri, que se tornou uma das mais conhecidas da região.  Em 2004 candidatou-se a vereador em Curitiba e foi eleito com 4.143 votos, terceiro menor total entre os eleitos, embora tenha sido o único candidato a receber votos em todas as seções eleitorais. Foi reeleito em 2008 com 6.315 votos.

              Em sua primeira Legislatura, Aladim teve várias leis sancionadas pelo prefeito Beto Richa, como a que autoriza a Prefeitura a trocar o piso das calçadas, praças, pontos de ônibus e estações-tubo de Curitiba por outro tipo de calçamento, a que cria o Dia Municipal de Doação de Medula Óssea, a que institui a Semana de Estudos, Prevenção e Combate ao Câncer Bucal e a que dispõe sobre o descarte de lâmpadas, pilhas, baterias e outros tipos de acumuladores de energia, no âmbito do município de Curitiba. Aladim conquistou, juntamente com a sociedade, benfeitorias para diversas regiões da capital paranaense, entre elas a pavimentação da entrada do Parque Bacacheri, obra viabilizada graças ao esforço coletivo que envolveu os moradores da região, entidades de representação e o parlamentar. O grande objetivo de Aladim é promover a melhoria da qualidade de vida de todos os cidadãos curitibanos, desenvolvendo um mandato pautado na ética e na responsabilidade.

HISTÓRIAS DE ALADIM

               “Muitas pessoas falam mal do Castor de Andrade, que foi presidente do Bangu por muitos anos, mas eu sempre gostei dele, o ‘homem’ era bom demais. Premiava as vitórias com bicho gordo. E às vezes até nos surpreendia, como um dia aconteceu em Porto Alegre. Nenhum gaúcho acreditava que pudéssemos tirar ponto do Inter. Mas fomos lá e empatamos em 2 x 2 (26/4/1967, Torneio Roberto Gomes Pedrosa). O Castor se emocionou mais que todos e, de volta ao hotel, reuniu a turma e falou: Moçada, hoje quem paga sou eu! Me acompanhem!  Chegamos à melhor boate da cidade e ele foi logo falando para a dona: Por favor, peça para todos os homens que estão aqui se retirarem e feche a casa. Quero diversão da boa para os meus meninos. E ficamos lá até o sol raiar. 

              O Castor foi o maior mão-aberta que eu conheci. Se um jogador estava precisando de dinheiro emprestado, era só chegar nele. E o engraçado é que ele ficava louco de raiva quando o cara ia pagar:  Por acaso eu lhe pedi para devolver? O Castor era ótimo, arrumava dinheiro pra todo mundo. Só que eu não era puxa-saco, e, além disso, ele tinha os seus favoritos, os caras da badalação. Eu era um capiau, só fui a Copacabana algumas vezes. Um dia quiseram que eu experimentasse drogas, nunca mais voltei lá”.

              Assim foi Aladim durante o tempo que jogou futebol profissional, um sujeito simples, humilde e que sempre jogou pelo time e nunca para a torcida. Era um jogador inteligente, com um pé esquerdo que colocava a bola onde ele queria. Mesmo depois de ter parado, ajudou o Coritiba a cuidar das divisões de base, e continua tendo encontro marcado todos os domingos com a família no Alto da Glória. Se estabeleceu em definitivo na capital paranaense e raramente vai ao Rio de Janeiro.

Em pé: Mário Tito, Ubirajara, Luiz Alberto, Ari Clemente, Jaime e Fidélis   –    Agachados: Paulo Borges, Cabralzinho, Norberto, Jair e Aladim
Em pé: Baldochi, Zé Maria, Luiz Carlos, Rivelino e Ado   –    Agachados: Vaguinho, Suingue, Mirandinha, Tião, Aladim e Pedrinho
Em pé: Fogueira, Ado, Ditão, Dirceu Alves, Luís Carlos e Miranda   –    Agachados: Paulo Borges, Ivair, Benê, Rivelino e Aladim
Em pé: Luis Carlos, Pedrinho, Ado, Ditão, Zé Maria e Suingue   –    Agachados: Paulo Borges, Célio, Rivelino, Mirandinha e Aladim
Em pé: Zé Maria, Sidney, Baldochi, Dirceu Alves, Luis Carlos e Pedrinho   –    Agachados: Vaguinho, Tião, Carlos Alberto, Rivelino e Aladim
Em pé: Rivelino, Sídnei, Luis Carlos, Pedrinho, Dirceu Alves e Zé Maria   –    Agachados: Vaguinho, Baldochi, Lance, Paulo Borges e Aladim.
Em pé: Jairo, Orlando, Hidalgo, Oberdan, Cláudio, o dirigente Luís Affonso e Nilo   –   Agachados: massagista Oswaldo Sarti, Leocádio, Zé Roberto, Dreyer, Negreiros e Aladim
BANGU  – CAMPEÃO CARIOCA EM 1966   –   Em pé: Mário Tito, Ubirajara, Luís Alberto, Ari Clemente, Fidélis e Jaime   –    Agachados: massagista Pastinha, Paulo Borges, Cabralzinho, Ladeira, Ocimar e Aladim
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