CÉLIO: um dos maiores artilheiros do Vasco da Gama

Célio Taveira Filho nasceu dia 16 de outubro de 1940, na cidade de Santos (SP). Foi um centroavante goleador e que jogou em diversos clubes do Brasil e também no Nacional do Uruguai. Começou a jogar em 1957 e encerrou sua carreira em 1972, nesse período jogou no Jabaquara da cidade de Santos, Vasco da Gama, Portuguesa Santista, Ponte Preta, Corinthians e Operário de Campo Grande – MT, onde encerrou a carreira. Célio foi um dos 47 jogadores convocados para a Copa de 1966, onde foi titular em alguns amistosos que a nossa seleção fez como preparação ao mundial. O time era formado por; Valdir, Murilo, Djalma Dias, Roberto Dias e Rildo; Leonidas e Oldair; Paulo Borges, Célio, Parada e Ivair. Em 1959, Célio fez dupla de área com Pelé, quando defenderam a Seleção do Exército Brasileiro, onde conquistamos o Sul americano, vencendo a Argentina por 2 a 1. Hoje Célio reside em João Pessoa (PB), onde é comentarista esportivo da rádio CBN e tem uma empresa de embalagens para exportação de frutas.

INÍCIO DE CARREIRA

               Célio, em 1957, começou no Santos FC., mas aos 16 anos foi dispensado pelo técnico Ramiro Valente, ex-zagueiro do Peixe e do Atlético de Madrid, por deficiência técnica. Com isto foi defender a Portuguesa Santista, mas como lateral esquerdo. Certo dia, em jogo de aspirantes contra a Ponte Preta, fez três gols ainda como lateral-esquerdo e foi contratado pela Macaca no final de 1958. Depois de um ano em Campinas-SP, Célio retornou a Santos contratado pelo Jabaquara A. C. onde jogou por quatro anos, em 1960, 1961, 1962 e 1963, com o goleiro Dudízio, com o ponta Marcos (que iria para o Corinthians), Alcides, ex-São Paulo, e outros. Daí, transferiu-se para o Vasco da Gama, no final de 1963.

VASCO DA GAMA

               O atacante chegou à São Januário em 1963, mas sua família já tinha uma história dentro do clube, seu avô Antônio Taveira de Magalhães foi remador bicampeão pelo clube em 1905 e 1906 (primeiros títulos vascaínos), e, já em final de carreira, campeão carioca em 1914. Sua estreia pelo Cruz de Malta aconteceu dia 31 de janeiro de 1963, quando o Vasco empatou com Dukla Praha da Checoslováquia. Célio era perigoso e oportunista, além de cobrar faltas com maestria. Finalizador impiedoso e certeiro, principalmente quando ajeitava a bola para sua perna direita. Ainda que precisasse usar sua perna esquerda, executava o arremate fatal com a mesma facilidade. No entanto, seus primeiros três meses no Vasco foram difíceis e a ausência de gols quase lhe custou um final prematuro em São Januário.

               Passada a instabilidade inicial nos gramados cariocas, Célio formou ao lado de Saulzinho a famosa “dupla barbante” no ataque do time de São Januário. Campeão e artilheiro da primeira Taça Guanabara em 1965, campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1966 e também campeão de vários torneios interestaduais e internacionais, como o Torneio Cidade de Belém, em 1964, e o Torneio do Cinquentenário da Federação Pernambucana, em 1965, e de torneios internacionais, como o Torneio Pentagonal do México, em 1963, o Torneio de Santiago, também em 1963, e o Torneio IV Centenário do Rio de Janeiro, em 1965. Em cada uma dessas campanhas, Célio contribuiu com gols decisivos, sendo os mais marcantes os dois que abriram a goleada por 4×1 sobre o Flamengo na decisão do Torneio IV Centenário. Ainda em 1965, o artilheiro vascaíno foi convocado para a Seleção Brasileira, como reserva, e chegou a entrar no decorrer de algumas partidas amistosas, reeditando a dupla com Pelé dos tempos de exército. Seu sucesso também era refletido em várias capas das revistas esportivas da época.

              Em 1963 Célio marcou 25 gols, em 1964, 29 gols, em 1965, 32 gols e em 1966, 14 gols, fazendo um total de 100 gols com a camisa vascaína. Célio foi o maior artilheiro vascaíno da década de 60 marcando exatos 100 gols (como não existem todos os dados das partidas registrados, este número pode ser ampliado). Ainda em 1965, Chegou a defender o Milan da Itália em partida amistosa. O clube italiano demonstrava muito interesse em adquirir seu passe. Porém, por questões contratuais envolvendo os 15% que deveriam ser destinados ao jogador, o negócio acabou não acontecendo.  Nos seus quatro anos com a camisa do Vasco, Célio anotou mais de cem gols. Porém, nos seus últimos meses no clube, atravessava má fase e sofreu com a impaciência da torcida. Em seus quatro anos de clube, Célio foi o artilheiro vascaíno do ano em todos eles.

               Em 1970, Célio foi jogar no Corinthians, mas quando ainda jogava pelo Vasco, participou de um momento importante na historia do Corinthians, só que no comando do ataque do alvinegro carioca: foi na estreia de Garrincha no Timão. No dia 2 de março de 1966, uma quarta-feira, quase 45 mil pessoas foram ao estádio do Pacaembu para ver o “Anjo das Pernas Tortas” estrear na ponta-direita do Corinthians. O jogo era Corinthians e Vasco, válido pelo Torneio Rio-São Paulo daquele ano. Mas o ânimo e a expectativa da torcida corintiana foram por água a baixo no decorrer da partida, cada vez que o árbitro Eunápio de Queirós apontava para o meio-campo, assinalando um gol do Vasco. O Corinthians foi goleado pelo Vasco da Gama por 3 a 0, em pleno Pacaembu, e Garrincha não foi nem sombra do jogador que encantou a Suécia, em 1958, e o Chile, em 1962. O primeiro a vencer o goleiro corintiano Heitor foi Maranhão, que marcou aos 23 do primeiro tempo. Célio fez os outros dois gols, aos 37 do primeiro tempo e aos 35 da etapa final, decretando a goleada vascaína e o “balde de água fria” na torcida corintiana.

               O seu último ano no Vasco não foi tão bom e acabou deixando o time, transferindo-se para o Nacional de Montevidéu, onde também se tornou ídolo e artilheiro. Mesmo tendo seu nome nas listas de convocação do técnico Feola para a copa do mundo de 1966, Célio foi negociado para o Nacional de Montevidéu após o término do campeonato carioca. Célio chegou ao futebol Uruguaio em 1967 e logo se tornou ídolo e artilheiro, conquistando o campeonato nacional em 1969. Até hoje, é o quarto brasileiro que mais gols anotou na disputa da Taça Libertadores da América. Retornou ao futebol brasileiro para defender o Corinthians em 1970, formando linhas ofensivas ao lado de Paulo Borges, Rivellino, Lima e Ivair, Suingue, Luiz Carlos e tantas outras feras.

CORINTHIANS

              A estreia de Célio com a camisa corintiana aconteceu dia 12 de julho de 1970, quando o alvinegro derrotou o São Bento de Sorocaba por 2 a 0. O jogo foi válido pelo Campeonato Paulista daquele ano e foi disputado no Parque São Jorge. Neste dia o técnico Dino Sani escalou a seguinte equipe; Ado, Miranda, Ditão, Luiz Carlos e Pedrinho; Suingue e Tião; Paulo Borges, Ivair, Célio e Lima. Os gols foram marcados por Suingue cobrando pênalti e Ercílio contra.  Com a camisa corintiana Célio disputou 26 partidas. Venceu 10, empatou 8 e perdeu 8, não repetindo o sucesso de seus tempos defendendo o Vasco da Gama. Marcou 4 gols, sendo que o primeiro deles foi no dia 26 de julho de 1970, quando o Timão derrotou o Palmeiras por 2 a 1. O outro gol foi de Ivair, enquanto que o único gol do alviverde foi anotado por César Maluco. A última vez que jogou pelo Corinthians foi no dia 4 de agosto de 1971, quando o alvinegro perdeu para o Atlético Mineiro por 4 a 1, num amistoso realizado no Morumbi. Neste dia o Corinthians jogou com; Ado, Miranda, Almeida, Luiz Carlos e Pedrinho; Tião e Rivelino (Lindoia); Vaguinho (Célio), Adãozinho, Mirandinha e Aladim. O técnico era Baltazar, o famoso cabecinha de ouro, que foi ídolo no Corinthians, onde marcou 266 gols, sendo que 71 foram de cabeça. Depois que Célio deixou o Corinthians, foi jogar no Operário de Campo Grandi (MT), onde encerrou sua brilhante carreira.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Em 1966, Célio foi um dos 47 convocados por Vicente Feola para disputar o mundial da Inglaterra, mas deu tudo errado para o nosso selecionado.  O grande número de jogadores convocados, foi devido a forte pressão dos dirigentes dos clubes. E esse período de treinamento foi em Serra Negra-SP e Caxambu-MG. Mas Célio não chegou a viajar com a delegação que disputou o mundial. Dos 47 convocados por Vicente Feola, para esse infeliz período de treinamentos, acabaram viajando para a Inglaterra os seguintes 22 “sobreviventes”: Gylmar e Manga (goleiros); Djalma Santos, Fidélis, Paulo Henrique e Rildo (laterais); Bellini, Altair, Brito e Orlando Peçanha (zagueiros); Denílson, Lima, Gérson e Zito (apoiadores); Garrincha, Edu, Alcindo, Pelé, Jairzinho, Silva, Tostão e Paraná (atacantes).

               Enquanto servia o exército em Santos, no ano de 1959, Célio formou dupla de ataque na equipe militar com nada mais nada menos que Pelé. Daí, começou sua carreira como profissional no Jabaquara. Na Seleção Brasileira, assim como no Corinthians, o ex-atacante não obteve êxito. Jogou apenas três partidas com a camisa amarela (vitórias contra Alemanha e País de Gales, e empate em 0 a 0 contra a Argentina) e não marcou nenhum gol.

FORA DAS QUATRO LINHAS

               Célio Taveira Filho, o Célio, atacante que defendeu Vasco, Corinthians, Nacional do Uruguai e Seleção Brasileira, tem quatro filhos (um uruguaio, um carioca e duas paraibanas) e cinco netos, atualmente mora em João Pessoa desde 1979, na Paraíba, onde é comentarista esportivo da rádio CBN e tem uma empresa de embalagens para exportação de frutas. Ele exporta para o mundo, principalmente para o Uruguai (onde atuou como jogador), as mais diversas frutas do norte do país.

Em pé: Murilo, Fábio, Djalma Dias, Edson, Leônidas e Dudu   –    Agachados: Jairzinho, Célio, Tostão, Lima e Ivair
Em pé: Ditão, Pedrinho, Ado, Luis Carlos, Miranda e Suingue   –   Agachados: Ivair, Buião, Célio, Rivelino e Tião
Em pé: Luis Carlos, Pedrinho, Ado, Ditão, Zé Maria e Suingue   –    Agachados: Paulo Borges, Célio, Rivelino, Mirandinha e Aladim
Em pé: Fidélis, Ubirajara, Denílson, Ditão, Altair e Edson   –    Agachados: Nado, Lima, Célio, Tostão e Edu
Em pé: Amauri, Joel Santana, Brito, Maranhão, Fontana e Oldair   –    Agachados: Luizinho, Lorico, Célio, Danilo Meneses e Tião
Em pé: Lévis, Joel, Brito, Maranhão, Fontana e Barbosinha   –    Agachados: Joãozinho, Lorico, Célio, Mário e Zezinho
Formação do Nacional-URU, no início dos anos 70. O goleiro Manga é o segundo em pé, da esquerda para a direita. Enquanto Célio é o terceiro agachado
Ataque do Vasco da Gama de 1963     –    Em pé: Altamiro, Célio e Lorico    –   Agachados: Sabará e Maurinho
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