BOTAFOGO DE RIBEIRÃO PRETO Fundado em 12 de Outubro de 1918

                  O Botafogo Futebol Clube de Ribeirão Preto foi fundado em 12 de outubro de 1918. Naquela época, cada bairro da cidade era representado por um ou mais times, que jogavam entre si em disputas bastante acirradas. Na Vila Tibério, três equipes dividiam a preferência dos torcedores locais: União Paulistano, Tiberense e Ideal Futebol Clube. Com os craques do bairro diluídos por três times, a Vila Tibério não contava com um representante que fizesse frente aos outros clubes da cidade, como o Comercial, o Operário, o Itália, o Atlântico e o Força e Coragem.

                 Para reverter essa situação, um grupo ligado ao Ideal F.C. convidou representantes dos outros dois times de Vila Tibério para discutirem a possibilidade de uma fusão, buscando o apoio de todos os moradores do bairro em torno de apenas um clube. Desse primeiro encontro participaram Francisco Oranges, membro da diretoria do Tiberense; Pedro, José e João Aguiar, dirigentes do União Paulistano; além de Júlio Pé de Ferro e Antônio Cardoso, jogadores do União Paulistano.
Depois de consumada a união entre os três times, faltava escolher o nome do novo clube. Diz a lenda que depois de muita discussão e confusão, sem que se chegasse a nenhuma conclusão, um dos diretores declarou que botaria fogo em todos os documentos e que a fusão das equipes seria desfeita. A ameaça incendiária do dirigente acabou ajudando na escolha do nome. Nas primeiras décadas do século, o Botafogo do Rio de Janeiro era um dos clubes mais famosos do Brasil e todos concordaram em homenagear o time carioca na hora de batizar a nova associação.

               Na posse do primeiro presidente, Joaquim Gagliano, funcionário da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, foi realizado o primeiro rateio para a compra de material esportivo para o Botafogo. Funcionários da Cervejaria Antarctica e da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro logo aderiram ao novo clube, como torcedores e colaboradores.

               A primeira partida do Botafogo aconteceu em Franca, contra o Esporte Clube Fulgêncio. O time de Ribeirão Preto não se intimidou em estrear fora de casa e venceu por 1 a 0. A festa foi completa em Vila Tibério, onde os moradores tomaram as ruas para comemorar ao lado do presidente Gagliano e dos diretores do clube.

              A primeira conquista veio em 1927, quando o Botafogo sagrou-se Campeão do Interior. Foi a única vez que um time de Ribeirão Preto levou esse título, glória que o maior rival dos botafoguenses, o Comercial, não possui em sua história.

             O ano de 1956 foi um dos mais brilhantes na história do Botafogo. O clube foi o campeão do Centenário de Ribeirão Preto, ao vencer o Comercial por 4 a 2; foi premiado com a Taça dos Invictos, que pela primeira vez era oferecida a um clube do interior, depois de ficar 19 partidas sem ser derrotado; e conquistou o título da Segunda Divisão do Campeonato Paulista, garantindo o direito de jogar junto aos grandes times de São Paulo.

             O título foi assegurado depois de três jogos contra o Paulista. No primeiro, em Ribeirão Preto, o Botafogo venceu por 1 a 0. A segunda partida foi realizada em Jundiaí, e dessa vez o Paulista saiu vitorioso: 3 a 1. Foi necessário marcar mais um jogo, só que agora em campo neutro. O gol de Dicão, no Parque Antártica, foi suficiente para levar o título para Ribeirão Preto. No dia seguinte à vitória foi decretado feriado na cidade para que todos pudessem receber os heróis que levaram o Pantera à Primeira Divisão do Campeonato Paulista.

            Em 1977, 21 anos depois da conquista do título da Segunda Divisão, o Botafogo voltou a ser responsável por um inesperado dia de festa em Ribeirão Preto. O Tricolor foi o campeão do primeiro turno do Campeonato Paulista e ficou com a Taça Cidade de São Paulo. Um dos maiores jogadores revelados pelo Botafogo participou dessa conquista: Sócrates. O time principal do Botafogo no título da Taça Cidade de São Paulo era formado por: Aguillera, Wilson Campos, Nei, Manoel e Mineiro; Mario, Lorico e Sócrates; Zé Mario, Arlindo e João Carlos Motoca.

            Somente na década de 90, o Botafogo voltou a figurar na elite do futebol brasileiro. O clube de Ribeirão Preto voltou a disputar a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro em 99, depois dos vices-campeonatos na Série C, em 96, e na Série B, em 98, quando perdeu o título para o Gama.

O Primeiro Jogo

           A estreia do novo clube fundado em Vila Tibério, foi contra o E.C. Fulgêncio, da cidade de Franca. O jogo foi realizado no campo do adversário, e a vitória coube ao Botafogo, pela contagem de 1×0. Nesse dia, os moradores de Vila Tibério saíram às ruas, para comemorar a vitória junto com os seus jogadores, fazendo com que a diretoria, comandada pôr Gagliano, composta pôr Domingos Borges, pela Família Trigo, pôr Francisco Oranges e pelos Irmãos Aguiar, encontrasse forças para realizar um trabalho cada vez maior, dando origem à grandeza que hoje é o Botafogo Futebol Clube.

           Nessa mesma época, Manoela Trigo fundou a torcida feminina do tricolor, e, segundo muitos, chegou a presidir o clube, em um momento de dificuldades, quando muitos acreditavam que a Agremiação fosse desaparecer.
Nove anos mais tarde, o Botafogo conquistaria o seu primeiro grande título, em 1927, tornando-se Campeão do Interior, suplantando ao grande rival, o Comercial FC, que também tentava tal triunfo. Naquele ano, dividiram a presidência do Botafogo, Augusto Silva e Adriano dos Santos, sendo a equipe de futebol, capitaneada pôr Maximo Trujillo, conhecido como “Carrapato”, que terminou seus dias como funcionário do clube, trabalhando de copeiro na sede administrativa do tricolor.

Primeira Grande Conquista

            O ano de 1956 surge como um ano de grandes glórias para o Botafogo. A conquista da primeira Taça dos Invictos para o interior paulista, troféu instituído pelo jornal “A Gazeta Esportiva”, já anunciava a condição da primeira grande conquista do tricolor que seria o acesso à principal divisão do futebol de São Paulo, título este perseguido desde 1947.

            Incluído na série A do torneio dos campeões, o Botafogo tornou-se um dos finalistas, juntamente com o Paulista da cidade de Jundiaí. As finais foram disputadas em uma melhor de três jogos, sendo o primeiro em Ribeirão Preto, o segundo em Jundiaí, e o terceiro em São Paulo, no tradicional estádio do Parque Antarctica.

            As equipes chegaram à São Paulo na tarde de 10 de fevereiro, em igualdade de condições. O primeiro jogo em Ribeirão Preto apresentou o placar de 1×0 para o Botafogo, enquanto que a segunda partida em Jundiaí apresentou vitória do Paulista por 3×1. Com a necessidade da terceira partida o ambiente em Ribeirão era um misto de confiança e incerteza. Uma grande torcida botafoguense se fazia presente nas arquibancadas de Parque Antártica, deslocando-se para a capital levada principalmente pelos trilhos da Mogiana.

            O bom estado foi um alívio para o tricolor, que logo nos primeiros minutos já demonstrava sua superioridade. Com sua tradicional marca de fibra e raça, o onze tricolor colocava o “o coração na ponta das chuteiras”, sob o comando o técnico José Agnelli, que escalara o atacante Ponce, um lutador que não dava sossego às defesas adversárias, Na meia-esquerda entrava Neco, neutralizando as ofensivas de Alvair, e o marcador Mário seguia o craque Bene do Paulista por todo o campo. Nasce o lance do gol, através de uma cabeçada indefensável de Dicão. Em um ambiente dramático, segue a partida até o apito final do árbitro, iniciando uma maratona de comemorações pela capital paulista desde o estádio até o centro, culminando defronte a redação da “A Gazeta Esportiva”.

            O dia 11 de fevereiro, uma segunda-feira, foi decretado ponto facultativo pela prefeitura e o comércio e a indústria paralisaram suas atividades a partir do meio dia, para que todos se dirigissem ao Aeroporto Leite Lopes, recepcionando os heróis do acesso. A cidade já reconhecia o tricolor como o orgulho de Ribeirão. Valdomiro da Silva, “o presidente da vitória, empunhando a Taça dos Invictos, acompanhado da delegação vitoriosa, são envolvidos pela multidão que os leva nos braços até o carro alegórico. Com um cortejo impressionante, inicia-se o “Carnaval da Vitória”. Quase três horas de desfile sob o aplauso de mais de trinta mil pessoas. O maior espetáculo popular já visto em Ribeirão Preto na consagração do Botafogo, que dera de presente à cidade o título da primeira divisão.

O Pantera das Américas

             Motivado por suas constantes conquistas regionais, o tricolor de Ribeirão já era carinhosamente chamado de “Pantera da Mogiana”, em alusão a adoção de seu mascote, uma Pantera, e a região da Mogiana, onde se localiza geograficamente a cidade de Ribeirão Preto. Porém em janeiro de 1962, o Botafogo partia para sua primeira excursão internacional em gramados sul-americanos.

             A estreia se deu no dia 17 de janeiro de 1962, em partida realizada no estádio San Martim em Mar Del Plata, enfrentando o C.A Quilmes, com vitória deste adversário por 2X1. A recuperação aconteceria na partida seguinte em Olavarria, onde o Botafogo vence a equipe do Estudiantes pelo placar de 5×2, com grande atuação do ataque tricolor.

             A seqüência da excursão tornou-se um sucesso com seguidas vitórias em Baia Blanca, Tandil, Nacochéa e Rosário, empate em Santa Fé, nova vitória Córdoba, San Francisco e Rio Quarto, até o retorno a Buenos Aires, onde enfrentou o Boca Juniors no estádio de La Bombonera, onde o Botafogo perdeu por 2×1, em partida memorável, com a presença de torcedores de Ribeirão que viajaram em avião fretado especialmente para acompanhar a partida, que teve ainda transmissão da Rádio Bandeirantes de São Paulo, além de emissoras ribeirãopretanas. Duas partidas ainda foram realizadas, com empate em Junin e vitória contra o Quilmes em Cordoba.

             Em sua primeira excursão que foi em 1962, o tricolor disputou 14 jogos, perdeu dois, empatou três e conquistou nove vitórias. Quando regressou ao Brasil, o jornal “A Gazeta Esportiva”, festejava sua campanha alterando o slogan da equipe de “Pantera da Mogiana” para “Pantera da Américas”, tendo sido calorosa a recepção da delegação botafoguense na chegada à Ribeirão Preto.

             No ano de 1977, o Botafogo foi campeão da Taça Cidade de São Paulo (Primeiro turno do Campeonato Paulista), fazendo a final com o São Paulo num jogo que chegou à prorrogação. O jogo terminou em 0 X 0, dando o título ao Botafogo por ter feito melhor campanha.

             Na década de 1990, o clube obteve dois vice-campeonatos nacionais: da Série C, em 1996, e da Série B, em 1998. No ano seguinte, o Botafogo foi rebaixado e, em 2000, disputou a Copa João Havelange no Módulo Amarelo (equivalente à Série B).

            Em 2001, o Botafogo foi vice-campeão paulista, um feito extraordinário para um clube do interior que disputa um dos campeonatos regionais mais competitivos no mundo do futebol. Após este feito, o Botafogo passou por um período conturbado e de sucessivos rebaixamentos nacionais e estaduais, principalmente devido à má administração do ex-presidente Walcris da Silva.

            O Botafogo rebaixou para a Série B em 2001 e no ano seguinte, acabou rebaixando para Série CEm 2003, o Botafogo foi eliminado na primeira fase da Série C e rebaixou para a Série A2 do estadual

            A partir de 2004, o Botafogo já não possuía calendário nacional e no ano 2005 ocorreu o episódio mais triste de sua história, com o rebaixamento para a Série A3 devido à escalação de um jogador irregular. Este mesmo ano selou o fim da gestão de Walcris da Silva como presidente do Botafogo (2002-2005), a qual ficou marcada por 3 rebaixamentos e vexames sucessivos dentro e fora de campo, tal qual o erro no registro de um jogador que culminou no rebaixamento para a Série A3.

           O ano de 2006 marcou a ressurreição do Botafogo, sendo guiado pelo presidente Luis Pereira. O time foi campeão com facilidade da Série A3, tendo feito uma das melhores campanhas da história desta divisão. No ano seguinte, de volta à Série A2, o Botafogo ficou muito próximo do acesso ao Paulistão.

           Em 2008, a redenção do trabalho iniciado com o presidente Luis Pereira veio e o clube retornou à elite do futebol paulista e desde estão não foi mais rebaixado. Nas participações do Botafogo no Paulistão entre 2009 e 2015, destacam-se o título de Campeão do Interior em 2010, vencendo o São Caetano na final por 1 x 0, e as boas campanhas de 2013 a 2015, quando o Botafogo chegou às quartas-de-final.

           Porém, vale destacar a campanha milagrosa no ano de 2012, quando Botafogo venceu apenas 3 partidas nas 16 primeiras rodadas e precisava, além de vencer as 3 partidas que restavam, de uma série de combinações de resultados dos adversários. A antepenúltima e a penúltima partidas eram fora de casa contra, respectivamente, Linense e Catanduvense. O Botafogo venceu o Linense por 3 x 1 e, na sequência, venceu o Catanduvense por 4 x 2, reacendendo as esperanças da torcida, que lotou o estádio Santa Cruz na partida derradeira contra o Guarani, até então 2º colocado da competição.

           E o milagre aconteceu! Mesmo com um jogador a menos desde o final do primeiro tempo e com pressão constante do adversário, o Botafogo obteve a vitória por 2 x 1, sendo o gol salvador marcado pelo atacante reserva Clebinho, aos 43 minutos do 2º tempo. Após o apito final, a comoção tomou conta do estádio, diversos torcedores invadiram o campo e atravessaram de joelhos o gramado do Estádio Santa Cruz, único palco da cidade a sempre receber os grandes times e craques..

          Graças às boas campanhas no Paulistão, o Botafogo obteve o direito de disputar o Campeonato Brasileiro Série D nos anos de 2010, 2013 e 2015. Nas duas primeiras participações na Série D, o Pantera acabou eliminado na primeira fase.

          Mas em 2015, após um início de campeonato complicado somando apenas 2 pontos em 3 jogos, o Botafogo mais uma vez mostrou seu poder de superação e sagrou-se campeão do Campeonato Brasileiro Série D, deixando pelo caminho equipes como São Caetano ( nas quartas-de-final, quando obteve acesso à Série C)[3] e Clube do Remo, além de derrotar na final o River do Piauí em dois jogos intensos.

           Em 2014 e 2015, o Botafogo teve como fornecedora de material esportivo a consagrada empresa alemã Adidas. Em 2017, começa a parceria com a Numer, nova fornecedora de materiais esportivos do Orgulho de Ribeirão.

Estádio Santa Cruz

Capacidade: 29.300

Inauguração: 21/01/1968 – Botafogo 6×2 Seleção da Romênia.

Instalações: 80 camarotes, 3 Tribunas de Honra , 3.500 cadeiras e 3.000 assentos

Imprensa: 6 cabines de rádio (narrador e comentarista), 5 cabines amplas de TV (Com opção para rádio).

Parte física operacional: 4 vestiários, anfiteatro, alojamentos com 10 apartamentos e 15 quartos coletivos para um total de 90 atletas, setor administrativo com 10 salas.

Gramado: Grama bermuda, remodelado no início de 2009.

Histórico: finais do Paulistão de 1995, semifinais do Rio-São Paulo de 1995, amistoso internacional Brasil x Chile, semifinais e final do Paulistão 2001, abertura Paulistão 2009 (Palmeiras x Santo André).

Alguns dos craques que já vestiram a camisa do Botafogo

Carrapato  –  Máximo Tarujilo  –  1º ídolo do clube

Machado  –  Galdino Machado (goleiro e depois que encerrou a carreira passou a trabalhar como treinador)

Zé Mário  –  José Mário Donizeti Baroni  (foi o primeiro jogador na história do futebol brasileiro, a ser convocado para a Seleção Brasileira atuando por um clube do interior. Em 1977, defendeu o Brasil em duas oportunidades. Contra a Inglaterra e Seleção Paulista, ambos no Maracanã)

Geraldão  –  Geraldo da Silva  (campeão paulista pelo Corinthians em 1977)

Sócrates  –  Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira  (dispensa comentário)

Raí – Raí de Souza Vieira de Oliveira  (um dos maiores ídolos do São Paulo F.C.)

Lorico – João Farias Filho  (brilhou na Portuguesa nos anos 70)

Aguilera (goleiro da seleção do Paraguai)

Sicupira – Barcímio Sicupira Junior (um dos maiores ídolos do Atlético Paranaense)

Roberto Pinto  (um dos maiores ídolos do Vasco da Gama)

Julião – Antônio Elias Julião  (campeão paulista pelo Corinthians em 1951 e 1952)

Nair – Nair José da Silva (brilhou no Corinthians nos anos 60)

 

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