PELÉ: o Rei do Futebol

                    Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé.  Nasceu dia 23 de outubro de 1940 na cidade de Três Corações (MG). Portanto, hoje ele está completando 71 anos de vida.  Foi um jogador que dispensa qualquer comentário. Feliz de quem teve o privilégio de vê-lo jogar, era simplesmente fantástico ver seus dribles, seus chutes a gol, suas cabeçadas, enfim, um atleta perfeito, realmente o Rei do futebol. Começou a trabalhar cedo para ajudar a família, como engraxate, entregador de pastel e ajudante de sapateiro. Mas o destino do menino pobre que virou Rei já estava traçado. Filho de Celeste e de  Dondinho, que também foi um grande jogador na década de 40, Pelé até os 5 anos de idade e já morando em Bauru (SP) era chamado por todos de “Dico”, mas depois devido a um goleiro do time de Dondinho, virou “Bilé”. Anos depois, virou Pelé. Aos 10 anos já estava jogando no Sete de Setembro F.C. Aos 14 anos fez um teste para jogar no Baquinho de Bauru.

                    Entre 25 meninos só Pelé foi escolhido. O técnico do time era Valdemar de Brito, que havia disputado a Copa de 34 pela nossa seleção brasileira. No segundo jogo que fez pelo Baquinho, Pelé marcou 7 gols e passou a ser olhado com muito carinho pelo técnico da equipe. Certo dia, apareceu o técnico Tim, do Bangu do Rio de Janeiro, para levar aquele garoto, no entanto, sua mãe não deixou, pois não queria que o filho seguisse a mesma carreira do pai, devido as inúmeras contusões que sofreu. No entanto, no ano seguinte, depois de um belo discurso de Doninho, o técnico Valdemar de Brito conseguiu levar o garoto para fazer um teste no Santos F.C. 

                  Dia 8 de agosto de 1956, Pelé chegou na Vila Belmiro, onde treinou no meio das seguintes feras: Pagão, Zito, Pépe, Del Vechio e Jair da Rosa Pinto, que ao terminar o treino, disse ao garoto: “Você tem pinta, vai em frente”.  No segundo treino, mais desinibido, deu três dribles no zagueiro Hélvio que na época era um dos melhores zagueiros, que caiu sentado, enquanto Pelé parou a bola e começou a rir.  Devido a sua idade, pediram para Pelé dar uma força no time juvenil que iria jogar contra o Jabaquara. O Santos perdeu de 2 a 0 e Pelé muito aborrecido, arrumou as malas e disse que queria voltar para Bauru, mas o porteiro do clube o convenceu a ficar.

                 Pelé estreou oficialmente com a camisa do Santos F.C., dia 7 de setembro de 1956, quando o Peixe goleou o Corinthians de Santo André por 7 a 1. Neste jogo Pelé marcou o sexto da partida aos 36 minutos do primeiro tempo e o goleiro que sofreu o primeiro gol de Pelé, era Zaluar Torres Rodrigues. Ainda neste ano de 56 o atacante Vasconcelos, do Santos F. C., fraturou a perna num jogo contra o São Paulo e Pelé entrou na equipe para não mais sair. Neste ano também, o Peixe foi o campeão paulista. No ano seguinte Pelé foi o artilheiro do campeonato paulista com 32 gols.

                Em 1958 chegou a extraordinária marca de 58 gols, recorde que até hoje não foi superado por nenhum jogador. No ano seguinte, ao todo Pelé marcou simplesmente 129 gols, uma marca que dificilmente será quebrada, sendo um deles, no dia 2 de agosto de 1959 contra o Juventus, quando deu quatro chapéus para depois marcar o gol e depois sair dando socos no ar. Foi aí que nasceu sua marca registrada de comemorar os gols.

                 Com a fama de Pelé, principalmente depois da Copa de 58, o Santos não parava de excursionar, diziam até que o time treinava no avião, de tantos jogos seguidos que faziam, pois com a presença de Pelé, os estádios estavam sempre lotados e as rendas eram sempre grandiosas. E aonde Pelé chegava era grande a multidão para vê-lo. Até uma guerra parou para ver Pelé jogar. Isto aconteceu na Nigéria, quando o Santos foi fazer um amistoso. Só para verem Pelé jogar, assinaram um acordo de paz de 48 horas. Quando Pelé foi embora, a guerra recomeçou.  Dia 19 de novembro de 1969, Pelé marcou o gol de número 1.000 de sua carreira. Foi num jogo contra o Vasco no Maracanã e o goleiro era o argentino Andrada. Este gol foi de pênalti e aconteceu aos 32 minutos do segundo tempo.

Para contar tudo que Pelé fez durante os anos que vestiu a camisa do Peixe, precisaria um livro, porem como nossa coluna não há espaço para tanto, farei um pequeno resumo:  Pelo Santos, Pelé foi artilheiro do campeonato paulista por onze vezes, sendo nove consecutivas. Foi campeão 46 vezes, entre eles, dez títulos paulista, duas vezes na Libertadores, duas vezes no Mundial Interclubes, cinco pela Taça Brasil, quatro pelo Torneio Rio São Paulo e tantos outros de menor expressão.  Jogou pelo Santos 1.115 vezes, venceu 725, empatou 200 e perdeu 190 e marcou 1.091 gols. Pelé também foi um exímio goleiro. Jogou na posição em três oportunidades e não sofreu nenhum gol.

SELEÇÃO BRASILEIRA

               Pelé estreou na seleção brasileira com apenas 16 anos, quando o técnico Silvio Pirilo o convocou para um jogo contra a Argentina pela Copa Rocca no dia 7 de julho de 1957, quando o Brasil perdeu por 2 a 1, mas o gol brasileiro foi marcado por Pelé. No ano seguinte, veio sua consagração na Copa de 58, quando o mundo descobriu o Rei do Futebol. Neste mundial, Pelé estava com apenas 17 anos e marcou 6 gols. Veio então a Copa de 62. Depois de ter marcado 47 gols no campeonato paulista de 1961 e ter marcado um Gol de Placa no Maracanã dia 5 de março de 1961 contra o Fluminense, Pelé chegou no Chile com a certeza de que iria fazer outra brilhante participação naquele mundial.

              No primeiro jogo contra o México, fez um gol na vitória de 2 a 0. No entanto, uma grave contusão na segunda partida diante da Checoslováquia, o tirou da competição, entrando em seu lugar Amarildo, que juntamente com Garrincha, arrasaram nossos adversários e, assim conquistamos mais um título mundial. Para recuperar a tristeza de não participar dos jogos da Copa, Pelé sagrou-se bi campeão da Taca Libertadores e bi campeão do Mundial Interclubes de 1962 e 1963.  

              Veio então a Copa de 66 disputada na Inglaterra, uma verdadeira catástrofe, começando pelos nossos dirigentes que convocaram 47 jogadores, depois, a excessiva violência que imperou naquele mundial, principalmente por parte da seleção portuguesa, que simplesmente tiraram Pelé da competição.  Pelé ficou tão desanimado com tudo aquilo, que chegou a dizer que não iria disputar outra Copa.

              Chegava então a Copa de 70 no México e, para felicidade do nosso povo, Pelé havia esquecido do que disse anos atrás, pois naquele mundial, Pelé foi simplesmente magnífico, pois confirmou toda sua genialidade e mostrou ao mundo inteiro, o porque seria eleito o “Atleta do Século”. Nesta Copa o Rei fez de tudo. Marcou dois gols, deixou goleiro no chão, onde até agora ele procura a bola, quase fez gol do meio do campo, enfim, encheu os olhos do mundo inteiro com sua genialidade e, nós que tivemos a felicidade de vê-lo jogando, temos que agradecer à Deus pelo presente que recebemos. Com a camisa da seleção brasileira, Pelé fez 116 jogos e marcou 95 gols em 104 jogos.

              Depois da Copa, Pelé começou a se preparar para encerrar sua brilhante carreira. No dia 11 de julho de 1971, Pelé se despediu da camisa canarinho jogando no Morumbi, empatando com a Áustria em 1 a 1, onde milhares de pessoas choraram com aquela despedida. Assim também aconteceu uma semana depois, dia 18 de julho de 1971, quando quase duzentas mil pessoas choraram no maior estádio do mundo, o velho Maracanã, onde Pelé já havia feito milhões de brasileiros vibrarem com suas jogadas magistrais. O povo pedia em coro: “Fica, fica…” Era um amistoso contra a Iugoslávia, em que terminou empatado em 2 a 2.

              De repente, o jogo pára e Pelé começa a dar a volta olímpica e, a torcida em meio a histeria coletiva de uma nação que não saberia viver sem seu maior ídolo esportivo, gritava, pedia, implorava para ele ficar. Mas não teve jeito, a decisão já estava tomada e não voltaria atrás.  Para o torcedor santista, a dor foi maior no dia 3 de outubro de 1974, quando o Santos jogava contra a Ponte Preta na Vila Belmiro. Quando chegou aos 21 minutos de jogo, Pelé pega a bola, ajoelha-se no meio do campo, abre os braços, depois dá a volta olímpica chorando, segurando aquela camisa que por 18 anos ele honrou como ninguém.

Antes de encerrar a carreira em definitivo, jogou por três temporadas nos Estados Unidos pelo New York Cosmos, onde foi campeão em 1977 e marcou 63 gols.  Em 1980 foi eleito como o “Atleta do Século”, numa justa homenagem ao nosso Rei do Futebol.  Ao todo em sua carreira, Pelé jogou em 62 países, realizou 1.371 jogos e marcou 1.281 gols. Sem dúvida alguma foi o maior jogador de futebol de todos os tempos. Pelé conseguiu bater quase todos os recordes de um jogador de futebol mundial. Algumas de suas marcas dificilmente serão igualadas ou superadas por qualquer outro atleta. Em toda sua carreira, conquistou 53 títulos.

               Nenhum outro jogador em todos os tempos acumulou tantas glórias. Pelé ainda teve participações em algumas novelas da Rede Globo e em dez filmes e compôs algumas músicas. Empresário de sucesso, ocupou o cargo de Ministro dos Esportes entre os anos de 1995 e 1998, período em que inspirou a criação da Lei Pelé. Quem ama o futebol e teve a sorte de ver Pelé jogar, pode se considerar um ser humano privilegiado. Por tudo isso, só nos resta dizer neste dia do seu aniversário; Parabéns Pelé e obrigado pelas alegrias e felicidades que proporcionastes ao povo brasileiro.

Time do Baquinho – Bauru-SP 29-10-1954
PELÉ NO GRUPO ESCOLAR
Primeira vez que Pelé vestiu a camisa do Santos em jogos oficiais 07-09-1956

Primeira vez que Pelé vestiu a camisa da Seleção Brasileira – 7-7-1957
SANTOS DE 1958 – Em pé: Dalmo, Zito, Urubatão, Formiga, Getúlio e Laércio Agachados: Dorval, Jair Rosa Pinto, Coutinho, Pelé e Pepe
Final da Copa de 1958     –   Em pé: Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gilmar      –     Agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo
Seleção do Exército Brasileiro de 1959     –    Em pé: Milesi, Aloísio, Daniel, Nelson Coruja, Mané e Gonçalves     –    Agachados: Bataglia, Pelé, Parada, Lorico e Parobé
SANTOS FC. – 1959     –     Em pé: Zito, Ramiro, Manga, Urubatão, Getúlio e Dalmo      –     Agachados: Dorval, Jair da Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe
Em pé: Zito, Olavo, Formiga, Getúlio, Zé Carlos e Gilmar     –     Agachados: Julinho Botelho, Pelé, Servilio, Chinesinho e Pepe
Santos 5×2 Benfica – 11-10-1962      –      Em pé: Lima, Zito, Dalmo, Calvet, Gilmar e Mauro   –     Agachados: Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe
SELEÇÃO BRASILEIRA NA COPA DE 1966     –     Em pé: Orlando, Manga, Brito, Denilson, Rildo e Fidélis     –     Agachados: Jairzinho, Lima, Silva, Pelé e Paraná
Pelé teve que interromper seu banho para dar autógrafo ao Senador Kennedy dos Estados Unidos
Pelé beija a bola após o milésimo gol de sua carreira
SELEÇÃO BRASILEIRA NA COPA DE 1970 – Em pé: Carlos Alberto, Brito, Piazza, Félix, Clodoaldo e Everaldo – Agachados: Jairzinho, Rivelino, Tostão, Pelé e Paulo César Cajú
Pelé despede-se da Seleção Brasileira
Último jogo de Pelé no Pacaembu     –      Em pé: Cejas, Wilson Campos, Oberdã, Leo Oliveira, Marinho Peres e Zé Carlos     –    Agachados: Cláudio Adão, Brecha, Adilson, Pelé e Edu
Pelé chega ao Kosmos dos Estados Unidos
Pelé é eleito o Atleta do Século XX
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