FIGUEROA: um dos maiores ídolos do Internacional / RS

                     Elias Ricardo Figueroa Brander nasceu dia 25 de outubro de 1945, na cidade de Valparaiso, no Chile. Um zagueiro-central quase perfeito, que também sabia fazer dos cotovelos uma arma contra aqueles que ousavam invadir “sua casa”, como Palhinha e Tarcísio acabariam conhecendo ao longo dos anos. Figueroa era um jogador espetacular, sendo eleito o melhor jogador do Brasileiro de 1975. Pelo Chile, disputou as Copas do Mundo de 1966, na Inglaterra, 1974, na Alemanha, e 1982, na Espanha, sendo eleito o melhor zagueiro da Copa de 74. O lema do zagueiro central chileno Figueroa sempre foi o seguinte “A área é a minha casa, aqui só entra quem eu quero.” Quem analisa a trajetória de Figueroa apenas da ótica de sua carreira de sucesso não pode imaginar as dificuldades que teve até chegar ao estrelato.

                     Até os seis anos, quando foi operado de um problema respiratório, ele não podia correr e pular como as outras crianças.  Assim, quando não podia acompanhar os outros, o pequeno Elias teve na bola sua companheira. Foi chutando-a contra a parede e realizando dribles sem adversários que o garoto foi pegando jeito com a redonda. Aos dez anos, a história de Figueroa poderia ter tomado um rumo trágico. Acometido de poliomielite, Elias ficou mais de um ano em uma cama. Com apoio da família, ele conseguiu sair dessa e seguir seu destino rumo ao sucesso. Aos 12 anos, começou a jogar futebol sem interrupções. Dois anos depois estava no Santiago Wenderers, time de Valparaíso que revelou a qualidade do zagueiro. Foi lá que ele ganhou o apelido famoso de um comentarista esportivo encantado com sua habilidade. Certa vez, depois de sair de sua área dando uma janelinha no adversário e passando por outros dois, ele passou a ser chamado de “Dom Elias Figueroa”.

                  Aos 16 anos, ele deixava a seleção chilena de juniores para integrar o grupo principal. Pouco depois foi vendido ao Palestino, fundado por imigrantes italianos. Nesta época teve a honra de ser o mais jovem capitão do Chile e disputar a Copa da Inglaterra, em 1966. Depois da destacada atuação no Mundial foi contratado pelo Peñarol, do Uruguai, onde foi campeão nacional em 67 e 68, jogando em Montevidéu até ser negociado com o Colorado gaúcho. A precocidade não o acompanhou somente na carreira. Casou-se aos 16 anos com Marcela, que tinha 15 anos. O casal se conhecia desde a infância e estava ansioso pela união. Em 1971 chegou ao Colorado vindo do Peñarol, onde jogava desde 1967, e deixou grande parte da torcida uruguaia revoltada (quando souberam da venda de Figueroa, os torcedores se reuniram em frente à sede do clube uruguaio e rasgaram suas carteirinhas de sócio em sinal de protesto).

                 Foi capitão e comandante da defesa do Inter de 1971 a 1976 e nessa passagem faturou dois campeonatos brasileiros (1975 e 1976) e cinco gaúchos (1971/72/73/74/75). Em 1974, 1975 e 1976 foi escolhido pela imprensa o melhor jogador da América.  Além de um zagueiro “quase-perfeito”, de raçudo, elegante e de excelente técnica, Figueroa é muito lembrado como o autor de um dos gols mais importantes da história do Inter: o “gol iluminado”. Assim ficou conhecida a cabeçada do chileno que deu ao Colorado o título de campeão brasileiro de 1975, vencendo o Cruzeiro por 1 a 0 no estádio Beira-Rio. Naquela tarde nublada, um “fio de luz” iluminava apenas uma parte do campo. Justamente aquela faixa onde Figueroa subiu para testar no gol cruzeirense e garantir o primeiro título brasileiro do time gaúcho. Por isso, aquele gol ficou sendo chamado de “Gol iluminado”. Este jogo aconteceu dia 14 de dezembro de 1975, uma tarde muito fria em Porto Alegre, mas o estádio Beira Rio estava completamente lotado. O técnico Rubens Mineli mandou a campo naquele dia a seguinte escalação; Manga, Valdir, Figueroa, Hermínio e Chico Fraga; Caçapava, Falcão e Carpegiani; Valdomiro, Flávio e Lula.

Em 1.976 quase o mesmo time de 75. O Inter chega de novo ao topo do futebol brasileiro. A conquista do Bicampeonato foi em cima do Corinthians. Este jogo aconteceu no Beira Rio e o placar foi de 2 a 0, com gols de Dada Maravilha e Valdomiro, que foi o grande nome da partida, fazendo um gol e sendo decisivo no outro, como fora no gol de Figueroa no ano anterior. Também em 1976 o Inter tem outra importante conquista. Desafiado a bater seu próprio recorde e principalmente bater a marca do grande rival. O Colorado ganhou o oitavo título gaúcho consecutivo e era octacampeão gaúcho, deixando para trás o hepta que o Grêmio havia conquistado em 1.968. Pela Seleção Chilena, jogou a Copa da Inglaterra, em 1966, e a Copa da Alemanha, em 1974, e a de 1982 na Espanha. De todas estas copas, aquela em que o Chile conseguiu uma melhor colocação, foi a de 1974, na Alemanha, quando ficou em 11º lugar, e o time chileno daquele mundial era o seguinte; Vallejos, Garcia, Figueroa, Quintano e Arias; Valdez, Rodrigues e Reinoso; Casely, Ahumada e Paes. Em 1977, saiu do Inter e foi jogar no Palestino do Chile. Passou também pelo Fort Lauderdale, dos EUA, que foi sua última equipe. Após encerrar a carreira de jogador, Figueroa foi técnico e cartola do seu querido Internacional.

                 Duas décadas após pendurar as chuteiras, Dom Elias Figueroa é reverenciado nos clubes onde atuou e festejado como um herói. O grande defensor, que se destacou em equipes de Brasil, Chile e Uruguai, é considerado como um dos grandes zagueiros da década de 70.  No Internacional Figueroa deixou saudades. Os torcedores colorados que tiveram oportunidade de assisti-lo jogar, lembram com saudade do grande time da década de 70, octacampeão gaúcho e tricampeão nacional. Entre 72 e 76, a equipe foi comandada por ele: o xerife da área. Nos anos seguintes, a torcida do Inter sempre procurou comparar seus zagueiros com o lendário capitão. Somente quando o paraguaio Gamarra vestiu a camisa vermelha, os torcedores puderam ver um atleta com características semelhantes às de Figueroa, atuando com força e determinação, utilizando com maestria a arte de desarmar os atacantes. A principal diferença entre os dois capitães está nos títulos conquistados e no imaginário popular. Enquanto Gamarra levantou apenas a taça de campeão gaúcho em 97, em sua despedida, seu antecessor chileno foi sete vezes campeão pelo clube gaúcho, incluindo dois títulos nacionais.

                 Além de um grande atleta, Figueroa era um jogador diferenciado. Presença constante nas colunas sociais de Porto Alegre ao lado da bela esposa Marcela, ficou famoso pelo bom gosto por vinhos e pela literatura. Mas era no campo, com sua impressionante impulsão e seu domínio absoluto do posicionamento em campo, que Figueroa se tornou uma presença mítica, quase um Deus para os colorados.  Capitão da equipe desde o primeiro jogo e apontado pela crônica especializada como o melhor jogador do continente por três anos consecutivos (1974, 1975 e 1976), Figueroa jogou sua última partida pelo Internacional em janeiro de 1977, sob as vaias da torcida inconformada com sua saída iminente. Depois, foi para o Palestino, do Chile, e encerrou a carreira no Fort Lauderdale, dos Estados Unidos. No início dos anos 70 dividiu com Falcão a condição de maior ídolo do Internacional.

                 No dia 14 de novembro de 1971, Figueroa desembarcou em Porto Alegre, comprado do Peñarol, do Uruguai (clube que defendeu nos primeiros quatro anos de sua carreira). Era uma espécie de resposta da diretoria colorada ao Grêmio, que pouco antes trouxera também um estrangeiro, o zagueiro uruguaio Ancheta, do Nacional, do Uruguai, um dos destaques de sua Seleção na Copa de 1970. Mas no Inter, Figueroa seria muito mais do que Ancheta foi no Grêmio. Relativamente baixo para um zagueiro (1,84 metro), Figueroa era elegante, técnico e raçudo. Para aqueles que não tiveram o privilégio de ver Figueroa jogar, vamos relacionar os títulos que ele conquistou ao longo de sua carreira; Bicampeão Uruguaio de 1967 e 1968 pelo Peñarol. Hexacampeão Gaúcho de 1971 à 1976 pelo Internacional. 

                Bicampeão Brasileiro em 1975 e 1976 também pelo Internacional.  Sem dúvida um atleta que merece todo nosso respeito.  Nós brasileiros achamos que somos os melhores do mundo quando o assunto é futebol, porém para as pessoas que verdadeiramente amam e acompanham o futebol, esta questão é deixada de lado quando falamos de craques. Por mais que o tema seja polêmico, todo conhecedor do esporte reconhece que Maradona, Alfredo Di Stéfano, Ramos Delgado e outros, foram jogadores extraordinários e que figuram entre os melhores do mundo de todos os tempos em suas posições. Pois bem, eis que em 1971 surge em Porto Alegre, Elias Figueroa, talvez o maior zagueiro da história do Internacional de Porto Alegre-RS, um jogador que passe o tempo que passar, o torcedor colorado jamais esquecerá, pois foi um craque que escreveu sua história no clube gaúcho com letras de ouro.

 

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