ALEXANDRE SANTOS: o locutor de inúmeros bordões

                   Antônio Hélio Spímpolo, o Alexandre Santos: o renascimento de um gigante da narração. Um homem que supera o preconceito e a poliomielite há 80 anos. Ele foi um dos maiores narradores da história da crônica esportiva entre as décadas de 1960 a 1990. Estava sumido da mídia desde quando sofreu um AVC (acidente vascular cerebral), 20 anos atrás. Perdeu a voz por 4 anos e foi parar na cadeira de rodas. Alexandre Santos só não perdeu a força de viver e seguir contando histórias de vida e de suas épicas narrações nos 50 anos de profissão.

Grande nome do jornalismo esportivo, Alexandre Santos tem sua trajetória muito ligada ao grupo Bandeirantes de comunicação. Trabalhou como apresentador, narrador e plantonista durante muitos anos tanto na televisão quanto na rádio. Estava no canal Bandsports quando sofreu um derrame cerebral que o deixou parcialmente paralisado. Por conta disso, foi obrigado a se afastar de suas atividades profissionais. Atualmente Alexandre reside em São Paulo, no bairro de Santo Amaro.

                   Sua atuação foi marcante. Seja como apresentador do programa “Gol, o Grande Momento do Futebol”, ou como plantonista. Nas narrações cunhou frases que os mais antigos jamais se esquecerão. Na hora do gol, por exemplo, era comum gritar “guardou”. Também será sempre lembrado pelas expressões “certinho, certinho” e “tá no balaio”, referência à rede. Alexandre Santos, que tem como registro de nascimento, Antônio Hélio Spímpolo, é irmão de Sílvio Filho, radialista e plantonista esportivo das décadas de 70, 80 e 90.

                    Alexandre Santos começou em 1958 na Bandeirantes e só trabalhou nesta empresa. Passou pela rádio e pela TV por assinatura BandSports. Narrou os mais diversos esportes. Teve um AVC e precisou ser afastado das transmissões. Chegou a ficar rouco durante um tempo em razão de sequela do AVC. Passou a aparecer em pequenas gravações, mais para matar a saudade. Mas hoje diz estar muito bem de saúde e sem nenhum problema. Ainda continua a prática da natação.
TEMPOS DE BANDEIRANTES

“Há uns 12 anos eu nadava de segunda, quarta e sexta e não tinha nada. Jantava e almoçava bem, mas tive um AVC. Fiquei roco uns quatro anos e a Bandeirantes ficou me ajudando com tudo. Fiquei um tempo sem muito equilíbrio e passei a andar com uma bengala. Engordei 18 kg. Mas voltei a dirigir e de fim de semana vou ao meu sítio nadar. Hoje não tenho problema nenhum, nenhum. Faço natação e levantamento de peso”, comentou.

                      Além de “Apontou, guardou!” e “Cutucou, guardou!”, Alexandre diz ter idealizado outras 177 expressões ao narrar os mais diversos esportes. “Eu gostava de criar frases. Tem também ´Ele e a  bola, o goleiro e o gol´. Tem o ´Um gol maior, vai que a festa é sua´, ´está deixando a bola quadrada´. Nem consigo lembrar todas mais. Mas eu tenho elas todas escritas e guardadas comigo. Eu tenho 179 frases que usava nas transmissões. Gostava de ousar e pensar em jargões novos.

Alexandre Santos se chama, na verdade, Antônio Hélio Spímpolo. Mas preferiu usar Alexandre Santos como nome  artístico porque acreditava que faria mais sucesso. Disse que refutou usar seu verdadeiro sobrenome pois temia que virasse alvo de brincadeiras.

                      “Há 46 anos, na TV Tupi, tinha um jornalista que já se chamava Antônio Hélio. Então eu tinha que usar outro, porque esse nome já existia. E o pessoal me falava: ´Spímpolo não pega, Spímpolo não pega. Com nome de Spímpolo você vai acabar virando Pimpolho. Isso ia render apelido.

                      “Eis que então pensei em usar um outro. Coloquei Alexandre porque era  o nome de um irmão. E quis fazer uma homenagem ao dia de todos os santos, que foi quando tive uma poliomielite e acabei me recuperando. Matou um monte, na época, essa doença. Mas eu escapei”.

                       Por causa da poliomielite ele precisou dirigir um carro adaptado para levar os netos à escola e depois volta para casa, localizada em Santo Amaro, zona sul de São Paulo. Só no “Gol Grande Momento” foram 33 anos como apresentador e editor, fora lutas de Mike Tyson e Maguila, que rendiam grandes audiências para a Bandeirantes, na época, o Canal do Esporte, onde produzi e apresentei por 33 anos e depois passei os direitos autorais para a Bandeirantes. Agora está em boas mãos, com o Milton Neves, que é muito meu amigo. Ele tem condição de apresentar, improviso e disposição de trabalho que nunca vi.

                         Voltar para televisão? Nem pensar.  Meu tempo já foi. Agora estou velhinho, velhinho. Agora fico vendo os caras trabalharem. Quero paz e tranquilidade.

 

Alexandre Santos como técnico de Futsal da equipe de funcionários da Rádio Bandeirantes
Em pé: Jaime Madeira, Ênnio Rodrigues, Flávio Araújo, Mauro Pinheiro, Fiori Giglioti, Luiz Augusto Maltoni, Domingos Leoni, Fernando Solera e Jorge de Mello    –     Agachados: Borghi Júnior, Luiz Carlos Moreira, José Paulo de Andrade, Osvaldo dos Santos, Alexandre Santos, Carlos Alberto de Castro e Dinamérico Aguiar.

 

 

Osmar Santos, José Carlos Cicarelli e Alexandre Santos
Em pé: Dieter Glaeser, Roberto Silva, Luiz Augusto Maltoni, Dinamérico Aguiar, José Carlos Silva, Luis Moreira, Tony Lourenço e Alexandre Santos      –      Sentados: Chico de Assis, Osvaldo dos Santos, Ênnio Rodrigues, Fiori Giglioti, Flávio Araújo, J. Háwilla, Barbosa Filho e Borghi Júnior.
Equipe Esportiva da Bandeirantes que marcou época no Rádio Brasileiro
Alexandre Santos nos dias de hoje

 

 

 

 

 

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