FELIPÃO: nosso técnico na conquista do Penta

               Luiz Felipe Scolari nasceu dia 9 de novembro de 1948, na cidade de Passo Fundo (RS).  Logo na infância percebeu que não havia herdado o talento do pai, Benjamin Scolari, considerado um dos melhores zagueiros do Sul na década de 40. Mesmo sendo considerado um verdadeiro “perna-de-pau” entre os colegas, mudou-se aos 17 anos para São Leopoldo, onde foi jogar nos juvenis do Aymoré. Se a técnica não o ajudava, logo no início de sua carreira ele começou a se destacar por seu estilo aguerrido e sua liderança dentro de campo, sendo sempre titular e capitão nos times nos quais atuou. Jogou até 1973 no Aymoré, sendo transferido depois para o Caxias, maior força do interior do Rio Grande do Sul na época, onde ficou por mais sete anos. No final de sua carreira, jogou ainda no Juventude, Novo Hamburgo e no CSA, de Alagoas, time no qual se aposentou, em 1982.

INÍCIO COMO TÉCNICO

               A primeira experiência de Felipão como técnico foi no próprio CSA, ainda em 82. Depois, dirigiu o Brasil de Pelotas e o Al Sabbab, da Arábia Saudita. Foi em 1987, entretanto, que começou a se destacar, ajudando o Grêmio a chegar ao tricampeonato gaúcho. Logo em seguida, porém, foi contratado pelo Al Badsia, do Kuwait, onde conquistou os títulos da Copa do Kuwait e da Copa do Golfo. Já no ano de 1991 veio o primeiro título nacional de Felipão, com a surpreendente conquista da Copa do Brasil pelo Criciúma. Desbancando forças como Atlético Mineiro, derrotado em pleno Mineirão por 1 a 0, e Goiás, o Tricolor catarinense chegou à decisão contra o Grêmio. Com dois empates (1 a 1 no Olímpico e 0 a 0 em Criciúma), Felipão deu ao time a classificação à Libertadores e o título mais importante de sua história. Entretanto, deixou a equipe logo em seguida para aceitar uma proposta irrecusável do Al Ahli, da Arábia Saudita.

GREMIO

              Felipão voltou da Arábia para assumir o Grêmio em 1993, dando assim o início à uma passagem vitoriosa pelo clube gaúcho. Primeiro veio a Copa do Brasil, em 1994, depois de uma vitória de 1 a 0 sobre o Ceará, no Olímpico. O título garantiu ao clube a presença na Libertadores do ano seguinte. Foi no torneio sul-americano que o técnico alcançou finalmente o reconhecimento nacional. Com um time de pouca técnica, mas muita pegada, tendo como destaques os atacantes Paulo Nunes, Jardel e os paraguaios Arce e Rivarola, o Tricolor gaúcho levantou o segundo título sul-americano de sua história na competição. O vice-campeonato da Copa do Brasil, no mesmo ano, consolidou a fama de copeiro tanto do time quanto de Scolari.  Se, por um lado, o treinador se consagrou como um dos melhores do país, de outro passou a ser acusado de violento por muitos adversários.

              “Há uma diferença entre o jogador viril para aquele que pega forte, com maldade, para machucar o adversário”, diz Felipão.  Pelo Grêmio, Luiz Felipe Scolari conquistou ainda o bicampeonato gaúcho (95 e 96) e o Campeonato Brasileiro em 96, derrotando a Portuguesa na final. Mesmo com tantos títulos, ele nunca cogitou ir para a seleção. “Ela é inatingível para mim, por causa do meu estilo. Sou muito franco e difícil de me relacionar”, comentou na época. Alegando estar desgastado com a diretoria do Grêmio, Felipão anunciou logo depois do título nacional, no final de 96, sua ida ao Jubilo Iwata, do Japão. O time o contratou por US$ 150 mil mensais.

PALMEIRAS

              A estada do treinador no Japão, porém, durou pouco mais de seis meses. Em junho de 97 ele foi contratado pelo Palmeiras, com a missão de levar ao Parque Antarctica o troféu da Libertadores e do Mundial, tão cobiçado desde o início da Era Parmalat. A missão, porém, não seria fácil, uma vez que o time alviverde, conhecido como “a Academia de Futebol”, nunca foi adepto ao futebol-força de Felipão. Os atritos com os torcedores, a “turma do amendoim”, como o próprio treinador passou a chamar os torcedores que o xingavam das cadeiras numeradas do Parque Antarctica, atrás do banco de reservas, durante as partidas e com a imprensa, foram marcas registradas de sua passagem pelo futebol paulista desde o início. Logo em seu primeiro semestre no comando do Verdão, Felipão levou a equipe ao vice-campeonato brasileiro, um ótimo resultado se considerada a decepcionante campanha no Paulista daquele ano quando, sob o comando de Márcio Araújo, o Palmeiras terminou na quarta colocação.

               Entretanto, Felipão só conseguiu montar um time com a sua “cara” em 98, com a vinda dos ex-gremistas Paulo Nunes, Arílson, Arce e Rivarola. Com o fraco início de temporada, o time chegou a ser goleado no Paulistão pelo Mogi Mirim por 4 a 1. Aquilo fez com que muitos torcedores perdessem a paciência e pedissem a cabeça do técnico. A tensão aumentou ainda mais quando Scolari chegou a agredir com um soco o jornalista Gilvan Ribeiro depois de um treino, em abril daquele ano. O título da Copa do Brasil, com um gol de Oséas no último minuto sobre o Cruzeiro, e a conseqüente classificação para a Libertadores, serviu para levar a tranqüilidade ao Palestra Itália. Já no segundo semestre veio a Copa Mercosul, novamente vencendo o Cruzeiro na final.

              Esta conquista, a primeira internacional da história do Palmeiras, serviu para dar confiança à equipe para a disputa da Libertadores, que viria logo em seguida. Depois de passar por Vasco, Corinthians e River Plate, o time de Felipão finalmente levantou o tão sonhado troféu da principal competição da América do Sul. O título, inclusive, veio de forma dramática, conquistado nos pênaltis sobre o Deportivo Cali, da Colômbia. A alegria da torcida palmeirense só não foi maior porque o time não conseguiu passar pelo Manchester United, perdendo a decisão do Mundial em Tóquio por 1 a 0. No final daquele ano o Palestra perderia mais uma decisão, para o Flamengo, na Mercosul. Já em 2000, o Palmeiras chegaria mais uma vez à final da Libertadores. A equipe, porém, acabou sendo derrotada nos pênaltis pelo Boca Juniors, naquela que acabou sendo a última partida de Scolari no comando do time. “Não via mais motivos para continuar. Quando você vê que não há mais nada para fazer aqui, a melhor coisa é ir embora”, afirmou o treinador depois de deixar o Parque Antarctica.

SELEÇÃO BRASILEIRA

              Luiz Felipe Scolari iniciou sua trajetória na seleção brasileira dando a braçadeira de capitão a Romário. Na época, o treinador não imaginava que o Baixinho se tornaria o maior fantasma de sua caminhada até a Copa do Mundo. Em uma partida contra o Uruguai, em Montevidéu, Felipão perdeu em sua estréia no comando do time canarinho. Aos trancos e barrancos, Felipão foi formando o seu grupo no final das eliminatórias para a Copa de 2002. O jogo contra o Paraguai, em Porto Alegre, foi importantíssimo. Com amplo apoio do povo gaúcho, Felipão usou o tempo de preparação para entrosar o elenco: começava a ser formada o que passou a ser chamada de Família Scolari. Assim como todas as conquistas de Luiz Felipe Scolari, o título mundial foi dramático. O próprio treinador teve a chance de vencer o Mundial com Grêmio e Palmeiras e desperdiçou. O único troféu que faltava na carreira vitoriosa ficou reservado para ser ganho de uma forma inesquecível, testemunhada não apenas pelo povo brasileiro, mas sim pelo mundo inteiro, ao ver o Brasil sagrar-se Pentacampeão Mundial de Futebol.

PORTUGAL               

              Logo após o pentacampeonato com a seleção brasileira, Felipão acertou sua transferência para Portugal. Adorado pela torcida lusitana, ele deu uma amostra de seu trabalho durante a Eurocopa de 2004. Numa campanha dramática, com direito a derrota na estréia e vitória sobre a Inglaterra nos pênaltis, a seleção rubro-verde chegou até a final e levou a nação às lágrimas ao cair diante da Grécia. Independente do resultado, Scolari, como é chamado por lá, renovou a alma da seleção e especialmente do povo português, que afixou bandeiras em todas as janelas durante o torneio. Mesmo não fazendo uma boa campanha no mundial de 2006, Felipão não pretendia voltar a trabalhar no Brasil e ainda dizia; “Em Portugal, recebo no dia 29 e não voltarei para o Brasil para receber dia 112. Montei uma ideia e ela está sendo cumprida, envolvendo minha mulher e meus filhos, que estão se dando bem na escola. Trocar A por B não existe. Repatriar só por repatriar não faz sentido. Sinto saudades, mas eu resolvo isso quando venho e passo dois ou três dias por aqui”.

Time do Caxias-RS, no início dos anos 80, com dois jogadores que se tornariam técnicos da seleção brasileira. Em pé, Felipão é o quarto da esquerda para a direita   –     Agachado, Tite é o primeiro, também da esquerda para a direita
Primeiro título de Felipão como treinador     –   O Criciúma foi campeão da Copa do Brasil em 1991. Da esquerda para a direita, Felipão, Roberto Cavalo e Beto Ferreira
Time do Aimoré (RS) no início dos anos 70. A dupla de zaga da equipe gaúcha era formada por Luiz Felipe Scolari (o segundo em pé, da esquerda para a direita) e Salvador (o quinto em pé)
Felipão quando defendia o Juventude do Rio Grande do Sul
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